segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Povo comemora fim do regime de Kadafi

Por: Eliseu

Muammar Kadafi

Parece ter chegado ao fim a ditadura na Líbia sob a “batuta” de  Muammar Kadafi, de 68 anos, que foi o líder há mais tempo no poder tanto na África quanto no mundo árabe.

Cada vez fica mais claro que o povo não aceita mais os regimes ditatoriais. O líder Líbio, Coronel Muammar Kadafi no poder a 42 anos, está com destino não sabido pelos rebeldes. Mas é fato que está acuado e derrotado. É bom que os ditadores de plantão coloquem as “barbas de molho”. E tem toda razão de se preocupar com a internet os ditadores e políticos corruptos, como nossos velhos conhecidos parlamentares brasileiros. Foi através das várias redes sociais, com sua característica velocidade e alcance, mobilizando milhões de pessoas em minutos, que os ditadores do Oriente Médio e Norte da África se deram mal ultimamente.

Após vários dias de medo e muita cautela, uma multidão de líbios saiu nesta segunda-feira às ruas da capital para começar a celebrar o que parece que já é o fim dos 42 anos de regime do coronel Muammar Kadafi.

Rebeldes tomam a Praça Verde, na capital, para comemorar a conquista de Trípoli Enquanto os rebeldes recebiam as felicitações dos cidadãos, grupos de voluntários se ocupavam com os preparativos da grande festa de amanhã, uma vez que de forma oficial também acabará o mês de jejum muçulmano.

O DITADOR

Kadafi, o sanguinário ditador líbio conhecido por seu estilo extravagante de se vestir e pelas guarda-costas do sexo feminino, pertencente a uma tradicional família líbia, teria nascido em uma tenda no deserto líbio próximo à cidade de Surt ou Sirte (norte). Teve contato com beduínos comerciantes que viajavam pela região de Surt, com quem adquiriu e formou suas precoces posições políticas.

Kadafi iniciou a carreira militar aos 17 anos. Integrou a Academia Militar de Benghazi, segunda principal cidade do país, e também integrou a Real Academia Militar (The Royal Military Academy) em Sandhurst, na Inglaterra. No primeiro ano do curso superior formou um clube de opositores ao governo de Idris I, que cada vez mais Guardas costas de Kadafivinha autorizando a entrada de americanos na Líbia, decisões que Kadafi abominava. 

Em 1969, como líder da revolução líbia, já com a patente de coronel, toma o poder substituindo o príncipe regente Ridah e o rei que se encontrava ausente (licenciado para fins médicos na Grécia e no Egito), Ídris I, tio de Ridah.

Uma vez instalado no governo do país, Kadafi declara ilegais as bebidas alcoólicas e os jogos de azar. Exige e obtém a retirada americana e inglesa de bases militares, expulsa as comunidades judaicas e aumenta decididamente a participação das mulheres na sociedade. Além disso, retira da Líbia todos os americanos vindos através da aliança entre Idris I e os EUA, fecha danceterias, bordéis e bares instalados pelos americanos, impondo a toda Líbia o respeito aos preceitos morais do islamismo. Proibiu a exportação de petróleo para os EUA e confisca propriedades internacionais.

Em seu Livro Verde, lançado na década de 1970, Kadafi expôs sua filosofia política, apresentando uma alternativa nacional ao socialismo e ao capitalismo, combinada com aspectos do islamismo. Em 1977 criou o conceito de Jamahiriya ou "Estado das massas", em que o poder é exercido através de milhares de "comitês populares".

Em 1982, como medida punitiva ao suposto patrocínio líbio a grupos terroristas, o governo norte-americano proibiu a importação de petróleo da Líbia. Em 1986, após um atentado a bomba numa discoteca de Berlim, quando morreram dois cidadãos norte-americanos, os EUA lançaram ataques aéreos contra em Trípoli e Benghazi eAvião atingido por terroristas de Kadafi impuseram sanções econômicas contra o país. No final da década de 1980 o governo líbio foi acusado de envolvimento nos atentados contra aviões da Pan Am e da UTA, o que motivou a imposição de sanções também pela ONU, em março de 1992. 

