quinta-feira, 25 de agosto de 2011

25/8 – Renúncia de Jânio Quadros

Jânio Quadros e sua vassoura de campanha Creio que todos já ouviram falar de Jânio Quadros. Ele foi aquele bizarro e polêmico presidente da República que disse que varreria a corrupção do país, mas acabou renunciando ao mandato depois de sete meses de governo. Um curto período, mas que deu tempo para que proibisse brigas de galo, lançasse a moda do safari para enfrentar o calor do País tropical, e,  ah…sim, chegar ao cúmulo de proibir o uso do biquíni, etc…etc…e deixar o Brasil numa bananosa que acabaria resultando no golpe de 64.

Esta semana, completam-se 50 anos da renúncia de Jânio Quadros. No dia 19 de agosto de 1961, ele condecoraria Che Guevara que visitava o Brasil. No dia 25,  renunciaria, embora ainda se questione se ele de fato estava querendo deixar o poder ou corria atrás de mais poder, retornando nos braços do povo, como se dizia na época.

A CARTA DE RENÚNCIA:

"Fui vencido pela reação e assim deixo o governo. Nestes sete meses cumpri o meu dever. Tenho-o cumprido dia e noite, trabalhando infatigavelmente, sem prevenções, nem rancores. Mas baldaram-se os meus esforços para conduzir esta nação, que pelo caminho de sua verdadeira libertação política e econômica, a única que possibilitaria o progresso efetivo e a justiça social, a que tem direito o seu generoso povo.
"Desejei um Brasil para os brasileiros, afrontando, nesse sonho, a corrupção, a mentira e a covardia que subordinam os interesses gerais aos apetites e às ambições de grupos ou de indivíduos, inclusive do exterior. Sinto-me, porém, esmagado. Forças terríveis levantam-se contra mim e me intrigam ou infamam, até com a desculpa de colaboração.
"Se permanecesse, não manteria a confiança e a tranquilidade, ora quebradas, indispensáveis ao exercício da minha autoridade. Creio mesmo que não manteria a própria paz pública.
"Encerro, assim, com o pensamento voltado para a nossa gente, para os estudantes, para os operários, para a grande família do Brasil, esta página da minha vida e da vida nacional. A mim não falta a coragem da renúncia.
"Saio com um agradecimento e um apelo. O agradecimento é aos companheiros que comigo lutaram e me sustentaram dentro e fora do governo e, de forma especial, às Forças Armadas, cuja conduta exemplar, em todos os instantes, proclamo nesta oportunidade. O apelo é no sentido da ordem, do congraçamento, do respeito e da estima de cada um dos meus patrícios, para todos e de todos para cada um.
"Somente assim seremos dignos deste país e do mundo. Somente assim seremos dignos de nossa herança e da nossa predestinação cristã. Retorno agora ao meu trabalho de advogado e professor. Trabalharemos todos. Há muitas formas de servir nossa pátria."
Brasília, 25 de agosto de 1961.
a) J. Quadros                                                       

Por: Eliseu