sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

À sombra da ditadura

Por: Vladimir Safatle/CartaCapital

REVOLUCAO-64 - RENUNCIA DE JANIO QUADROS. FOTO: DOMICIO PINHEIRO/AE. <br /><br />Brasil, Rio de Janeiro, RJ. Menino observa soldados e tanque de guerra no comício na Central do Brasil, organizado pelo então presidente João Goulart, o Jango, onde foram defendidas as reformas de base. Esse comício teria sido um dos motivos para o Golpe de 64.<br /><br />A INDICACAO DO CREDITO E OBRIGATORIO, CONFORME DISPOE A LEI NR. 9.610, DE 19.02.98, ARTIGO 79.<br /><br />FICA DESDE JA RESSALVADO QUE, EM SE TRATANDO DE PESSOAS FISICAS, QUAISQUER OBJETOS OU OBRAS E EVENTUALMENTE RETRATADOS NAS FOTOGRAFIAS ADQUIRIDAS, O COMPRADOR DEVERA PROVIDENCIAR DIRETAMENTE SUAS RESPECTIVAS AUTORIZACOES, NAO SE RESPONSABILIZANDO A AGENCIA ESTADO POR QUALQUER VIOLACAO DE DIREITO DE IMAGEM DO CONTEUDO DA FOTO.<br /><br />QUALQUER OUTRA VEICULACAO OU REUTILIZACAO DESSA IMAGEM DEVERA SER COMUNICADA.<br /><br />AGENCIA ESTADO<br />(0XX11) 856.2079<br />foto@agestado.com.brEste será um ano lembrado, entre outras coisas, como aquele no qual o Brasil se viu assombrado por seu passado. Durante décadas, o País tudo fez para nada fazer no que se refere ao acerto de contas com os crimes contra a humanidade perpetrados pela ditadura. Isso o transformou em um pária do direito internacional, objeto de processos em cortes penais no exterior. Contrariamente a países como Argentina, Uruguai e Chile, o Brasil conseguiu a façanha de não julgar torturador algum, de continuar a ter desaparecidos políticos e de proteger aqueles que se serviram do aparato de Estado para sequestrar, estuprar, ocultar cadáveres e assassinar.

Nesse sentido, não é estranho que convivamos até hoje com um aparato policial que tortura mais do que se torturava na própria época da ditadura. Aparato completamente minado por milícias, grupos de extorsão e extermínio, assim como pela violência gratuita contra setores desfavorecidos da população. A brutalidade securitária continua a nos assombrar. Este é apenas um dos preços pagos por uma sociedade incapaz de dissociar-se dos crimes de seu passado recente.

Outro preço é o tema que mais assombra certos setores da classe média brasileira, a saber, a corrupção. Esquece-se muito facilmente como a ditadura foi um dos períodos de maior corrupção do Brasil. Basta lembrar-se de casos como Capemi, Coroa-Brastel, Lutfalla, Baum-garten, Tucuruí, Banco Econômico, Transamazônica, Ponte Rio-Niterói, entre tantos outros. Eles demonstram a consolidação de um modus operandi na relação entre Estado e empresariado nacional que herdamos da ditadura. Talvez não seja por acaso que boa parte dos casos de corrupção que assolam o País tenha participação de empresas que praticam negócios escusos desde a ditadura. Empresas que tiveram participação ativa, por exemplo, no financiamento da Operação Bandeirantes.

Corrupção e violência policial são apenas dois aspectos do que restou da ditadura. Poderíamos lembrar ainda do caráter imperfeito da democracia brasileira. Temos leis herdadas de períodos totalitários que se esconderam em nosso ordenamento jurídico. Ou seja, esperamos por uma reforma jurídica que racionalize nosso direito a partir de princípios gerais de liberdade social. Seria bom lembrar como temos uma lei constitucional que legaliza golpes militares. Basta lermos com calma o Artigo 142, no qual as Forças Armadas são descritas como “garantidoras dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. Ou seja, basta, digamos, o presidente do Senado pedir a intervenção militar em garantia da lei (mas qual? sob qual interpretação?) e da ordem (social? moral? jurídica?) para que um golpe militar esteja legalizado constitucionalmente.

Diante desse cenário de desagregação normativa da vida social por causa da incapacidade da sociedade brasileira de elaborar seu passado, poderia esperar-se que a instalação de uma Comissão da Verdade servisse para iniciar um real processo de reconciliação nacional. Temos, porém, sólidas razões para -duvidarmos disso.

Um dos pontos mais aberrantes da comissão é a indicação de que seus integrantes devam ser pessoas “isentas”. Uma piada de mau gosto. Há de se perguntar quem seria suficientemente amoral para ser isento diante de crimes contra a humanidade e atos bárbaros de violência estatal contra setores descontentes da população. Quem pode ser isento diante da informação de que integrantes do Exército, no combate à Guerrilha do Araguaia, jogavam camponeses de helicópteros e estupravam mulheres da região? Há algo de profundamente intolerável em pedidos de “isenção” nesse contexto.

Um dos exemplos pedagógicos de tal isenção pode ser encontrado no próprio dia de anúncio da criação da Comissão da Verdade. Diante da pressão dos militares, Vera Paiva, filha do deputado desaparecido Rubem Paiva, não pôde ler seu discurso, deixando os parentes de desaparecidos sem voz. Não poderia haver gesto mais simbólico e prenhe de significado. Não haverá voz para enunciar demandas de Justiça que não são apenas de familiares, mas de toda a sociedade brasileira.

Em crimes como os cometidos pela ditadura, não estamos a lidar com o sofrimento individual. Este é um erro cometido inclusive por setores de esquerda que querem “resolver tudo isso o mais rápido possível”. Eles compraram a ideia de que se trata apenas de encontrar reparação adequada para o sofrimento individual, seja por meio de compensações financeiras, seja por meio de anulação de atos que portaram prejuízo a um grupo reduzido de pessoas. Estamos, no entanto, lidando neste caso com um sofrimento social. Ou seja, toda a sociedade sofreu e ainda sofre por meio do “corpo torturável” desses indivíduos. Ela sabe que a violência estatal ainda paira como uma espada de Dâmocles por sobre nossas cabeças. Ela pode explodir de maneira a mais irracional, como um conteúdo recalcado que retorna lá de onde menos esperamos.

Por outro lado, é claro que tais demandas de “isenção” escondem o pior dos raciocínios, a saber, a defesa de que a violência de um Estado ilegal contra a população equivale à violência de setores da população contra o aparato repressivo do Estado. “Temos de julgar também os terroristas”, é o que dizem.

TR¡FICO/OPERA«√OAqui talvez seja o caso de se perguntar: Para que serve a verdade? Alguns acreditam que a verdade serve principalmente para reconciliar. Ou seja, sua enunciação forneceria o quadro de um reconhecimento dos danos ocasionados no passado. Tal reconhecimento, por mais simbólico que seja, teria a força de produzir conciliações e versões unificadas da história nacional.

Não creio que isso possa ocorrer. Sempre teremos leituras divergentes e irreconciliáveis do que foi a ditadura. Sempre haverá os que dirão que os militares nos salvaram da transformação do Brasil em uma ditadura comunista. Por isso, talvez seja o caso de dizer que a enunciação da verdade não serve para conciliar. Ela serve para romper. Ela rompe com o medonho exercício de desresponsabilização que foi colocado em marcha no Brasil. Rompe com a tentativa de colocar no mesmo patamar quem usurpa o poder e cria um Estado de medo e aqueles que se voltam contra tal situação. Desde o Evangelho sabemos isso: a verdade não tem o poder de unir. Ela tem a força de cortar.

É importante dizer isso porque corremos o risco de ver a Comissão da Verdade se transformar em uma macabra validação da famosa “teoria dos dois demônios”. Certamente haverá a tendência em colocar em circulação a necessidade de investigar os “crimes feitos pelos terroristas de esquerda”. Por isso creio ser mais que necessário perder o medo de dizer em alto e bom som: toda ação contra um governo ilegal é uma ação legal. Um Estado ilegal não pode julgar ações contra si por ser ele próprio algo mais próximo de uma associação criminosa. Esta era a situação brasileira.

Pois podemos dizer que dois princípios maiores fundam a experiência de modernização política que caracteriza a tradição da qual fazemos parte. O primeiro desses princípios afirma que um governo só é legítimo quando se funda sobre a vontade soberana de um povo- -livre. O segundo princípio afirma o direito à resistência. Mesmo a tradição política liberal admite, ao menos desde John Locke, o direito que todo cidadão tem de assassinar o tirano, de lutar de todas as formas contra aquele que usurpa o poder e impõe um Estado de terror, de censura, de suspensão das garantias de integridade social. Nessas situações, a democracia reconhece o direito à violência.

Costuma-se dizer que o direito à resistência não pode ser aplicado ao caso brasileiro já que a repressão caiu exclusivamente sobre os ombros de integrantes da luta armada que procuravam criar um governo comunista e totalitário no Brasil. Mas a afirmação é falsa. A repressão agiu contra toda forma de resistência, não só aquela da luta armada. O deputado Rubem Paiva, assim como vários sindicalistas e estudantes não faziam parte da luta armada e foram brutalmente mortos. Diz-se que estávamos em uma guerra e “efeitos colaterais” são produzidos. Mas, mesmo em situações de guerra, abusos são punidos.

Por outro lado, contrariamente ao que ocorreu na Argentina, os grupos de guerrilha apareceram no Brasil a partir do golpe militar, ou seja, se não houvesse ditadura não haveria grupos de guerrilha, a não ser focos isolados e completamente irrelevantes. É bom lembrar que boa parte daqueles que se engajaram na guerrilha tinha apenas uma vaga ideia do que queria, mas tinha uma ideia muito clara do que não queria. Lembre-se ainda que o direito à resistência não se anula pelo fato de defender outro regime de governo. Não por outra razão, líderes comunistas ainda são vistos como heróis da resistência na Europa.

Por essas razões, a única reconciliação possível ocorrerá quando aplicarmos no Brasil o que foi feito na África do Sul. O que queremos não é a cadeia para generais octogenários. Queremos que os responsáveis pelos crimes da ditadura peçam perdão, em sessão pública, diante dos familiares e torturados. Se o perdão é o gesto que reconcilia e apaga as feridas do passado, há de se lembrar que só pode haver perdão onde há reconhecimento do crime. Que a Comissão da Verdade não sirva para, mais uma vez, tentarem nos extorquir uma falsa reconciliação

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Prefeitura de São Paulo aproveita incêndio para desalojar Comunidade do Moinho

O incêndio que destruiu boa parte dos barracos, matou duas pessoas e desalojou centenas de famílias nas vésperas do Natal está sendo utilizado como novo pretexto para a liberação da área, como um caso típico que contrapõe interesses empresariais e o direito à moradia. Prefeito Gilberto Kassab (PSD) tenta desde 2006 despejar os moradores, primeiro com a realização de um cadastro que contabilizou 600 famílias e depois com um decreto e uma ação judicial pedindo desapropriação.

