terça-feira, 31 de maio de 2011

Nuvens negras no horizonte

"Já se delineiam duas sérias ameaças em nível global, que podem indicar um primeiro desdobramento da crise financeira originada nos Estados Unidos em 2008. É a situação crítica da questão fiscal dos Estados Unidos e Grécia. Os holofotes agora estão na Grécia, mas não levará tempo para se dirigirem aos EUA. Face a esse quadro, o melhor para o Brasil é apostar as fichas da saúde econômica e financeira naquilo em que somos bons: alto potencial de mercado interno inexplorado. Assim, é bom repensar as políticas do pé no freio, que podem fragilizar o País aos trancos que poderão vir de fora".

Ainda não se passaram três anos e já se delineiam duas sérias ameaças em nível global, que podem indicar um primeiro desdobramento da crise financeira originada nos Estados Unidos em 2008. É a situação crítica da questão fiscal dos Estados Unidos e Grécia. Os holofotes agora estão na Grécia, mas não levará tempo para se dirigirem aos EUA.

Vale recordar. Na primeira tentativa de sair do buraco, a Grécia acertou com o FMI que sua economia deveria encolher 4% em 2010, 2,6% em 2011 e o desemprego, de 9,4% em 2009, subiria para 14,8% em 2012. Esse o custo da redução do déficit fiscal de 13,6% do PIB em 2009, para 8,1% em 2010 e 6,5% em 2012. Mesmo assim, sua dívida se estabilizaria em 150% do PIB! Mas em 2010 em vez de conseguir a meta de déficit de 8,1%, obteve 10,5%, o que acendeu a luz vermelha.

Os holofotes agora estão na questão fiscal da Grécia, que precisará de um novo empréstimo em 2012. Com um crescimento mais baixo que o esperado, a tendência é o agravamento fiscal e a necessidade de mais empréstimos que, se vierem, trarão sérias dificuldades de satisfazer as condições impostas pelo FMI, com impacto social crescente e sério risco político ao governo.

A aposta dos “salvadores” (Banco Central Europeu - BCE, países da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional - FMI) ao concederem o primeiro socorro era de que uma profunda restrição fiscal, com rebaixamento de salários, demissões no setor público e freada no crescimento econômico, seria capaz de gerar os excedentes para honrar as parcelas dos empréstimos, que tiveram prazos mais alongados.

Esse aperto fiscal deveria ser imposto à população e as reações foram imediatas com paralisações e manifestações de massa, que na ocasião poderia inviabilizar as negociações em curso. Mas o governo grego conseguiu vencer o primeiro round e aprovou as duras exigências dos financiadores, mas com importante condição: a dívida teria que ser integralmente paga, sem nenhum prejuízo aos credores.

Esse socorro financeiro implica em dois problemas fiscais, de solução quase impossível, pois crescem as despesas com o serviço da dívida pelo forte aumento do endividamento e cai a arrecadação pela redução da atividade econômica e pelo aumento da inadimplência dos contribuintes, ou seja, forma-se um “sanduíche” fiscal. 

Os credores, no entanto, partiram da premissa de que a redução das despesas públicas seria suficiente para superar esses dois problemas. Não foi o que aconteceu e nem acontecerá. Assim, seria necessário reduzir o valor a ser pago no serviço da dívida, ou seja, seu deságio, com perda para os credores.

Mas, o deságio não bastaria para solucionar o problema, pois os desequilíbrios macroeconômicos já existentes tornam necessários outros esforços para viabilizar o equilíbrio de suas contas internas e externas. Atualmente ocorre déficit na balança comercial de 4% do PIB, maior déficit comercial entre os países da região do euro. Se esse déficit persistir, terá de captar o volume total em instituições de crédito estrangeiras, mesmo se os déficits orçamentários pós-inadimplência puderem ser financiados com captações domésticas.

A simples ameaça do deságio na Grécia precipitou a elevação dos riscos das dívidas de Portugal e Espanha. Portugal foi o primeiro a pedir socorro e já está seguindo o mesmo caminho grego. Tomou em maio recursos do FMI e da União Europeia de US$ 110 bilhões, que representa 47% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. O último pacote de auxílio do FMI ao Brasil, em 1998 foi de US$ 40 bilhões ou 4,7% do PIB. Assim, esse socorro a Portugal foi, em termos de tamanho de sua economia, 10 vezes maior do que o nosso. 

Para situar a gravidade do problema que ronda a Europa, o pacote da Grécia de US$ 156 bilhões foi também de 47% do PIB e o da Irlanda de US$ 120 bilhões, 52,9% do PIB, segundo matéria publicada no jornal Estado de São Paulo (22/maio).

Esses socorros foram também sem deságio nas dívidas e será apenas questão de tempo para evidenciar a falta de visão dos “salvadores” e o agravamento da inevitável deterioração fiscal nesses países.

Não tem como escapar do deságio das dívidas. Esse deságio, por sua vez, poderá trazer novos desdobramentos na rede financeira europeia já fragilizada pela crise iniciada nos Estados Unidos com as hipotecas de alto risco (subprime) e por a nu os títulos podres em posse do BCE ao socorrer o sistema bancário da Irlanda, Grécia, Espanha entre outros países.

A nova tentativa de socorro à Grécia continuará tentando preservar os credores, alongando mais a dívida, sem reestruturá-la, com nova injeção de empréstimos, e o calote será inevitável e maior mais a frente. É uma exigência do BCE para tentar empurrar com a barriga os títulos podres em seu poder cujo montante é desconhecido. 

O mesmo poderá ocorrer com Portugal, mais à frente à Espanha e, em seguida a Itália, países de maior expressão econômica na zona do euro. Poderá ser essa a sequência dos PIIGS. É claro que isso atingirá o sistema bancário das economias mais sólidas como França e Alemanha, agravando a crise européia com repercussões em outros países fora da área. Como existe forte relação entre os sistemas financeiros de Europa e Estados Unidos, esse país certamente será afetado.

EUA - Em 16/5, os Estados Unidos atingiram o teto de US$ 14,294 trilhões da dívida pública e o Departamento do Tesouro planeja anunciar que vai parar de emitir e reinvestir títulos do governo em certos fundos de pensão públicos, parte de uma série de medidas para adiar a moratória até 2/8. Essas medidas do Tesouro visam ganhar tempo para a Casa Branca e líderes do Congresso chegarem a um acordo de redução do déficit, para atingir número suficiente de congressistas a votar o aumento da dívida.

A disputa política entre republicanos e democratas pode fornecer o combustível necessário para começar a por em dúvida a capacidade do país honrar o pagamento aos credores, que estão espalhados por todo o mundo, especialmente países que acumularam fortes reservas ligadas ao dólar, como China, Japão, Alemanha e o Brasil. Para agravar esse quadro o déficit fiscal previsto ao final deste ano pode atingir US$ 1,7 trilhões ou 11% do Produto Nacional Bruto (PNB). 

