quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Serra: cronicamente inviável

O desenvolvimento brasileiro é vítima de um desequilíbrio macroeconômico conhecido: os juros escorchantes encarecem o investimento produtivo e estimulam o rentismo; o câmbio, valorizado, inibe exportações e pressiona o déficit externo pelo lado das importações, ademais de corroer o tecido industrial destruindo cadeias produtivas.
Os vínculos são igualmente transparentes: juros altos atraem capitais especulativos que inundam o mercado de câmbio, valorizando artificilmente a moeda brasileira, o que reduz a competitividade industrial, amplia o déficit externo e redobra a dependência em relação a capitais forâneos. Por que uma equação de impropriedade tão evidente demora tanto a ser corrigida?
Porque desenvolvimento não é contabilidade, mas transformação social. Porque o maior desafio do desenvolvimento é construir as linhas de passagem entre um ciclo e outro; nessa travessia de metas e recursos a costura essencial é política e não aritmética. Alianças e hegemonia condicionam a direção e o processo. São platitudes. Mas é forçoso repeti-las quando se trata de analisar a crítica à política monetária do governo Lula emitida pela figura do candidato da derrota conservadora no Brasil, José Serra.
Apontado por amigos e colunistas como alguém que “entende de economia”, Serra classificou como “o erro mais espetacular da história econômica brasileira”, o fato de o BC não ter reduzido os juros na crise de 2008. A observação correta na boca da impostura política amesquinha-se à categoria dos “faits divers”, curiosidades irrelevantes, desprovidas de consequência histórica. Sabedorias de Almanaque do Biotônico Fontoura. É esse enquadramento que faz de Serra uma figura cronicamente inviável em seus próprios termos, um janismo com caspa (falsa) da Unicamp, na medida em que o discurso do qual se apropria contrasta com a aliança política --retrógrada, rentista e midiático-conservadora-- que sempre o abrigou, inclusive nas suas duas derrotas presidenciais, para Lula, em 2002 e para Dilma, em 2010.
Repita-se, são as alianças que condicionam a trajetória do desenvolvimento. Tanto o PT quanto o PSDB estão perpassados por acordos com a plutocracia financeira. A diferença são os contrapesos sociais que determinam o comando do processo em um e outro caso.
Serra é o quadro sobre o qual recaem as preferências da santa aliança midiático conservadora, justamente porque sua alegada “independência” política, no fundo, constitui uma crosta reacionária feita de sobrepostas camadas anti-sindicais e anti-populares. E é sob essa crosta que se reafirma a hegemonia dos que fizeram do desenvolvimento brasileiro um 'case' planetário de desigualdade social.
A ação dessas forças em áreas nas quais Serra costuma alardear proficiência e vanguardismo --saúde e educação-- é pedagógica. Em dezembro de 2007, o Senado brasileiro, capitaneado pela coalizão midiático demotucana --que sustentaria sua candidatura em 2010-- derrubou a CPMF , subtraindo R$ 40 bilhões da saúde pública brasileira.
Vale um esforço de distanciamento para captar melhor o sentido da cena: o Senado, a câmara alta de uma democracia, corta recursos de uma área tristemente deficitária e capenga que pode decidir a vida e a morte de milhões de brasileiros pobres. O Estado brasileiro destina apenas 3,6% do PIB à saúde pública. O restante dos recursos aportados ao setor, de um total de 8,4% do PIB, circulam exclusivamente entre os que tem acesso ao atendimento privado: cerca de 25% da população. À longa fila dos 75% que acorrem ao SUS chegam R$ cerca de 108 bi, enquanto os gastos com juros da dívida pública nos últimos 12 meses até outubro alcançaram R$ 235,8 bi, 5,8% do PIB.
Vista retrospectivamente, a decisão política de suprimir um imposto sobre transações financeiras para acudir à massa desvalida remete às caricaturas históricas mais torpes produzidas pelo elitismo. Um equivalente nativo ao 'comam brioches' de Maria Antonieta. A dirigir a cena vil, os interesses, os partidos e os veículos de mídia que sempre sustentaram Serra.
No caso da educação, um dado resume todos os demais: Serra, governador, respondeu com borrachadas verbais e reais à greve de professores de São Paulo por salários e melhores condições de trabalho, em 2010. Entre outras coisas, o Estado de São Paulo, dirigido há 16 anos pelo PSDB de Serra, e por ele mesmo até 2010, é a unidade da federação que concede aos professores a menor porcentagem de jornada da trabalho (apenas 17% do salário) para a decisiva tarefa de preparação de aula.
Nesta 2ª feira, 28/11, finalmente, um juiz da 3ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, concedeu liminar aos professores determinando ao governo tucano o cumprimento imediato da Lei 11.738/08 (piso salarial profissional nacional), que estabelece um mínimo de 1/3 da jornada de trabalho em atividades extraclasses.
A política educacional brasileira avançou significativamente nos dois governos Lula. O orçamento do setor expressa essa caminhada tendo saltado de R$ 19 bi em 2003 para R$ 70 bi atualmente. Mas ainda é insuficiente. Comparado ao que se destina ao pagamento de juros aos rentistas da dívida pública, por exemplo,é muito pouco para uma área essencial ao desenvolvimento e à cidadania. É preciso ir além. E fazê-lo mais rápido do que se propõe o governo, que prevê elevar em 7% do PIB esse orçamento ao longo de 10 anos. Mas de uma coisa podemos ter certeza: não será com a impostura serrista que as linhas de passagem entre essencial e o estéril serão erguidas na luta pelo desenvolvimento brasileiro.

Por: Carta Maior

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Controlar quebrou sigilo de milhões

kassab_bens_travados26112011100203Uma nova ofensiva do Ministério Público Estadual, mostra as “sacanagens” que o prefeito de São Paulo disse não haver sobre a inspeção veicular de São Paulo. Conforme publicação da Carta Capital, a empresa Controlar, contratada pela Prefeitura para realizar a inspeção veicular em São Paulo, é acusada de usar dados sigilosos de milhões de proprietários de veículos.

De acordo com a publicação, o MPE denunciou que a inspeção veicular na cidade é feita por um esquema fraudulento, engendrado inclusive pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD), que teve os bens bloqueados na última semana. O secretário municipal do Verde, Eduardo Jorge, 13 empresários e seis empresas também estão envolvidos no processo.

Segundo a investigação do MPE, veiculada pelo jornal O Estado de S. Paulo, a Controlar tem acesso a dados sigilosos dos donos dos veículos, como telefones, endereço e CPF. O órgão afirma que o Detran alterou o convênio original de 2003, que permitia à empresa ter acesso a dados, desde que o sigilo fosse mantido. Mas, com a alteração, solicitação foi cancelada e a empresa conveniada pôde repassar os dados para terceirizadas.

Para o MPE, dados sigilosos não poderiam ser utilizados por empresa particular. Além disso, a modificação no convênio foi assinada por um delegado do Detran. A decisão caberia ao diretor do Departamento.

Sem o cruzamento dos dados, a prefeitura não teria meios para aplicar multas em proprietários que não realizaram a inspeção e a Controlar não teria como saber quais donos fizeram a inspeção e impedir seu licenciamento. O valor da causa é de 1,05 bilhão de reais. A ação pede a suspensão da inspeção veicularem São Paulo, a devolução de multas e indenização por danos morais aos donos de veículos.

E o prefeito de São Paulo afirmou que “se existe uma administração correta é a nossa”. Imagina se não fosse!

Por: Eliseu

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Mulheres são acusadas de atacar homens sexualmente para retirar sêmen

A polícia do Zimbábue acredita que uma quadrilha nacional de mulheres esteja atacando homens sexualmente para retirar seu sêmen para o uso em rituais que supostamente trariam prosperidade.

Nesta segunda-feira, três mulheres supostamente ligadas à gangue começam a ser julgadas na capital do Zimbábue, Harare. Esse foi o primeiro caso de prisões de acusadas, mais de um ano após os primeiros relatos sobre o caso, que chocaram o país.

Uma suposta vítima, que pediu anonimato, relatou sua experiência à TV do país em julho. Ele disse ter sido atacado após aceitar uma carona de um grupo de três mulheres em Harare.

"Uma das mulheres jogou água na minha cara e elas me injetaram algo que me deu um forte desejo sexual", contou.

"Elas pararam o carro e me forçaram a manter relações sexuais com cada uma delas diversas vezes, usando preservativos", disse.

"Quando elas terminaram, me deixaram totalmente nu no meio do mato. Algumas pessoas me ajudaram a chamar a polícia, que me levou ao hospital para tratar dos efeitos dessa droga que elas haviam dado para mim, porque o forte desejo sexual continuava", afirmou.

Prostitutas ocupadas

As mulheres presas foram indiciadas por 17 acusações de ataque indecente agravado - já que a lei do Zimbábue (assim como a do Brasil) não considera estupro uma mulher forçar um homem a manter relações sexuais.

Elas foram detidas no início do mês na cidade de Gweru, a 275 quilômetros a sudoeste de Harare, após policiais terem encontrado 31 preservativos usados no carro em que elas viajavam.

As mulheres negam as acusações, dizendo que são prostitutas e que não haviam jogado fora os preservativos porque estavam muito ocupadas.

Muitos homens dizem evitar caronas em carros particulares desde que denúncias vieram à tona

Após serem soltas sob fiança, elas foram confrontadas e ameaçadas por uma multidão. Elas dizem que têm sido forçadas a permanecer dentro de casa desde então, para evitar a atenção indesejada.

O porta-voz da polícia Andrew Phiri disse à BBC acreditar que as mulheres pertencem a uma gangue que atua em todo o país.

"Nós recebemos relatos de diferentes cidades e províncias do país, de que isso está acontecendo nas estradas", disse.

"Ainda temos de descobrir por que isso está acontecendo. Ouvimos especulações de que está ligado a rituais", afirmou.

Acredita-se que o sêmen seja usado em rituais para trazer sucesso nos negócios e há até mesmo rumores de que o sêmen tem sido vendido para outros países.

Mas o professor universitário Claude Mararikei, especialista em sociologia e cultura, afirmou à BBC que o uso do sêmen "está na área de rituais e magia, que é quase uma sociedade secreta".