Fábio Nassif/Carta Maior 

Local de disputa histórica entre Prefeitura de São Paulo e moradores, o terreno que abriga a Favela do Moinho é objeto de mais uma forte ofensiva do capital imobiliário. O incêndio que destruiu boa parte dos barracos, matou duas pessoas e desalojou centenas de famílias nas vésperas do Natal está sendo utilizado como mais novo pretexto para a liberação da área, como um caso típico que contrapõe interesses empresariais e o direito à moradia.
Enquanto a grande mídia alimenta a versão de que o incêndio teria sido provocado por uma mulher desequilibrada, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) tenta aproveitar da comoção da população para consolidar o discurso de que as pessoas devem sair do local. Os moradores permanecem organizados, e, em assembleia realizada nesta terça-feira (27), rejeitaram a proposta da Prefeitura de compensar todas as perdas com o chamado bolsa-aluguel.
Kassab tenta desde 2006 despejar os moradores, primeiro com a realização de um cadastro que contabilizou 600 famílias e depois com um decreto e uma ação judicial pedindo desapropriação. Na época, foi realizada uma audiência de conciliação, onde um dos dois donos do imóvel demonstrou interesse em destinar a área de quase 30 mil m2 para moradias populares.
O terreno pertencia à Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) – extinta em 2007 -, e foi leiloado em 1999 para dois proprietários. Com quase trinta anos de ocupação, a comunidade - que adquiriu o nome de Moinho pois se iniciou dentro da sede da empresa Moinho Santa Cruz -, entrou com uma Ação de Usucapião Urbana Coletiva pois cumpria os critérios que juridicamente a coloca como proprietária do terreno.
A partir da manifestação favorável do juiz à comunidade, as ações de despejo da Prefeitura foram interrompidas até que aconteça o julgamento final, que normalmente demora muitos anos. E é essa trava que impede que o projeto de “revitalização do centro” de Kassab avance sob aquele terreno.
Vida que segue
Os moradores que perderam suas moradias e seus pertences nas chamas estão buscando abrigo. A Prefeitura disponibilizou apenas um colégio por enquanto. Algumas famílias estão divididas entre duas escolas de samba localizadas sob um viaduto e outras montaram barracas nas intermediações. Na segunda-feira, um homem foi espancado pela Guarda Civil Metropolitana por questionar a atuação da polícia contra a montagem de barracas em um dos terrenos ao lado da favela.
Francisco Miranda, presidente da Associação de Moradores da Comunidade do Moinho, afirmou que foi rejeitada a proposta da Prefeitura em assembleia. Nela, os moradores receberiam o chamado bolsa-aluguel – um cheque mensal no valor de 300 reais para que arranjem algum espaço para morar. Como a maioria tem filhos, esse valor é completamente insuficiente e os mantém em situação provisória de moradia.
Algumas famílias que vieram da Favela do Gato e estavam morando no Moinho, segundo a proposta da Prefeitura, passariam por uma avaliação sobre sua vulnerabilidade social pois, em uma outra situação, tinham recebido cinco mil reais de bolsa-aluguel.
“Existem algumas partes que se aproveitam desta situação de desgaste”, disse Francisco. Logo depois do incêndio, por exemplo, a empresa Porto Seguro, que tem comprado terrenos na região, enviou representantes ao local e ofereceu um galpão para o atendimento da Prefeitura na retirada das famílias. A atitude foi vista com desconfiança pela comunidade. Em curso desde o início da gestão Kassab, as alterações no centro da cidade desalojaram pessoas das favelas, prédios ocupados e das ruas, mesmo sem garantir o direito à moradia. Alguns projetos de grande porte almejam parcerias público-privadas para administração de parques e praças.
Polêmica também é a tese sobre a própria origem do incêndio. Esta não é a primeira área em disputa onde incêndios forçam a saída das pessoas. E provavelmente não será a última. O incêndio tendo sido provocado de maneira criminosa ou não, a advogada do Escritório Modelo Dom Paulo Evaristo Arns, da PUC-SP, Julia Moretti acredita que este é um momento chave. “A comunidade deve aproveitar este momento para reafirmar a luta por seus direitos”, disse.
Delana Corazza, socióloga que também trabalha com a comunidade, demonstra preocupação diante do impasse colocado. “Pode ser um desastre. Ninguém tem nada a perder e as pessoas estão revoltadas. Mas a arma das pessoas é muito menor que a força repressiva do Estado”, diz Delana, assustada com o nível de organização da Prefeitura para retirar as pessoas.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Até natureza “chora” perda de Kim Jong-il, diz agência norte-coreana

111222053543_sp_kim_jong_il_cine_304x171_reutersUma série de fenômenos naturais estranhos teria sido testemunhada na Coreia do Norte desde a morte do líder do país, Kim Jong-il, pelo menos segundo os relatos da agência de notícias estatal norte-coreana KCNA.

A agência informou que um lago congelado teria rachado de ''forma tão ruidosa que parece sacudir os céus e a Terra'' e um misterioso brilho teria sido avistado em uma montanha que é considerada um local sagrado na Coreia do Norte.

Kim assumiu o comando de seu país após a morte de seu pai, Kim Il-Sung, em 1994. Um forte culto à personalidade foi construído em torno dos dois líderes, conferindo a Kim e seu pai um status que beirava a divindade, atribuindo aos dois supostos milagres e feitos extraordinários.

A propaganda oficial dava conta que Kim Jong-il nasceu em monte considerado sagrado.

A KCNA informou que uma tempestade de neve foi avistada após a morte do chamado ''Querido Líder'' e que o gelo do lago Chon, próximo ao seu suposto local de nascimento, o Monte Paektu, teria sofrido uma rachadura após sua morte.

A agência relatou ainda que, após o fim súbito da tempestade de neve, na terça-feira, durante o nascer do dia, uma mensagem foi marcada na rocha da montanha onde Kim teria nascido com os dizeres ''Monte Paektu, a montanha sagrada da revolução. Kim Jong-il'', com um forte brilho. A frase teria permanecido no local até o pôr do sol.

Até mesmo uma ave da região, o grou-da-Manchúria, teria, de acordo com a agência, adotado luto pela perda de Kim. ''Até mesmo o grou pareceu estar de luto pela morte de Kim Jong-il, nascido dos céus, após ter descido do paraíso no frio da noite, incapaz de esquecê-lo''.

Kim, o 'milagreiro' excêntrico

111222143053_coreia_do_norte_monte_paektu_304x304_wikimediacommons_nocreditOs muitos feitos extraordinários que teriam sido atribuídos a Kim Jong-il ao longo de sua vida começam já em seu nascimento. Confira a seguir alguns dos eventos notáveis e excentricidades atribuídas ao ex-líder da Coreia do Norte.

  1. Kim teria nascido no Monte Paektu, uma montanha considerada sagrada na Coreia do Norte, em 1942. Quando ele nasceu, segundo a versão oficial, uma andorinha foi vista no céu, marcando a chegada antecipada da primavera. A data foi marcada ainda pela aparição de um arco-íris duplo no céu e pelo surgimento de uma nova estrela. Mas há relatos de que ele teria, na verdade, nascido na antiga União Soviética, no vilarejo siberiano de Vyatskoye, em 1941.
  2. Na primeira vez em que jogou uma partida de golfe, em 1994, o líder norte-coreano teria conseguido completar os 18 buracos de um campo de golfe de Pyongyang em apenas 34 tacadas - para qualquer campo de golfe, o recorde mundial é de de 59 tacadas. O feito teria sido testemunhado pelos seus guarda-costas.
  3. Célebre por seu amor ao cinema, Kim era um fã de Elizabeth Taylor. Ele teria ainda acumulado uma coleção de 20 mil vídeos, que iam de faroestes americanos a películas de monstro japonesas. Ele seria um apreciador das séries de filmes Rambo, Sexta-Feira 13,Godzilla e do agente 007, mas teria se desencantado com o agente secreto britânico após o filme Um Novo Dia Para Morrer, no qual os vilões são agentes norte-coreanos que torturam o espião James Bond.
  4. O amor do ''Querido Líder'' pela sétima arte era tal que ele chegou a escrever diversos tratados sobre cinema.
  5. O evento mais extremo causado por sua paixão pelo cinema foi o sequestro - realizado por ordens dele-, em 1978, do então mais célebre diretor de cinema sul-coreano, Shin Sang-ok, para ele dirigir filmes na Coreia do Norte. Entre os longas realizados sob o comando de Kim estão uma versão comunista de Godzilla e um drama que exibiu um beijo diante das telas pela primeira vez no país.
  6. O cinema não era a única de suas paixões. Ele teria ainda composto seis óperas
  7. Kim jamais viajava de avião. Todas as visitas oficiais que realizou foram feitas à bordo de um trem particular. Acredita-se que ele teria medo de voar - fobia que seria compartilhada por seu pai. Mas há versões também de que ele sentia que estaria mais exposto a sofrer um atentado durante um voo.
  8. Consta que outra de suas paixões era a gastronomia e que ele primava pela sofisticação e a excentricidade à mesa. Ele teria dado ordens para que os chefs que trabalhavam para ele fizessem viagens internacionais só para a aquisição de ingredientes, como idas ao Japão para comprar sushi, excursões ao Irã para comprar caviar, à Dinamarca para comprar carnes de porco curadas, à Tailândia para adquirir mangas e mamões e à China para comprar uvas.
  9. Há relatos de que ele teria se apaixonado por hambúrgueres durante uma viagem ao exterior e que, por isso, ele resolveu introduzir uma variante do sanduíche nas refeições servidas aos universitários norte-coreanos. Mas o quitute, desenvolvido pelo próprio Kim, ganhou outro nome, "gogigyeopbbang", que em coreano significa ''pão duplo com carne''.

O requinte do líder norte-coreano também era refletido em seu amor por vinhos. Ele teria 10 mil garrafas em sua adega. E vez por outra encomendava conhaques provenientes da França.

O Carcará, de tão indignado com os ditadores e a população que os aceita, e tamanha desfaçatez nem consegue comentar.

Por: BBC Brasil

2011, o ano da mídia golpista. 2012, o ano da privataria!

A imprensa estará muito menos disposta a comprar uma briga durante a CPI da Privataria – quer porque ela começa questionando a lisura de aliados sólidos da mídia hegemônica em 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010, quer porque esse tema é uma caixinha de surpresas.

