sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Cuba perde mais de 7 bilhões ao ano com bloqueio de telecomunicações pelos EUA

Cuba denunciou à Organização das Nações Unidas (ONU), pela vigésima vez, que o bloqueio dos Estados Unidos às telecomunicações na ilha gera muitas perdas financeiras. Apenas entre maio de 2010 e abril deste ano, segundo relatório de Cuba, foram mais de 7 bilhões de dólares.

Ainda de acordo com o documento, as perdas chegam a 104 bilhões se contabilizadas desde o início do bloqueio até dezembro de 2010 e, levando-se em conta a desvalorização do dólar frente ao ouro no mercado financeiro internacional, o valor das perdas poderia chegar a 975 bilhões.

Entre as limitações impostas, o governo cubano cita impedimento, desde 1962, para que empresas do setor das telecomunicações adquiram componentes e equipamentos de telecomunicações de empresas norte-americanas. A ilha é proibida de importar diretamente computadores dos maiores fabricantes mundiais, tendo de comprá-los de outros países, o que acarreta custos 30% maiores.

Outro problema se dá com a instituição financeira Synivere, que deixou de pagar, em fevereiro deste ano, encargos por “roaming” (adicional de deslocamento em serviços de telefonia celular) à Empresa de Telecomunicações de Cuba (Etecsa).

A representação do país informou que esta é uma importante fonte de ingressos da empresa e a resposta de Synivere foi de que não podia realizar transações com a ilha. Em outros bancos dos EUA, segundo denúncia do governo cubano, há cerca de200 milhões de dólares confiscados, pertencentes a empresas de telecomunicação cubanas.

Além disso, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) decidiu impedir a presença de empresas estadunidenses em Cuba. O posicionamento contraria memorando do presidente Barack Obama, de 2009, em que permite que companhias norte-americanas prestem serviços de comunicações à ilha.

Já no ano 2000, Cuba sofreu um duro golpe, com a interrupção das ligações diretas com Estados Unidos. Com isso, o país não pode se conectar diretamente com operadoras estadunidenses, tendo de fazer a ligação passando por um terceiro país, o que encarece os custos.

Também há obstáculos para que os cubanos acessem a Internet, principalmente as redes sociais. Segundo o relatório, o Twitter – rede a qual 100 milhões de usuários em todo o mundo estão cadastrados – divulgou, em abril, que impede o acesso dos cubanos a algumas ferramentas, sob o argumento de que acessam de um país proibido. A situação repercute na Empresa Cuba eletrônica, cujo acesso é negado a muitos serviços de sites da Internet, inclusive serviços gratuitos.

Em abril deste ano, durante debate do Comitê de Informação da Assembleia Geral, o representante suplente permanente de Cuba para a Organização das Nações Unidas(ONU), Rodolfo Benítez, afirmou que a ilha sofre agressão radioeletrônica(rádio e televisão), com a interferência de transmissões dos EUA, que prejudicam as rádios cubanas. O governo cubano já pediu o fim das agressões várias vezes, mas nada foi feito.

De acordo com Benítez, as ações são levadas a cabo por terroristas anti-cubanos residentes nos EUA e o Congresso estadunidense aprovaria, anualmente, orçamento de 30 milhões de dólares para ações contra Cuba, como essas.

Por: Correio do Brasil