A tentativa de ativar a economia via elevação da liquidez é outro motivo de preocupação. De 2004 a 2008 a base monetária girava em torno de US$ 0,8 trilhão e a disparada sem cessar a partir de 2009 a elevou para US$ 2,4 trilhões. Apesar disso, os empréstimos bancários ficaram estabilizados desde o final de 2008 em US$ 9 trilhões, evidenciando o deslocamento dessa elevação da liquidez para fora dos EUA.

É possível que as agências de classificação de risco, que dormiram no ponto na crise de 2008/2009, não tenham o mesmo comportamento agora. Alguns sinais já apontam nessa direção. O primeiro foi dado pela Standard & Poor's que rebaixou de ‘estável’ para ‘negativa’ a perspectiva de rating de crédito soberano de longo prazo dos Estados Unidos. Com isso sinalizou que poderá piorar a nota da dívida americana. As razões apontadas para a decisão foram o persistente déficit orçamentário e o elevado endividamento do país.

De acordo com a agência, mesmo após dois anos após a eclosão da crise financeira que abalou o mercado de hipotecas dos EUA, o governo do presidente Barack Obama dá sinais de que não chegou num acordo sobre como reverter a deterioração fiscal por que passa o país atualmente, nem aponta soluções para as pressões fiscais de longo prazo.

O dólar já vem de longo processo de perda de valor perante outras moedas e commodities, e isso expressa a doença que se abate lentamente sobre a economia americana. As análises sobre as perspectivas deste país oscilam a cada dia ao sabor de dados sobre pedidos de desemprego, construção de novas moradias, produção industrial, inflação, etc. Fato é que a reação aos fortes estímulos dados desde 2008 produziram efeitos pífios e os déficits fiscais passaram de 3% do PNB em 2008 e poderão atingir 11% neste ano, e a dívida sobe de forma ameaçadora, indicando claros riscos em seu pagamento.

Para agravar esse quadro a elevação dos preços do petróleo e outras commodities subtraem o poder aquisitivo dos americanos, com reflexos negativos sobre o consumo que representa 70% do PIB do país. Isso afeta o crescimento econômico, a arrecadação e eleva o déficit fiscal.

Parecem esgotados os instrumentos monetários para tirar o país da crise. A forte injeção de dólares feita pelo Fed (banco central americano) e os juros negativos não conseguiram estimular o consumo. É incerto se terminará em junho a escalada da injeção de US$ 600 bilhões. Essa elevação da liquidez já dá sinais de problemas com a inflação, que começam a aparecer no front de preocupações do Fed. E nada mais potente para retirar o poder aquisitivo do americano do que a inflação. 

A forma que seria possível para romper com esse agravamento é a ampliação das exportações e contenção das importações, para gerar empregos suficientes para tirar da letargia o mercado interno. Mas não é isso que vem ocorrendo no nível necessário, pois a disputa no mercado internacional cresceu fortemente como consequência da crise de 2008. 

Face a esse quadro, o melhor para o Brasil é apostar as fichas da saúde econômica e financeira naquilo em que somos bons: alto potencial de mercado interno inexplorado. Assim, é bom repensar as políticas do pé no freio, que podem fragilizar o País aos trancos que poderão vir de fora.

Haddaway - What is love

Descaso e impunidade: Cúmplices da violência na Amazônia

Por: Radio Vaticano

O Governo vai analisar a lista de ambientalistas ameaçados de morte no Norte do país. A informação é do secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Barreto. O objetivo é verificar a necessidade de proteção policial a essas pessoas. “Vamos estudar caso a caso e intensificar a proteção para aquelas pessoas que estão sendo mais ameaçadas”, disse. 

Em menos de uma semana, quatro ativistas foram mortos na região, três delas no Pará e uma em Rondônia. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra, o casal de ambientalistas assassinado no Pará - José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva - estava na lista das pessoas ameaçadas de morte. Eles eram conhecidos por denunciar a ação ilegal de madeireiros na região.

O Governo federal anunciou ainda a criação de um grupo interministerial para discutir as ações a serem tomadas para conter a violência no campo. Hoje, em Brasília, a ministra da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Maria do Rosário recebe uma delegação da Pastoral da Terra. 

Entretanto, a coordenação nacional da CPT divulgou Nota Pública sobre os assassinatos e os dados de pessoas ameaçados de morte desde o ano 2000 que acabaram sendo assassinadas.

Esta é a integra da nota:

O Estado não pode lavar as mãos diante de mortes anunciadas.

A Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra reputa como muito estranhas as afirmativas de representantes da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Pará, do Ibama e do Incra que disseram no dia 25 de maio desconhecer as ameaças de morte sofridas pelos trabalhadores José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, assassinados a mando de madeireiros no dia 24, em Nova Ipixuna (PA). 

O ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho, chegou a afirmar que o casal não constava de nenhuma relação de ameaçados em conflitos agrários, elaborada pela Ouvidoria ou pela Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo.

A CPT, que desde 1985 presta um serviço à sociedade brasileira registrando e divulgando um relatório anual dos conflitos no campo e das violências sofridas pelos trabalhadores e trabalhadoras, com destaque para os assassinatos e ameaças de morte, desde 2001 registrou entre os ameaçados de morte o nome de José Cláudio.

Seu nome aparece nos relatórios de 2001, 2002 e 2009. E nos relatórios de 2004, 2005 e 2010 constam o nome dele e de sua esposa, Maria do Espírito Santo. Pela sua metodologia, a CPT registra a cada ano só as ocorrências de novas ameaças.

Também o nome de Adelino Ramos, assassinado no dia 27 de maio, em Vista Alegre do Abunã, Rondônia, constou da lista de ameaçados de 2008. Em 22 de julho de 2010, o senhor Adelino participou de audiência, em Manaus, com o Ouvidor Agrário Nacional, Dr. Gercino Filho, e a Comissão de Combate à Violência e Conflitos no Campo e denunciou as ameaças que vinha sofrendo constantemente, inclusive citando nomes dos responsáveis pelas ameaças.

No dia 29 de abril de 2010, a CPT entregou ao ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, os dados dos Conflitos e da Violência no Campo, compilados nos relatórios anuais divulgados pela pastoral desde 1985. Um dos documentos entregue foi a relação de Assassinatos e Julgamentos de 1985 a 2009.

Até 2010, foram assassinadas 1580 pessoas, em 1186 ocorrências. Destas somente 91 foram a julgamento com a condenação de apenas 21 mandantes e 73 executores. Dos mandantes condenados somente Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de ser um dos mandantes do assassinato de Irmã Dorothy Stang, continua preso.