"Até mesmo pesquisadores não querem entrar nessa área porque você pode não sair vivo depois de publicar qualquer coisa que descubra", disse.

Casos não denunciados

Os primeiros relatos de ataques foram alvo de curiosidade e descrença, mas homens que falaram à BBC disseram que agora estão tratando a questão com seriedade.

"Agora só ando de ônibus quando ele está cheio e não pego caronas em carros particulares, principalmente se houver mulheres dentro", afirmou um homem que não quis se identificar.

"Precisamos tomar cuidado, porque há mulheres atacando homens. Isso está mesmo acontecendo", disse.

Em Harare, uma mulher identificada como Sibongile afirma que o caso está manchando a imagem de seu gênero.

"É muito ruim que haja mulheres tão mesquinhas que querem ganhar dinheiro fácil dessa maneira", disse ela à BBC no centro de Harare.

A polícia não diz quantos casos foram denunciados.

Nakai Nengomasha, um psicólogo que está trabalhando com três homens que dizem terem sido vítimas de ataques de mulheres, acredita que há muitos casos que não foram denunciados.

"Acho que há muitos casos que não foram relatados, porque as vítimas acham que não se sentirão suficientemente homens se falarem sobre esses assuntos", disse.

"Alguns deles precisam lidar com a questão de ver o ataque como uma perda da masculinidade e de se sentirem sujos", afirmou.

Isso é algo por que passou o homem que denunciou o caso na TV, que disse ter pensado em suicídio.

"Sinto-me violado e desapontado, porque quando contei para minha mulher o que aconteceu, ela me deixou, junto com um de nossos três filhos. Espero que ela volte", disse.

Por: BBC Brasil

domingo, 27 de novembro de 2011

Kassab diz que sua administração é a mais correta. Mas tem bens bloqueados

jt11_controlarO prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab no alto de sua incompetência e corrupção, vem dizer estar “magoado” e que “não há 'sacanagem' em inspeção veicular ambiental”.

Pode não haver sacanagem para Kassab e seus asseclas que estão mamando nas generosas tetas do governo, mas para o contribuinte a sacanagem é grande. Para o MPE, a Prefeitura impôs ilegalmente multas a donos de veículos “em afronta” ao Código de Trânsito. O aditivo desrespeitou prazos de investimentos na criação pela Controlar de centros de inspeção. Garantiu à empresa remuneração da Prefeitura, que bancou a gratuidade da inspeção em 2008, contrariando a licitação que não previa encargos ao Tesouro. Também fixou tarifa além do valor justo (hoje é R$ 61,98 quando deveria ser R$ 41,87). A diferença permitiu “lucros exorbitantes” e enriquecimento ilícito.

Segundo o portal de notícias Terra, após uma viagem de sete dias a Paris e Londres, o prefeito Gilberto Kassab negou irregularidades no contrato assinado com a empresa Controlar, responsável pela inspeção veicular ambiental na capital paulista. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Kassab disse que não há nenhuma "sacanagem" no serviço, e que apenas "ressuscitou" um contrato assinado na década de 1990, sem realizar licitação, porque a empresa tinha direito a ele.

"Era direito dela. Se pudesse, não sou tonto, lógico que teria feito (licitação). A gente queria o programa, é um direito da empresa. Se não, a gente faria (nova licitação). Não tem nenhuma sacanagem. Tudo foi feito com transparência, com seriedade. A empresa está trabalhando bem", afirmou Kassab, dizendo-se magoado e entristecido pelo bloqueio de seus bens e o pedido de afastamento do cargo feito pelo Ministério Público Estadual. "Eu não admito que pensem mal de mim. Se existe uma administração correta é a nossa", disse.

Para ter o direito de não admitir “pensar mal”, primeiro tem que demonstrar seriedade, fato que verificando rapidamente o histórico, está longe do Sr. Gilberto Kassab, e da maioria dos políticos brasileiros, infelizmente.

Fato é que foram bloqueados os bens do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), do secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge Martins Sobrinho, e das empresas Controlar e CCR. Pelo menos até os advogados acharem uma brecha em nossa ultrapassada legislação e voltar a ser tudo como antes.

Por: Eliseu

sábado, 26 de novembro de 2011

Franklin diz que regulação protegerá radiodifusão nacional da “jamanta das teles”

Ao participar de seminário em São Paulo sobre um novo marco regulatório para as comunicações, organizado pelo PT, ex-ministro do governo Lula disse que princípios para o projeto estão no capítulo V da Constituição de 1988, até hoje não regulamentado. Mas atualizações precisam ser feitas, como no tema da convergência digital.

Marcel Gomes

O ex-ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação da Presidência no governo Lula, fez enfática defesa da criação de um novo marco regulatório para as comunicações no país. Martins participou nesta sexta-feira (25) de seminário sobre o tema organizado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), em São Paulo.
Antes de deixar o governo, o ex-ministro deixou um projeto que, agora, é reavaliado pela presidenta Dilma e deve passar por consulta pública, antes de ser enviado ao Congresso. "O que fiz não é um prato feito, é uma contribuição e pode ser discutido", afirmou.
Para justificar a atualização, Martins lembrou que o atual Código Brasileiro de Telecomunicações entrou em vigor em 1962, quando só havia no país "dois milhões de tevês preto-e-branco". "Era a época do tele-vizinho, e não da televisão", brincou ele.
Tamanha antigüidade faz com que o código não contemple os avanços da Constituição de 1988, em seu capítulo V. Para ele, que sacou um exemplar do bolso e o expôs ao público durante sua exposição, é a carta magna que deve balizar a atualização do marco.
O texto constitucional, afirma, traz princípios fundamentais como a garantia da liberdade de imprensa, a complementariedade entre sistemas público, privado e estatal ("hoje o sistema privado representa 95% do setor") e a promoção da cultura nacional e regional através de cotas.
Diante o avanço tecnológico, Martins defende que novos princípios precisam ser agregados, como a neutralidade da rede, a universalização da banda larga e a separação entre produção e distribuição de conteúdos.
O ex-ministro de Lula citou a trajetória de seu pai, jornalista perseguido pelo governo Vargas, e dele próprio, que militou contra a Ditadura Militar, para dizer que é um defensor da liberdade de imprensa. Sugeriu que a ideologia impede os grandes grupos de mídia de aprofundarem o debate sobre o assunto.
Alertou, ainda, que a falta de regulação ameaça a própria sobrevivência da radiodifusão nacional no cenário de convergência digital, por conta de seu porte relativamente pequeno quando comparado ao das companhias de telecom. Segundo Martins, enquanto as empresas de radiodifusão faturam R$ 13 bilhões anuais no país, as telecons apuram R$ 180 bilhões.
"Sem regulamentação, a jamanta das teles vai passar por cima da radiodifusão", afirmou. Por conta disso, ele defende que o governo dê alguma proteção à radiodifusão brasileira no novo marco regulatório.
"O problema é que os grupos de mídia brasileiros querem fazer como sempre fizeram, e sentar com as teles e alguns técnicos do governo para definir o novo marco. Mas isso não interessa a sociedade brasileira", disse.

Por: Carta Maior

Dilma diz que Brasil precisa avançar em serviços de saúde

A presidenta Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira (25) que a inauguração de um centro de referência em ortopedia no Rio de Janeiro é um dos "momentos consagradores" para a saúde pública por mostrar que é possível alcançar um "padrão de excelência" no atendimento daquela especialidade médica. Ela ainda defendeu a necessidade de investimentos públicos em saúde e educação especialmente em um momento de crise externa e de avanço do país no cenário internacional.

"Chegar à quinta potência (econômica mundial) está ficando cada vez mais claro (para o Brasil). Mas não queremos ser apenas a quinta potência, queremos ser um país sem pobreza, de classe média e com serviços (públicos) de qualidade", disse.

Dilma conheceu as instalações da nova sede do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into) e visitou Thayane Tavares Monteiro, de 13 anos, que se recupera na instituição desde o ataque à escola Tasso da Silveira, em Realengo, em 7 de abril. Ela está em tratamento fisioterápico.

"Este instituto, padrão e parâmetro para o Brasil, mostra sobretudo que nós podemos e temos todas as condições de sempre buscar alcançar esse padrão de excelência", disse a presidenta. "Centro de referência é isso: a possibilidade de garantir às populações de todos os rincões deste país saúde de qualidade e de difundir as melhores práticas", sublinhou.

Ampliação

O Into estava em operação parcial no antigo prédio do Jornal do Brasil, na zona portuária, há três meses. O anúncio desta sexta marca a ampliação de capacidade de 6 mil para 19 mil intervenções anuais em ortopedia e traumatologia. Consultas ambulatoriais alcançarão 305 mil por ano, além de atendimento a 86 mil pacientes em reabilitação. O edifício possui 70 mil metros quadrados, 21 salas cirúrgicas e 255 leitos de internação. Dentro do Into, funcionará o Centro Estadual Tecnológico em Saúde (Sautec), dedicado à pesquisa em neurociência.

A antiga sede do Into, na Praça da Cruz Vermelha, no centro da capital, será doado ao governo do Rio para o Hospital Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer, outro centro de referência, mas em neurologia. As obras estão orçadas em R$ 23 milhões e a previsão de inauguração é 2012. Outra doação consumada foi de um terreno do governo estadual em Santa Cruz, na zona oeste, à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que pretende construir no local uma fábrica de vacinas.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o parque tecnológico com participação da Fiocruz terá investimentos de R$ 800 milhões em uma parceria entre o setores público e privado. Esse tipo de iniciativa proporciona economia de R$ 350 milhões anuais aos governos, segundo o ministro. "Produzindo aqui no Brasil, trazendo tecnologia aqui para o Brasil, nós damos sustentabilidade financeira para o sistema poder ampliar o tratamento e o atendimento às pessoas e também combatendo o desperdício, gerando economia, e com isso também fazer novos Intos como esse", calculou.

Outro acordo assinado estabeleceu cooperação técnica entre União e estado em R$ 20 milhões para o Instituto Vital Brazil, dedicado à produção de medicamentos e de soro contra veneno de animais peçonhentos, além do antirrábico e do antitetânico.

