terça-feira, 21 de junho de 2011

Não fossem os blogueiros…

Li as opiniões da jornalista Eliane Cantanhêde, hoje, na Folha. Seu artigo “Não fosse a imprensa…”, depois de tecer elogios à imprensa pelas denúncias e apurações que tem feito nos últimos meses, faz o impressionante comentário: “É por isso que Lula se encontra com os tais “blogueiros independentes” (sic, porque muitos são, mas nem todos…) e desanda a falar em controle de imprensa…”.

Pois, então, jornalista Eliane Cantenhêde. Os blogueiros – que são tão independentes quanto você e a Folha – não têm rabo preso com ninguém, a não ser com a própria consciência. Ou você os está acusando? Tem provas e indícios sobre isso? Esses blogueiros que você cita, de fato, discutiram, em Brasília, neste final de semana, não o papel fiscalizador da mídia, mas, sim, o seu  papel político.

Não se faça de rogada. A reunião em Brasília discutiu o PL 116. E aproveito aqui para perguntar: qual é a sua opinião sobre ele?

A mídia na ditadura

Os blogueiros discutiram, além da regulação da mídia, o direito de resposta e de imagem, o papel da mídia na ditadura militar… Você se lembra qual ele foi? E, agora, na democracia, a concorrência da mídia – isto é, a blogosfera – discutiu a distribuição da verba de publicidade, os interesses comerciais da mídia, quem dela tem medo, as novas mídias e o papel social das redes.

Assim, não atribua a Lula ou a blogueiros o papel de censores para fugir da discussão sobre o monopólio e a democratização da mídia no Brasil. Suas ilações são pura desqualificação do tema e das pessoas envolvidas.

Por fim, acredito que a mídia tenha todo direito de ser oposição, como você bem demonstra no seu artigo. Só não pode esconder esse papel. Tem de assumi-lo.

Sugestão de leitura

Aproveito aqui para lhe fazer uma sugestão. Leia o artigo de Jorge Hade, ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), sobre a transparência na Copa do Mundo, em O Globo, hoje. Mas caso não tenha tempo de fazê-lo, permito-me reproduzir um de seus trechos, que parafraseia a presidenta Dilma Rousseff: “mesmo na sadia tarefa de criticar é preciso observar os limites do bom senso. É só o que pedimos: não agredir os fatos, ou ao menos permitir que sejam veiculadas todas as versões”.

Por: José Dirceu