sábado, 2 de julho de 2011

Morreu o “Pai do Real”

Por: Eliseu

Com uma carreira política crivada de polêmicas, que lhe rendeu a imagem de um político folclórico, Itamar gostava de dizer que chegou à Presidência "pela Constituição e pela vontade de Deus".

Nascido a bordo de um navio em 28 de junho de 1930 e registrado como natural de Salvador (BA), Itamar perdeu o pai com poucos meses e foi levado pela mãe a Juiz de Fora (MG), cidade onde cresceu e iniciou sua trajetória política.

Com o impeachment de Collor em 1992, Itamar se viu alçado ao cargo mais alto do país, ao centro de uma crise institucional e ao mandato em que foi criado o Plano Real, que colocaria fim à inflação de mais de 1.000 por cento ao ano

Foi apontado como desleal por Collor, que o acusou de fazer agrados e dar cargos a senadores durante o período que o ex-companheiro de chapa estava afastado aguardando julgamento justamente do Senado.

Por outro lado, Itamar também se declarou traído, por Fernando Henrique Cardoso, com quem mantinha boas relações e foi seu ministro da Fazenda e sucessor na Presidência.

"O Itamar nunca foi favorável ao impeachment do Collor. O Congresso Nacional é que cassou o mandato do Collor", disse o senador Pedro Simon (PMDB-RS), líder do governo Itamar no Congresso e amigo do ex-presidente.

"Era de uma modéstia exagerada... A obra dele foi realmente excepcional", afirmou.  

A Presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) durante o governo Itamar Franco, a deputada estadual (PV-RJ) Aspásia Camargo disse que o Brasil está de luto. “Perdemos um dos maiores presidentes que jamais tivemos. Itamar, o Breve, tornou-se Itamar, o Grande. Com pouco mais de dois anos de mandato, ele conseguiu unir o país, golpear a inflação que nos corroía e inaugurar novas políticas sociais em parceria com a sociedade civil. Deixou o governo com as mais altas taxas de popularidade.”

Aspásia disse que contou com Itamar para salvar o Ipea durante sua gestão. De acordo com ela, o instituto está agonizante. “Conseguimos devolver a dignidade ao Ipea e criar uma estrutura regimental à altura do planejamento brasileiro. Ele foi o símbolo da mineiridade. Da capacidade de conciliação. Governou com um Congresso progressista e uma relação de transparência, independência e autonomia dos poderes. E um compromisso ferrenho com a democracia. Muitos diziam que seu mandato não ia vingar. Mas ele foi glorioso.

Já a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, lembrou hoje (2) que o ex-presidente e senador Itamar Franco (PPS-MG) travou ao longo da sua vida política várias lutas, como a resistência à ditadura militar (1964-1983) e a defesa pela causas nacionais. Ela disse que mesmo os embates “mais duros” que teve com Itamar foram marcados pelo respeito mútuo.

Na nota, a ministra assinala: “Itamar foi bom para Minas e para o Brasil. Graças à sua luta, a Cemig e Furnas não estão privatizadas. Foi grande na luta contra a ditadura militar. Convivi com ele no Senado, onde tivemos debates duros, porém respeitosos e a favor do que entendíamos ser melhor para o país".

A presidenta Dilma Rousseff informou, por meio de nota, que participará do velório de Itamar amanhã (3) em Juiz de Fora (MG).