As mortes no campo podem se intitular de Crônicas de mortes anunciadas. De 2000 a 2011, a CPT tem registrado em seu banco de dados ameaças de morte no campo, contra 1.855 pessoas. De 207 pessoas há o registro de terem sofrido mais de uma ameaça. E destas, 42 foram assassinadas e outras 30 sofreram tentativas de assassinato. 102 pessoas, das 207, foram ou são lideranças e 27 religiosos ou agentes de pastoral.

O que se assiste em nosso país é uma contra-reforma agrária e é uma falácia o tal desmatamento zero. O poder do latifúndio, travestido hoje de agronegócio, impõe suas regras afrontando o direito dos posseiros, pequenos agricultores, comunidades quilombolas e indígenas e outras categorias camponesas. Também avança sobre reservas ambientais e reservas extrativistas. O apoio, incentivo e financiamento do Estado ao agronegócio, o fortalece para seguir adiante, acobertado pelo discurso do desenvolvimento econômico que nada mais é do que a negação dos direitos fundamentais da pessoa, do meio ambiente e da natureza. Isso ficou explícito durante a votação do novo Código Florestal que melhor poderia se denominar de Código do Desmatamento. Além de flexibilizar as leis, a repugnante atitude dos deputados ruralistas, que vaiaram o anúncio da morte do casal, vem reafirmar que o interesse do grupo está em garantir o avanço do capital sobre as florestas, pouco se importando com as diferentes formas de vida que elas sustentam e muito menos com a vida de quem as defende. A violência no campo é alimentada, sobretudo, pela impunidade, como se pode concluir dos números dos assassinatos e julgamentos. 

O poder judiciário, sempre ágil para atender os reclamos do agronegócio, mostra-se pouco ou nada interessado quando as vítimas são os trabalhadores e trabalhadoras do campo.

A morte é uma decorrência do modelo de exploração econômica que se implanta a ferro e fogo. Os que tentam se opor a este modelo devem ser cooptados por migalhas ou promessas, como ocorre em Belo Monte, silenciados ou eliminados.

A Coordenação Nacional da CPT vê que na Amazônia matar e desmatar andam juntos. Por isso exige uma açãoamazônidas, estabelecendo limites à ação das madeireiras e empresas do agronegócio em sua voracidade sobre os bens da natureza. Também exige do judiciário medidas concretas que ponham um fim à impunidade no campo.

Goiânia, 30 de maio de 2011.
A Coordenação Nacional da CPT

Charge do dia

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A Whiter Shade Of Pale - Pholhas

Convenção tucana elege comando simpático à candidatura Aécio-2014 e, contra a vontade de José Serra, acomoda derrotado em 2010 em cargo inoperante. Segundo aliado, Aécio adotará linha do "artigo de FHC", que prega que oposição esqueça "povão", busque "nova classe média" e não abra mão do "moralismo", explorado no "caso Palocci". Escanteado, Serra apela para ser lembrado: "contem comigo".

“Contem comigo para qualquer problema, para qualquer necessidade de presença, eu estarei lá. Sou um ativista político desde minha juventude. Estou nessa luta há muitas décadas e, se deus quiser, permanecerei nela durante muitas décadas ainda (….) Antes de ser um oficial da política, eu sou um soldado.” 

Com estas palavras - um apelo para não ser ignorado -, José Serra, ex-governador de São Paulo, terminou sua participação na convenção nacional que o PSDB realizou neste sábado (28/05) para eleger uma nova direção. Derrotado duas vezes ao tentar virar presidente da República, o discurso de Serra encerrou mais um fracasso. 

A convenção destinava-se justamente a sepultar a hegemonia serrista e paulista no tucanat. Ao mesmo tempo, buscava evitar um racha no ninho, o que exigirá do PSDB tonificar uma instância partidária inoperante nos últimos tempos, o Conselho Político, em cuja direção, a contra-gosto e com muita resistência, Serra foi assentado. 

Daqui para frente e de olho na sucessão da presidenta petista Dilma Rousseff em 2014, os tucanos entregam-se à liderança do senador Aécio Neves (MG), cuja missão será reiventar um partido e um ideário derrotados mais vezes do que Serra na luta pela Presidência da República. 

“Não podemos ter dois comandos. Sairemos daqui com um comando só”, dizia, ao chegar à convenção, o líder da bancada adversária de Dilma na Câmara dos Deputados, Paulo Abi-Ackel (PSDB), aliado mineiro do senador mineiro. E qual será o discurso, a linha do partido daqui em diante, com Aécio à frente? “Ah, é o artigo do Fernando Henrique”, contou Abi-Ackel.

Linha FHC: classe média e moralismo
O deputado referia-se a um texto polêmico publicado numa revista no início de abril, no qual ex-presidente esforça-se para salvar o PSDB e a oposição em geral da falta de rumos. Nele, FHC diz que “uma oposição que perde três disputas presidenciais não pode se acomodar com a falta de autocrítica”. E defende, entre outras coisas, que os adversários de Dilma não devem “disputar com o PT influência sobre os 'movimentos sociais' ou o 'povão'”, mas, sim, buscar a “nova classe média”.

Para o sociólogo, os tucanos precisam explorar as redes sociais, a mídia tradicional e as universidades para discursar a favor de mais saúde, educação, ecologia, direitos humanos, enfim, por um “papel crescente do estado”, o que não estaria em “contradição com economia mercado”. Mas, ressalva FHC, sem deixar de lado o núcleo das campanhas tucanas perdedoras em 2006 e 2010, porque “seria erro fatal imaginar, por exemplo, que o discurso 'moralista' é coisa de elite à moda da antiga UDN”.

Pois não faltou, na convenção tucana, a retórica 'moralista' pregada pelo ex-presidente, graças à enrascada em que se encontra o chefe da Casa Civil, ministro Antonio Palocci, por conta de seu enriquecimento à base de consultorias. “Devemos sair às ruas, de cabeça erguida, e dizer: 'somos sérios, somos éticos e sabemos fazer'”, disse na convenção o desde já presidenciável Aécio Neves.

“Crise ética”, foi a definição do caso Palocci dada pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. “Escândalo”, chamou FHC. “Águas da corrupção”, classificou o presidente reeleito do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE).

Não foi exatamente a opinião manifestada por um deputado cassado que compareceu à festa tucana mesmo sem ter carteirinha do PSDB. Para o presidente do PTB, Roberto Jefferson, não há motivo para CPI do Palocci. Nem mesmo para fazer comparações com o “mensalão”, cuja suposta existência o deputado denunciou depois que um aliado dele empregado nos Correios, Mauricio Marinho, fora gravado recebendo propina.

'Aécio presidente!'
Ao chegar à convenção, Jefferson parecia um pop-star, posando para fotos com militantes tucanos, que também se entretiam com músicas à espera do início do encontro. "Brasil, urgente, Aécio presidente!”, era uma delas. “Brasil, urgente, Perillo presidente!”, dizia outra, aludindo ao governador de Goiás, Marconi Perillo. Até um genérico “1, 2, 3, 4, 5, mil, queremos um tucano presidente do Brasil!”. 