Após sua mulher e sua filha morrerem durante o bombardeio americano a Trípoli, Kadafi distanciou-se superficialmente de suas alianças com grupos terroristas.

Em 1992 e 1993 a Organização das Nações Unidas impôs sérias sanções à Líbia acusando seu líder de financiar o terrorismo pelo mundo. Essas sanções foram suspensas em 1999.

Com o embargo econômico, juntamente com a queda de preço do petróleo nos mercados internacionais, a situação econômica do país deteriorou-se rapidamente, aumentando o descontentamento popular. Em 1993, um grupo de altos oficiais do Exército liderou uma tentativa de golpe de estado, prontamente debelada pelo regime. Mais de 1500 pessoas foram presas e a cúpula militar foi completamente reestruturada.

Em 1998 o chefe de Estado líbio sofreu um atentado. Foi baleado, tendo sido operado às pressas. A nova tentativa golpe também fracassou e o regime foi mantido.

Na década de 2000 Kadafi pagou integralmente indenizações às famílias dos mortos pelo atentado de Lockerbie. Na mesma década, o Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, diz ter desmantelado o arsenal nuclear líbio.

Em 2003 Kadafi anunciou que desistira das armas de destruição em massa e que pretendia juntar-se à guerra ao terror, eixo da política externa americana durante o governo Bush. Logo depois George W. Bush suspendeu as sanções contra a Líbia. Em seguida, os produtores de petróleo dos EUA e da Grã-Bretanha expandiram suas atividades no país. Empresas como BP, Exxon, Halliburton, Chevron, Conoco e Marathon Oil juntaram-se a gigantes da indústria bélica, como Raytheon e Northrop Grumman, e a multinacionais como Dow Chemical e Fluor bem como à poderosa firma de advocacia White & Case para formar a US-Libia Business Association, em 2005.

Em maio de 2006 a Líbia saiu da lista negra (de embargos econômicos) dos Estados Unidos.

Kadafi é um dos líderes mundiais que está há mais tempo no poder (desde 1969). Desde 2 de março de 1977 instaurou a "Grande Jamahiriya Árabe Líbia Popular e Socialista", nome que recebe oficialmente o estado líbio.

A REVOLUÇÃO

Em 2011, no bojo das revoltas sociais no norte da África, Kadafi sofreu um ataque revolucionário por parte da oposição líbia e, em um sinal de ruptura com o governo, a delegação da Líbia na ONU acusou Kadafi de genocídio e fez um apelo por sua renúncia. Diversas autoridades, inclusive o ministro da Justiça, Mustafá Abdel Yalil, e diplomatas em diferentes países, renunciaram, em protesto contra o uso excessivo de força na repressão das manifestações. Diplomatas que representavam o governo de Kadafi na China, na Índia e na Liga Árabe deixaram seus cargos em protesto ao governo. De acordo com a organização americana Human Rights Watch, os protestos na Líbia deixaram pelo menos 233 mortos. Há relatos de que em apenas um dia 160 manifestantes teriam morrido. Após a renúncia das autoridades, Saif el-Islam Kadafi anunciou a criação de uma comissão para investigar episódios violentos durante os protestos. A comissão será dirigida por um juiz, e incluirá membros de organizações de direitos humanos líbias e estrangeiras. Uma coalizão de líderes muçulmanos líbios emitiu uma declaração dizendo que é obrigação de todo muçulmano se rebelar contra o governo líbio.

Devido a indícios de crimes contra a humanidade cometidos pelas tropas do governo contra os rebeldes e civis líbios, nas áreas de insurreição e combate, em 16 de maio de 2011, Luis Moreno-Ocampo, Procurador-Chefe do Tribunal Penal Internacional, sediado em Haia, solicitou mandato internacional de captura e prisão contra o líder líbio, por crimes contra a Humanidade.

Fonte: Wikipédia