Charge do dia

nani

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Negromonte acusa “imprensa do sul” de “preconceito contra nordestino”

O ministro das Cidades, Mário Negromonte (PP), criticou nesta sexta-feira (25), em Salvador, a "imprensa do sul" por ter "preconceito contra nordestino" e contra as mulheres. Durante o lançamento da segunda etapa do programa Minha Casa, Minha Vida na Bahia, seu berço político, Negromonte emocionou-se ao receber o apoio de lideranças do estado.
"As denúncias vêm de parte da imprensa, insatisfeita com o governo federal, interessada em enfraquecer a presidente Dilma (Rousseff)", disse o ministro, segundo a Agência Estado. "É uma mulher e existe discriminação. Existe discriminação com o nordestino também", completou.
Ele lembrou da "ilação" relacionada à Festa do Bode, cujo financiamento teria tido ajuda de Negromonte, segundo reportagens publicadas pelo jornal O Estado de S.Paulo. "Se fosse a Festa da Uva ou da Maçã, certamente ninguém faria discriminação. Mas como é Festa do Bode, coisa de nordestino, e o ministro é nordestino, tome cacetada."
O presidente da Assembleia baiana, Marcelo Nilo (PDT), e o presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Luiz Caetano (PT), manifestaram solidariedade ao ministro. Ele afirma ser vítima de gente do próprio governo federal e de seu partido. "Identifico fogo amigo, claro que sim! Partidos da base aliada e o próprio PP nacional – não da Bahia – têm interesse no ministério", admitiu.
"As denúncias surgem porque o ministério é importante", afirmou. "E a gente contraria muitos interesses. Aqui e acolá tem meia dúzia de insatisfeitos na bancada, é normal."
Novo alvo de denúncias publicadas pela mídia, Negromonte afirmou que instaurou sindicância para apurar eventuais irregularidades, além de avisar órgãos competentes por investigações, como a Controladoria Geral da União (CGU) e o Ministério Público Federal. A partir do resultado da análise interna é que assessores e funcionários da pasta poderiam ser exonerados.
Negromonte foi apontado como o "oitavo ministro" do governo Dilma a ser levado à berlinda, na avaliação do jornalista Leandro Fortes, na edição da semana passada na revista CartaCapital. O aumento das consultas por parte de repórteres de diferentes veículos à assessoria de imprensa do ministério sugeriam a mudança de alvo.
Gravações de conversas de funcionários do Ministério das Cidades divulgadas pelo jornal sugerem que houve alteração de parecer técnico de projeto de obra para a Copa do Mundo de 2014 em Cuiabá. A alteração previa troca de um projeto de linha rápida de ônibus por veículo leve sobre trilhos. Os indícios de fraude envolvem a elevação em R$ 700 milhões do custo da intervenção, que alcançaria R$ 1,2 bilhão.
Negromonte havia sido acusado de fraude na Festa do Bode, em Paulo Afonso (BA), a 480 quilômetros a norte da capital. Com resistências dentro do próprio PP desde a nomeação, o ministro é considerado uma das presenças quase certas na reforma ministerial pretendida pela presidenta Dilma para o início de 2012. Como há membros do governo que vão concorrer a prefeituras nas eleições do ano que vem, figuras menos prestigiadas ou problemáticas também poderiam deixar os postos.
As denúncias podem mudar esse roteiro. Antes dele, Carlos Lupi, do Trabalho e Emprego, vinha na mira preferencial, diante da divulgação de irregularidades na pasta. Apesar da pressão, ele permanece no cargo e com apoio de seus partidários. Lupi entrou como sétimo da lista de ministros na corda bamba, mas não caiu até agora, passados 20 dias da publicação das primeiras acusações relativas a convênios.

A lista começou com Antonio Palocci (Casa Civil, em junho), Alfredo Nascimento (Transportes, em julho), Wagner Rossi (Agricultura, em agosto), Pedro Novais (Turismo, em setembro) e Orlando Dias (Esporte, em outubro) caíram nesse contexto. Nelson Jobim (Defesa), que caiu em agosto, foi o único a deixar o posto por desgaste político. Uma reforma ministerial é esperada para o início de 2012, em função das eleições municipais e de eventuais insatisfações de Dilma com a condução do governo.

Por: Rede Brasil Atual

Bolsonaro faz insinuações sobre Dilma e PT pedirá sua cassação

jair-bolsonaroAs crises homofóbicas do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) já atingiram um nível tão doentio, que o parlamentar chegou a fazer insinuações desrespeitosas sobre a opção sexual da maior autoridade do país, a presidenta Dilma Rousseff.

Ontem, na tribuna da Câmara, ele afirmou que o Ministério da Educação (MEC) ainda planeja incluir o combate à homofobia nos currículos escolares e disparou contra Dilma. "Se gosta de homossexual, assume. Se o teu negócio é amor com homossexual, assuma".

Conforme informou o portal Terra, diante de tamanho desrespeito, o PT decidiu pedir a cassação do deputado Bolsonaro. "Eu acho que ele feriu o decoro parlamentar. Ele incita ódio aos homossexuais e não segue os ritos do Parlamento. Portanto, nós vamos representá-lo no Conselho de Ética e vamos pedir a cassação dele na próxima terça-feira", informou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), líder do PT na Câmara. Hoje, Bolsonaro afirmou que não quis ofender e que não se interessa pela opção sexual de Dilma, apenas pela exclusão do chamado kit-gay das escolas.

"Eu não tenho que pedir desculpas para a presidente. Tudo que eu falo é motivo de processo, então eu acho que tenho que ficar quieto em Brasília. Qualquer escorregada minha é motivo para processo, mas eu não vou parar de falar. O dia que eu parar de falar, não fico mais em Brasília", disse Bolsonaro, dizendo que não teme um processo de cassação.

Como sempre, falando besteiras e mais do que devia, o preconceituoso e homofóbico deputado disparou: "Pois que me cassem, mas tenham vergonha na cara de enterrar esse projeto do kit-gay, já que Dilma não teve coragem de enterrar", concluiu Bolsonaro. Domingos Dutra (PT-MA), que ocupava a presidência da sessão, determinou a retirada das declarações das notas taquigráficas atendendo a pedido do deputado Marcon (PT-RS). Caberá agora a Marco Maia (PT-RS) decidir se o discurso ficará registrado nos documentos da Casa ou será retirado da história oficial da Câmara.

Esse nada nobre deputado já deveria estar cassado e preso a muito tempo. Infelizmente, ao mesmo tempo que causa repúdio em muitos, o deputado usa o preconceito como estratégia para se relacionar com seus cerca de 200 mil eleitores tão preconceituosos como ele.

Por: Eliseu

Chevron diz que culpa é da “Mãe Natureza”

mae_naturezaDemonstrando ter incorporado rapidamente a tremenda cara de pau de nossos políticos para justificar seus erros, o presidente da  Chevron para África e América Latina, Ali Moshiri, colocou a culpa pelo vazamento de petróleo no Campo de Frade, na Bacia de Campos na “Mãe Natureza”, e não na incompetência da empresa em não prever o acidente e corrigí-lo de maneira rápida e eficaz após o ocorrido. Disse ainda, de acordo com a Agência Brasil, que a mancha ainda existente corresponde a décima parte de um barril de petróleo (cerca de 16 litros). Boa piada! “Esperamos que ela desapareça e acreditamos que a operação foi bem-sucedida”, disse ele, após reunião com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

Segundo Moshiri, a prioridade da empresa agora é selar e abandonar o poço com segurança, o que deve ser feito até meados de dezembro. Ele também não quis fazer previsão de quando a empresa voltará a atuar na extração de petróleo no país. “Isso depende do governo, não seria justo se eu fizesse uma previsão”. O executivo destacou que a unidade brasileira tem um dos melhores índices de segurança entre todas as operações da companhia no mundo. Será?

Na avaliação do executivo, a complexidade geológica da região pode ter contribuído para o acidente. “Estamos lidando com a Mãe Natureza e ela é complicada. Cada parte do reservatório é diferente, mas temos pessoal altamente qualificado trabalhando nisso. Devemos fazer uma avaliação mais detalhada para ter certeza de que não acontecerá de novo”.

O ministro Lobão explicou que a empresa poderá continuar operando nos outros 11 poços que explora no Campo de Frade, mas está proibida de fazer novas perfurações, conforme determinação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O ministro espera que a ANP “seja firme, rigorosa, porém justa” na avaliação da responsabilidade da Chevron no acidente. “O Brasil respeita os contratos, mas exige respeito às suas regras internas. Se a agência [ANP] determinou a punição temporária é porque estava no convencimento de que algo precisava ser melhor apurado”, disse o ministro.

Quem viver verá!

Por: Eliseu

Charge do dia

clayton

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Pedido afastamento de Kassab por fraude na inspeção veicular em SP

EA291AB2B17A4C211D9BA69CAC96O Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo pediu, no início da tarde desta quinta-feira, 24, o afastamento de Gilberto Kassab do cargo de prefeito da cidade de São Paulo. De acordo com o MPE, Kassab, o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente Eduardo Jorge, treze empresários e mais seis empresas estariam participando de uma fraude bilionária, envolvendo o contrato de inspeção veicular em São Paulo.
A ação solicita ainda o bloqueio dos bens dos envolvidos, além da suspensão imediata da inspeção veicular em São Paulo, exigindo a devolução dos valores de multas cobradas dos moradores de São Paulo e indenização por danos morais. A ação da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social solicita que os envolvidos no esquema percam os direitos políticos, e sejam condenados por improbidade administrativa. O valor da causa é de R$ 1,05 bilhão.
O MPE alega ainda que o problema foi a forma como foi executado todo o projeto da inspeção veicular e não a ideia central do projeto. Segundo o MPE, a constituição e as sucessivas prorrogações da empresa Controlar - uma das envolvidas no esquema - foram feitas por meio de fraudes, assim como a apresentação de garantias e os documentos e informações envolvidos no contrato, que também seriam falsos.
A ação foi apresentada no Fórum Helly Lopes Meireles, sede das Varas da Fazenda Pública de São Paulo.

Por: Tribuna do Norte

Incompetência do estado de SP pune população com “Lei da Garupa”

Por: Fernando Vives/Carta Capital 

A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou mais uma daquelas leis macarrônicas que, quando racionalizadas com uma ou duas pitadas de bom senso, mereceriam, na melhor das hipóteses, um escárnio público.