NInguém gritava “Serra presidente”, evidência de que o ex-governador paulista é página virada no partido, mesmo com os mais de 40 milhões de votos obtidos na última eleição.

O capital político de Serra serviu, no entanto, para impedir que ele fosse escanteado por completo do novo comando tucano. Os tucanos contam com algum tipo de colaboração dele na próxima eleição. Daí que o encontro deste sábado começou com mais de duas horas de atraso. Desde a véspera, a elite tucana tentava encontrar uma composição dos dirigentes que garantisse a hegemonia de Aécio, mas que permitisse ao menos dar um prêmio de consoloção a Serra.

Os três cargos mais importantes da estrutura partidária ficaram com simpatizantes ou aliados declarados de Aécio. O presidente Sérgio Guerra, que pelas costas já fez referências desabonadoras a Serra, reelegeu-se. A secretaria-geral terá o deputado mineiro Rodrigo de Castro, abertamente apoiador de Aécio. E o comando do Instituto Teotônio Vilela, órgão formulador dos tucanos, foi entregue ao ex-senador Tasso Jereissatti (CE), que até hoje guarda rancor contra Serra pela disputa de ambos pela candidatura presidencial tucana em 2002.

Para Serra, restou controlar o Conselho Político, que os tucanos dizem que vão tentar revitalizar daqui para frente.

Além do objetivo de superar o serrismo e, ao mesmo tempo, esconder os problemas internos atrás da retórica de “unidade”, o PSDB usou a convenção para tentar enfrentar a sensação de fragilidade dos adversários do governo dentro do Congresso. É a menor bancada oposicionista desde o fim da ditadura militar. Valeu até apelar para um suposto fenômeno mundial. “Há controvérsias sobre o enfraquecimento da oposição. A oposição não está fragilizada só no Brasil”, disse o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR).


O cadeirante de Barcelona

Por: MonBlog
A imagem do cadeirante sendo agredido pela polícia em Barcelona, na Espanha, é o típico fato que dispensa argumentos. Mas a cena chocante representa mais do que isso: ela expressa de forma explícita a atual conjuntura política e econômica, onde os de baixo, os mais fracos são impiedosamente atacados pelas classes dominantes. Ela resume perfeitamente o que estamos vivendo. É um símbolo da atualidade!

Acampados há duas semanas em várias praças espalhadas pelo país a população espanhola protesta contra os planos de ajuste do governo contra o povo, contra o sistema econômico e pede por uma democracia real, uma democracia de verdade, pois sente que os políticos não os representam. Eles perceberam a grande farsa que é a democracia representativa dos ricos e se deram conta quem são os reais representados nela.

À pedido dos governos e das classes dominantes locais, o governo espanhol, que não descarta uma ofensiva em outras cidades, ordenou a polícia que iniciasse a retirada dos manifestantes da praça da Catalunya na última sexta-feira. A operação foi violenta, com 121 feridos, de acordo com a grande mídia, e tendo sobrado até para o cadeirante.

O episódio deve ter reforçado no imaginário dos manifestantes suas convicções sobre a atual "democracia". Esta, porém, mantém-se inquestionável no Ocidente. Não vimos nenhum jornalista brasileiro da grande mídia se solidarizar ao cadeirante espanhol, que sequer aparece na maioria das matérias, nem denunciar que o regime espanhol não passa de uma ditadura dos ricos disfarçada de democracia. Ah, se fosse algum governo indesejado pelo Ocidente...

A imagem do cadeirante de Barcelona acuado, encolhido, tentando se defender da ofensiva policial covarde é o símbolo dos nossos tempos. Um tempo onde as classes dominantes, responsáveis pela atual crise econômica, empreendem uma ofensiva violenta, em todos os sentidos, contra os direitos das classes subalternas, pouco importando-se com a sorte dessas.

O policial não abusou sozinho do cadeirante: por trás dele havia a mão das classes dominantes. É a mesma mão que está tascando os direitos sociais e econômicos obtidos com muita luta e sangue pela classe trabalhadora ao longo de anos. Uma mão que já não consegue mais aparentar ser invisível.

A mentira da revista Época

Por: Eliseu
A imprensa marrom do PIG não consegue se entender. Em reportagem publicada na edição de 28/5/2011 a revista Época, das organizações Globo, cita que a saúde da Presidenta Dilma havia piorado. "O 'foco de pneumonia' descrito no boletim médico no final de abril revelou-se mais pernicioso do que a sucinta comunicação oficial sugeria", publicou Época.
Agora vejamos a nota do Hospital Sírio-Libanês, que foi publicada também pelo jornal O Globo no mesmo dia 28/5/2011, que desmente a revista Época: "Na noite de 30 de abril de 2011, a Srª. Presidenta deu entrada no Hospital Sírio-Libanês com sintomas de tosse, febre e mal-estar geral. Foram realizados exames completos que incluíram sorologias, hemoculturas, exames gerais e tomografia de tórax. O diagnóstico final foi de uma broncopneumonia. A Srª. Presidenta foi tratada com os antibióticos Ceftriaxona e Azitromicina, com resolução completa dos sintomas. Os exames sorológicos específicos e culturas não identificaram o agente etiológico. Na mesma data, foram realizados exames de imagem e de sangue para controle do linfoma, todos com resultados negativos. A Presidenta Dilma continua em remissão completa do linfoma, e não há nenhuma evidência de deficiências imunológicas, associadas ou não ao tratamento do linfoma realizado em 2009.
Em 21 de maio de 2011 a Sra. Presidenta realizou tomografia de tórax de controle, mostrando resolução completa do quadro de pneumonia detectado no mês anterior.
Do ponto de vista médico, neste momento a Sra. Presidenta apresenta ótimo estado de saude".
As equipes que assistem a Sra. Presidenta são coordenadas pelos Profs. Drs. Roberto Kalil Filho, Paulo Hoff, Yana Novis, David Uip, Raul Cutait, Carlos Carvalho e Milberto Scaff, Julio Cesar Marino.
Que meus amigos leitores tirem suas conclusões!


