quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Crueldade com animais e extração ilegal de areia em área do Exército

mafia_da_areia__b53df495aaUma reportagem da TV Vitória, que também foi publicada na Folha Vitória mostra a intensidade da impunidade que anda acontecendo no Brasil. Numa área do órgão que é responsável pela garantia da lei, da ordem e dos poderes constitucionais, o Exército Brasileiro, ocorrem graves crimes ambientais e de maus tratos a animais, além de sonegação fiscal, exploração de trabalho infantil e tráfico de drogas.

A reportagem da Folha Vitória diz que o terreno onde a extração ilegal de areia é feita é utilizado como área de treinamento pelo Exército. Os carroceiros são os responsáveis por extrair e transportar a areia nos veículos de tração animal. A ação acontece sem qualquer tipo de autorização.

“A pessoa interessada em extrair qualquer tipo de material mineral tem que entrar com um pedido de título minerário da área com o Departamento Nacional de Pesquisa de Produção Mineral (DNPM). A partir do momento que você obtém este título minerário, você entra no órgão ambiental solicitando a licença. Você só pode extrair qualquer material com licença ambiental. O órgão ambiental, ao emitir a licença, faz algumas exigências como uma medida de controle dos impactos causados por essa atividade”, explicou o especialista em licenciamento ambiental, Eduardo Venturini.

Ainda de acordo com a Folha Vitória, durante o dia é possível ter uma ideia de como o terreno do Exército está sendo devastado pela extração de areia. Uma verdadeira clareira foi aberta. São anos e anos de extração e tudo acontece à vista de todos.

exercito-brasileiro-5O terreno das Forças Armadas que dá acesso ao areal de Barramares é fechado pela vegetação. O local não tem cerca e os portões não ficam trancados. A fragilidade na segurança facilita a ação da rede criminosa.

A retirada do mineral acontece com maior intensidade durante a madrugada. O material extraído da área militar é amontoado nas ruas de chão batido às margens do terreno. Vias geralmente mal iluminadas que se transformam em verdadeiros depósitos.

Na Rua Fevereiro, é impossível transitar. As montanhas impedem a passagem de veículos e até de pedestres. Um trabalhador que acabava de voltar do areal acompanhado de seus seis filhos falou da diferença de preço entre a areia extraída ilegalmente e a vendida no mercado.

Ele contou que o tipo de areia que havia extraído era utilizado para bater laje e a caçamba do material custa R$ 150. “Essa areia é daqui da área do Exército. Na loja essa areia sai a mais de R$ 300”, contou à reportagem o trabalhador que não foi identificado.

O esquema é sustentado pela falta de fiscalização e pela impunidade. “A gente aciona a Polícia Ambiental, eles anotam a ocorrência e nada de aparecer”, disse um comerciante da região que não quis se identificar.

A Polícia Ambiental tem conhecimento da situação de Barramares. De acordo com o capitão Mattos, apenas em 2011, o batalhão registrou 58 ocorrências relacionadas à extração ilegal. Dessas, 50 são do município de Vila Velha.

Os materiais dos carroceiros são recolhidos, mas ele afirma que a legislação está a favor de quem pratica o crime. “A lei é branda. Para você ter uma ideia, a multa é de R$ 1,5 mil a R$ 3 mil por hectare. Extraem toneladas de areia e a quantia da multa é irrisória. A pena é um ano ou multa. Nesse caso, apreendemos o indivíduo, levamos para a delegacia e lá é feito um termo circunstanciado. Ele paga a fiança normalmente, se for o caso, e depois é liberado”, afirmou o policial.

Os animais também sofrem com a exploração. Imagens feitas no areal chocam pela crueldade e covardia com que um carroceiro age ao bater em um cavalo com uma vara. “As costas deles ficam em carne viva porque eles batem com a pá e não com o chicote. Eles usam a própria pá que eles extraem a areia para bater nos animais. Inclusive, quando bate assim, a gente, que é ser humano, chega a chorar”, disse o comerciante.

Ao assistir um vídeo, não ESQUEÇA de desligar a rádio clicando Stop.

Tanto a noite quando durante o dia é possível notar como o crime deixa rastros. Uma rotina para quem vive refém do areal de Barramares. E se o terreno parece estar abandonado pelo poder público, começam a aparecer candidatos a donos. Em uma disputa armada, traficantes loteiam a área militar.

“Alguns caras queriam dominar o pedaço para retirar areia, ameaçando os outros que querem pegar areia também porque vai muita família, crianças, mulheres. Então, alguns querem tomar conta do pedaço, andam armados e ameaçam dizendo que não podem ir porque eles estão lá tirando, para não atrapalhar o movimento deles. Lá dentro do areal rola venda de droga também”, revelou o comerciante.

E tudo isso sob o complacente olhar do poder público.

Por: Eliseu