quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Cientistas dizem que consumo de açúcar deve ser controlado como cigarro e álcool

Terrible headacheTrês cientistas da Universidade da Califórnia (EUA), em artigo publicado na revista Nature, recomendam o controle do consumo de açúcar pela população, da mesma forma que é feito o controle sobre o consumo de álcool e cigarro. Os pesquisadores alegam que o açúcar está alimentando uma epidemia global de obesidade e contribuindo para 35 milhões de mortes todos os anos.

Segundo as Nações Unidas, as doenças infecciosas no mundo já foram superadas pelas doenças não-transmissíveis como diabetes mellitus, câncer e doenças do coração.

Robert Lustig, Laura Schmidt e Claire Brindis afirmam que os efeitos danosos do açúcar são semelhantes aos promovidos pelo álcool e que, por isso, seu consumo também deveria ser regulamentado pelas autoridades de saúde.

O consumo mundial de açúcar triplicou nos últimos 50 anos, após a adoção de dietas ocidentais que incluem alimentos de baixo custo e altamente processados. De acordo com os autores do artigo, o cenário chegou a tal ponto que os países deveriam regulamentar a taxação de produtos industrializados açucarados, limitar a venda de tais produtos em escolas e definir uma idade mínima para a compra de refrigerantes. 
No entanto, diferente do álcool ou do cigarro, que são produtos consumíveis não essenciais, o açúcar está presente em diversos alimentos, o que dificulta a sua regulação.

A obesidade não é o principal problema do consumo excessivo de açúcar. Cerca de 20% das pessoas obesas têm metabolismo normal e terão uma expectativa de vida também normal e aproximadamente 40% das pessoas com pesos considerados normais irão desenvolver doenças no coração e no fígado, diabetes mellitus e hipertensão arterial, de acordo com os cientistas. Além disso, a disfunção metabólica é mais prevalente do que a obesidade.

Comparativo entre os danos provocados pela exposição crônica ao álcool e ao açúcar:

Exposição crônica ao álcool Exposição crônica ao açúcar
Desordens hematológicas
Anormalidades eletrolíticas
Hipertensão arterial Hipertensão arterial (ácido úrico)
Dilatação cardíaca
Cardiomiopatia

Infarto do miocárdio (dislipidemia e resistência à insulina)

Dislipidemia Dislipidemia (lipogênese)
Pancreatite

Pancreatite (hipertrigliceridemia)

Obesidade (resistência à insulina) Obesidade (resistência à insulina)
Desnutrição Desnutrição (obesidade)
Disfunção hepática (esteatohepatite alcoólica) Disfunção hepática (esteatohepatite alcoólica)
Síndrome fetal alcoólica
Vício

Habituação e até viciação

Fonte: Nature, de 02 de fevereiro de 2012