O projeto do deputado estadual Jooji Hato (PMDB) prevê a proibição de passageiros na garupa de motocicletas nas cidades paulistas com mais de 1 milhão de habitantes (São Paulo, Guarulhos e Campinas) durante os dias de semana. O objetivo: diminuir o número de assaltos.

Caso a leia seja sancionada pelo governador Geraldo Alckmin, o motoqueiro que der carona para sua namorada rumo ao trabalho em dia de greve no transporte público, por exemplo, terá que pagar multa de 130 reais ao amarelinho da CET.

É como na famosa anedota do marido traído e do sofá. Lembremos, pois: o sujeito descobre que sua mulher o trai com o vizinho no sofá da sala. E ele decide tomar uma atitude drástica: tirar o sofá da sala.

A Lei da Garupa não é a única aprovada recentemente que inverte responsabilidades sobre a segurança pública da população. Em agosto, o prefeito paulistano Gilberto Kassab sancionou a lei que proíbe o uso do telefone celular dentro de bancos na cidade. Quem a desrespeita paga multa de 2.500 reais. A ideia é combater o chamado “crime da saidinha”, no qual um bandido dentro da agência bancária avisa via telefone outro bandido do lado de fora sobre qual cliente saiu após tirar dinheiro do caixa. Esta lei já existe também em várias outras cidades.

Pela lógica da Lei da Garupa e da Lei do Celular no Banco, seria como se, no campo da Saúde, o Legislativo proibisse cidadãos de terem relações sexuais sob o nobre intuito de combater a Aids (melhor não dar a ideia…). A pequena parte faz o todo pagar por inteiro: de todas as pessoas que falam por celular dentro de um banco, meia dúzia de três ou quatro usam seu aparelho para aplicar golpes.

No caso da Lei da Garupa, um universo gigantesco de pessoas que usam as motocicletas como meio de transporte paga porque há alguns assaltantes que atacam sobre motos. Se a polícia não tem capacidade para trabalhar bem sobre estes casos, o Legislativo dá aquela mãozinha e “terceiriza” o problema para a população.

A Lei da Garupa explicita dois fatos que dizem muito sobre a vulnerabilidade da sociedade em que vivemos. Primeiro, um deputado teve uma ideia ruim, o que naturalmente acontece em qualquer democracia. O que não é natural é esta ideia ser aprovada e depender apenas de uma canetada do governador do estado mais rico da sexta economia do mundo para ser exercida. Prova (pela enésima vez) que temos legisladores que não conseguem enxergar os dilemas sociais por inteiro – e, portanto, ainda somos eleitores mal preparados por escolher, e depender, de legisladores assim. Enfim, nenhuma novidade.

Segundo, porque parece existir uma tendência de tentar resolver os problemas do País com leis restritivas. Assalto a banco com celular? Então ninguém fala mais via celular dentro do banco. Assalto com dois sujeitos em cima da moto? Então proíbe-se a carona na moto. E ninguém sabe onde isso vai parar.

As leis brasileiras têm problemas, mas não representam nenhuma bizarrice em comparação com outras democracias. Fazê-las serem cumpridas já bastaria para resolver uma quantidade enorme de dilemas do País. De proibição em proibição, no futuro estaremos todos proibidos.

Soa o alerta no Brasil após vazamento de petróleo da Chevron

O vazamento de petróleo na plataforma da Chevron no Campo de Frade é um ''alerta vermelho'' para o Brasil, que pretende explorar as gigantescas jazidas marítimas nas águas profundas do "pré-sal", uma operação delicada e inédita, segundo os analistas.

"Que isso sirva de alerta vermelho. Um só poço teve problemas, mas o pré-sal terá mil deles. Temos que aprender a lição", disse o secretário do Meio Ambiente do Estado do Rio, Carlos Minc.

"A lei permite que as empresas estrangeiras explorem petróleo, mas não somos uma República de bananas. Somos a sétima economia do mundo e queremos tecnologias cada vez mais preventivas. A Chevron não operou nas condições de confiança que lhe foram outorgadas", disse Minc na quarta-feira a jornalistas.

Segundo dados da Chevron, durante pouco mais de 10 dias foram derramados no Atlântico 2.400 barris de petróleo. Segundo a ONG SkyTruth foram cerca de 15.000 barris.

As autoridades brasileiras querem que o acidente da petroleira americana Chevron sirva de exemplo a outras companhias. Até o momento, foram aplicados 28 milhões de dólares em multas e outras multas milionárias estão em processo.

O Brasil suspendeu na quarta-feira todas as atividades de perfuração da Chevron no país, e também rejeitou seu pedido de explorar a região do "pré-sal".

"O acidente da Chevron mostra que extrair petróleo do mar não é uma tarefa simples", disse à AFP Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura.

Atualmente, 80% do petróleo mundial é extraído em terra, mas a exploração marítima tem crescido significativamente, disse Pires.

"O Brasil já é o país onde a produção marítima é mais elevada (95% do total) e isso vai aumentar ainda mais com o pré-sal", disse Pires.

"Nem o Brasil nem o resto do mundo estão preparados para responder rapidamente a um acidente petroleiro no mar, e com o pré-sal as dificuldades serão ainda maiores devido à profundidade", de 5.000 a 6.000 metros abaixo do nível do mar.

O especialista recordou o acidente ocorrido no ano passado nas instalações de British Petroleum (BP) no golfo do México, que provocou a maior mancha negra já registrada nos Estados Unidos, com quase cinco milhões de barris de petróleo derramados no mar durante três meses.

Empresas como a gigante brasileira Petrobras - líder mundial em exploração e produção em águas muito profundas - desenvolveram métodos sofisticados para a extração do petróleo em alto mar, mas os métodos para enfrentar vazamentos e proteger o ambiente "deixam a desejar", disse Pires.

"Tapar um vazamento e coletar o petróleo derramado leva tempo. As empresas e os governos precisam trocar informações sobre a maneira de agir", disse Pires.

"Transformar petróleo em lucro não é fácil e custa caro", disse o analista, recordando que "as ações da Chevron recuaram 12% durante os últimos dias e as da BP perderam 20% em 2010".

Alessandra Magrini, professora de Planejamento Energético da Universidade Federal do Rio (UFRJ-Coppe), disse que a lei de 2000 sobre o petróleo aprovada pelo Brasil é "muito generalista" e que é preciso preparar melhor os organismos de controle", como a Agência Nacional de Petróleo (ANP), o Ministério do Meio Ambiente e a Marinha - para gerar respostas rápidas no caso de acidentes, com a perspectiva do pré-sal em foco.

A Petrobras dispõe de um sistema de alta tecnologia para enfrentar acidentes em alto-mar e um robô de operação submarina teleguiado (ROV), mas os organismos de controle precisam de informações em tempo real e precisam coordenar-se de maneira mais eficaz, disse Mangrini à AFP.

"O plano de emergência a nível nacional ficou na gaveta. Foram fixados critérios para as multas, mas não há nada para avaliar os danos causados", disse. "O Brasil ainda possui muito a evoluir em relação aos trabalhos no pré-sal", completou.

Por: Terra

Charge do dia

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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Estudo alerta para perigo de doses acima do recomendado de paracetamol

Consumir uma dose um pouco acima da recomendada do analgésico paracetamol por um longo período de tempo - mesmo que apenas por uma questão de dias - pode causar graves danos à saúde, de acordo com pesquisadores britânicos.

Cientistas da Universidade de Edimburgo analisaram 161 casos do que chamaram de "overdose escalonada" durante um período de seis anos.

Os pesquisadores descobriram que muitas pessoas que usam os comprimidos contra dor não percebem quando tomam mais do que o permitido e não se dão conta dos danos causados pelo consumo excessivo do remédio ao fígado.

Segundo os pesquisadores, este problema geralmente também não é detectado pelos médicos no início, pois os exames de sangue não indicam níveis excessivos de paracetamol após a ingestão inicial superior à indicada.

O estudo, publicada na revista British Journal of Clinical Pharmacology, sugere que os efeitos para a saúde de overdoses escalonadas - mesmo que modestas - de paracetamol são mais graves do que uma única overdose com grande quantidades de comprimidos.

Fígado

Kenneth Simpson e sua equipe analisaram os registros médicos de 663 pacientes que foram encaminhados para a Unidade Escocesa de Transplante de Fígado, no hospital da Universidade de Edimburgo, devido a problemas do fígado induzidos por paracetamol.

Os 161 casos que tiveram a overdose escalonada tinham mais chances de desenvolver problemas no fígado e cérebro e de precisar de diálise ou ajuda para respirar. Eles também tinham mais chances de morrer devido a estas complicações.

"Eles não tomaram overdoses grandes e únicas, aquelas que ocorrem em um único momento, tomadas por pessoas que tentam cometer suicídio, mas no decorrer do tempo o dano se acumula e o efeito pode ser fatal", disse Simpson.

Para o professor Roger Knaggs, da Royal Pharmaceutical Society da Grã-Bretanha, o estudo indica que "se você tomar mais paracetamol do que o recomendado, você não vai melhorar o controle da dor, mas poderá prejudicar sua saúde".

"Se as pessoas estão sentindo dor e o paracetamol não ajuda, ao invés de pensar em aumentar a dose, eles devem consultar o farmacêutico para outro tipo de controle da dor ou consultar alguém que possa ajudar (a entender) a causa da dor", disse.

Por: BBC Brasil

Serra admite que PSDB não tem nome para disputar próxima eleição

O ex-governador de São Paulo e candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2010, José Serra, apresentou à direção do PSDB o diagnóstico de que os tucanos não têm candidato viável para disputar a Prefeitura da capital nas eleições do próximo ano. Para Serra, a saída seria apoiar o vice-governador Guilherme Afif, filiado ao PSD.


