quarta-feira, 29 de junho de 2011

Ausência de Chávez deixa situação e oposição sem rumo

Chávez domina a política venezuelana há anos A ausência do presidente Hugo Chávez, que há quase 20 dias se  recupera de uma cirurgia em Cuba, evidencia como tanto a situação como a oposição dependem da figura do mandatário para orientar o seu rumo político.

Ambas parecem não saber muito bem como agir nestes dias e perguntas como “pode existir revolução sem Chávez?” e “o que a oposição fará na ausência prolongada de Chávez?” seguem sem resposta.

"A política venezuelana é dependente de Chávez. Estamos sem alguém que dite a agenda", disse à BBC o analista José Vicente Carrasquero.

"Durante a semana, os políticos repercutiam as peripécias de Chávez", afirma o analista, citando o programa semanal Aló Presidente, no qual o líder costumava falar por quatro ou cinco horas.

Mas no momento, o país parece se ajustar a uma frase cunhada no chavismo: "com Chávez tudo, sem Chávez, nada", ou pelo menos uma variante dela "sem Chávez, incerteza pura".

Situação

Ninguém no governo tem o carisma ou conexão profunda de Chávez com os setores tão amplos da população.

Para o analista Nicmer Evans, a vida política na Venezuela "se move com o pé no freio".

"Com sua presença, o presidente imprime uma velocidade vertiginosa à revolução", diz ele.

Evans afirma que os setores políticos venezuelanos devem começar a se perguntar o que acontecerá no dia em que Chávez não estiver mais atuante.

"Um processo revolucionário que pretende durar não pode se limitar a apenas um líder", completa.

Chávez, há quase 13 anos no poder, impôs um regime personalista e centralizado.

"Existe uma coisa chamada chavismo, mas não tem estrutura, não há outros líderes além de Chávez", diz Michael Shifter, presidente do centro de análise Diálogo Interamericano, com sede em Washington.

“Fica a sensação de que há muita incerteza no partido de Chávez porque não há sucessor. O PSUV (Partido Socialista Unido de Venezuela) é um arquipélago de ideias e formas de ver a vida que se juntam pela presença de Chávez”, afirma ele.

Oposição

Se a situação parece desorientada, a oposição também se vêm em posição inédita, de oportunidades e riscos.

Até agora, representantes do setor se limitaram a reclamar da falta de informações médicas oficiais sobre o presidente e pedem que o vice, Elias Jaua, assuma o poder.

Eles também tem questionado o fato de Chávez governar de Havana.

Shifter diz acreditar que a oposição precisa ser cuidadosa.

“Mesmo que falta informação, não pode parecer que esteja se aproveitando da situação”, disse ele.

A oposição elege em fevereiro seu candidato para enfrentar Chávez nas eleições de dezembro.

Para Carrasquero, a eventual ausência de Chávez poderia gerar conflitos entre os opositores.

“Eles podem se ver com mais possibilidades de ganhar e se dividir, abrido espaço para várias candidaturas”, disse ele.

Por: BBC Brasil