Charge do dia

domingo, 29 de maio de 2011

Arquivos da ditadura no Brasil tornam-se Registro Memória do Mundo

"A rede de informação e contra-informação do período militar de 1964 a 1985 é composta por 17 fundos, considerados pela agência da ONU, essenciais à construção da história e regimes de exceção na América Latina na segunda metade do século 20, e para a proteção dos direitos humanos".
A Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco, informou que os arquivos da ditadura brasileira foram aceitos como Registro Memória Mundo 2011.O anúncio foi feito, na ultima quarta-feira, em Paris, sede da Unesco. A rede de informação e contra-informação do período militar de 1964 a 1985 é composta por 17 fundos, considerados pela agência da ONU, essenciais à construção da história e regimes de exceção na América Latina na segunda metade do século 20, e para a proteção dos direitos humanos.
Países Latino-Americanos 

Os documentos da ditadura fazem parte da coleção de vários arquivos públicos no Brasil. A informação também está ligada a outros países latino-americanos que sofreram os regimes militares como Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. 
Parte da informação aceita pela Unesco para se tornar Registro Memória do Mundo contem depoimentos de militantes de organizações clandenstinas e arquivos particulares. Os documentos podem ser acessados nos sites Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil e Memórias Reveladas.
O golpe militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente da República João Goulart deu início à ditadura brasileira, que durou por 21 anos no país.
Dois meses depois, em 13 de junho, foi criado o Serviço Nacional de Informações, SNI. Segundo o documento enviado para a inscrição na Unesco, das 4.841 penalidades oficiais impostas pelo regime militar, quase 3 mil foram baseadas em informações do SNI.
Além dos arquivos da ditadura, foram inscritos mais 44 itens de várias partes do mundo no Registro Memória do Mundo, da Unesco. Os arquivos da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, uma inscrição conjunta de oito países incluindo Brasil, Gana e Estados Unidos também fazem parte da lista.
Por: CMI Brasil

Continua batalha nos bastidores após convenção do PSDB

 

Nos bastidores, o embate entre serristas e aecistas vai continuar no PSDB apesar do acordo firmado na convenção realizada no sábado em Brasília. O presidente tucano reeleito, Sérgio Guerra (PE), irá conduzir o partido para garantir a candidatura do senador Aécio Neves (MG) ao Palácio do Planalto em 2014. No novo conselho político da sigla, o ex-governador José Serra (SP) terá a difícil tarefa de tentar influir em decisões como alianças, fusões e candidaturas. Uma nova candidatura é hoje um sonho distante.

Minutos depois do término da convenção, os dois grupos já voltavam a trocar farpas e minimizar ou aumentar o resultado obtido. “Não cedemos nada para o Serra. Foi um balde de água fria”, disse um integrante da ala mineira e agora majoritária. “A decisão sobre quem será candidato passará pelo conselho”, insistiu um paulista. Diante das câmeras de TV e flashes de fotógrafos, no entanto, o objetivo principal foi demonstrar unidade.

Mesmo ciente da sua força para derrotar Serra em qualquer tipo de votação dentro do partido, Aécio não queria realizar uma convenção sem a presença do paulista. Perderia a imagem de político conciliador. O ex-governador de São Paulo jogou pesado e ameaçou sair do partido mais uma vez - o que ele já havia feito em fevereiro. “Não foi uma, nem duas, mas umas 15 vezes que ele ameaçou sair”, contou um dirigente do PSDB ligado ao grupo de Aécio.

Ameaça de racha

Duvidando da palavra do ex-governador paulista, alguns aecistas toparam pagar para ver. Na quarta-feira, um grupo de 35 deputados fechou questão: não vamos ceder nada ao Serra. No mesmo dia, o deputado Marcus Pestana (MG) foi visto discutindo com o deputado Jutahy Júnior (BA) no plenário da Câmara. “Eles ameaçaram o racha”, confirmou Pestana.

Amigo de Serra há anos, Jutahy foi um dos tucanos que trabalharam para ele ocupar um cargo em que pudesse seguir na vida partidária e política. “Serra queria o conselho político. Mas, na primeira proposta (feita em abril passado), o conselho teria 20 membros. O órgão seria uma ficção”, explicou Jutahy.

O Conselho Nacional Político do PSDB já era previsto no estatuto do partido, mas as reuniões só podiam ser convocadas pelo presidente da sigla. No caso, Sérgio Guerra. Para atender ao desejo de Serra, era preciso mudar as atribuições do conselho.

Jutahy contou que a remodelagem do órgão voltou a ser estudada na quinta-feira, em Salvador, na Bahia. O governador de Goiás, Marconi Perillo, foi à cidade receber título de cidadão baiano e refez a proposta do conselho. “O Marconi fez proposta. Queríamos um órgão decisório. Levei para o Geraldo Alckimin (governador de São Paulo) com o consentimento do Serra”, disse Jutahy.

Negociação sobre ITV

O passo seguinte era convencer o grupo aecista a mudar o estatuto da sigla durante a convenção. Sem a garantia por escrito de como funcionaria o conselho na prática, serristas insistiam em manter o pleito pelo Instituto Teotônio Vilella (ITV). O ex-governador paulista não queria uma função figurativa com um conselho sem funções definidas. O ITV, porém, já havia sido oferecido ao ex-senador Tasso Jereissati (CE). Derrotado em outubro, ele hesitou em assumir o órgão, mas acabou convencido por Aécio e Guerra.

Apesar de ser vinculado à presidência do PSDB, o ITV tem estrutura e orçamento próprios de R$ 11 milhões por ano. Desconfiados, os mineiros achavam que Serra poderia criar um partido dentro do partido. Além disso, seria um duro golpe contra Tasso. Em março deste ano o próprio Serra havia rejeitado a proposta de presidir o ITV.

Na sexta-feira, as negociações voltaram a andar. De São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Alckmin e o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) negociaram em nome de Serra. A ala ligada a Aécio defendeu que FHC ficasse no comando do Conselho. Ele, contudo, convenceu os mineiros que a vaga devia ficar com Serra para que o acordo fosse firmado. Em entrevista ao Poder Online, o ex-presidente explicou como costurou o acordo.

Juntos, os três foram de avião para Brasília no sábado e dirigiram-se à casa do deputado Duarte Nogueira (SP), líder do PSDB na Câmara e fiel escudeiro de Alckmin. Lá, por volta das 11h, o martelo foi batido com Guerra, Aécio e o governador de Minas, Antonio Anastasia.

Conselho tucano

O texto final do estatuto do partido, documento que pode ser levado a instâncias judiciais, ficou da seguinte forma: “O Conselho Nacional Político irá colaborar com o Diretório Nacional e sua Comissão Executiva no exame e decisão de questões políticas relevantes de âmbito que lhes sejam submetidas especialmente às relativas a alianças políticas, processo de escolha de candidatos às eleições nacionais, fusão ou incorporação de partidos”.

O grupo será formado por seis membros. Um tucano experiente observou: “Com seis, tudo terá de ser feito por consenso. Não haverá um a mais para desempatar”. Para aecistas, o conselho é consultivo. Para serristas, o órgão terá função própria. Maioria no partido, o grupo do senador mineiro tem hoje mais condições de impor sua vontade.

