terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Traficantes impõem “toque de recolher” em Serra, ES.

Está tudo invertido nesse nosso belo Brasil tropical, terra de palmeiras onde canta o sabiá (pelo menos cantava), de todos os santos, belas mulheres, carnaval, políticos corruptos e bandidos que circulam livre e impunimente.

Hoje está acontecendo na bela cidade que reside este blogueiro, Serra, ES, Região Metropolitana de Vitória, um “toque de recolher” após uma madrugada de baderna (que dizem ser manifestação), com depredação de patrimônio público, destruição de ônibus e enfrentamento com a polícia pela morte de um garoto de 14 anos em troca de tiros com a Polícia Militar, que apesar de não “ter passagem”, estava em um carro roubado na companhia de seis criminosos, altas horas da noite.

Conforme está noticiando a imprensa local, o carro em que estavam os sete jovens tinha restrição de furto e roubo desde o dia 24 de fevereiro. A PM tentou em vão parar o veículo que já vinha sendo perseguido por vários quilômetros, desde o Bairro São Marcos, para que as pessoas fossem detidas. Houve troca de tiros, foi feito um bloqueio na entrada do Bairro José de Anchieta, que eles furaram e conseguiram chegar em Jardim Tropical. A partir daí houve uma nova troca de tiros e duas pessoas foram baleadas. Duas fugiram e três foram presas, conforme disse o comandante do Comando de Polícia Ostensiva Metropolitano (CPOM), coronel Edmilson dos Santos. Segundo o coronel, os detidos já tinham passagem pela polícia. "Os três têm passagem por porte ilegal de armas, tráfico de drogas e roubo. O de 14 anos não tinha passagem pela polícia. Mas como um garoto de 14 anos, por volta das 23h, estava em um carro roubado? Eles tiveram chance de se render, isso não começou em Jardim Tropical", disse Edmilson dos Santos.

A família do garoto garante que ele não tinha envolvimento com o crime, mas não esclareceu o que ele fazia junto a criminosos. "A polícia atirou, atirou até matar meu sobrinho", declarou a tia, Elizabete da Penha Barroso. "Foi uma covardia o que fizeram. Uma covardia! O menino não fez nada com ninguém", completou Heloísa Helena Barroso, outra tia do adolescente. “Ele era um menino de ouro, todo mundo adorava ele. Eu sei que meu sobrinho nunca usou droga, nunca roubou, nunca matou e nunca fez mal a ninguém. Ele era uma criança. Há uns três meses atrás nós juntamos dinheiro e compramos uma mobilete para ele porque ele era um menino de ouro. Ele pegou uma carona e o carro era roubado”, comentou o tio Edson Gomes.

Com todo respeito à família do garoto morto, fato é que a população vem “pagando o pato” como sempre. Após o confronto entre policiais e moradores (ou uma parte deles) revoltados com a morte do garoto, durante a madrugada o clima era de tensão no bairro Jardim Tropical nesta terça-feira (28). Traficantes impuseram toque de recolher na região e comerciantes fecharam as portas das lojas do bairro no final da manhã. Segundo a polícia, o toque de recolher foi determinado por traficantes que agem no bairro.

Conforme informou a rádio CBN Vitória, a noite desta segunda-feira (27) foi de terror para os moradores do bairro Jardim Tropical, na Serra. O bairro amanheceu com duas escolas e um Centro de Educação Infantil fechados. Os comerciantes e os moradores estavam com medo após a ordem de toque de recolher imposta por traficantes na manhã desta terça-feira (28). Pelas ruas, havia placas de trânsito quebradas, madeiras queimadas e muito lixo. Alguns estabelecimentos comerciais abriram no decorrer da manhã. Mas, por volta de 12 horas, os comércios voltaram a fechar as portas por conta de um novo toque de recolher. Também o posto de saúde não funcionou.

Ainda durante a noite, depois do confronto e da morte do garoto, a população destruiu um ônibus e colocou fogo em pneus e madeira no meio da rua.

Só para lembrar, Toque de recolher é a proibição decretada por um governo ou autoridade, e não por bandidos.

Como diz o ditado popular, “diga-me com quem andas e eu te direi quem és”. Sem querer emitir juízo de valor, e com todo respeito à dor dos familiares, parece que nesse caso, mais uma vez a família só agiu (ou reagiu) após o fato. É lamentável!

Por: Eliseu