segunda-feira, 30 de maio de 2011

O cadeirante de Barcelona

Por: MonBlog
A imagem do cadeirante sendo agredido pela polícia em Barcelona, na Espanha, é o típico fato que dispensa argumentos. Mas a cena chocante representa mais do que isso: ela expressa de forma explícita a atual conjuntura política e econômica, onde os de baixo, os mais fracos são impiedosamente atacados pelas classes dominantes. Ela resume perfeitamente o que estamos vivendo. É um símbolo da atualidade!

Acampados há duas semanas em várias praças espalhadas pelo país a população espanhola protesta contra os planos de ajuste do governo contra o povo, contra o sistema econômico e pede por uma democracia real, uma democracia de verdade, pois sente que os políticos não os representam. Eles perceberam a grande farsa que é a democracia representativa dos ricos e se deram conta quem são os reais representados nela.

À pedido dos governos e das classes dominantes locais, o governo espanhol, que não descarta uma ofensiva em outras cidades, ordenou a polícia que iniciasse a retirada dos manifestantes da praça da Catalunya na última sexta-feira. A operação foi violenta, com 121 feridos, de acordo com a grande mídia, e tendo sobrado até para o cadeirante.

O episódio deve ter reforçado no imaginário dos manifestantes suas convicções sobre a atual "democracia". Esta, porém, mantém-se inquestionável no Ocidente. Não vimos nenhum jornalista brasileiro da grande mídia se solidarizar ao cadeirante espanhol, que sequer aparece na maioria das matérias, nem denunciar que o regime espanhol não passa de uma ditadura dos ricos disfarçada de democracia. Ah, se fosse algum governo indesejado pelo Ocidente...

A imagem do cadeirante de Barcelona acuado, encolhido, tentando se defender da ofensiva policial covarde é o símbolo dos nossos tempos. Um tempo onde as classes dominantes, responsáveis pela atual crise econômica, empreendem uma ofensiva violenta, em todos os sentidos, contra os direitos das classes subalternas, pouco importando-se com a sorte dessas.

O policial não abusou sozinho do cadeirante: por trás dele havia a mão das classes dominantes. É a mesma mão que está tascando os direitos sociais e econômicos obtidos com muita luta e sangue pela classe trabalhadora ao longo de anos. Uma mão que já não consegue mais aparentar ser invisível.