Por Maria Inês Nassif*

serra-horror_privataria-tucanaEm 2005, quando começaram a aparecer resultados da política de compensação de renda do governo de Luiz Inácio Lula da Silva – a melhoria na distribuição de renda e o avanço do eleitorado “lulista” nas populações mais pobres, antes facilmente capturáveis pelo voto conservador –, eles eram mensuráveis. Renda é renda, voto é voto. Isso permitia a antevisão da mudança que se prenunciava. Tinha o rosto de uma política, de pessoas que ascendiam ao mercado de consumo e da decadência das elites políticas tradicionais em redutos de votos “do atraso”.
Um balanço do que foi 2011, pela profusão de caminhos e possibilidades que se abriram, torna menos óbvia a sensação de que o mundo caminha, e o Brasil caminha também, e até melhor. O país está andando com relativa desenvoltura. Não que vá chegar ao que era (no passado) o Primeiro Mundo num passe de mágica, mas com certeza a algo melhor do que as experiências que acumulou ao longo da sua pobre história.
O perfil político do governo Dilma é mais difuso, mas não se pode negar que tenha estilo próprio, e sorte. As ofensivas da mídia tradicional contra o seu ministério permitirão a ela, no próximo ano, fazer um gabinete como credora de praticamente todos os partidos da coalizão governamental. No início do governo, os partidos tinham teoricamente poder sobre ela, uma presidente que chegou ao Planalto sem fazer vestibular em outras eleições. Na reforma ministerial, ela passa a ter maior poder de impor nomes do que os partidos aliados, inclusive o PT. Do ponto de vista da eficiência da máquina pública – e este é o perfil da presidente – ela ganha muito num ano em que os partidos estarão mais ocupados com as questões municipais e em que o governo federal precisa agilidade para recuperar o ritmo de crescimento e fazer as obras para a Copa do Mundo.
Sorte ou arte, o distanciamento de Dilma das denúncias contra os seus ministros, o fato de não segurar ninguém e, especialmente, seu estilo de manter o pé no acelerador das políticas públicas independentemente se o ministro da pasta é o candidato a ser derrubado pela imprensa, não a contaminaram com os malfeitos atribuídos a subalternos. Prova é a popularidade registrada no último mês do ano.
Mais sorte que arte, a reforma ministerial começa no momento em que a grande mídia, que derrubou um a um sete ministros de Dilma, se meteu na enrascada de lidar com muito pouca arte no episódio do livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. Passou recibo numa denúncia fundamentada e grave. Envolve venda (ou doação) do patrimônio público, lavagem de dinheiro – e, na prática, a arrogância de um projeto político que, fundamentado na ideia de redução do Estado, incorporou como estratégia a “construção” de uma “burguesia moderna”, escolhida a dedo por uma elite iluminada, e tecida especialmente para redimir o país da velha oligarquia, mas em aliança com ela própria. Os beneficiários foram os salvadores liberais, príncipes da nova era. O livro Cabeças de Planilha, de Luís Nassif, e o de Amaury, são complementares. O ciclo brasileiro do neoliberalismo tucano é desvendado em dois volumes “malditos” pela grande imprensa e provado por muitas novas fortunas. Na teoria. Na prática, isso é apenas a ponta do iceberg, como disse Ribeiro Jr. no debate de ontem (20), realizado pelo Centro de Estudos Barão de Itararé, no Sindicato dos Bancários: se o Privataria virar CPI, José Serra, família e amigos serão apenas o começo.
A Privataria tem muito a ver com a conjuntura e com o esporte preferido da imprensa este ano, o “ministro no alvo”. Até a edição do livro, a imprensa mantinha o seu poder de agendamento e derrubava ministros por quilo; Dilma fingia indiferença e dava a cabeça do escolhido. A grande mídia exultou de poder: depois de derrubar um presidente, nos anos 1990, passou a definir gabinetes, em 2011, sem ter sido eleito e sem participar do governo de coalizão da mandatária do país. A ideologia conservadora segundo a qual a política é intrinsecamente suja, e a democracia uma obra de ignorantes, resolveu o fato de que a popularidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizimou a oposição institucional, em 2010, e a criação do PSD jogou as cinzas fora, terceirizando a política: a mídia assumiu, sem constrangimentos, o papel de partido político. No ano de 2011, a única oposição do país foi a mídia tradicional. As pequenas legendas de esquerda sequer fizeram barulho, por falta de condições, inclusive internas (parece que o PSOL levou do PT apenas uma vocação atávica para dissidências internas; e o PT, ao institucionalizar-se, livrou-se um pouco dela – aliás, nem tanto, vide o último capítulo do livro do Amaury Ribeiro Jr.).
Quando a presidente Dilma Rousseff começar a escolher seus novos ministros, e se fizer isso logo, a grande mídia ainda estará sob o impacto do constrangimento. Dilma ganhou, sem imaginar, um presente de Papai Noel. A imprensa estará muito menos disposta a comprar uma briga durante a CPI da Privataria – quer porque ela começa questionando a lisura de aliados sólidos da mídia hegemônica em 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010, quer porque esse tema é uma caixinha de surpresas.
Isso não chega a ser uma crise que a democracia não tenha condições de lidar. Na CPI dos Anões do Orçamento, que atingiu o Congresso, os partidos viveram intensamente a crise e, até por instinto de sobrevivência, cortaram na própria carne (em alguns casos, com a ajuda da imprensa, jogaram fora a água da bacia com alguns inocentes junto). A CPI pode ser uma boa chance de o Brasil fazer um acerto com a história de suas elites.
E, mais do que isso, um debate sério, de fato, sobre um sistema político que mantém no poder elites decadentes e é facilmente capturado por interesses privados. Pode dar uma boa mão para o debate sobre a transparência do Estado e sobre uma verdadeira separação da política e do poder econômico. 2012 pode ser bom para a reforma política, apesar de ter eleições municipais. Pode ser o ano em que o Brasil começará a discutir a corrupção do seu sistema político como gente grande. Cansou essa brincadeira de o tema da corrupção ser usado apenas como slogan eleitoral. O Brasil já está maduro para discutir e resolver esse sério problema estrutural da vida política brasileira.
(*) Colunista política, editora da Carta Maior em São Paulo/Título alterado pelo Vermelho, editado por O Carcará

Fonte: Carta Maior

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A farra dos vereadores!

A situação de impunidade, principalmente a política do Brasil, está insustentável. Aqui no nosso belo e rico estado do Espírito Santo os escândalos tomam conta das câmaras de vereadores de vários municípios.

Conforme noticiou o G1/ES e vários outros veículos de comunicação, na cidade de Aracruz, Norte do Estado, uma sessão da Câmara de Vereadores  foi interrompida por policiais civis e pelo Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc). Eles invadiram o plenário e prenderam dois vereadores, uma vereadora, um secretário municipal e um advogado da câmara. Outros três vereadores de Aracruz foram afastados do cargo. De acordo com o Ministério Público, eles são suspeitos de fraudar licitações, contratar funcionários fantasmas e ficar com parte dos salários dos servidores. A justiça decretou a prisão temporária dos suspeitos a pedido do MP-ES. A operação desta segunda-feira (19), faz parte da ação do último dia 15, em que foram presos cinco pessoas, entre elas, um vereador.Eles são suspeitos de fraude na contratação de serviços de informática na Câmara do município.

Em Guarapari, no litoral do Estado, os vereadores decidiram pelo aumento dos próprios salários em mais de 100% do valor atual. De onze vereadores, oito votaram a favor e apenas três contra o aumento, que foi de R$ 3,6 mil para mais de R$ 8 mil. Após a votação, que ocorreu por volta das 8h, os nobres parlamentares entraram de férias e só retomarão as atividades em fevereiro do próximo ano.

Já na terra do rei Roberto Carlos, Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado, o vereador Júlio Ferrari (PV), presidente da Câmara, tentou justificar o aumento de 67% dizendo que "o Legislativo tem que ganhar bem para não se vender". Que bom se fosse verdade! Os vereadores que recebem R$ 6.000,57, com o aumento vão passar a receber cerca de R$ 10 mil. E se não bastasse, em setembro foi aprovado aumento no número de legisladores do município.

Em São Mateus, região norte, os vereadores preferiram a calada da noite e na madrugada desta quarta-feira (21), aprovaram um "pacote de Natal" que vai fazer as despesas da Câmara darem um salto. Além de aumentarem os próprios salários em 86%, eles aprovaram cota de combustível, compra de veículos para uso do Legislativo e a criação novos cargos de assessores em pleno ano de eleição.
Somada à recente aprovação do aumento no número de vereadores - de 11 para 17 -, o gasto da Câmara deve aumentar em R$ 1,7 milhão por ano, a partir de 2013.
O aumento do salário, de R$ 5,1 mil para R$ 9.490, foi assinado por nove dos 11 vereadores da Casa. Apenas Wanderlei Segatini (PMDB) e o petista Eneias Zanelato se posicionaram contra o aumento que, segundo Zanelato, não foi uma atitude planejada. “Votaram sem haver uma discussão”, diz.

E os escândalos pipocam por toda parte, como em Cariacica que teve empurra-empurra, gritaria, agressão verbal e quebra de objetos, mas os vereadores aprovaram, ontem, o aumento do salário de R$ 4.740 para R$ 8.016. Uma elevação de quase 70%. O novo valor vale para a próxima legislatura, em 2013.

E isso é uma apenas uma pequena amostra do que está acontecendo por aqui, que é um pequeno estado em extensão territorial.

Parece que já passou, e muito, da população parar de se lamentar e tomar atitudes mais eficazes para acabar com esse desrespeito ao cidadão e roubalheira do dinheiro público, e passar a refletir melhor antes do voto, e em caso de desvio, exigir, ao custo que for, a expulsão, prisão e principalmente a devolução do valor roubado.

Por: Eliseu

CPI da Privataria: As sirenes do silêncio

Passados 11 dias desde o lançamento de 'A privataria Tucana', de Amaury Ribeiro Jr, os colunistas de política da Folha -Clóvis Rossi, Fernando Rodrigues, Catanhede e Lo Prete- mantém um pacto de silêncio e cumplicidade em relação às denúncias de corrupção ali reunidas. A omissão coletiva e deliberada diante do documento político mais explosivo dos últimos anos lança uma suspeita de parcialidade sobre tudo o que já escreveram ou possam escrever sobre o tema que agora evitam. Há casos em que o silêncio jornalístico grita mais do que as sirenes que pretende abafar. Esse é um deles. Como explicarão aos seus leitores a criação de uma CPI, cuja motivação lhes foi sonegada até o último minuto, a exemplo do que fez a Globo na campanha das “Diretas Já”, em 1984?

