sábado, 1 de outubro de 2011

No dia do idoso nada a comemorar

É comum ver publicidade na mídia, paga regiamente pelo governo, mostrando idosos alegres, muito bem resolvidos, que dizem ser esta a melhor idade. Mas na vida real, vista no centro da capital do poder, Brasília, como no restante do país, a realidade é bastante diferente.

Aos 64 anos, Rita Simplícia da Silva ganha a vida vendendo balas em um semáforo na área central de Brasília. Todos os dias, sente na pele o descaso com pessoas idosas e sofre com a falta de apoio da família e do poder público. Moradora de Santo Antônio do Descoberto, município goiano localizado região do Entorno do Distrito Federal (DF), ela tem cinco filhos, mas nenhum reside perto dela. “Tenho de trabalhar para sobreviver. Trabalho porque não tenho família para me sustentar.” Neste Dia do Idoso, Simplícia nada tem a comemorar.

Com um sistema extremamente injusto, onde o mais necessitado que o pouco que consegue é para se alimentar mal, não pode contribuir com a Previdência Social, e quando chega a idade não tem como se manter. O maior sonho de Rita é a aposentadoria. Ela disse que no ano que vem já pode começar a recebê-la. Quando tiver o benefício, pretende descansar e cuidar da saúde. Isso cinco anos após o limite de idade para aposentadoria. A vendedora ambulante teve um derrame há cinco anos e hoje caminha com o auxílio de muletas, porque a perna direita está paralisada. “É muito ruim trabalhar com esta idade. Não tenho força para levantar, para andar direito. Só tenho assistência de Deus.” O auxílio doença, quando é concedido pelos “sérios” peritos do INSS que pensam que uma pessoa usando muletas sem qualificação profissional está apta a trabalhar,  é só para quem pode pagar.

Segundo a professora de psicologia clínica da Universidade de Brasília (UnB), Vera Lúcia Coelho, o envelhecimento requer mudança de papéis na família. Os filhos precisam cuidar da alimentação dos pais, além de ajudá-los em rotinas do cotidiano, como se vestir, e levá-lo com regularidade aos médicos. No entanto, nem sempre as pessoas da terceira idade recebem essa atenção e acabam ficando isolados. A professora esqueceu que o Estado também tem responsabilidade no amparo.

De acordo com o coordenador do Centro de Medicina do Idoso do Hospital Universitário de Brasília, geriatra Einstein de Camargos, o envelhecimento traz aumento das doenças, como a depressão. “As perdas facilitam isso, seja pela viuvez, pelo isolamento ou pelas limitações biológicas. Um em cada três idosos tem chance de ter depressão. É um índice muito alto”.

A turma dos direitos humanos que adoram defender bandido, nessa hora não se manifestam. Seria bom que fizessem o mesmo barulho quando um bandido tem seus “direitos” desrespeitados.

No Dia do Idoso o país tem pouco a comemorar, e o idoso menos ainda.

Por: Eliseu

Com informações do Correio do Brasil