terça-feira, 10 de abril de 2012

Conselho de ética pode cassar Demóstenes

Grampos flagraram conversas do senador com o contraventor Carlinhos Cachoeira

Demostenes-torresO Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado abriu, na tarde desta terça-feira (10), processo disciplinar por quebra de decoro contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). Demóstenes terá dez dias úteis para se defender. O prazo será contado a partir da notificação da comissão.
O senador é suspeito de participar de um suposto esquema de exploração de jogos ilegais, como o jogo do bicho e máquinas caça-níqueis, comandado pelo empresário Carlos Ramos Araújo, o Carlinhos Cachoeira. A quadrilha, desmontada pela Polícia Federal na operação Monte Carlo, atuava em Goiás e no Distrito Federal.
Gravações feitas pela PF com o aval da Justiça revelaram a ligação entre o senador e o bicheiro e apontaram, inclusive, que Demóstenes recebia dinheiro de Cachoeira e atuava em favor de seus interesses no Congresso.

O relator do processo será decidido por sorteio, já que nenhum senador quis assumir o papel de julgar o colega. A escolha será feita nesta quinta-feira (12), às 10h. Embora, na prática, a investigação ainda nem tenha começado, o presidente do conselho, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) já admitiu que as chances de cassação são grandes.
”Olha, eu sou presidente da comissão, mas fiquei impressionado. Depois que 44 senadores, inclusive eu, manifestarmos confiança de que ele estaria fora dessas irregularidades, na realidade o que vimos depois é que havia um compartilhamento de ideias e de iniciativas entre o senador da República e um contraventor. O clima aqui no Senado, que antes era de torcida para que não fossem verdadeiras as acusações, hoje é de inteira decepção e frieza com o nome do senador Demóstenes Torres”.

Valadares, que tem 69 anos, assumiu o comando do conselho por ser seu mais velho integrante. Coube a ele o cargo depois que o peemedebista Vital do Rêgo (PB) negou o convite feito por seu partido para exercer a função.

A cadeira de presidente do Conselho de Ética está vaga desde setembro do ano passado, mês em que o senador João Alberto (PMDB-MA) deixou a Casa para ocupar um cargo no governo de Roseana Sarney, no Maranhão.

O senador Jayme Campos (DEM-MT), que era o vice-presidente do órgão e deveria assumir o posto, declarou-se impedido de julgar o colega, que era do DEM – na semana passada, sob pressão, Demóstenes pediu sua desfiliação.

Assim que assumiu o novo posto no Conselho de Ética, Valadares prometeu que não haverá nenhum privilégio para um ou outro senador.

“Qualquer representação que seja apresentada dentro do regimento em anuência aos trâmites legais não sofrerá nenhum bloqueio e não haverá qualquer tentativa de impedir sua tramitação, conforme o padrão desta comissão e também da minha vida pública”.

Os senadores da oposição Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Álvaro Dias (PSDB-PR) comemoraram a instauração do processo e lembraram que já estão colhendo assinaturas para abertura de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para investigar a ligação de outros parlamentares com Cachoeira.

Além do processo no Senado, Demóstenes é investigado também em um inquérito aberto no STF (Supremo Tribunal Federal).