Nesta 4ª feira,  o deputado Protógenes Queiróz protocolou o pedido de abertura de CPI sobre o tema, com 185 assinaturas. Reabrir a discussão sobre a alienação do patrimônio público, mas sobretudo, arguir as condições em que isso se deu e a quem beneficiou depende agora do PT e da base aliada do governo. A ver"!

Por: Carta Maior

Vídeo: Bêbada perde equilíbrio e cai debaixo de trem

Câmeras de segurança de uma estação de trem em Barnsley, no norte da Inglaterra, captaram o momento em que uma mulher embriagada saltou do comboio, perdeu o equilíbrio e caiu nos trilhos.
Felizmente o incidente foi notado a tempo e a mulher foi resgatada apenas com ferimentos leves.
A polícia britânica de transportes divulgou a filmagem para alertar sobre os perigos de beber além da conta nas festas de fim de ano.

Por: UOL

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Presidente do Supremo defende Lewandowski em caso do CNJ

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, defendeu hoje (21) o colega de Tribunal Ricardo Lewandowski, que suspendeu uma investigação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre o enriquecimento de juízes. Peluso afirma, por meio de nota, que “repudia insinuações irresponsáveis” de que o ministro agiu em benefício próprio.

Lewandowski e Peluso são apontados pelo jornal Folha de S.Paulo como beneficiários de uma suposta verba indevida distribuída a desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), na época que integravam a corte. Esse seria um dos motivos da devassa iniciada pela Corregedoria do CNJ em 22 tribunais do país.

“Em conduta que não surpreende a quem acompanha sua exemplar vida profissional, o ministro Lewandowski agiu no estrito cumprimento de seu dever legal e no exercício de suas competências constitucionais. Inexistia e inexiste, no caso concreto, condição que justifique suspeição ou impedimento da prestação jurisdicional por parte do ministro Lewandowski”, argumenta Peluso.

O presidente do STF e do CNJ lembra ainda que os ministros da Corte não podem ser investigados pela Corregedoria do CNJ, já que o órgão não tem jurisdição sobre o STF. Também chama de “covardes” os vazamentos de dados contra os ministros. “A questão pode assumir gravidade ainda maior por constituir flagrante abuso de poder em desrespeito a mandamentos constitucionais, passível de punição na forma da lei a título de crimes”.

Por: Último Segundo

sábado, 17 de dezembro de 2011

Brasil completa um ano de desrespeito à Corte da OEA sobre Guerrilha do Araguaia

foto_mat_32355Condenado em 2010, o país tinha até esta semana para investigar os responsáveis pelos homicídios da ditadura militar na região, nos anos 70, e entregar os restos mortais dos desaparecidos aos familiares. Buscas seguem infrutíferas e Campanha “Cumpra-se” faz vigília para cobrar respostas da presidenta Dilma Rousseff. "O Exército continua nos torturando ao não nos entregar esses corpos", afirma Laura Petit, que perdeu três irmãos no Araguaia.

Bia Barbosa

No final de 1973, o ex-estudante de engenharia Jaime Petit da Silva foi metralhado pelo Exército brasileiro numa cabana no meio da mata, na região do Araguaia, na divisa entre os estados do Pará, Maranhão e, na época, Goiás (hoje Tocantins). Os disparos foram tantos e tão intensos que a choupana pegou fogo. Do lado de dentro, um homem magro, doente, sozinho, desarmado - o que desmonta a tese de confronto propagada pelos militares.
Meses depois, em abril de 1974, o irmão mais velho de Jaime, Lúcio Petit da Silva, também morreu no Araguaia. Feito prisioneiro com outros dois companheiros do PCdoB, ele foi visto por moradores do município de São Domingos sendo levado de helicóptero para a base militar de São Raimundo. Em 2001, sua irmã Laura, acompanhando uma diligência do Ministério Público Federal à região, ouviu da boca de um mateiro, que tinha trabalhado muitos anos para o Exército, que Lúcio tinha tido sua cabeça cortada para ser levada ao comandante da base. Ainda segundo o mateiro, Lúcio tinha documentos de identidade verdadeiros. O Exército brasileiro sabia, portanto, exatamente, quem ele era. Seus restos mortais, e também os do irmão Jaime, nunca foram entregues à família.
Esta semana, vestindo uma camiseta com a foto dos irmãos mortos e desaparecidos, onde se lia a frase "A única luta que se perde é a que se abandona", Laura foi mais uma vez para as ruas cobrar do Estado brasileiro o direito de enterrar seus entes queridos. Ao lado de outros familiares de vítimas da ditadura militar e ex-presos políticos, Laura Petit participou de um ato pelo cumprimento da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA condenando o Brasil a reparar as famílias dos mortos da Guerrilha do Araguaia. Nesta quarta-feira, dia 14 de dezembro, venceu o prazo para que o país cumprisse os doze pontos da sentença, mas praticamente nada saiu do papel até hoje.
Entre as determinações da Corte da Organização dos Estados Americanos estão a investigação e punição dos responsáveis pelas torturas, homicídios e desaparecimentos forçados durante a Guerrilha do Araguaia; a identificação e entrega dos restos mortais dos desaparecidos aos familiares; o acesso, sistematização e publicação de documentos sobre a guerrilha em poder do Estado; e a implementação de programas de educação em direitos humanos permanentes dentro das Forças Armadas. A sentença diz ainda a Lei de Anistia de 1979 está em desacordo com a jurisdição internacional de direitos humanos, pois impede que perpetradores da ditadura sejam julgados, e que o Brasil deveria alterar sua legislação para permitir sua punição.
O processo é resultado de uma ação civil movida internamente em 1982 por 22 famílias de presos políticos do Araguaia. Eles simplesmente queriam saber o paradeiro de seus filhos, receber seus restos mortais e compreender as condições em que morreram. Em 2003, mais de 20 anos depois, a Justiça brasileira condenou o Estado a abrir os arquivos das Forças Armadas para informar, em 120 dias, o local do sepultamento desses militantes.
O governo Lula, no entanto, recorreu. Em 2007, esgotaram-se os recursos legais, mas o país, condenado, ignorou a sentença da Justiça. As famílias recorreram à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, cuja Corte, em 24 de novembro de 2010, condenou o Estado a cumprir a sentença brasileira de 2003 e expediu essas outras determinações ao país.
"Mas muito pouco foi feito. Reconhecemos o esforço das buscas no Araguaia, mas elas tem sido infrutíferas, e não bastam. Não é possível o governo seguir achando que esta decisão da OEA é uma ingerência sobre o país. O Brasil assinou a Convenção Interamericana de Direitos Humanos, que reconhece a Corte. Agora deve cumprir suas decisões. É um atentado aos direitos humanos o que o governo Dilma está praticando", criticou Marcelo Zelic, vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP e um dos coordenadores da Campanha Cumpra-se, que organizou o ato esta semana em São Paulo e também nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Omissão governamental
A campanha pretende estar em estado de vigília permanente pelo cumprimento da sentença da OEA, com a organização de protestos sempre aos dias 14 de cada mês. Um pedido de audiência com a Presidenta Dilma foi protocolado no escritório da Presidência da República em São Paulo. Segundo o Centro de Justiça e Direito Internacional (Cejil), o Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro e a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, que ingressaram na OEA em nome dos familiares, até agora o Executivo não chamou os peticionários para conversar sobre o cumprimento dos doze pontos apresentados pela Corte.
"O governo Lula publicou um livro - resultado do trabalho que os próprios familiares tinham feito - e achou que isso bastava. Teve a coragem de pedir o arquivamento da sentença. Reconheceu oficialmente o erro do Estado brasileiro, mas não deu um passo além para esclarecer as circunstâncias das mortes e desaparecimentos forçados no Araguaia", criticou Laura Petit. "Durante cerca de dois anos, as buscas foram feitas pelo Exército, ou seja, aqueles que ocultaram os corpos eram os responsáveis por "procurá-los". Pedimos para o Ministério Público acompanhar, para evitar que provas fossem destruídas, mas só este ano os procuradores foram autorizados. Outro problema é que as buscas são restritas ao cemitério de Xambioá, onde o número de corpos é muito pequeno", explicou.
Xambioá, no estado do Tocantins, foi o destino dos guerrilheiros mortos na primeira campanha do Exército contra a guerrilha, em 1972. Lá foi enterrada Maria Lúcia Petit da Silva, a terceira irmã que Laura perdeu para a ditadura. Maria Lúcia foi dada como desaparecida por quase duas décadas. Seus restos mortais foram localizados em 1991 no cemitério de Xambioá, envoltos num tecido de para-quedas, e identificados por exame de DNA em 1996, após cinco anos de pesquisas da Unicamp. Ela é uma das raras vítimas do Araguaia já localizadas.
Já os guerrilheiros mortos em 1973 e 1974, como Jaime e Lúcio, desapareceram. "O Exército diz que os arquivos foram queimados e por isso eles não sabem onde estão os outros. Mas sabemos que há leis inclusive para destruir arquivos mortos. E há ainda os arquivos vivos, que são os militares. Figuras como (Major) Curió e Lício (Maciel) que foram agraciados com a Medalha do Pacificador, deveriam ser os primeiros a ser ouvidos", acredita Laura. "Mas o Exército continua em guerra conosco. Seguem nos torturando porque não entregam os corpos de nossos familiares", acrescentou.
Laura militou no movimento estudantil. Estudava no Centro Maria Antônia. Como havia se casado em 1968 e tinha que ajudar a mãe, viúva, a cuidar de um irmão mais novo, não foi para o Araguaia com Lúcio, Jaime e Maria Lúcia. Se emociona ao dizer: "Fiquei. Para contar essa história". Xambioá, na língua indígena do povo de mesmo nome, significa pássaro veloz.

Por: Carta Maior

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Entre festas e recessos

Na matemática do Congresso, o dia 14 dezembro foi véspera do “período de festas”. Logo, melhor deixar o trabalho para fevereiro, quando os parlamentares voltarão do recesso.

O argumento festivo surgiu como justificativa para os deputados não votarem o Projeto de Lei 1992/07, que altera as regras para a aposentadoria dos servidores públicos federais, prevista para ocorrer na semana passada.

Proposta que tramita em regime de urgência na Câmara. Houve quem visse no episódio uma derrota governista, determinado a aprovar neste ano o PL que iguala o teto das aposentadorias dos servidores federais ao do INSS, hoje em 3.691,41 reais.

É provável, contudo, que a votação ocorra em fevereiro, com viés de aprovação, apesar da resistência de parlamentares do PT, PSOL, DEM, PDT e PSB. O governo já aceitou elevar a contribuição da União, de 7,5% para 8,5%.