Por: Último Segundo

Ben - Michael Jackson

Continua assassinatos de defensores da terra na Amazônia

Por: Rede Brasil Atual
Adelino Ramos, de 56 anos, vinha sendo ameaçado por madeireiros da região entre Lábrea, no Amazonas, e Vista Alegre do Apunã, em Rondônia. É a terceira morte em quatro dias

O agricultor Adelino Ramos, de 56 anos, foi assassinado na manhã desta sexta-feira (27) em Vista Alegre do Abunã, um distrito de Porto Velho, em Rondônia. Segundo informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Dinho, como era conhecido, foi alvejado por um motociclista quando estava em seu carro na companhia da esposa e de duas filhas. 
Ele chegou a ser socorrido em um hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Segundo a CPT, Ramos vinha sendo ameaçado há algum tempo por madeireiros da região. A pressão teria piorado após ações do Ibama que resultaram em apreensão de madeira extraída ilegalmente e de cabeças de gado.
Ramos era um dos sobreviventes do massacre de Corumbiara, ocorrido em 1995 em Rondônia, e integrava o Movimento Camponês de Corumbiara. Apontado pelos latifundiários locais como um dos líderes do movimento, o camponês passou a sofrer perseguições, assim como o filho, Claudemir Ramos, cuja história foi contada recentemente pela Rede Brasil Atual
Os dois chegaram a ser processados com base na investigação do Ministério Público Estadual, que por sua vez levou em conta a apuração conduzida pela Polícia Civil. Claudemir acabou condenado e, desde 2004, é dado como foragido. Adelino se livrou do processo, mas não das perseguições. Pai e filho não se viam há dez anos.
Em conversa telefônica realizada há dois meses, Dinho contou que vivia agora no Assentamento Agroflorestal Curuquetê, sediado em Lábrea, no Amazonas, próximo às divisas com Rondônia e Acre. Para ele, a ideia “inovadora” de cultivar alimentos e frutos que respeitassem a floresta vinha irritando fazendeiros da região. “Os bandidos, assassinos, invasores, destruidores da Floresta Amazônica ficam nervosos. Então se acirrou novamente o clima de perseguição em cima disso.”
Muito emocionado, Claudemir pediu para fazer uma declaração na qual cobra atenção à necessidade de lutar pela redistribuição de terras. "Fui fiel a vida toda ao movimento. Nunca traí a causa, nem meu pai, sempre lutamos pelas causas do povo. Essa questão da reforma agrária, tem muita coisa de errado acontecendo, quando o PT vai acordar para isso?"
Em nota, a Secretaria-Geral da Presidência e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República informaram que já foram feitos contatos com o governador de Rondônia e a Polícia Federal para que o crime seja prontamente investigado. 
O secretário-geral, Gilberto Carvalho, e a ministra Maria do Rosário indicaram que o governo não tolera esse tipo de atitude, que entra em conflito com o Estado democrático de direito. "Mais uma morte provavelmente provocada pela perseguição aos movimentos sociais. Essas práticas não podem ser rotina em nosso país e precisam de um basta imediato", indica o comunicado.
Segundo a CPT, um alerta havia sido feito a autoridades do Amazonas em 2010. Esta semana, a agricultora Nilcilene Miguel de Lima, também moradora de Lábrea e presidente da Associação Deus Proverá, denunciou que está jurada de morte por madeireiros da região.

No Pará, duas mortes

Esta é a terceira morte de camponeses notificada esta semana na Amazônia Legal. Na terça-feira (24), José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo foram executados na região de Marabá, no Pará. O casal foi morto a tiros em uma estrada vicinal que leva ao Projeto de Assentamento Agroextrativista Praialta-Piranheira, na comunidade de Maçaranduba 2, a 45 quilômetros do município de Nova Ipixuna, sudeste do estado. O Ministério Público Federal e a Polícia Federal foram acionados para investigar o caso. 

Charge do dia

sábado, 28 de maio de 2011

James Blunt - You're Beautiful

Trabalho escravo ainda faz 20 mil vítimas no país, diz MPT

Da: Agência Brasil

O Brasil ainda tem cerca de 20 mil trabalhadores que atuam em condição análoga à escravidão e os atuais métodos de combate à prática criminosa ainda não são suficientes para zerar a conta. Quem admite a situação é o Ministério Público do Trabalho (MPT) que lançou hoje (27) uma campanha nacional para sensibilizar a sociedade desse problema que persiste mais de um século depois do fim da escravidão no país. A campanha busca atingir empresários, sociedade e trabalhadores por meio de propagandas de TV, rádio e uma cartilha explicativa.

A ideia é mostrar que o trabalho escravo não se configura apenas pela situação em que o trabalhador está preso em alguma propriedade no interior, sem comunicação. “A legislação penal brasileira mudou em 2003 e incluiu condições degradantes de trabalho e jornadas exaustivas como situações de trabalho escravo. O trabalho escravo não é só o que tem cerceio de liberdade, pode ser psicológico, moral”, explica Débora Tito Farias, coordenadora nacional de erradicação do trabalho escravo do MPT.

Essa mudança na percepção está levando os órgãos fiscalizadores a encontrar novas situações de trabalho degradante também no meio urbano, como em confecções e na construção civil. A campanha pretende ajudar a sociedade a identificar e denunciar essas práticas. “A pressão social hoje é um fator muito importante em qualquer tipo de campanha. É importante que a sociedade perceba que a comida, o vestido pode ter um componente de trabalho escravo”, afirma o procurador-geral do Trabalho, Otávio Lopes.

Segundo o procurador, a compra de produtos que respeitem a dignidade humana deve ser vista da mesma forma que já ocorre com produtos orgânicos e com a preservação da natureza. Atualmente, uma lista do Ministério do Trabalho detalha os empregadores que submeteram trabalhadores à condição análoga a de escravo. Mais conhecida como lista suja do trabalho, a publicação tem hoje 210 empregadores listados.

Lopes afirma que o principal problema para zerar o trabalho escravo no Brasil é a reincidência, uma vez que muitos trabalhadores resgatados e não qualificados acabam voltando para a situação que tinham antes. “Quando tiramos aquela pessoa da situação de trabalho e não damos uma alternativa de qualificação, não estamos ajudando, estamos enganando.”

De acordo com o MPT, as parcerias para qualificação do trabalhador estão sendo firmadas com administrações estaduais e locais, de acordo com a necessidade econômica de cada região.

 

Charge do dia

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Demis Russos - Forever and ever

Procurador da República no PA: “Um guarda que mal sabe atirar é a proteção que temos”

“Caso estivesse sendo ameaçado, teria dificuldades para ter alguém do meu lado. A única proteção que temos é um vigia que mal sabe atirar”.

A afirmação não é de um camponês intimidado por madeireiros num distante assentamento da Amazônia, mas do principal responsável por apurar mais um caso de assassinato na região mais sensível do estado onde mais ocorreram mortes de lideranças rurais em conflitos do campo no país: o procurador da República em Marabá (PA), Tiago Modesto Rabelo.

