sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Repressores temem repressão

Militares pedem que Dilma desautorize ministras

dilma-300x199Como se diz popularmente, pimenta nos olhos dos outros é refresco. Os militares que torturaram, fizeram a “caça às bruxas, rasgaram a constituição, mataram e fizeram toda sorte de maldade com a população, agora estão se “pelando” com qualquer declaração de autoridades que insinue a apuração dos bárbaros crimes cometidos durante o regime militar. Só para se ter uma ideia de como agiam, basta ver a excelente e extensa reportagem de Marina Amaral, da Agência Pública, “Conversas com Mr. DOPS”, o ex-delegado José Paulo Bonchristiano,  um dos últimos integrantes vivos do malfadado departamento de polícia, que é o bastante para deixar qualquer pessoa com náusea.

Agora, conforme publicou o portal CartaCapital, declarações das ministras Maria do Rosário (Direitos Humanos) e Eleonora Menicucci (Secretaria das Mulheres) sobre a ditadura militar e a Comissão da Verdade criaram um “mal-estar” entre o governo Dilma e parte dos militares.

Uma nota assinada pelos presidentes do Clube Naval, da Aeronáutica e Militar critica o fato de a presidenta Dilma Rousseff não ter desautorizado as duas ministras.

Em 8 de fevereiro, Maria do Rosário comentou em entrevista ao jornal Correio Brasiliense sobre a possibilidade de processos judiciais contra agentes repressores da ditadura militar, no que faz muito bem, a exemplo do que ocorreu em países vizinhos como a Argentina.

“Mais uma vez esta autoridade da República sobrepunha sua opinião à recente decisão do STF, instado a opinar sobre a validade da Lei da Anistia. E, a Presidente não veio a público para contradizer a subordinada”, diz a nota.

Em sua posse, Eleonora Menicucci fez referência ao tempo em que ela e Dilma foram presas políticas na mesma cela, quando lutavam contra a ditadura militar. A declaração também irritou os militares. Para eles, a militância de Menicucci tinha o intuito de implantar, por meio da força, uma ditadura “nunca tendo pretendido a democracia”.

programação_1detPor fim, a nota aponta que o PT cometeu uma falácia quando, ao divulgar as resoluções políticas tiradas em seu aniversário de 32 anos, o partido destacou o resgate da memória, junto à sociedade, da luta pela democracia durante a ditadura. “Pode-se afirmar que a assertiva é uma falácia, posto que quando de sua criação o governo já promovera a abertura política, incluindo a possibilidade de fundação de outros partidos políticos, encerrando o bi-partidarismo”.

Os militares se dizem “preocupados” (e com razão) com a ausência de manifestações da presidenta e cobram dela uma reaproximação com as posturas assumidas durante a posse, de estender a mão aos partidos e grupos de oposição que não apoiaram sua candidatura.

Aprovada no final do ano passado, a Comissão da Verdade não satisfez os militares nem os setores de esquerda e familiares de vítimas do período militar. Para eles, a comissão não tem recursos suficientes para apurar abusos de todo período proposto. Ao mesmo tempo, os clubes militares temem a penalização de agentes repressores e apelidaram a banca de “Comissão da Vingança”.

Os militares temem a penalização dos repressores. E os que foram reprimidos? Hein? Vamos continuar com esta “entalada” na garganta até quando?

Talvez quando todos os repressores já tiverem partido dessa pra outra, de velhice.

Por: Eliseu