domingo, 29 de maio de 2011

Arquivos da ditadura no Brasil tornam-se Registro Memória do Mundo

"A rede de informação e contra-informação do período militar de 1964 a 1985 é composta por 17 fundos, considerados pela agência da ONU, essenciais à construção da história e regimes de exceção na América Latina na segunda metade do século 20, e para a proteção dos direitos humanos".
A Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco, informou que os arquivos da ditadura brasileira foram aceitos como Registro Memória Mundo 2011.O anúncio foi feito, na ultima quarta-feira, em Paris, sede da Unesco. A rede de informação e contra-informação do período militar de 1964 a 1985 é composta por 17 fundos, considerados pela agência da ONU, essenciais à construção da história e regimes de exceção na América Latina na segunda metade do século 20, e para a proteção dos direitos humanos.
Países Latino-Americanos 

Os documentos da ditadura fazem parte da coleção de vários arquivos públicos no Brasil. A informação também está ligada a outros países latino-americanos que sofreram os regimes militares como Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. 
Parte da informação aceita pela Unesco para se tornar Registro Memória do Mundo contem depoimentos de militantes de organizações clandenstinas e arquivos particulares. Os documentos podem ser acessados nos sites Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil e Memórias Reveladas.
O golpe militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente da República João Goulart deu início à ditadura brasileira, que durou por 21 anos no país.
Dois meses depois, em 13 de junho, foi criado o Serviço Nacional de Informações, SNI. Segundo o documento enviado para a inscrição na Unesco, das 4.841 penalidades oficiais impostas pelo regime militar, quase 3 mil foram baseadas em informações do SNI.
Além dos arquivos da ditadura, foram inscritos mais 44 itens de várias partes do mundo no Registro Memória do Mundo, da Unesco. Os arquivos da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, uma inscrição conjunta de oito países incluindo Brasil, Gana e Estados Unidos também fazem parte da lista.
Por: CMI Brasil