Em janeiro de 2012, o PSDB deverá realizar prévias para escolher seu candidato a prefeito. Mas o impasse que tem dividido a opinião dos caciques tucanos e gerado novas polêmicas internas é falta de nomes conhecidos pelo eleitorado da capital.
Os quatro pré –candidatos que, até o momento, tiveram seus nomes citados entre as opções do partido para as eleições têm pouca representatividade entre o eleitorado da capital — o que tem gerado dúvidas e discórdias sobre a estratégia dos tucanos para 2012.
A investida de Serra contra a realização das prévias levou a cúpula do PSDB a reagir nesta terça (22) com a publicação de uma nota em que o partido se declara disposto "de maneira inconteste" a disputar as eleições com candidato próprio.
O desgaste da relação de Serra com a cúpula do tucanato não é novidade. Os constantes desentendimentos entre o ex-governador e outras lideranças do partido como o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador de SP Geraldo Alckmin são uma mostra da divisão do tucanos e da luta interna por poder.
Discussão
Um dos mais recentes episódios envolvendo Serra aconteceu no último fim de semana, quando o ex-governador discutiu por telefone com o presidente do diretório estadual, Pedro Tobias. Segundo a Folha, Tobias teria se queixado a três pessoas de sua confiança da atitude de Serra.
O bate boca teria ocorrido depois que o presidente do diretório estadual disse a Serra que sua avaliação sobre a falta de competitividade dos candidatos tucanos era uma "bobagem completa" e que o partido não poderia abrir mão da candidatura própria em 2012.
Serra afirmou a Tobias que não se envolverá na campanha se o partido insistir em lançar candidato próprio e vetar a aliança com o PSD, o partido criado neste ano pelo prefeito Gilberto Kassab.
Derrotado nas eleições presidenciais de 2010, Serra tem recebido apelos para se candidatar a prefeito, por ser o tucano mais bem colocado nas pesquisas de intenção de voto. Mas ele nega ter interesse em participar da disputa.
A reação do PSDB de São Paulo teve apoio do presidente nacional da legenda, deputado Sérgio Guerra (PE). O governador Geraldo Alckmin foi informado do teor da nota e deu aval à sua divulgação.
Mesmo tucanos próximos a Serra, como o secretário estadual da Cultura, Andrea Matarazzo, um dos quatro pré-candidatos do partido, discordam da tese de que o PSDB deveria abrir mão da candidatura e apoiar o PSD.
Mais desentendimentos
A discussão com Tobias não foi o único atrito em que Serra se envolveu nos últimos dias. No sábado (19), como informou ontem o Painel da Folha, ele questionou o presidente da Juventude do PSDB paulista, Paulo Mathias, 20, sobre a omissão de seu nome numa publicação do movimento.
Segundo relatos de pessoas presentes, Serra disse ao estudante que a Juventude Tucana era "um bando de pelegos" e que ele não deveria "se intrometer em questões nacionais e municipais".

Por: Vermelho

Saúde na cidade: benefício ou mais sofrimento?

Condições de saneamento são um dos problemas que pioram os indicadores de saúde nas áreas pobres das cidades (Foto: Cidálio Vieira)A migração de pessoas do campo para a cidade no Brasil é tão intensa que já não nos perguntamos mais, no dia a dia, quais os motivos que levam a essa decisão. Além da busca por uma renda maior, os dados mostram que, em geral, o acesso à saúde é melhor em aglomerações urbanas do que em um ambiente rural.

Isso é verdade em praticamente todo o mundo. Um levantamento realizado pelo grupo de pesquisa Urban Age, ligado à London School of Economics, no Reino Unido, mostra que, em 90 países pesquisados, os indicadores médios de saúde são melhores em áreas urbanas que em rurais. Algumas razões para essa tendência são óbvias. As cidades concentram a maior parte da riqueza mundial. Hoje, 600 cidades acumulam 60% do PIB mundial, mas representam apenas 20% da população. Além disso, é nas cidades que se concentram hospitais e médicos, além de infraestrutura de água e saneamento, fundamentais para melhorar indicadores de saúde.

O que os números falham em mostrar, no entanto, é que há diferenças profundas entre a atenção à saúde nas cidades. Cidadãos com baixa renda podem ter indicadores de saúde piores que os da áreas rurais. Crianças que vivem em assentamentos informais em Nairóbi, no Quênia, têm maior probabilidades de morrer antes dos cinco anos do que aqueles que vivem nas áreas rurais.

Outra mudança que pessoas de baixa renda sofrem quando se mudam para uma grande cidade é o aumento da incidência de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, por conta da mudança de dieta. Na cidade, alimentos industrializados são mais baratos do que frescos, o que causa um aumento na incidência desse tipo de doenças. Sem informação e renda suficiente para adquirir alimentos mais saudáveis, além de pouco esforço físico, esse é um quadro difícil de mudar. Esse é o chamado fardo duplo que os pobres sofrem nas cidades. Acidentes, poluição e violência ajudam a piorar o quadro.

A diferença entre pobres e ricos é clara em São Paulo. Os dados de saúde das Zonas Leste e Sul, que concentram a população de menor renda, são piores que os da região Centro-Oeste, mais rica. Em 2010, 4,3% das crianças morreu antes de completar um ano na Zona Leste; o número é de 4% na Zona Sul e de 1,7% na região Centro-Oeste. O coeficiente de mortalidade por diabetes em pessoas com menos de 60 anos também é mais alto nas áreas mais pobres: foram 22,9 mortes por 100 mil pessoas na Zona Leste contra 11,4 na área Centro-Oeste.

Planejamento importa?

Em países desenvolvidos, há debates sobre a força do planejamento urbano e de design na luta contra problemas urbanos enfrentados pelos mais pobres, inclusive os de saúde. Em lugares onde as não existem moradias como favelas, há dúvidas sobre se é possível melhorar ainda mais as condições de vida por meio do ambiente. No Brasil, no entanto, essa pergunta faz pouco sentido. Na periferia das grandes cidades, é evidente que melhorar o ambiente vai ajudar a melhorar os indicadores de saúde. As cidades brasileiras matam mais pobres do que ricos e, por mais que isso pareça comum, não é normal e não pode ser aceito.

Por: Rede Brasil Atual

Vídeo: Acidente com helicóptero na Nova Zelândia

Um helicóptero caiu nesta terça-feira (22, quarta-feira pelo horário local) em Auckland, na Nova Zelândia, enquanto instalava uma árvore de Natal sobre um viaduto. O piloto, Greg Gribble, escapou sem ferimentos graves.

“Eu falei com ele pouco depois do acidente e pareceu que estava bem. Mas ele estava obviamente muito abalado, como você pode imaginar”, disse ao site “Stuff” o filho do piloto, Jaz, que tem a mesma profissão do pai.

O acidente será investigado pela Autoridade de Aviação Civil do país. O helicóptero estava aparentemente pairando sobre o chão quando caiu. Uma testemunha do acidente disse que o helicóptero levantava uma escada usando um cabo que se soltou atingindo as hélices.

A Telecom, empresa responsável pelo serviço, confirmou que o piloto e a equipe que trabalhava em terra não tiveram ferimentos graves. Afirmou ainda que a intenção é manter a colocação da árvore de natal, uma instituição em Auckland, que atrai mais de 100 mil visitantes. No entanto, avisou que o trabalho deve atrasar.

Por: UOL

Charge do dia

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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Trabalho escravo em obras da construtora MRV

trabalhoESCRAVOA construtora MRV Engenharia poderá ser multada em até R$ 11 milhões pela utilização de trabalhadores em condição análoga à escravidão em duas obras no interior de São Paulo. As ações civis públicas foram propostas pelo Ministério Público do Trabalho, depois que fiscais flagraram a existência de trabalho escravo na construção do empreendimento residencial Beach Park, em Americana, e nas obras do condomínio Spazio Mont Vernon, em São Carlos.

Em entrevista à Agência Brasil, o procurador do trabalho Cássio Calvilani Dalla-Déa, do Ministério Público do Trabalho em Araraquara (SP), disse que “nos dois casos, o número de irregularidades foi bem grande”.
No caso de Americana, a precarização do trabalho foi decorrente da terceirização dos serviços nas obras. Segundo o Ministério Público, a MRV utiliza-se de empreiteiras para fazer a intermediação da mão de obra e, com isso, tenta transferir a responsabilidade trabalhista às pequenas empresas. Nessa obra, o Ministério Público observou casos de operários sem receber salários, alojamentos e moradias fora do padrão legal e aliciamento de trabalhadores. Cerca de 60 trabalhadores estão nessa situação.
“Especificamente no caso da MRV, (a terceirização) não pode ser utilizada como desculpa porque existiam uma série de outras empresas, mas os trabalhadores estavam sendo subordinados e recebiam ordens de empregados da MRV. Então, a MRV tinha conhecimento das condições muito degradantes a que estes trabalhadores estavam vivendo”, disse o procurador.
Em São Carlos, a fiscalização flagrou um canteiro de obras desorganizado, com detritos acumulados e desrespeito às normas de segurança e saúde do trabalho. Entre as irregularidades foram relatadas falta de proteção contra quedas e alojamentos improvisados. A fiscalização também documentou péssimas condições de conservação e higiene de colchões e o não fornecimento de armários, roupas de cama e travesseiros para os trabalhadores. De acordo com o procurador, entre 10 ou 12 trabalhadores foram encontrados nessa situação em São Carlos, que “não era da mesma gravidade que em Americana”.
“Os elementos que levaram a essa classificação de condição análoga a de escravo é que os alojamentos eram péssimos, com colchões sem condições de uso, sem armários individuais, sem chuveiros suficientes. Havia também a retenção da carteira de trabalho e atrasos de salários, o que prendia o trabalhador àquela condição degradante”.
Um levantamento feito pela Gerência Regional do Trabalho em Campinas mostrou que a MRV teve 70 autuações entre os anos de 2007 e 2010, quase sempre por descumprimento de normas de saúde e segurança do trabalho.
O Beach Park, em Americana, é uma das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, que estava incluída no programa Minha Casa, Minha Vida.
“Até por isso, um dos pedidos das ações que foram propostas é a comunicação, ao Ministério das Cidades e à Caixa Econômica Federal, sobre estes recursos que a MRV utiliza. Achamos importante que o Judiciário faça a comunicação aos órgãos públicos de que o dinheiro público está sendo utilizado por uma empresa que reiteradamente tem cometido uma série de irregularidades”.
No processo ajuizado em Americana, o Ministério Público pede a condenação da empresa ao pagamento de R$ 10 milhões. Em São Carlos, os procuradores pedem R$ 1 milhão para reparar os danos causados aos operários. As indenizações serão destinadas ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). “Existe também a possibilidade dessa empresa ser incluída no cadastro que o Ministério do Trabalho tem e que é conhecido como lista suja, que aponta as empresas que foram flagradas com trabalho escravo”, disse o procurador.
Após a inclusão do nome do infrator no cadastro, instituições federais como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil suspendem a contratação de financiamentos e o acesso ao crédito.
Em resposta à Agência Brasil, a MRV informou que ainda não foi citada. “Desta forma, ainda não pode se manifestar a respeito”.