Deixou uma parcela da gestão dos recursos com representantes das categorias – a proposta original previa terceirizar a gestão -. E fatiar o fundo complementar em três, um para cada Poder, em vez do fundo único da versão inicial do PL.

“Será como repetir o erro histórico do passado, aliás, de toda a América Latina, que fragmentou o sistema previdenciário, abrindo espaço para os tratamentos diferenciados”, comenta Helmut Schwarzer, especialista sênior em previdência da OIT.

Por: CartaCapital

Charge do dia

bessinha

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

“Privataria” chega ao Senado, PT e PSDB se enfrentam em plenário

Líder petista pede providências ao Ministério Público e desafia PSDB a debater “capítulo triste”. Serrista fala em “calúnia” para abafar denúncias contra governo e expõe atrito interno, ao negar aparte a Aécio. Na Câmara, líder do PMDB diz que “não vai embarcar em CPI”, para a qual segue coleta de assinaturas, e ilustra efeito de silêncio da mídia: “Livro tem documentos mesmo?”

André Barrocal/Carta Maior 

Depois de a Câmara reagir ao livro A Privataria Tucana com pedido de CPI e discursos em plenário, nesta quarta-feira (14) foi a vez do Senado. Da tribuna, o líder do PT, Humberto Costa (PE), provocou o Ministério Público a tomar providências e desafiou o PSDB a debater o que seria “um dos mais tristes capítulos” da história brasileira. Ao responder, os tucanos apontaram “calúnia” para desviar foco de denúncias contra o governo e expuseram diferenças entre aliados de José Serra e Aécio Neves.
Segundo Costa, o livro revelaria “entrega do patrimônio público” durante privatizações no governo Fernando Henrique, com “documentos contundentes” que mostrariam “como alguns dos mais proeminentes líderes do PSDB e pessoas próximas do ex-governador José Serra conseguiram mandar para fora do país e trazer para o Brasil dinheiro supostamente proveniente de propinas”.
Para o petista, o livro vale a leitura e deveria será objeto de providências de procuradores da República. "Até porque muitos dos crimes descritos no livro não prescreveram”, disse Costa, que lamentou ter havido “pouca atenção da mídia” até agora.
No comando da sessão, a primeira-vice-presidente do Senado, Marta Suplicy (SP), que também é do PT, disse: “Tive acesso a esse livro e realmente é um espanto."
O desafio petista foi respondido pelo senador tucano Aloysio Nunes Ferreira (SP), um dos mais próximos da principal vítima do livro, o ex-governador paulista José Serra, de quem foi chefe da Casa Civil.
A exemplo de outro serrista ilustre, o presidente do PPS, deputado Roberto Freire, Nunes Ferreira afirmou que o livro, que teria “calúnias”, serve apenas para proteger a gestão Dilma. “Temos uma denúncia de malfeitos no governo, e imediatamente já vem uma denúncia contra a oposição.”

Atrito no ninho

Enquanto Nunes Ferreira discursava, o também senador tucano Aécio Neves (MG) pediu um aparte, que na linguagem parlamentar quer dizer algo como “licença para um comentário no meio de pronunciamento alheio”. O pedido foi negado, algo inusual. “Lamento profundamente; eu teria prazer enorme em corroborar com o discurso de Vossa Excelência”, resignou-se.
Na véspera, o ex-governador de Minas Gerais tinha sido questionado pela Agência Estado sobre o livro, e dera uma resposta que não é das melhores para defender Serra: “Não é uma literatura que me interesse. Os que se interessarem devem lê-lo."
Um discurso sobre Privataria feito na tribuna da Câmara dos Deputados nesta quarta (14) ajuda a entender o estranhamento entre Nunes Ferreira e Aécio e a declaração do mineiro.
“A ideia de mostrar como funcionava a 'arapongagem' de Serra dentro do partido (PSDB) para atacar o adversário Aécio Neves – questão que motivou o início da investigação de Amaury Ribeiro Jr. – fica quase irrelevante diante de tudo o que o jornalista descobriu, em 12 anos de trabalho, sobre como a turma de Serra se deu bem ao dilapidar o patrimônio público brasileiro nos anos 90”, disse o deputado Ivan Valente (SP), presidente nacional do PSOL.
Nos bastidores de Brasília, fala-se que parte das investigações do autor de Privataria, o jornalista Amaury Ribeiro Jr., começou por interesse de Aécio de se proteger contra Serra na disputa que os dois travavam no PSDB como postulantes a candidato a presidente da República. Amaury foi repórter do jornal O Estado de Minas durante parte da gestão de Aécio como governador do estado.
Quando voltou à tribuna para uma tréplica contra Aloysio Nunes Ferreira, Humberto Costa foi irônico. “É interessante como a oposição se posiciona nesta Casa. São os grandes arautos da moralidade, as vestais da honestidade, que tudo querem investigar. Sai uma nota num jornal, querem convocar o ministro para vir ao Congresso Nacional, pedem a abertura de uma CPI, vão para o Ministério Público. Agora, diante de um livro de 300 páginas, que tem 141 documentos sobre as coisas que estão aqui denunciadas, uma única palavra para se pedir apuração eu não ouço por parte da oposição.”

CPI na Câmara

Autor de um pedido de abertura de uma CPI da Privataria Tucana, o deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) continuou a coletar assinaturas nesta quarta-feira (14). Ele está atuando em dobradinha com o deputado Brizola Neto (PDT-RJ), mas os dois ainda não conseguiram atingir o número mínimo de 171 assinaturas necessário.
Em tese interessado no assunto, o PT ainda não decidiu, como partido, como irá se comportar neste caso, embora os líderes no Senado e na Câmara, Paulo Teixeira (SP), estejam dispostos a bancar algum tipo de confronto mais duro com os tucanos. O pedido de CPI tem alguns signatários do PT, mas a reportagem testemunhou quando um petista abordado por Protógenes reagiu dizendo que precisava esperar por um posicionamento do partido.
Sempre um dos fiéis da balança no Congresso, com o peso de uma das duas maiores bancadas da Casa, o PMDB avisa que não quer se meter. “Não vamos embarcar em CPI. Essa é uma briga de PT e PSDB, vamos manter distância”, disse o líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN).
Ao conversar com a reportagem, Alves mostrou os efeitos da pouca divulgação do livro pelos veículos de comunicação.
“Não vi o livro ainda, ele tem documentos mesmo?”
“Tem umas 300 páginas, e um terço é de documentos.”

Privataria Tucana lança luz às privatizações do governo FHC

Lançado na última sexta (9), livro some das prateleiras das livrarias apesar do silêncio de boa parte da mídia.

Por Sheila Fonseca, especial para o Vermelho 

Apesar do silêncio quase unânime dos grandes veículos de comunicação, o livro A Privataria Tucana chegou às livrarias no último fim de semana alcançando dois feitos: o de sucesso editorial retumbante que deve posicioná-lo no topo dos livros mais vendidos, e o de cair como uma verdadeira bomba no cenário político brasileiro, trazendo denúncias documentadas sobre graves irregularidades no esquema de privatizações do governo FHC, apelidadas há tempos atrás pelo colunista Elio Gaspari de “privataria”, termo utilizado no título do livro.
O livro, resultado de doze anos de trabalho do jornalista Amaury Ribeiro Jr., foi alvo de polêmicas – assim como o autor – e controvérsias nas eleições presidenciais de 2010, quando Amaury foi acusado de participar de um grupo que tinha como objetivo a montagem de um dossiê contra políticos tucanos. Na ocasião, Amaury Ribeiro Jr., que terminou indiciado pela Polícia Federal, cita o livro e torna-se personagem marcante na disputa presidencial.
O livro chegou às bancas na última sexta ( 9), publicado pela Geração Editorial, e revela por meio de farta documentação extraída de fontes públicas – como arquivos da CPI do Banestado – o esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propina.
No livro, José Serra, ex-ministro da Saúde do governo de Fernando Henrique Cardoso, figura como personagem-chave das denúncias. Documentos revelam como amigos e parentes do político do PSDB operaram um complexo sistema de irregularidades e fraudes financeiras.
Em entrevista exclusiva ao Vermelho, o jornalista Luiz Fernando Emediato conta os bastidores de uma série de controvérsias envolvendo o livro, esclarece boatos, responde frontalmente ao ataque do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dirigido ao autor do livro, esclarece a tentativa de Serra de barrar o lançamento do livro, além das denúncias de arapongagem sobre Amaury Jr..
A entrevista a seguir também traz passagens da vida profissional do editor e polêmico jornalista Luiz Fernando Emediato, ganhador de diversos prêmios, dentre eles o Esso.
Vermelho: A sua editora, Geração Editorial, desde seu lançamento no mercado com A República na Lamade José Neumanne, passando pelo bombástico Memórias das Trevas sobre ACM, até o Privataria Tucana, segue a linha de publicação de temas polêmicos e reportagens investigativas que revelam os bastidores da política. Como foi feita a escolha por esse perfil de publicação? Livros de jornalismo investigativo em geral têm bom retorno editorial?
Luiz Fernando Emediato: Começamos nossa história editorial, em 1992, há 20 anos, portanto, lançando instant books, como este do Nêumanne que você cita e logo em seguida o Mil Dias de Solidão, do Claudio Humberto Rosa e Silva, ex-porta voz de Fernando Collor. Começamos assim porque em 1990 eu havia abandonado meu emprego de jornalista e, ao decidir ser editor de livros, decidi também que continuaria exercendo jornalismo publicando livros. Foi uma escolha ética e profissional. O retorno é bom, não tanto quanto lançar livros de autoajuda, de historias de vampiros para adolescentes ou romances edulcorados para moças.
Vermelho: Privataria Tucana teve a primeira edição esgotada em cerca de 48 horas. Você esperava esse retorno? Apostava no tema?
LFE: Eu apostei no tema, quem não apostou foram as livrarias. Antes de definir a tiragem eu consulto a rede livreira e ela me indicava fazer apenas 15.000 exemplares, mais do que isso elas não pegariam e eu teria que guardar no estoque. Então foi uma surpresa para elas, não para mim. Meu feeling apontava para 100 mil exemplares, acho que vamos passar de 300 mil.
Vermelho: Tem previsão de impressão de uma nova edição? Quantas cópias?
LFE: Já estamos reimprimindo 30.000 exemplares, estarão prontos sexta-feira.
Vermelho: Me fale da estratégia de divulgação do livro, como foi montada?
LFE: Como eu apostava no conteúdo devastador do livro, mas temia que os grandes jornais não o levassem em consideração, ou divulgassem com críticas pesadas, a estratégia foi não liberar o livro para a imprensa, salvo para a revista CartaCapital, e trabalhar apenas com internet, blogues, Twitter e Facebook. Deu certo.

