domingo, 25 de setembro de 2011

Poema à avó

MARIA

É chegada a hora

De o meu coração abortar a droga

Que o arrebata em vôos inséptos

Pousando certo no colo seu...

Maria

que sequer foi (minha ) mãe

destituída águia

rasgando azul infinito...

hoje, ao quebrar-me as pálpebras

Indefiro

O parco tempo conscricto de minha infância.

Seu rosto senil, a mim é vinil chorando a brevitude do tempo tão lento...

Morrendo minhas lembranças na caneta

Adoecendo meus sonhos infantes no papel...

É chegada a hora

Do meu coração abortar a droga

A mola propulsora do meu pisar terrestre

Pra ver-te partir

Como menina a garotar os campos

Beijar o vento

E correr pro tempo

Como Nos tempos de outrora

Em que ainda seu riso me preenchia o berço

E de calor materno me embevecia.

Você, que sequer foi (minha )mãe,

É chegada a hora

De dizer até breve

A mim,

que de nunca deixei de ser filha,

Maria.

21/3/1921 - 30/3/2008

Este poema é de autoria de minha sobrinha Márcia Cristina e foi escrito antes que soubesse do ocorrido, no dia do falecimento de sua avó, mãe deste blogueiro.