domingo, 23 de outubro de 2011

Médicos são condenados mas trabalham normalmente

julg1-g-20111017Após 25 anos se arrastando na justiça, os três médicos que foram condenados na quinta-feira (20) , a 17 anos e seis meses de prisão responsabilizados por fraudar mortes para retirar órgãos de pacientes, voltaram a trabalhar normalmente nesta sexta-feira (21), em Taubaté, cidade a 140 km São Paulo. Eles irão recorrer da sentença em liberdade, conforme informou o R7.
Paulo Henrique Masiuan, Rui Noronha Sacramento e Mariano Fiore Júnior foram julgados e condenados por usar diagnósticos falsos de morte cerebral para extrair os rins de quatro pacientes. Os órgãos foram usados em transplantes. Traduzindo para o velho e bom português: assassinaram os quatro pacientes para vender seus rins.
Os três passaram por um processo sobre os mesmos casos no CRM (Conselho Regional de Medicina) e no Conselho Federal e foram absolvidos, o que não os impede de exercer a profissão. Mariano Fiore Júnior, é professor de ética e medicina e tem uma clínica particular. Por essa e outras, vemos tanta “ética” em um grande número de médicos.
O CRM confirmou a informação de que os três condenados pela Justiça não serão impedidos de exercer a medicina por terem sido absolvidos no processo interno do conselho.
O julgamento dos três médicos começou na segunda-feira (17) e terminou na última quinta. Ele foi realizado no Fórum Desembargador Paulo de Costa Oliveira, em Taubaté, e foi presidido por Marco Antonio Montenor, juiz da Vara do Júri. Foram ouvidas 16 testemunhas (sete de acusação e nove de defesa).
Histórico
Pedro Henrique Masjuan Torrecillas, Rui Noronha Sacramento e Mariano Fiore Júnior foram condenados por quatro homicídios dolosos contra os pacientes Miguel da Silva, Alex de Lima, Irani Gobo e José Faria Carneiro, que morreram entre setembro e dezembro de 1986.
Depois da operação, o neurocirurgião e legista Mariano Fiori concluía como causa da morte, exclusivamente, lesões cerebrais como traumatismo craniano, raquimedular ou aneurisma, ocultando a causa direta dos óbitos: a retirada dos rins dos pacientes.
Os prontuários médicos e os laudos das angiografias cerebrais relativos a esses pacientes foram apreendidos e submetidos à análise de peritos, que concluíram que as vítimas não tinham diagnóstico seguro de morte encefálica apta a amparar a realização das cirurgias de retirada dos rins.
Também foram denunciados pelos mesmos crimes os médicos Antônio Aurélio de Carvalho Monteiro, que morreu em 2010, e José Carlos Natrielli de Almeida, que acabou não sendo denunciado à Justiça pelo Ministério Público.

E a impunidade continua “correndo solta” no Brasil de todos os Santos e da corrupção também.

Por: Eliseu