O sudeste do Pará, região onde os extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva foram mortos na terça-feira 24, é o epicentro de conflitos no campo no país, que culminaram na morte de 621 pessoas nos últimos 25 anos, incluindo lideranças comunitárias como Dorothy Stang. A cada dez assassinatos de lideranças rurais ocorridos no país, mais de três aconteceram no estado.

Dados da Comissão Pastoral da Terra apontam ainda que, neste mesmo período, 1.614 indivíduos foram assassinados em todo o Brasil em conflitos no campo.

“A policia infelizmente não conta com efetivo para poder prestar esse tipo de serviço a todas as pessoas ameaçadas na região. É um problema de nível nacional, que nessas regiões mais carentes ocorre com mais frequência”, disse Rabelo em entrevista a Carta Capital.

E foi com a companhia de um vigia que “mal sabe atirar” em sua sala na sede do Ministério Público Federal em Marabá que ele atendeu a reportagem, por telefone, um dia após a morte dos ambientalistas

Intimidações

Tiago Modesto Rabelo diz não ter conhecimento das intimidações sofridas pelos líderes assassinados na véspera da entrevista. “No procedimento que existia aqui, em nenhum momento, eles colocaram nos autos que vinham sofrendo ameaças”, afirma o procurador.

Os ambientalistas mortos num assentamento da região de Marabá defendiam o manejo sustentável da floresta e denunciavam casos de extração irregular de madeira, desmatamento e carvoarias ilegais. Durante uma palestra, em 2010, José Cláudio registrou que queriam fazer com ele “a mesma coisa que fizeram” no Acre com Chico Mendes e com a irmã Dorothy.

Há cerca de um mês, a propriedade dos extrativistas teria sido invadida por um grupo, que disparou para o alto e contra animais.

Segundo o procurador, no entanto, o incidente não chegou ao MPF. “Se noticiaram esses fatos foi no âmbito das polícias”.

Segundo Rabelo, José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva se recusaram a entrar no Provita, programa de proteção a testemunhas da Secretaria Especial de Direitos Humanos. As informação foram rebatida pelo advogado da CPT José Batista Afonso, que trabalhava com o casal havia 10 anos. “Não conheço nenhum documento assinado por eles com essa negativa”, diz o advogado. “Sempre (as vítimas) diziam que precisavam de proteção”, afirma Batista, segundo quem as queixas eram apresentadas em órgãos como Ibama, Incra, Ministério Público Federal e Polícia Civil.

Nas acusações, o casal fazia menções a empresas que estariam retirando madeira ilegalmente, mas o Ibama não conseguia autuar indivíduos específicos pelos crimes ambientais.

Batista ainda afirma que as diversas denúncias dos ambientalistas jamais foram analisadas seriamente pelas autoridades. “O Ibama virava as costas, a Polícia Federal nunca indiciou nenhum dos madeireiros pelos crimes”, relata. “A responsabilidade das mortes recai sobre esses órgãos e o estado, que nunca fez uma investigação para prevenir os crimes”.

Bate-cabeça

No início de 2010, Rabelo solicitou à Polícia Federal uma investigação sobre eventuais irregularidades na região onde vivia o casal, mas ouviu que “os assuntos não eram de interesse federal”. Ele relata que teve de insistir para que o órgão iniciasse um inquérito.

Para o advogado da pastoral, “não há dúvidas de que a responsabilidade por essas ações é da PF, Ibama e Incra”.

Andamento do caso

A investigação do caso segue algumas teses, mas o vínculo direto dos assassinatos com as denúncias dos ambientalistas ainda não foi confirmado pelas autoridades. “Requisitei as investigações da Polícia Federal local, porque em tese é possível que haja essa ligação, mas temos que investigar. Nessa fase não há como afirmar isso em concreto”, reitera o procurador.

José Batista Afonso, no entanto, diz que não há vontade da polícia paraense em solucionar o crime. “Temos enfrentado muita dificuldade em avançar nas investigações no campo com a polícia. Há descaso, outros interesses envolvidos e, em alguns casos, relações políticas”, conta. “Fomos avisados de que Polícia Federal auxiliará nas investigações, mas até o momento não soube de nenhum delegado procurando informações”.

Do: Carta Capital

Em SP pedágio deixa transporte aéreo mais barato que de carro

Por: Eliseu

No Estado que vem sendo comandado por tucanos nos últimos 16 anos, São Paulo, a quantidade de praças de pedágio e o reajuste das tarifas levaram à uma situação no mínio curiosa. Em algumas regiões, viajar de avião fica mais barato que de carro, devido ao custo extra do pedágio.

O deslocamento de Campinas a Presidente Prudente, cidades distantes 557 quilômetros entre si, é um exemplo. A passagem aérea sai por R$ 99. De automóvel, o valor ficaria em R$ 138. O gasto com combustível fica próximo de R$ 73, se for álcool, e o de pedágios em R$ 65. Além de mais barato, o voo dura perto de uma hora e 30 minutos, ante sete horas de viagem de carro.

Para ir da capital paulista a Bauru (330 quilômetros) também é mais econômico o avião. A passagem aérea mais barata pode ser encontrada por R$ 65, contra R$ 88,33 de gasto com automóvel. Quase a metade, R$ 44,20, fica nos pedágios. O passageiro demora 58 minutos de avião e por volta de quatro horas de carro.

No trajeto de São Paulo a São José do Rio Preto, os gastos praticamente se igualam. De avião fica em R$ 119 e de automóvel R$ 120,59. Mais da metade dos gastos são de pedágio, R$ 61,50. A diferença mesmo é o tempo despendido. Cerca de uma 1 hora e 17 minutos no transporte aéreo, contra 5 horas e 30 minutos quando se vai de carro.

No valor das passagens aéreas não estão incluídas as taxas de embarque cobradas pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). As taxas variam de acordo com os serviços oferecidos no local de embarque. Em aeroportos classificados pela Infraero como categoria 3, como o de Bauru e de Presidente Prudente, a taxa é de R$ 13,44. Em São José do Rio Preto, Campinas, Ribeirão Preto e Uberaba, cujos aeroportos são categoria 2, a tarifa fica em R$ 16,23, e nos aeroportos de São Paulo, categoria 1, em R$ 20,66.

Sempre é  bom lembrar que nos impostos que pagamos já está incluído a construção e manutenção das estradas. Deixam ficar completamente intransitáveis para a sociedade aceitar pagar o pedágio mais facilmente. A velha desculpa: “É melhor pagar e transitar em estrada boa”. Mas é obrigação do governo manter as rodovias em bom estado, e sem pagamento de pedágio. Este é só mais um capítulo da corrupção sem limites que assola o Brasil. 

Ainda estamos bastante longe de sabermos cobrar nossos direitos.

Com informações da Carta Capital

Charge do dia

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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Boney M - Daddy Cool

Sarney Filho diz que vaias contra casal assassinado foram “grotescas”

Da: Carta Capital

No dia em que a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que anistia desmatamentos promovidos pelo país, dois líderes ambientalistas foram assassinados  no Pará por denunciarem supostas violações à floresta amazônica cometidas por grupos madeireiros.

