segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Médicos retiram rins de pacientes vivos e continuam livres

A impunidade e corporativismo existente no Brasil parece não ter fim. Um assombroso caso digno de roteiro de filme de terror envolvendo três médicos brasileiros se arrasta há 25 anos sem que ninguém, a não ser as próprias vítimas tenham sido punidas. E o pior, os médicos foram absolvidos pelo Conselho Federal de Medicina.

A acusação é de que os médicos mataram quatro pacientes em Taubaté, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, ao retirar rins irregularmente das vítimas como parte de um suposto esquema de tráfico de órgãos humanos. A denuncia foi em 1986 pelo também médico, Roosevelt de Sá Kalume. O inquérito levou 11 anos para ser concluído e em seguida teve início o processo que se arrasta até agora. Os médicos são o neurocirurgião Mariano Fiore Júnior, agora com 62 anos, o urologista Rui Noronha Sacramento, de 60 anos, e o nefrologista Pedro Henrique Masjuan Torrecillas, que falsificaram prontuários de pacientes vivos informando que eles estavam com morte encefálica (sem atividade cerebral e sem respiração natural) para convencer suas famílias a autorizarem a retirada dos rins para doação.

Todos os réus respondem ao crime em liberdade e no exercício legal da profissão. A convicção da Promotoria de que eles cometeram assassinatos é amparada pelos depoimentos de testemunhas, que são outros médicos, enfermeiros e familiares das vítimas, além de provas técnicas. Finalmente foi marcado o júri para as 9h desta segunda.

Ao todo 100 pessoas, entre familiares e amigos de vítimas e de réus, jornalistas e público em geral poderão acompanhar o júri.

Terror
Rita Maria Pereira, que trabalhava no local do suposto crime como auxiliar de enfermagem há 25 anos, é uma das principais testemunhas e agora aguarda ansiosa pelo final desta história. Ela tem passado os últimos dias relembrando as cenas que presenciou.

"É como um filme de terror que desde que soube do julgamento não saem da minha cabeça, lembro como se fosse hoje quando entrei naquela sala e vi aquele homem se debatendo na maca, tentando levantar e o Pedro (Torrecillas) enfiou o bisturi nele para matar", disse a testemunha.

Acusados dizem aguardar absolvição
Última batalha. Depois de absolvidos pelo CRM e pelo conselho universitário da Unitau na época em que as denúncias vieram a tona, os médicos agora dizem aguardar a absolvição diante da sociedade no Tribunal do Júri de Taubaté.

“Estou tranquilo, preparado e espero que o júri siga a mesma linha do Cremesp, do Conselho Federal de Medicina, da CPI e da Secretaria de Segurança que proclamaram nossa inocência”, disse o médico Mariano Fiore.

Todos os médicos continuam exercendo a profissão.

Como se diz popularmente, é de lascar!

Por: Eliseu