terça-feira, 16 de agosto de 2011

Ou Estado reage, ou crime organizado atinge nova etapa

Deputado diz que sofreu ameaças de detentos de presídio em Água Santa que seriam mandantes de assassinato de magistrada

Deputado Marcelo Freixo presidiu a CPI das Milícias | Foto: Paulo Araújo / Agência O DiaUma informação recebida pelo Disque-Denúncia sobre o caso do assassinato da juíza Patrícia Acioli tem novos personagens ameaçados de morte. O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) e um juiz 4ª Vara Federal de Niterói foram citados em um plano para eliminar autoridades envolvidas no combate à milícias no estado do Rio.
"O Estado tem que reagir. Eu sempre ouvi que os criminosos que ameaçam nunca fariam nada contra um promotor ou um juiz. E eles fizeram. É preciso analisar a dimensão do que aconteceu, tudo isto é muito absurdo. Se a resposta não for rápida, o crime organizado vai atingir uma etapa que não havia atingido, atacando representantes do poder público", analisou Freixo.

Consta na denúncia, que três detentos do presídio Ary Franco, em Água Santa, Zona Norte, seriam os mandantes da execução de Patrícia. Estes presos seriam ligados à exploração de máquinas de caça-níqueis na Região Metropolitana e teriam tramado o plano para acabar com a vida da magistrada. De acordo com o deputado, todo o planejamento teria sido feito através do computadores, já que os presidiários teriam acesso à Internet na cadeia.

O teor da informação foi encaminhado aos setores de inteligência da Secretaria de Segurança, da Assembleia Legislativa (Alerj), do Tribunal de Justiça, do Tribunal Regional Federal, da PM e da Polícia Civil.

O Disque-Denúncia já recebeu 96 ligações com informações sobre a morte da juíza Patrícia Acioli, assassinada na última quinta-feira na Região Oceânica de Niterói. De acordo com o serviço, todas as informações recebidas estão sendo encaminhadas para a Delegacia de Homicídios, responsável pelo caso. Quem tiver alguma informação a respeito dos autores do assassinato, pode ligar para o telefone (21) 2253-1177. O anonimato é garantido.

Força-tarefa
Uma força-tarefa com três juízes e cinco promotores começa a ocupar nesta terça-feira a vaga da juíza titular da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, Patrícia Acioli. O juiz Fabio Uchoa Pinto de Miranda Montenegro será auxiliado por Alexandre Oliveira Camacho de França e Claudia Marcia Vidavai. A meta é agilizar processos de crimes de milícias, grupos de extermínio e máfias das vans e dos combustíveis. A pedido do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal vai investigar a morte de Patrícia.
O presidente do Tribunal de Justiça (TJ), desembargador Manoel Alberto Rebêlo, garantiu que todos os magistrados da força-tarefa terão proteção. “Três juízes diluem a responsabilidade e darão resposta rápida à sociedade”, afirmou Rebêlo.
O reforço na segurança inclui o aluguel de cinco carros blindados, além dos seis existentes, e pedido de redução de impostos para a compra de mais veículos com blindagem. Por questões de segurança, eles poderão pedir a transferência dos julgamentos para os fóruns do Rio e Niterói.

Morte de juíza teria sido comemorada em churrasco
Família da juíza e amigos fizeram protesto nesta segunda-feira | Foto: Paulo Alvadia / Agência Dia O assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli, morta na última quinta-feira em Piratininga, na Região Oceânica de Niterói, teria sido comemorado com um churrasco com a presença de policiais, neste fim de semana, em São Gonçalo. A afirmação foi feita por Humberto Nascimento, primo da magistrada, durante protesto realizado por amigos e parentes da vítima em frente ao fórum de São Gonçalo, na segunda-feira.

Humberto ainda criticou a postura do Governo do Estado, que descartou a colaboração do Polícia Federal (PF) no caso. "Isso é uma decisão do governador, não podemos fazer nada a respeito. Queríamos a presença da PF pelo menos como observadora. Qualquer ajuda é bem-vinda. Se o governador decidiu assim, ele terá que dar uma resposta rápida", afirmou.

Cerca de 50 pessoas se amordaçaram em frente ao local onde Patrícia trabalhava com panos pretos e jogaram rosas com uma faixa com os dizeres: "Quem silenciou a voz da Justiça?". Uma cruz que foi retirada neste domingo da Praia de Icaraí, na Zona Sul de Niterói, vai ser recolocada no mesmo lugar a pedido da população do município, que cobra uma solução para o caso.

Por: O Dia Online