Vermelho: Você revelou em entrevista recente que José Serra enviou um representante para propor uma conversa, na tentativa de barrar a publicação do livro. Como foi isso?

LFE: Não foi isso. Um amigo comum – meu e dele – me convidou para almoçar e, muito elegantemente, fez perguntas sobre o livro, a pedido do Sr. José Serra e, sabendo que eu ia publicar, perguntou se eu não aceitaria ir conversar com o ex-governador. Respondi que não tínhamos o que conversar e foi só isso.

Vermelho: Está circulando online uma matéria publicada em alguns sites e blogs, onde (segundo a reportagem) José Serra teria entrado em contato com a livraria Cultura para tentar comprar todos os exemplares, na tentativa de retirar do mercado o livro. Esta sabendo disso?
LFE: Foi um boato, negado pela livraria. Não acreditei nisso, José Serra não seria estúpido a ponto de fazer isso. Ele teria que comprar 15.000 exemplares pelo pais inteiro, isso seria impossível.

Vermelho: Existem informações disseminadas em redes sociais, não confirmadas, de que o livro estaria sendo retido em algumas livrarias sob alegação de suposta ‘ordem judicial’. É verdade? Essa informação chegou a vocês?
LFE: É falso. Não há, até o momento, ação judicial contra a circulação do livro.

Vermelho: Você espera processos em decorrência do livro por parte do alto escalão do PSDB?
LFE: Sim e não. Seria um erro o senhor José Serra ou qualquer outro entrar na Justiça contra o autor e a editora. A repercussão seria pior. Podem entrar com pedidos de indenização por danos morais, se se considerarem injustiçados, mas, nesse caso, podemos em reação pedir à Justiça que nos permita provar o denunciado. E aí provaremos. Não vejo como os personagens citados no livro possam ganhar qualquer ação contra nós. A verdade é uma só, não existem duas ou três.
Vermelho: Você possui bom trânsito e algumas amizades no Partido dos Trabalhadores. Tem receio da instrumentalização política alavancada pelas eleições municipais de 2012 e 2014? Acha que o livro pode ser taxado por alguns de ‘petista’? Espera esse tipo de manobra midiática?
LFE: Eu tenho bom trânsito com gente de todos os partidos e de governos passados, assim como do atual governo. Fui e sou jornalista. Conheço gente que está na política desde o governo do general Geisel, que me perseguiu, aliás, com base na Lei de Segurança Nacional. Fui amigo de Sergio Motta, a quem admirava muito, convivi com Fernando Henrique Cardoso e muitos de seus ministros. Uma vez disse ao José Sarney que, ao contrário de muitos, gostava de alguns romances dele. Não sou filiado a partido nenhum. Tenho amigos no PT, na CUT e na Força Sindical. Escrevi projetos com o ex-ministro Antonio Kandir, de FHC. Fica difícil alguém acusar-me de estar a serviço do PT. Tenho amigos no PSDB que estão me ligando, chateados, e eu lhes peço apenas que LEIAM o livro do Amaury Ribeiro e depois venham falar comigo. As provas contidas no livro são irrefutáveis e lamento muito por isso. É realmente uma tristeza grande ler aquilo.

Vermelho: Nas eleições presidenciais de 2010 o jornalista Amaury Ribeiro Júnior (autor do livro) foi pivô de denúncias de arapongagem e na época o livro foi muito citado. Isso foi motivo de preocupação para a editora? Você acha que ajudou?
LFE: Eu conheço o jornalismo de Amaury Ribeiro Junior, jornalista investigativo, que não é rico e precisa trabalhar para viver. Ganhou muitos prêmios no jornalismo, assim como eu, nós ganhamos o Esso, o maior prêmio do jornalismo brasileiro, cada um com seu estilo. O que fizeram com ele na campanha da Dilma Rousseff foi uma canalhice, ele nunca fez dossiê nem arapongagem, ele estava sendo contratado (nem chegou a ser) para, com seu talento investigativo, apurar fatos para a campanha. O dossiê do qual tanto se falava era este livro, que na época não estava pronto. E ele, claro, não ia vender o conteúdo do livro para campanha nenhuma, trata-se do trabalho de uma vida, 12 anos de investigação, Eu não tive absolutamente nenhuma preocupação. Eu li o livro antes de publicar, é claro. Não cortei uma linha. Na verdade, acrescentei meia dúzia de linhas, em trechos que pediam um pouco mais de pimenta. Com a concordância do autor.

Vermelho: O ex-presidente FHC declarou no último domingo (11), durante sabatina a repórteres, que "O autor desse livro está sendo processado. Está na Polícia Federal. Até lá, quem está sob judice é ele.", saindo em defesa de José Serra. Vocês aguardam ataques contra o autor na tentativa de abalar a credibilidade das denúncias expostas no livro? O autor e a editora possuem alguma estratégia para rebater essas críticas?

L.F.E.: O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso está mal informado a respeito do caso. Vai ter que puxar as orelhas de sua assessoria, porque Amaury Ribeiro está respondendo a processos assim como o próprio Fernando Henrique já respondeu e eu também. Ser processado não é desonra. O que desonra é se somos justamente condenados por algum crime.
Vermelho: Qual a repercussão dessas denúncias em sua opinião no cenário político? Seria o fim da trajetória política de José Serra? Acha que haverá investigação do Ministério Público?
LFE: A repercussão é enorme, espantosa. Não sei se é o fim de José Serra, ele precisa se defender. E se ele não sabia de nada do que sua filha e seu genro e amigos faziam? E se fizeram tudo aquilo em nome dele, coitado? O problema é que ele está calado e usando seus meios, que todos conhecem, para abafar o caso. Isso é muito suspeito. Quanto ao Ministério Público, que investiga todo mundo com base em qualquer denúncia, e-mails, recortes de jornais, imagino que vai entrar no caso, sim.

Vermelho:
Você é um jornalista premiado e teve sua trajetória profissional marcada por vitórias e polêmicas. Incluindo um Prêmio Esso por Geração Abandonada. Você tem predileção por histórias polêmicas? Como faz a seleção de seus temas?
LFE: Bem, eu tenho orgulho de minha carreira, eu fui jornalista em jornais e na TV dos 23 aos 39 anos, deixei meu emprego muito cedo, porque já havia chegado ao topo e não queria mais ser subordinado a um patrão. Ganhei minha liberdade e sou uma pessoa totalmente feliz. Nunca pensei em ficar rico, tenho os pequenos negócios da família, a editora, estou produzindo filmes, e presto consultoria (de verdade!) para pouquíssimos amigos do sindicalismo e da política. Não é que tenho predileção por histórias polêmicas. O fato é que vivemos tempos em que buscar a verdade já é, em si, procurar polêmica.
Vermelho: Geração abandonada provocou a ira de alguns dos jovens integrantes do movimento punk paulistano, como o músico Clemente, líder da banda punk Inocentes, que chegou a falar: “Foi a coisa mais estúpida que já vi escrita sobre punk”. Como foi sua reação à reação deles? Chegou a conversar com eles sobre isso, já que o Clemente chegou a escrever para o jornal reclamando?
LFE: Eu não costumo debater com personagens de reportagens. Eu continuo fazendo jornalismo. Onde está o Clemente?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Câmara paulistana corta CartaCapital do clipping e gera discussão entre vereadores

Embora ignorado por grande parte da imprensa, o livro “A privataria tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., segue provocando sofridas palpitações em integrantes do PSDB. O episódio mais recente foi a sessão na Câmara Municipal de São Paulo e envolveu dois vereadores, Donato, do PT, e Floriano Pesaro, do partido de José Serra, figura central no livro-reportagem.

O vereador petista pediu esclarecimentos à Casa por conta da ausência da matéria de capa da CartaCapital desta semana no clipping de revistas da Casa. A principal matéria da edição esmiúça o livro sobre maracutaias nas privatizações durante os anos de Fernando Henrique Cardoso na presidência.

“Existe um cordão de isolamento, uma barreira de silêncio sobre esse livro. Foi matéria de capa da CartaCapital dessa semana. O clipping de revistas da Casa traz a capa de CartaCapital, mas não traz a matéria. Curiosamente, o clipping da Câmara traz a capa da Veja, que faz matéria acusando mais uma vez o PT. Mas, diferentemente (do clipping) da CartaCapital, traz a matéria completa”, disse Donato. “Se temos um cordão de silêncio na grande mídia sobre esse livro, espero que aqui na Casa tenhamos um tratamento equilibrado a todas as informações.”

O vereador tucano Floriando Pesaro subiu ao palanque na sequência do petista. E soltou: “Esse livro é uma falsidade moral e ideológica e o PSDB já entrou com pedido na justiça para que tome providências. É uma vergonha nacional”.

Na sequência, revelou seu incômodo com a existência de CartaCapital. “Acho a CartaCapital é um lixo e acho que não deveria constar no nosso clipping, é uma perda de tempo. É um lixo financiado pelo governo petista.” E passou a enumerar suas preferências como leitor e ouvinte, curiosamente boa parte dos órgãos de imprensa que pouco ou nada comentam sobre “A privataria tucana”. “Eu continuo lendo a Veja, Época, Estadão, Folha, ouvindo a CBN, Jovem Pan, Rádio Bandeirantes, que são veículos que mostram fatos concretos. Eu confio no Grupo Abril, que é de tradição, e não confio na CartaCapital, que evidentemente é um veículo de comunicação que traz sistemática e recorrentemente mentiras a respeito de tucanos e fatos que nem sempre são verdadeiros a respeito do governo do PT”, disse. “Lamento que você isso traga aqui, Donato, esse livro que é uma indecência.”

Em sua réplica, o vereador Donato, do PT, reclamou só querer ver o clipping da casa completo. “O PSDB tem todo o direito de procurar a Justiça e tomar as providências cabíveis. Nesse livro existem acusações a dirigentes do PT, que estão tomando este caminho. Eu não pedi para tirar do clipping a Veja, pelo contrário, eu só pedi para incluir a CartaCapital“.

Por: CartaCapital

Charge do dia

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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A privataria tucana: deputados comentam livro de escândalos

tucanos-evelson-de-freitas-320-aePrimeiro dia de pleno funcionamento parlamentar depois do final de semana que veio a público as revelações do livro A privataria tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, que mereceu a capa da revista Carta Capital. Em detalhes, são relatados em suas páginas como funcionou o maior esquema de corrupção da República brasileira, através das privatizações do governo Fernando Henrique.