Por: Agência Brasil, via Vermelho

Para "abafar angústia" e produzir mais, canavieiros se perdem no uso do crack

Apesar de mal ter entrado na casa dos 30 anos, Lindiana Soares aparenta ter ao menos 50. São os efeitos, segundo ela, das andanças e armadilhas da vida, fincada basicamente no trabalho do campo. “A praga da cidade grande pegou na roça”, diz contundente à reportagem da Rede Brasil Atual, que acompanhou relatos de canavieiros na cidade de Guariba (SP), a 338 quilômetros da capital. Migrante de Codó (MA), ela vai muitas vezes para a colheita com o marido. Ele a introduziu no consumo da pedra de crack pela primeira vez, há seis anos, durante uma safra difícil, com pouca produção. O consumo de drogas mais baratas, como o crack e a maconha, se alastra abertamente entre os canaviais e nas pequenas cidades do interior.

“Não tem idade e nem sexo para quem está no meio daquilo”, diz a trabalhadora rural, que começa o corte no raiar do sol e termina perto das 16 horas. “Quem não sabe o que quer, acaba se levando pelo que não presta”, afirma. Lindiana diz só ter experimentado “algumas vezes” a droga. No entanto, alguns de seus colegas já sucumbiram aos efeitos do uso até mesmo dentro dos alojamentos das usinas, onde são apontadas condições precárias. “É para esquecer da vida”, justifica. Nos grupos de cortadores, migrantes cada vez mais jovens de cidades do interior da Paraíba, Piauí, Minas Gerais e Pernambuco. Em alguns desses locais, o vício em substâncias tóxicas costumava ser um problema distante.

De volta ao centro do debate em setembro passado, após a divulgação de um estudo na Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack da Assembleia Legislativa de São Paulo – em que foi observada a incidência da droga em 531 cidades paulistas, além da falta de tratamento adequado aos dependentes –, o avanço do vício é classificado por especialistas como uma “válvula de escape” diante das condições extenuantes de trabalho. Seria a busca pela sensação do estímulo físico proporcionado inicialmente pelo crack. No canavieiro, onde ganha pela quantidade colhida, são exigidas 12 a 15 toneladas ao dia. O uso da força física, com o aumento da produtividade, é imprescindível nesse sistema de corte, onde não se avançou em termos de instrumentos de trabalho.

Os números da lida da cana assustam. Um trabalhador pode derrubar, em média, 400 quilos em dez minutos, além de desferir 131 golpes de facão e 138 flexões de coluna, em um ciclo médio de seis segundos para cada ação. Geralmente, o trabalho é feito sob calor de aproximados 27º C, debaixo de fuligem. Os batimentos cardíacos chegam, em alguns momentos, a 200 por minuto. O levantamento é da Pastoral do Migrante de Guariba, onde a principal atividade econômica é o cultivo da cana-de-açúcar.

“É uma falsa sensação de que, com a droga, eles vão se tornar super-homens”, dispara o padre Antonio Garcia Peres, coordenador da Pastoral. Junto aos integrantes do grupo da diocese, o padre faz visitas regulares aos alojamentos para orientar a respeito do que ele chama de “Ilusão do crack”. Das experiências com os trabalhadores, padre Garcia tira a conclusão de que o prejuízo com o vício não é medido pelos boias frias. “O trabalhador fica com a força toda para trabalhar, não precisa parar nem para comer e, com isso, tem uma boa rentabilidade.” Entretanto, ressalta o padre, “se amanhã falta a droga, o dinheiro que ele ganhou no dia anterior é perdido”. Os malefícios das drogas não seriam percebidos devido à sensação de bem-estar proporcionada.

Tráfico

Muitas vezes a droga chega ao canavial pelos próprios cortadores de cana, de acordo com o padre. Com o valor da diária calculado com base em um salário mínimo por mês – atualmente fixado em R$ 545, com possibilidade de atingir o dobro (dependendo da produção) –, o tráfico do crack tornou-se uma opção para melhorar a renda. Há casos de migrantes condenados pela venda da droga na cidade. “Às vezes, eles não se intimidam nem nos alojamentos das usinas, mesmo sabendo que estão dentro da propriedade da empresa e que, se forem pegos, podem ser mandados embora”, afirma o padre Garcia. As “mulinhas” (pessoas usadas por traficantes para o transporte da droga ao seu destino) podem ser vistas à luz do dia nas redondezas das usinas, e até mesmo no local de partida dos trabalhadores aos canaviais. “Você vai no barraco deles e vê tranquilamente um grupo fumando lá dentro. É uma coisa muito aberta.”

A União da Agroindústria Canavieira (Unica) rebate as afirmações feitas habitualmente pela imprensa e critica o estudo apresentado pelos parlamentares da Assembleia Legislativa. “Não vejo que sentido faz isolar um setor para falar do crack nele. É a mesma coisa que você falar do consumo de crack entre padeiros, ou ir a uma troca de turno em uma montadora de automóveis, onde passam milhares de pessoas, e ver se existem usuários de crack. Você provavelmente vai encontrar”, justificou Adhemir Altieri, diretor de comunicação da Unica.

A hipótese de o estímulo do uso da droga ser a obtenção de maior rentabilidade está fora da questão, segundo ele. “Isso é um absurdo completo. Não é possível fazer uma avaliação dessas, isso é típico de quem não sabe o que está falando”, ressalta, na defesa de que os casos de consumo de droga no corte na cana são estritamente pontuais.

Mais drogas, mais crimes

“Vou contar uma coisa para você”, avisa Valdemir Alonso dos Santos, guaribense de 44 anos, canavieiro desde os 15. “Hoje em dia não se mata mais tanto por mulher como pelas drogas. Não é bom nem ficar falando muito não”, frisa o trabalhador. Ele não foi o único a demonstrar receio em revelar o comportamento de seus colegas dentro da roça. O tráfico, que se espalha por todas as frentes no campo, intimida quem resiste ao vício.

Nos três primeiros meses de 2011, Guariba, cidade com 36 mil habitantes segundo dados do Censo do Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), registrou cinco homicídios dolosos – quando há intenção de matar –, marcando a cidade como a segunda mais violenta da cobertura do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter 3), que abrange 93 municípios paulistas. No ano passado, foram 12 assassinatos na cidade. As categorias são demarcadas pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, fonte dos dados. O município de Ribeirão Preto, com 604 mil habitantes, é o primeiro do ranking. A disputa por pontos de tráfico e o acerto de conta de dívidas feitas em função das drogas são apontados como principais fatores do crescimento da violência nas cidades pequenas.

Falta de oportunidades

A socióloga Arlete Fonseca de Andrade, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), relaciona o vício entre trabalhadores do campo ao histórico sofrido deste grupo. Muitos dos migrantes que entram na lida da cana são pequenos produtores rurais, que não tiveram oportunidades de continuar o trabalho ou foram expulsos de suas terras. Para ela, o indivíduo, que não possui rumo e não tem ligação com heranças familiares, perde sua identidade. “Os trabalhadores são marginalizados e ridicularizados. Vivem escutando que são burros, caipiras”, pontua, uma vez que ainda existem casos de analfabetismo entre eles.

“Precisam trabalhar naquilo porque não vão poder atuar em outra coisa”, frisa a socióloga. Arlete fez dissertação sobre o tema por meio de pesquisa em 2003 com trabalhadores rurais na faixa etária de 18 a 36 anos, em Mineiros do Tietê (SP), a 300 quilômetros da capital. No estudo, ela descarta que a incidência do crack tenha ligação direta com o aumento da produtividade.

A contratação safrista de jovens, que têm o perfil mais aventureiro, também atua como fator determinante para que o fenômeno ocorra. De baixa autoestima frente à situação de trabalho degradante, a juventude que enxerga no corte de cana uma chance de emancipação, sente, no entanto, a necessidade de pertencer a um grupo, segundo Arlete. “Em um segmento de usuários de droga pode ter gente bonita, rica, feia, pobre. Pode ser marginal, não marginal. Não interessa a identidade individual dos que compõem o grupo. O objetivo deles é a droga”, exemplifica.

Tratamento precário

Além das doenças que o trabalhador do eito dos canaviais geralmente adquire, como infecções devido a acidentes com o facão, insuficiência pulmonar pela inalação da fuligem da cana queimada, convulsões e outras, os sintomas do vício das drogas também são recorrentes em ambulatórios do interior. O professor Igor Vassilief, médico aposentado do Centro de Toxicologia da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), em Botucatu, no interior do estado, revela que já tratou de casos terminais do uso contínuo do crack. “Essas pessoas ganhavam e vendiam tudo em droga e em bebedeira”, diz. A fórmula mais recorrente, segundo o médico, é a junção da pedra do crack ou o cigarro de maconha com o álcool, resultando em overdoses e episódios de insuficiência cardíaca. Após pouco tempo de uso, o crack baqueia o usuário.

As famílias dos dependentes químicos que adquiriram o vício nas lavouras são as que procuram ajuda médica para seus entes, na medida do possível, em ambulatórios regionais ou universitários. De acordo com o estudo divulgado na Alesp, 79% dos municípios paulistas não têm leitos para dependentes químicos no Sistema Único de Saúde (SUS), com maior impacto nas cidades que têm população inferior a 5 mil habitantes. A deficiência de postos de tratamento força, segundo Vassilief, a ida de pacientes de uma cidade a outra. “Só no ambulatório da Unesp vinham pessoas das cidades vizinhas, como São Manoel, Lençóis Paulista. Da área toda”, relata.