A morte de José Cláudio Ribeiro da Silva e sua mulher, Maria do Espírito Santo da Silva, após emboscada em uma área do Projeto de Assentamento Agroextrativista Praialta-Piranheira, no sudeste do Pará, foi informada aos deputados, que debatiam o novo Código Florestal, por volta das 16h da última terça-feira 24, horas depois do crime.

Coube ao deputado José Sarney Filho (PV-MA), coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, ler em plenário um texto em solidariedade aos militantes:

“Ainda não chegou o momento de entramos nesta discussão sobre o Código Florestal que está sendo feita agora, nesta sessão. Infelizmente, eu estou assumindo esta tribuna para falar sobre uma tragédia que aconteceu…”

Sarney Filho esperava, conforme disse em entrevista, um “silêncio reverencioso” quando citou o nome das vítimas e declarações feitas por elas contra o desmatamento.

O que se ouviu, no entanto, foram vaias dos colegas da bancada ruralista e dos visitantes que se engalfinhavam na galeria da Câmara para acompanhar a votação. “Senhor presidente (da Câmara, Marco Maia), eu estou fazendo um discurso sério. Que história é essa, meus amigos? Eu não estou ferindo o direito pessoal de nenhum de vocês”, disse Zequinha Sarney, diante dos protestos feitos pelos “convidados” da Confederação Nacional da Agricultura, que, com café e petiscos, atraía a claque para reforçar os gritos por mudanças no texto.

“Eles vaiaram um duplo assassinato. É uma coisa sem sentido, promovida pelos interessados diretos no projeto, os beneficiados por essa modificação. Foi algo grotesco”, disse Sarney Filho. “Foi algo simbólico. Ficou claro que, durante a discussão do projeto, a vida humana é o que menos importava. Imaginava que fizessem um silêncio reverencioso, e que se lamentasse em solidariedade a morte dessas pessoas que eram muito admiradas”.

O deputado, que no dia seguinte à votação escreveu em seu site que a Câmara decidiu “espalhar ventos e vai colher tempestades” ao incentivar desmatamento, disse que jamais havia testemunhado uma pressão tão forte na Casa como a exercida pela claque ruralista. “Vamos até analisar se houve alguma irregularidade ou excepcionalidade nisso. Nunca tinha visto algo parecido em um dia de votação”.

Entre outros pontos defendidos pelos ruralistas – e pela claque patrocinada por eles – a versão final do projeto, aprovado ao fim do dia, retirou do governo federal a atribuição de regularizar o cultivo em áreas de proteção permanente e anistiou desmatamentos cometidos até 2008.

Algo que o casal assassinado não chegou a ver – e lamentar.

Dia da África: Um apelo à hipocrisia

Dia 25 de Maio. O dia em que se formou a Organização da Unidade Africana em 1963. É o dia em que a comunidade internacional recorda que África existe, e com egoísmo presunçoso, tenta coletivamente ganhar pontos promovendo todas as causas africanas enquanto perpetua os males que assombram os africanos.

Tornou-se moda, para tantos, serem vistos como campeões de uma caridade ou de uma ONG africana para as mesmas razões que apresentar um bebê negro ao colo, especialmente se a criança é fotogênica. Patrocinar uma criança africana ou adotar um bebé sub-sahariano atrae a atenção mais facilmente do que algum miserável das espeluncas de Mumbai, uma moça indesejada da Mongólia Interior ou de qualquer outra criança que teve a infelicidade de ter nascido no lado errado de alguma fronteira.

Mas quem, por exemplo, diz uma palavra sobre as crianças Sahraui, ou então do povo da Saara Ocidental, invadido e anexado pelo Marrocos em 1976 e negado o direito a ser nação? Quem aumenta a consciência pública sobre os milhares de línguas africanas –e simultaneamente de culturas– ameaçadas com a extinção quase numa base diária? Quem se importa que os governos ocidentais? Os mesmos que tiveram tantos dilemas sobre Saddam Hussein, negociam com regimes africanos não-democráticos, fazendo vista grossa aos seus abomináveis registos de Direitos Humanos?

Quem lê sobre as onze milhões de pessoas deslocadas nas África central e Oriental, -a pior crise de deslocação do mundo- causada pela violência por sua vez ventilada pelos poderes exteriores que continuam a desejar governar a África com uma política da divisão interna, enquanto espreitam os recursos do continente e subornam os gerentes das instituições que os controlam? Se corrupção existe em África, não é só porque os oficiais são corruptos, é igualmente porque foram corrompidos.

Mas de repente, beleza! É o dia 25 de Maio! É dia da África! E tantos vestiram a camisola da África e tiraram a poeira dos apontamentos do ano passado, fazendo umas alterações à peça de opinião e apoiando as Grandes Causas Africanas de 2009 (depois de terem passado sem dúvida um ano inteiro a escrever disparates sobre África, ou não terem escrito nada, ou terem feito comentários insultuosos e racistas contra Africanos).

Aqueles que assim fazem devem sentir especialmente envergonhados quando souberem que o Gabinete para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA em inglês) acaba de emitir um relatório que reclama ter recebido apenas 27 por cento dos fundos necessários para a sustentação da população em África central, um terço dos fundos necessários para criar a estabilidade em Somália, onde 40 por cento da população são dependentes do apoio alimentar e cujo capital hospeda meio milhão de refugiados que vivem nas circunstâncias mais chocantes.

Aqueles que lêem estas linhas pela primeira vez e que podem sentir-se surpreendidos sobre a falta na informação acerca da África no pacote diário de notícias? Que eles recebem, devem compreender que aqueles que costuram, editam e controlam esta informação decidiram há anos que África é e será vendida como um lugar escuro e perigoso com pessoas escuras e perigosas, não vivendo, mas existindo, com seca, guerras e fome, AIDS e malária e corrupção, ébola e mais corrupção. Uma causa perdida.

Aqueles que acreditam que África não é uma causa perdida mas que negam que os problemas existem são tão culpados como aqueles que perpetuam as situações que assombram os africanos através de práticas de corrupção e de atividades comerciais escuras.

A única maneira de dar algum significado ao Dia da África é enfrentar os fatos e definitivamente, de uma vez por todas, fazer algo, coletivamente, porque os problemas da África foram criados não somente por Africanos. Este processo deve começar com os meios de comunicação a fazerem seu trabalho, nomeadamente informarem, não espalhando boatos, desinformação e enganando o público, de modo que os cidadãos do mundo possam esperançosamente fazer algo para ajudar seus irmãos africanos, visto que é óbvio que as gerações dos nossos líderes não fizeram absolutamente nada para corrigir os erros da escravidão, do imperialismo e do colonialismo.

Do: Correio do Brasil