sexta-feira, 3 de junho de 2011

Desmatamento: Mais um morre no Pará!

O lavrador Marcos Gomes da Silva, de 33 anos, natural do Maranhão, foi morto a tiros, na noite de quarta-feira, no assentamento Sapucaia, na zona rural de Eldorado dos Carajás, no sudeste do Pará. A polícia investiga o crime, mas ainda não é possível dizer se Gomes da Silva é mais uma vítima da luta pela terra ou se a execução foi acerto de contas. Esse é o quarto assassinato no campo em apenas nove dias no Estado.

O primeiro crime, no último dia 24, foi do casal de ambientalistas José Cláudio da Silva e Maria do Espírito Santo, que lutava contra a devastação das florestas do assentamento Praialta/Piranheira, em Nova Ipixuna, município a cerca de 180 quilômetros de Eldorado dos Carajás. O outro crime ocorreu no sábado, também na mesma região do assentamento, e a vítima foi o agricultor Erenilton Pereira da Silva. A polícia ainda não prendeu os criminosos.

Segundo o boletim de ocorrência registrado na manhã de ontem na delegacia de Eldorado dos Carajás, Gomes da Silva foi baleado duas vezes. A primeira foi na área onde ele residia e a segunda na estrada que liga o local à cidade de Eldorado. Quem fez o registro do crime foi Dejesus Martins Araújo, vizinho da vítima e quem a socorreu.

Araújo contou que socorreu Gomes da Silva e o colocou em seu veículo para levá-lo a um hospital de Eldorado. Ele sangrava no peito. No momento em que se dirigia pela estrada escura até a cidade, mais adiante foi interceptado por dois homens armados.

Sob a mira de armas, Araújo foi obrigado a retirar o lavrador do carro, recebendo em seguida ordem para sair correndo sem olhar para trás juntamente com outros ocupantes do veículo. “Ouvi depois os tiros, o rapaz foi executado”, relatou Araújo.

ESTRADA

O corpo ficou na estrada e os executores fugiram. Araújo retornou ao local somente na manhã de ontem. Ele viu que Gomes da Silva estava morto. Foi à polícia e contou o que aconteceu.

Os policiais não divulgaram se Araújo e os outros acompanhantes que com ele estavam no carro descreveram os assassinos. Esse pode ser um trunfo da investigação. O caso está sob o comando do delegado de Eldorado dos Carajas, Elias Jorge de Carvalho.

O corpo do lavrador foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) de Marabá. O superintendente regional do sudeste paraense, delegado Alberto Henrique Teixeira, está no local para acompanhar o trabalho policial e conversar com parentes da vítima.

MORTES NO CAMPO

O lavrador Marcos Gomes da Silva foi morto a tiros, na noite de quarta-feira, no assentamento Sapucaia, na zona rural de Eldorado dos Carajás.

O agricultor Erenilton Pereira da Silva, foi morto sábado passado na região de Nova Ipixuna.

O casal José Cláudio da Silva e Maria do Espírito Santo, que lutava contra a devastação das florestas do assentamento Praialta/Piranheira, foi assassinado no último dia 24 em Nova Ipixuna. (Diário do Pará)

Vítima foi morta na frente da esposa

Marcos Gomes foi assassinado diante da mulher e de outras três testemunhas. Silva teve a orelha decepada, da mesma forma que o líder extrativista José Cláudio Ribeiro, morto juntamente com Maria do Espírito Santo.

O delegado Alberto Teixeira afirmou que a vítima não tinha inimigos nem era um líder da comunidade, que reivindica ser assentada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. “Pode ter sido um assassinato aleatório, para atrapalhar as investigações sobre o crime ocorrido em Nova Ipixuna”, disse , referindo-se à morte do casal de extrativistas. Segundo ele, não há evidências de que o assassinato do agricultor tenha sido resultado de conflitos por terras.

A agonia de Silva começou na tarde de anteontem, quando ele construía uma ponte sobre um córrego perto do local onde morava com a família. Dois encapuzados chegaram atirando. Atingido no abdome, ele saltou na água e conseguiu se esconder no matagal às margens do rio, segundo Dejesus Araújo, coordenador do acampamento.

Após a saída dos agressores do local, o agricultor procurou ajuda na casa de um vizinho. Às 16h, somente cinco horas depois, os acampados conseguiram um carro para transportá-lo até Eldorado .

No caminho, porém, os encapuzados surgiram, retiraram Silva à força do carro e atiraram nele. José Batista Afonso, advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em Marabá, afirmou que é “precipitado” descartar conflitos agrários como possível causa para o assassinato. “Os acampados reivindicam a posse de áreas que haviam sido compradas para a formação de uma fazenda”