sábado, 28 de abril de 2012

Da Série: Por que Serra está nervoso?

jose_serraAvalie as hipóteses desta semana pinçadas das páginas dos jornais diários:
I) a política social do ciclo Lula reduziu à metade a mortalidade infantil no país na década passada, informa o Censo de 2010 do IBGE. No Nordeste a taxa caiu 58,6% entre 2000 e 2010;
II) o governo Dilma acionou os bancos estatais e emparedou a banca privada entre a concorrência e a execração pública: os juros estão em queda sem que a inflação escape ao controle;
III) no primeiro trimestre, as cartas consultas para financiar investimentos industriais junto ao BNDES cresceram 37% em comparação com janeiro/março de 2011;
IV) um governo de coalizão entre bicheiro e tucanos foi flagrado em Goiás pela operação “Monte Carlo”, da PF. Carlinhos Cachoeira, em escuta da PF: “nós pusemos ele” (Perillo, fiel aliado de Serra no PSDB) lá (no Palácio das Esmeraldas);
V) sob a administração Kassab aumentou em 6% o número de moradores de rua em SP: de 13.66, em 2009, para 14.458, em 2011;
VI) faltam professores em 32% das escolas da rede estadual de ensino de SP, estado administrado há 17 anos pelo PSDB;
VII) Serra, 70 anos, em tom jovial: “Modéstia à parte, sempre fomos muito inovadores”. Por exemplo: ao assumir o governo do Estado em 2006, o tucano “inovou” nos serviços de desassoreamento do rio Tietê, interrompendo-os por quatro anos seguidos. A “inovação” pôs a perder R$ 1,7 bi em gastos realizados com a limpeza do rio durante os quatro anos anteriores. Hoje a meta do Estado é recuperar a vazão do Tietê existente antes de Serra assumir o governo, período em que 3 milhões de m³ de detritos se acumularam no leito do rio. O espírito inovador agravou a frequência e a gravidade das inundações na capital, cuja prefeitura Serra agora vai disputar.
Em setembro de 2009, por exemplo, mesmo fora da temporada de chuvas, uma tempestade naufragou São Paulo. Desde então, a cada verão o rio transborda. No ano passado, ao final de fevereiro, o Tietê já havia transbordado três vezes, o que levou o governo Alckmin a tomar a decisão de voltar a investir em obras de desassoreamento para recuperar uma vazão de 1.048 m³ por segundo. A mesma capacidade de sete anos atrás, quando Serra 'inovou'. Modéstia à parte.
PS: essas informações foram fornecidas aos jornais diretamente pelo governador Geraldo Alckmin, como se sabe um parceiro de Serra de longa data, a exemplo de Aécio Neves que esta semana, generoso, lembrou aos jornais que o amigo quer mesmo concorrer à Presidência - e, sim, claro, poderia, se eleito, abandonar novamente a Prefeitura de São Paulo para isso.

No: Carta Maior