As clínicas de reabilitação de tóxicos ainda são escassas e inviáveis na região do interior. A mais próxima de Guariba fica em Pradópolis, também na região de Ribeirão Preto. Os custos, porém, são inacessíveis aos interessados em começar um tratamento para se livrar do vício. A Unica, entidade representante dos usineiros, não dispõe de programa que acompanhe o avanço da dependência química de seus funcionários.

Por: : Leticia Cruz, Rede Brasil Atual

Escândalo Chevron: mentiras, multas irrisórias, politização e pré-sal

Petroleira norte-americana responsável por desastre ambiental escondeu das autoridades informação sobre fim de vazamento e tentou iludi-las com vídeo editado. Multas iniciais e pedido de indenização chegam no máximo a R$ 250 mi, quase nada para quem fatura US$ 200 bi. Para PSDB, governo demorou a agir. Partido não se indignou com “mentiras”, como fez com ministro, nem pediu CPI da Chevron, suspeita de buscar pré-sal alheio, como fez com Petrobras.

André Barrocal e Najla Passos

“É política do grupo preservar a segurança, a saúde das pessoas e o meio ambiente, bem como conduzir operações confiáveis e eficientes.” O grupo em questão, acredite, é o norte-americano Chevron, protagonista de um dos maiores desastres ambientais da história brasileira. Graças a operações nada confiáveis e eficientes com petróleo no Rio, a empresa é hoje alvo da Polícia Federal (PF) e da cobrança de indenização e de multas milionárias.
Recheado – segundo autoridades - de omissão de informações e inverdades, e com cheiro de atentado à soberania nacional diante de uma possível tentativa de explorar petróleo pré-sal alheio, o caso Chevron é revelador. Permite ver com nitidez como a legislação brasileira pode ser generosa com empresas privadas. E como a luta política entre governo e oposição às vezes ajuda a perder a noção de que algo verdadeiramente escandaloso está acontecendo.
No dia 8 de novembro, teve início um vazamento de petróleo de poço explorado pela multinacional a 1,2 mil metros de profundidade na Bacia de Campos, no litoral do Rio. No dia 12, a Chevron apresentou à Agência Nacional do Petróleo (ANP) um plano para “matar” o poço e acabar com o vazamento, aprovado no dia seguinte e implementado a partir do dia 16 – pelo menos, era isso que a Chevron dizia à ANP.
O plano, porém, dependia de um equipamento que só chegou dos Estados Unidos nesta segunda-feira (21), e isso a Chevron não contara antes.
Imagens submarinas que a empresa fornecera às autoridades para mostrar o fechamento do poço estariam incompletas e teriam sido editadas para iludir as mesmas autoridades. “Houve falsidade de informações”, disse o chefe da ANP, Haroldo Lima. “Isso é inaceitável”, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.
Os dois mais o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, foram chamados pela presidenta Dilma Rousseff para uma reunião nesta segunda em que ela queria passar a história a limpo. Até então, Dilma tinha apenas divulgado uma nota, dia 11, na qual dizia que o governo estava acompanhando o caso e que haveria uma apuração rigorosa das responsabilidades.
Na reunião, Dilma ficou incomodada com a enrolação da Chevron e mandou a equipe levantar todos os contratos que a empresa tem com o governo, para verificar se é o caso de preservá-los.
Depois da conversa, a ANP informou que vai fazer pelo menos duas autuações contra a petroleira – uma pelas omissões, outra pela falta de equipamentos. Mais cedo, no Rio de Janeiro, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) também anunciara a aplicação de uma multa.
Pela lei atual, cada uma das multas pode chegar no máximo a R$ 50 milhões, uma ninharia para a Chevron mesmo que se some a autuação anunciada pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), também no valor de R$ 50 milhões.
No ano passado, a multinacional faturou US$ 200 bilhões. No primeiro semestre de 2011, lucrou US$ 14 bilhões. Como comparação: em fevereiro, a mesma empresa foi condenada no Equador a pagar US$ 8 bilhões por um crime ambiental.
Talvez fosse mais adequado que a legislação atrelasse as multas ao faturamento das empresas, como o ministro da Controladoria Geral da União, Jorge Hage, está defendendo em projeto de lei que pune corruptores com mais rigor. Para Hage, se a multa não pesar de fato no caixa das empresas, o comportamento ético delas não vai mudar. Um raciocínio que também pode servir para o comportamento ambiental.
“Para o tamanho do empreendimento (da Chevron) e do dano ambiental (que ela causou), o valor máximo da multa brasileira me parece muito pequeno”, disse o presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).
Nesta segunda (21), Rollemberg propôs – e aprovou – a realização de audiência pública no Senado no próximo dia 29 para escarafunchar o caso Chevron, com a presença de dirigentes da empresa e de autoridades.
Os adversários do governo Dilma – Rollemberg é aliado – também querem explorar o assunto politicamente. No domingo (20), um deputado oposicionista, Arnaldo Jardim (PPS-SP), informara que iria propor na Câmara a convocação da ANP e da Chevron para dar explicações. Nesta segunda (21), o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), divulgou nota em que diz que a sociedade “não consegue conceber” por que “somente agora” a presidenta tomou uma atitude.
Já as mentiras da Chevron denunciadas pelo governo não mereceram dos tucanos a mesma reação que tiveram com as confusas explicações dadas pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, sobre as relações dele com um empresário. Para o PSDB, Lupi teria cometido crime de responsabilidade por ter mentido.
O PSDB também não está a defender, por exemplo, uma CPI da Chevron, como fez contra a a Petrobras em 2009, para saber se a multinacional norte-americana tentou sugar petróleo pré-sal que não lhe pertencia. Essa é uma suspeita tanto da Polícia Federal, que abriu inquérito para apurar todo o caso e vai tomar os primeiros depoimentos de executivos da empresa nesta quarta-feira (23), quanto da ANP.
Para o delegado da PF que cuida do caso, Fabio Scliar, é estranho que a Chevron tenha sondas capazes de buscar petróleo a 7km de profundidade, sendo que o poço em que houve o acidente era "raso", de 1,2km - as camadas de pré-sal situam-se entre 5km e 7km.
“Vamos examinar a prazo curto o projeto dela de chegar ao pré-sal brasileiro legalmente”, disse Haroldo Lima, em referência a uma reunião da ANP marcada para quarta (23) que analisará uma proposta da Chevron de atuar em campos do pré-sal.
Coincidência ou não, o governo do Rio também resolveu se mexer nessa segunda (21). O secretário de Meio Ambiente, Carlos Minc, ex-ministro da área, informou que o estado vai entrar com uma ação civil pública cobrando R$ 100 milhões de indenização da Chevron. E que vai obrigar a empresa a se submeter a uma auditoria internacional para conferir se a empresa estava preparada para acidente. A auditoria deve custar R$ 5 milhões, e a própria auditada deverá pagar.

Da: Carta Maior

Filho de FHC é investigado

pateta091 (1)Aquele velho ditado que diz “um dia é da caça, outro do caçador” se aplica bem ao filho do “corno manso”, maconheiro e ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, o FHC, que foi um dos presidentes mais corruptos do país entregado nossas riquezas na mão da iniciativa privada, como a Vale, e que todos sabemos encabeça o bando de denunciantes sem provas dos governo Lula e Dilma.

Reportagem da Carta Capital diz que a Rádio do filho de FHC vai ser investigada por burlar a legislação brasileira de meios de comunicação.

Segundo reportagem da revista IstoÉ, Paulo Henrique Cardoso, o PHC, filho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso seria testa de ferro do grupo americano Walt Disney Company para burlar a legislação brasileira de meios de comunicação.

O cientista social, que abandonou a área e se transformou em empresário, aparece perante às autoridades reguladoras do setor como dono da Rádio Holding Participações Ltda, empresa que controla 71% da Rádio Itapeva FM, ou Rádio Disney (91,3 Mhz). O restante das ações (29%) pertence a The Walt Disney Company (Brasil) Ltda.

A proporção está dentro da lei que permite a empresas estrangeiras controlar apenas 30% do capital de veículos de comunicação no Brasil. O Ministério das Comunicações abriu, contudo, um processo administrativo para averiguar se a Itapema cumpre de fato a regra e a Secretaria de Serviços de Comunicação Eletrônica pediu investigação ao Ministério Público Federal.

A IstoÉ aponta que documentos da Junta Comercial do Estado de São Paulo de 17 de novembro trazem como sócio majoritário da Rádio Holding a ABC Venture Corp e não PHC. A empresa, registrada na Califórnia, EUA, é subsidiária de um dos braços da Walt Disney Company, e, neste caso, controladora de ambas as rádios.

Pelos documentos, a WDC detinha 98,6% da Rádio Holding e PHC menos de 2% das ações. Porém, na ficha cadastral simplificada da Junta, solicitada online por CartaCapital nesta segunda-feira 21 de novembro, a porcentagem majoritária citada acima pertence ao filho do ex-presidente.

As partes citadas na reportagem negam as irregularidades e disponibilizaram à revista documentos de fevereiro de 2010, com PHC como sócio majoritário. Os sócios também informam que a compra foi autorizada pela portaria 100, de 11 de março de 2010 pelo Ministério da Comunicação e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em 16 de março do mesmo ano.

No entanto, a ABC Venture e PHC concederam procurações a dois executivos estrangeiros da WDC, que os permite depositar e sacar fundos, emitir e endossar cheques e solicitar créditos em conta corrente, por exemplo. Uma tática supostamente para a empresa estrangeira comandar a emissora dentro da legislação.

Por anda andam os repórteres da Veja, Globo, etc, que se acham os melhores caçadores de corrupção e mutretas diversas que não denunciaram o filho de FHC? Quando soltam alguma nota é bem pequenina e disfarçada.