Quem andou pelos corredores da Câmara dos Deputados nesta terça e nas semanas anteriores fica estarrecido. Durante os últimos meses, o que se viu em terças como essa foi os parlamentares da oposição empunhados com suas armas para atacar o governo com calúnias contra ministros. Nas mãos, as revistas Veja, IstoÉ e Época. Hoje não se viu tanta euforia, mas um silêncio envergonhado.

Do outro lado, alguns parlamentares do PT já na segunda-feira foram até o plenário para repercutir as revelações e principalmente criticar o silêncio da velha mídia em relação ao livro e à revista. Para o deputado Amauri Teixeira (PT-BA) “o partido da imprensa golpista, que inclui a revista Veja, o jornal O Globo e a Folha de São Paulo, entre outros, ignorou as denúncias feitas no livro, que são comprovadas documentalmente sobre a corrupção tucana”, disse.

Tucanos

Gostaria que a mídia desse o mesmo destaque a esse fato, como faz quando destaca que a presidenta Dilma Rousseff tem que tomar alguma atitude. A diferença é que, quando há denúncia, o governo federal inicia investigação, frisou Amauri Teixeira.

O deputado questionou o comportamento dos tucanos em relação às denúncias do livro. “Quero saber que providências tomarão contra a filha de José Serra, que, associada à filha de Daniel Dantas, fraudou e lesou o cadastro de 60 mil brasileiros, utilizando-se indevidamente de órgão público para quebrar o sigilo fiscal dos brasileiros”, finalizou.

Já o deputado Cláudio Puty (PT-PA) lembrou que a “grande negociata” das privatizações do governo FHC foi denunciada pela primeira vez pelo jornalista Aloysio Biondi, no livro Brasil Privatizado, em dois volumes. “Biondi relatou detalhadamente como foi a entrega do patrimônio a preço de banana e o envolvimento de figuras coroadas do PSDB. Agora, o livro de Amaury traz a sistematização e documentação do que já era conhecido desde o início dos anos dois mil”, disse.

“Cumplicidade”

Sobre o fato de a mídia ignorar o lançamento do livro, Paulo Pimenta (PT-RS) alertou que o silêncio da mídia revela “cumplicidade”. “O silêncio da mídia tradicional frente a todo o material publicado revela cumplicidade espantosa, afinidade e confirma a gravidade do que o livro traz. Por outro lado, documentos muito menos consistentes têm sido suficientes para pautar os grandes veículos de comunicação do Brasil”, ressaltou.

Nesta terça-feira, o deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) vai protocolar um pedido de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar as denúncias relatadas no livro. Na justificativa, o deputado argumenta que o livro revela, com uma farta documentação, um esquema do uso de dinheiro das privatizações, ocorridas nos anos de 1990, para beneficiar políticos e seus apadrinhados. “Estas denúncias configuram real ameaça à realização da República nos seus moldes constitucionais”, diz trecho do texto.

Por: Vermelho

PSDB silencia sobre denúncias à “privataria” e ataca o PT

O PSDB sinaliza que irá adotar a prática de que a melhor defesa é o ataque, e é com esse espírito que a cúpula do partido promete enfrentar as denúncias de corrupção presentes no livro “A privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Júnior, que revelam um bilionário esquema fraudulento presente no processo de privatização comandadas em 1998 pelo então ministro do Planejamento, José Serra, e pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

O diretório nacional do PSDB divulgou nesta segunda-feira (12) nota disparando contra o que os tucanos chamam de “vergonhosa a indefensável e criminosa associação ocorrida entre deputados do PT e o falsário Nilton Monteiro com o objetivo de produzir e divulgar documentos falsos”. A denúncia referente à investida tucana foi publicada pela revista Veja, no sábado (10).

Se a artilharia peessedebista está preparada para o ataque, o mesmo parece não acontecer quando as acusações se voltam contra o partido. Até agora quase nenhuma figura tucana se pronunciou em defesa da legenda, à exceção do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que qualificou o conteúdo do livro como “café requentado”, em entrevista à Terra Magazine.

Desde sexta-feira (9), quando o livro foi lançado, a reportagem procura em vão a assessoria de imprensa do PSDB para receber alguma explicação. Nesta segunda, o partido não soube informar se irá ou não se pronunciar sobre o caso.

Por: Rede Brasil Atual

“Privataria”: Tucanos na mira

tucanos-em-pazO livro que trouxe à tona as denúncias é produto de dez anos de investigação do autor, Amaury Ribeiro Jr. Ele reúne documentos sobre a venda de estatais principalmente durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, com destaque para o das telecomunicações.

Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil de 1995 a 1998 e ex-tesoureiro de campanha do PSDB, o ex-governador paulista e então ministro do Planejamento, José Serra, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, são três dos principais alvos. Pelo menos são os que saem mais maculados.

Ricardo Sérgio é apontado como "artesão" dos consórcios para a privatização – com suposto direito a bilionárias propinas por meio de escritórios nos Estados Unidos e em paraísos fiscais para lavar o dinheiro ao trazê-lo ao país. Já Serra tem sua filha, Verônica, e outros parentes elencados também como destino de dinheiro desviado, ainda segundo as conclusões do autor.

As informações também explicam a lavagem de dinheiro por meio do Banestado, banco público do Paraná, de 1996 a 2000. A obra também traz acusações contra o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, e a versão do jornalista sobre as acusações contra ele no caso dos supostos dossiês contra lideranças tucanas na eleição de 2010.

Por: Rede Brasil Atual

domingo, 11 de dezembro de 2011

Rejeitado criação de Carajás e Tapajós

1y991c11n1dpicq4n1plfj5g9Como já era esperado até mesmo pelos separatistas, a população do Pará não aprovou a divisão do Estado para a formação dos Estados de Carajás e Tapajós. O plebiscito já está definido em favor dos unionistas. Cerca de 66% dos paraenses votaram contra a criação tanto de Tapajós quanto de Carajás.

O presidente da Frente contra a criação de Carajás, o deputado federal Zenaldo Coutinho (PSDB), classificou o resultado como definitivo. “Não há condições políticas para se discutir (outro plebiscito) nos próximos 50 anos”, disse Coutinho.

A eleição teve um alto índice de abstenção, na casa dos 25%, mas ele não foi suficiente para contrariar as tendências apontadas nos três levantamentos do Datafolha. Na última pesquisa, o instituto revelou que dois terços dos eleitores paraenses votariam no "Não".

Os separatistas apostaram muito na abstenção da região metropolitana de Belém e cidades próximas para conseguir inverter as tendências apontadas nas pesquisas. Mas aconteceu justamente o contrário. A abstenção foi maior em Marabá do que em Belém e Santarém. Em Santarém, houve a adesão maior ao ideal separatista. Mais de 98% dos moradores da possível capital de Tapajós foram a favor da divisão do Estado.

Neste plebiscito, quem decidiu de fato foram os votos da região metropolitana de Belém, absolutamente contrários à divisão. Dois terços do eleitorado do Pará está em Belém e cidades próximas. A região oeste e sul do Estado ficou refém.

A votação ocorreu de forma tranquila em todo o Estado. Com uma ou outra manifestação de animosidade entre eleitores de frentes contrárias, mas sem agressões. As filas nas sessões eleitores foram menores que em uma eleição normal. Também surpreendeu o número de eleitores que esqueceram ou não sabiam ao certo o número pró e contra a criação dos novos Estados.

A partir de agora, será necessária apresentação de nova proposta de plebiscito para que ocorra uma nova votação. Não existe prazo para isso, mas como existem outros projetos em curso, provavelmente o de criação de Tapajós e Carajás ficaria no final da fila. Especialistas em direito eleitoral apontam que o prazo mínimo para uma nova eleição seria de três anos.

Líderes unionistas e separatistas apontavam instantes antes do início da apuração que o resultado contrário à divisão do Estado terá duas grandes consequências. Haverá um arrefecimento dos projetos de desmembramentos de outros Estados e também deve ser iniciado agora um lobby para mudanças nas políticas de realização de novos plebiscitos.

A proposta mais polêmica está relacionada à abrangência da votação. Hoje, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determina que toda o Estado a ser emancipado ou que perde território pode votar. As frentes separatistas querem reduzir esse eixo de consulta apenas as regiões que pedem para serem desmembradas.

Na lista de áreas a serem separadas estão o Maranhão do Sul (Maranhão); Gurgeia (Piauí); Rio São Francisco (Bahia); Araguaia e Mato Grosso do Norte (Mato Grosso); Oiapoque (Amapá) e Rio Negro, Solimões e Juruá (Amazonas).

No Pará especificamente, a não aprovação dos estados de Carajás e Tapajós frustrou o sentimento de mudança nas regiões oeste e sul do Estado. Principalmente em Tapajós, porque essa é a oitava tentativa frustrada de desmembramento da região do Pará. Em Carajás, há uma relação de indignação principalmente contra o governador do Estado, Simão Jatene (PSDB). Durante a campanha, houve o acirramento das diferenças entre oeste, sul e região metropolitana de Belém.

Os políticos unionistas afirmaram durante a votação que o plebiscito foi o momento de repensar o Estado do Pará. Eles prometem a partir de agora intensificar as campanhas contra a Lei Kandir, que exonera de impostos os produtos destinados à exportação. Uma das principais beneficiadas seria Marabá pela exportação do minério de ferro da Serra de Carajás.

“Agora vamos lutar pela mudança no pacto federativo que, para o Pará, tem sido ‘impacto’ federativo”, prometeu Coutinho durante a votação deste domingo. “Todos os paraenses vivem as suas dificuldades e tem razão em reclamar das ações públicas, agora a solução não era separar. Isso era remediar com racumim (raticida) a doente de malária”, disse Coutinho.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), defendeu que o Brasil precisa discutir melhor novas propostas de divisão territorial. No congresso, existem aproximadamente 20 projetos de divisão territorial em tramitação. “O federalismo não é estático. O federalismo pode mudar a sua configuração. Depende das migrações internas, da polarização das populações de um pais. Mas é claro que qualquer projeto de divisão do país, de Estado, deve levar em conta estudos aprofundados. Demográficos, econômicos e outros mais”, afirmou Lewandowski.

Além disso, Lewandowski afirmou o plebiscito representou “um teste com relação à democracia participativa”. “Eu penso que não somente a cidadania está madura do ponto de vista cívico, mas a tecnologia eleitoral brasileira está muito avançada. Nós conseguimos apurar o resultado matematicamente consolidado duas horas depois do resultado. Verificou-se que pode se consultar o povo de forma rápida e eficiente”, pontuou o ministro.

Por: Último Segundo

sábado, 10 de dezembro de 2011

Livro “A privataria tucana” é censurado pela mídia

Nos últimos anos, qualquer livro de autoria de desafetos ou adversários políticos do ex-presidente Lula e/ou do PT recebeu monumental cobertura da grande mídia. Tais obras costumam ser anunciadas em portais de internet, revistas semanais, jornais, televisões e rádios apesar de não conterem nada além de insultos e acusações sem provas.