Por: Eliseu

Descoberta vacina contra câncer

Os pesquisadores escolheram uma cepa de Trypanosoma não-patogênica, ou seja, incapaz de causar doença

Cientistas brasileiros conseguiram criar uma vacina contra o câncer utilizando o Trypanosoma cruzi, protozoário causador da doença de Chagas. A pesquisa mereceu publicação na prestigiosa revista científica americana PNAS.
Os pesquisadores escolheram uma cepa de Trypanosoma não-patogênica, ou seja, incapaz de causar a doença. Depois, modificaram-na geneticamente para que o micro-organismo produzisse uma molécula característica de células tumorais: o antígeno NY-ESO-1.
Desta forma, quando o organismo inicia o combate ao protozoário, entra em contato com o antígeno que passa a ser visto pelo sistema imune como um bom indicador das células infectadas pelo protozoário.
As defesas do organismo começam a destruir as células que possuem o antígeno NY-ESO-1 imaginando que lutam contra a infecção do Trypanosoma. Na realidade, foram induzidas a combater tumores.
O estudo reuniu cientistas do Centro de Pesquisas René Rachou (Cpqrr-Fiocruz), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Ludwig, em Nova York.
O artigo publicado na PNAS apresenta dados promissores em camundongos para prevenção e tratamento de melanomas. Os cientistas também testaram o Trypanosoma transgênico em células humanas in vitro e comprovaram que ele induz a resposta imunológica esperada contra alguns tipos de câncer.
Ricardo Gazzinelli, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas e um dos autores do trabalho, afirma que, antes de iniciar os testes clínicos em humanos, será preciso vencer a resistência em se utilizar um parasita transgênico para combater uma doença. Até lá, o grupo iniciará os testes em cachorros.

Por: Diário do Nordeste

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Expansão da classe média gera tensão em países emergentes, diz OCDE

A expansão da classe média nas economias emergentes está sendo acompanhada do aumento de reivindicações sociais e provoca novas tensões que os governos deverão enfrentar, alerta a Organização para a Cooperação Econômica (OCDE) em um relatório divulgado nesta segunda-feira.

Segundo o estudo Perspectivas do Desenvolvimento Mundial 2012: A Coesão Social em um Mundo em Mutação, as populações de economias com rápido crescimento estão se tornando mais exigentes e têm expectativas cada vez mais elevadas em relação ao seu nível de vida.

"A classe média dos países emergentes deseja que os frutos do crescimento econômico dos últimos anos sejam compartilhados", afirma a OCDE.

Do total de 2 bilhões de pessoas no mundo que vivem com uma renda entre US$ 10 e US$ 100 por dia - classificados pela OCDE como pertencendo à classe média -, quase 1 bilhão estão nos países em desenvolvimento e emergentes.

Esse número deverá triplicar nos próximos 20 anos, nas estimativas da organização, atingindo 3 bilhões de pessoas em 2030 nesses países.

Mobilização

A organização alerta que os governos não devem subestimar a capacidade de mobilização da classe média dessas economias para exigir políticas mais transparentes e serviços públicos de melhor qualidade.

"À medida que a classe média dos países emergentes se compara cada vez mais à das economias avançadas, podemos esperar mudanças em seus hábitos de consumo e demandas por serviços de qualidade", diz a organização, que cita a educação, a saúde e maior proteção social.

"Um Estado que não levar em conta questões ligadas à coesão social corre o risco de enfrentar protestos sociais e aplicar políticas ineficazes", diz o estudo.

"Os eventos recentes - como o movimento em favor da democracia na Tailândia, em 2010, e as revoltas da primavera árabe - mostram que é preciso levar em conta as reivindicações dos cidadãos que pedem processos políticos inclusivos".

Nos anos 2000 e pela primeira vez em inúmeras décadas, 83 países em desenvolvimento atingiram taxas de crescimento per capita equivalentes ao dobro das registradas nas economias ricas da OCDE.

Em cerca de 50 economias em desenvolvimento ou emergentes, as taxas médias de crescimento per capita foram superiores a 3,5% por ano nos anos 2000.

"O crescimento desencadeia novas tensões: aumento das desigualdades de renda, transformações estruturais e expectativas crescentes dos cidadãos em relação ao seu nível de vida e acesso às oportunidades", diz o relatório.

Vulnerabilidade

A OCDE afirma também que a classe média nos países emergentes permanece vulnerável, apesar do aumento da renda.

"Na América Latina, a média de estudo é de 8,3 anos e poucos têm nível universitário. Também há mais trabalhadores sem carteira assinada do que no setor formal em todos os países da região, com exceção do Chile", afirma o estudo.

"Essa classe média é diferente da que conduziu ao crescimento econômico em vários países da OCDE", se referindo ao maior nível de estudos e proteções trabalhistas mais fortes nas economias ricas.

O documento ressalta ainda a necessidade de elaboração de políticas em várias áreas, como orçamentária, fiscal, emprego, proteção social e imigração, para permitir a coesão social nas economias emergentes.

Por: BBC Brasil

domingo, 20 de novembro de 2011

Copa do Mundo criou “cidades neoliberais”, avaliam urbanistas

Decisões político-urbanísticas estariam subordinadas a interesses privados nas doze capitais brasileiras que vão sediar partidas da maior competição esportiva do planeta em 2014. Despejo de comunidades carentes por causa de obras e controle do espaço público para atender patrocinadores seriam exemplos visíveis de predomínio da lógica mercantil.

Najla Passos

Comitês populares criados nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 reclamam que a realização do megaevento – e também da Olimpíada de 2016 – está motivando intervenções nos municípios que extrapolam a seara esportiva de modo prejudicial a seus habitantes. Queixam-se que os espaços públicos estariam sendo mercantilizados, que a especulação imobiliária corre solta, que famílias estão sendo despejadas por causa das obras.
Este tipo de crítica não se limita a quem muitas vezes está sentindo os problemas na pele. Também encontra eco em urbanistas. "Estamos frente a um novo pacto territorial, redefinido por antigas lideranças paroquiais, sustentadas por frações do capital imobiliário e financeiro, e amparadas pela burocracia do Estado”, disse Orlando dos Santos Junior, mestre e doutor em Planejamento Urbano e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Santos Junior integra o Observatório das Metrópoles, um instituto virtual que reúne cerca de 150 pesquisadores na discussão de temas urbanos. Para ele, os megaeventos esportivos alteraram o processo decisório nas cidades. Investimentos públicos e privados orientam-se agora em função dos eventos, não das necessidades das pessoas. Corte de impostos, transferência de patrimônio imobiliário e remoção de comunidades de baixa renda seriam exemplos disso. “Essas remoções são espoliações, já que as aquisições são feitas por preços muito baixos”, afirmou.
Mestre em arquitetura e urbanismo, a professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) Nelma Oliveira acredita que os megaeventos estão criando o que ela chama de “cidades neoliberais”. Nelas, decisões políticas e urbanísticas estariam subordinadas aos interesses privados. Isso seria visível nas regras de exploração comercial. “Existe um controle do espaço público para atender aos patrocinadores, que querem o espaço das cidades, e não apenas do estádio”, disse.
Além das comunidades carentes vítimas de remoção, Nelma aposta que trabalhadores informais e profissionais do sexo vão ser reprimidos. “Limpar a cidade e proibir a atuações desses grupos faz parte do processo de higienização das metrópoles”, afirmou a professora, que participou nesta sexta (18), junto com Santos Junior, de debate em seminário sobre comunicação que acontece no Rio.
Presente ao mesmo debate, o jornalista Paulo Donizetti, editor da Revista do Brasil, afirmou que os megaeventos deveriam ser uma oportunidade de a sociedade discutir políticas públicas. Mas o país não estaria aproveitando. “Qual poderia ser o legado humano desses eventos? Fala-se muito do legado físico, mas não se fala em aproveitar as Olimpíadas de 2016 e desenvolver uma política esportiva”, criticou.
Segundo ele, ao contrário de outros países latino-americanos, o Brasil não tem um programa esportivo universalizado. “Por que o esporte, no Brasil, é para poucos? Nós estamos preparando uma reportagem sobre a Copa e já descobrimos que 70% das escolas brasileiras não tem nenhuma quadra”, disse.

Por: Carta Maior

Preconceito na adoção de crianças

No país com maior miscigenação racial do mundo, o racismo continua latente na sociedade brasileira. Após a presidenta Dilma afirmar que pobreza no Brasil tem face negra e feminina, reportagem da Agência Brasil diz que crianças negras ainda são preteridas por famílias candidatas à adoção.

De acordo com o noticioso, três anos após a criação do Cadastro Nacional de Adoção, as crianças negras ainda são preteridas por famílias que desejam adotar um filho. A adoção inter-racial continua sendo um tabu: das 26 mil famílias que aguardam na fila da adoção, mais de um terço aceita apenas crianças brancas. Enquanto isso, as crianças negras (pretas e pardas) são mais da metade das que estão aptas para serem adotadas e aguardam por uma família.

Apesar das campanhas promovidas por entidades e governos sobre a necessidade de se ampliar o perfil da criança procurada, o supervisor da 1ª Vara da Infância e Juventude do Distrito Federal, Walter Gomes, diz que houve pouco avanço. “O que verificamos no dia a dia é que as família continuam apresentando enorme resistência à adoção de crianças negras. A questão da cor ainda continua sendo um obstáculo de difícil desconstrução.”

Segundo Gomes, o principal argumento das famílias para rejeitar a adoção de negros é a possibilidade de que eles venham a sofrer preconceito pela diferença da cor da pele. “Mas esse argumento é de natureza projetiva, ou seja, são famílias que já carregam o preconceito, e esse é um argumento que não se mantém diante de uma análise bem objetiva”, defende Gomes. O tempo de espera na fila da adoção por uma criança com o perfil “clássico” é em média de oito anos. Se os pretendentes aceitaram crianças negras, com irmãos e mais velhas, o prazo pode cair para três meses, informa.

Para Walter Gomes, é necessário um trabalho de sensibilização das famílias para que aumente o número de adoções inter-raciais. “O racismo, no nosso dia a dia, é verificado nos comportamentos, nas atitudes. No contexto da adoção não tem como você lutar para que esse preconceito seja dissolvido, se não for por meio da afirmatividade afetiva. No universo do amor, não existe diferença, não existe cor. O amor, quando existe de verdade nas relações, acaba por erradicar tudo que é contrário à cidadania”, ressalta.

O Racismo continua forte no Brasil em todos os setores, mas também precisa diminuir a enorme burocracia para adoção, inclusive por estrangeiros que querem apenas dar amor, um lar, educação, etc, e são tratados de forma distinta, como se todo estrangeiro fosse traficante de pessoas, quando na maioria dos casos o verdadeiro inimigo da criança está ao lado.

Por: Eliseu