Por Eduardo Guimarães, no blog Cidadaniacensura22290

Que interesse público ou meramente jornalístico pode ter um livro que chama o ex-presidente Lula de “anta” ou outro que chama de “petralhas” os mais de um milhão de filiados do Partido dos Trabalhadores? Apesar disso, esses livros, escritos por pistoleiros contratados para caluniar e xingar, são anunciados o tempo todo pelos grandes meios de comunicação.
Neste fim de semana, chega ao público um livro que, apesar de jamais ter sido sequer mencionado em um grande jornal ou em qualquer outro grande meio de comunicação, era aguardado por dezenas de milhares de internautas que dele souberam através da blogosfera e de uma única revista semanal, a CartaCapital.
O livro recém-lançado pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr., acusado no ano passado pela grande mídia de integrar complô para montar dossiê contra José Serra, pode não conter apenas acusações sem provas ou meros xingamentos. Segundo o autor, apresenta provas de roubo de dinheiro público no processo que o jornalista Elio Gaspari batizou como “privataria”.
É revelador como o livro A privataria tucana jamais recebeu um único comentário inclusive do autor do termo que resume o que foi o processo de privatização de empresas públicas durante o governo Fernando Henrique Cardoso, ou seja, um dos maiores saques sofrido pela nação em toda a sua história e que superou até a roubalheira da ditadura militar.
A imprensa que vive se dizendo “independente”, portanto, ao tentar esconder o livro “proibido” está dando a ele a maior contribuição que poderia.
Mídia partidária
Explico: se fosse uma obra fraca, com denúncias fracas, seria excelente alvo para veículos partidarizados como Globo, Veja, Estadão e Folha. Se a escondem, é porque seu conteúdo deve ser arrasador. E como quem se interessa por assuntos assim certamente tem acesso à internet e a blogs políticos, a censura aumentará o interesse.
Os grandes meios de comunicação fazerem de conta que não viram o livro, portanto, talvez seja tão importante quanto seu conteúdo, pois pessoas bem-intencionadas que têm dúvidas sobre o partidarismo político daqueles meios agora dispõem de prova incontestável desse partidarismo.
Ora, imprensa que se diz “independente”, se fosse mesmo não precisaria concordar com um livro considerado bombástico para noticiar seu lançamento ou para produzir análises de seu conteúdo. O lançamento da obra é um fato político saboroso para qualquer jornalista de verdade. Aliás, é escandaloso que o autor do termo “privataria” tenha se calado.
Este blogueiro ainda não leu o livro, o que começará a fazer no fim de semana. Até aqui, portanto, não sabe se as denúncias são fundamentadas. Pelo tratamento que a obra está recebendo da mídia, é possível concluir que deve ter muito mais do que suposições e xingamentos.
Se assim for, a mera publicação da obra não desnudará tão-somente o partidarismo de uma máfia que se autoproclama “imprensa independente”; permitirá que os setores pensantes e decentes da sociedade descubram se o Brasil tem Poder Judiciário ou se são todos comparsas dos poderosos chefões midiáticos.

Extraído do Vermelho

Vivendo perigosamente

Por: Thomaz Wood Jr./CartaCapital 

O mês de novembro assistiu aos primeiros capítulos de mais uma saga corporativa da série “Empresa multinacional desalmada provoca acidente ecológico, tenta ocultar os fatos, enganar o governo e ludibriar a opinião pública”. Muda o palco, mudam os atores, mas o roteiro continua o mesmo.

O remake temcomovilã a gigante Chevron, repetindo o papel interpretado, em 2010, pela BP, no Golfo do México. Nas telas: óleo vazando, ativistas irados, executivos evasivos e o meio ambiente ameaçado.

A Chevron é uma das maiores empresas do setor de energia do mundo. Está presente em mais de 180 países, tem 62 mil funcionários e faturou 205 bilhões de dólares em 2010. Suas atividades incluem cada elo das cadeias produtivas de petróleo e gás. A empresa também investe em fontes alternativas, tais como energia geotérmica, solar e eólica.

Sua história confunde-se com a expansão do capitalismo norte-americano. Foi marcada por inúmeras fusões e aquisições, inclusive a compra da Texaco, em 2000, e da Unocal, em 2005.Como no caso de outras grandes empresas, sua história foi também marcada por controvérsias e escândalos. Nos anos 1950, juntamente com a General Motors e a Firestone, a Chevron foi acusada de comprar e desmantelar os sistemas de transporte público urbanos de grandes cidades norte-americanas, baseado em bondes elétricos, para facilitar a entradas de frotas de ônibus.

A empresa foi também acusada de manter um sistema de evasão fiscal, de1970 a2000, usando um projeto na Indonésia, de tentar bloquear o desenvolvimento de carros híbridos e de provocar danos ambientais na Califórnia, em Angola e no Equador (uma herança da Texaco). Como sabem até mesmo os roteiristas de Hollywood, óleo e política misturam-se de forma nem sempre cândida, com resultados frequentemente cruéis para o meio ambiente e para as comunidades.

Além do petróleo, o recente  vazamento na costa do Rio de Janeiro traz à tona um ponto de atenção: o apetite por riscos das empresas.Como rezam os bons manuais de gestão, toda atividade empresarial envolve riscos. O pequeno industrial corre riscos ao comprar uma nova máquina para ampliar sua produção. O banqueiro corre riscos ao ampliar sua oferta de crédito. O executivo da empresa de infraestrutura corre riscos ao escavar o fundo do oceano. Maior o risco, maior o prêmio. Quem não quer correr riscos, não deve se estabelecer.

O dilema enfrentado diariamente por empresários e executivos refere-se a que grau de risco deve ser aceito. Qualquer operação pode ser projetada para tornar-se (quase) à prova de riscos. Porém isso tornará seus custos proibitivos e o negócio, inviável. Por outro lado, uma operação sem salvaguardas pode ser extremamente lucrativa, porém vai expor seus responsáveis a riscos astronômicos. Então, o desafio para as empresas é dominar a tal ponto seus processos e tecnologias que seja possível gerenciar (quase) cientificamente os riscos, minimizando os custos de controle e maximizando os lucros. Na prática, isso equivale a caminhar por uma corda bamba. Qualquer pequeno deslize pode provocar uma queda.

Certas empresas, em razão de sua história e cultura organizacional, são mais avessas a riscos. Contratam executivos mais conservadores e tomam decisões fundamentadas em análises cuidadosas. Outras empresas são mais propensas ao risco. Atraem executivos mais agressivos, que seguem seus instintos. Quando operam em mercados pouco regulados ou com governos corruptos, tais empresas encontram um ambiente propício para correr riscos. Quando o prêmio é grande e a pena é leve, aumenta o apetite por riscos.

Nas duas últimas décadas,  o avanço das tecnologias da informação e da comunicação, combinado com maior sensibilidade coletiva para questões sociais e ambientais, provocou impactos consideráveis sobre o mundo corporativo e sobre o comportamento de empresários e executivos. Hoje, uma denúncia de trabalho escravo na Ásia pode causar a perda de contratos na Europa; um acidente ambiental na África pode derrubar o preço das ações em Nova York.

Imagem e reputação, os chamados ativos simbólicos, subiram na escala de prioridades executivas. Nas grandes empresas, aumentou a preocupação com o impacto social, multiplicaram-se as áreas de responsabilidade social corporativa e cresceu o orçamento de projetos sociais. A partir do bolso, o espírito selvagem dos capitalistas vai sendo domesticado, se não na essência, ao menos na aparência. Efeito colateral: uma redução do apetite por riscos.

A saga da Chevron ainda ganhará alguns capítulos. O comportamento dos atores está sendo observado de perto pela plateia e pelos colegas de palco. A epopeia da exploração do pré-sal dará ensejo a muitas sagas. Preparemos o estômago!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Tucanos não se explicam sobre denúncias contra ex-diretor do BB

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, presidente de honra do PSDB, evitou comentar as denúncias contra o ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil e tesoureiro de campanhas do partido Ricardo Sérgio de Oliveira. O líder tucano chegou a dizer que não sabia das acusações, e alegou que, por não conhecer detalhes, não poderia esclarecer diretamente os pontos.

O economista, nomeado ao posto no BB durante o governo tucano, figura no livro "A Privataria Tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Jr., como operador de esquemas de lavagem de dinheiro e manipulação para formação de consórcios para privatizações na área de telecomunicação. Outro expoente do PSDB citado é o ex-governador paulista José Serra, candidato derrotado à Presidência em 2002 e 2010.

Fernando Henrique participou de sabatina do jornal Folha de S. Paulo, na tarde desta nesta sexta-feira (9), na capital paulista, no dia em que os exemplares da publicação da Geração Editorial chegaram às livrarias. A única pergunta feita sobre o livro  durante a sabatina foi da jornalista Mônica Bergamo, da Folha. O ex-presidente desqualificou as perguntas e mostrou-se irritado com o fato de o tema ter sido levantado. A entrevista foi motivada pelo lançamento, pelo ex-presidente, do livro autobiográfico "A Soma e o Resto - Um Olhar sobre a Vida aos 80 Anos".

Nos dez primeiros minutos, Fernando Henrique concentrou fogo no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na atual presidenta, Dilma Rousseff. O restante da sabatina foi dedicada a perguntas sobre sua trajetória pessoal. Uma sessão de autógrafos marcada para o início da noite desta sexta foi cancelada por motivos pessoais, segundo a assessoria de imprensa da editora.

Em breve entrevista coletiva a jornalistas de outros veículos após a sabatina, Fernando Henrique voltou a carga na tentativa de desqualificar as denúncias contra o ex-diretor e contra Serra. Ele alegou que é preciso "tomar cuidado" com as alegações de Ribeiro Junior, por ele ser alvo de processo judicial, acusado de ter participado da produção de dossiês contra tucanos durante a eleição de 2010 – o jornalista nega a prática.

Sobre a conduta de Oliveira, Fernando Henrique afirmou que, pessoalmente, "não tem críticas" ao economista. Durante o tempo em que trabalhou no governo, não teria feito nada de errado. "Nunca desaprovei o trabalho do Ricardo Sérgio", frisou. O ex-presidente também disse não conhecer o economista antes de ter sido nomeado para a direção do Banco do Brasil.
Presente à sabatina, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) também optou por respostas evasivas sobre as denúncias sobre o processo de privatização das telecomunicações. O PSDB informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que os dirigentes da legenda não se pronunciariam por ora sobre o tema e que uma nota seria publicada.

Por: Rede Brasil Atual