quinta-feira, 12 de abril de 2012

Diabetes: Brasil está com excesso de peso

Cirurgia-bariátrica-diabetes-e-pesquisa-obesidade-pai-e-filhoTerça-feira, dia 10, foi divulgado pelo Ministério da Saúde um estudo segundo o qual quase metade dos brasileiros está acima do peso. Os dados se referem ao ano passado e indicam que 48,5% da população está com excesso de peso. Em 2006 o problema atingia 42,7%. A pesquisa é de responsabilidade do setor de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). O percentual de obesos subiu de 11,4% para 15,8% no mesmo período.

A análise dos números revela que tanto homens como mulheres são afetados. Entre os homens são 52,6% e entre as mulheres 44,7%.

Estes números devem ser observados com muita atenção e servem mais do que como alerta, mas como uma sinalização de que algo deve ser feito de imediato. Sabemos das graves consequências para a saúde que a obesidade acarreta. Dentre eles, o diabetes. O que me faz recordar recente estudo de pesquisadores da Cleveland Clinic, dos EUA, que aborda a relação entre a cirurgia bariátrica e o diabetes.

De acordo com o cirurgião Philip Schauer, da Cleveland Clinic, “o estudo demonstra que a cirurgia bariátrica pode eliminar a necessidade de medicamentos para diabetes em pacientes obesos que têm a doença mal controlada.”

Ainda que ainda não possa ser caracterizada como uma “cura”, os estudos mostram que a cirurgia proporcionou melhoria no funcionamento dos corações, incluindo menor pressão arterial e redução do colesterol. O estudo foi publicado no The New England Journal of Medicine e apresentado nas Sessões Científicas Anuais da American College of Cardiology, em Chicago.

Cirurgia-bariátrica-diabetes-e-pesquisa-obesidade-estomago-150x150Alguns dos pacientes acompanhados puderam suspender o consumo de insulina no controle do açúcar. A perspectiva é de, com essa descoberta, seja aberto um novo caminho no tratamento da diabetes, especialmente naqueles  em pacientes  em que os medicamentos já não se mostram eficazes.

Mas, o mais importante, como falamos sempre, é manter hábitos saudáveis, para fugir das doenças. Infelizmente os brasileiros não têm caminhado neste sentido. Muito pelo contrário.

Segundo a pesquisa do Ministério da Saúde, o problema começa cedo nos dois sexos. Entre os homens de 18 e 24 anos alcança 29,4% e entre as mulheres na mesma faixa, chega a 25,4%. A situação é mais grave na faixa dos 35 aos 45 anos masculino, com 63%. No caso das mulheres, entre 45 e 54 anos, chega a 55,9%.

Quando se trata de obesidade, o percentual das mulheres é um pouco superior ao dos homens na faixa de 18 a 24 anos. Elas ficam com 6,9% e eles com 6,3%. A pesquisa  entrevistou 54 mil adultos das 26 capitais e Distrito Federal durante todo o ano de 2011.

A pesquisa expande sua abrangência ao questionar hábitos da população, como tabagismo, consumo abusivo de bebidas alcoólicas, alimentação e atividade física. A realidade não é boa, como ressaltou em entrevistas o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa.  Um dos fatores negativos e que contribui para a obesidade é a crescente substituição da água pelos refrigerantes.

Cirurgia-bariátrica-diabetes-e-pesquisa-obesidade-barrigas-gordas-150x150A pesquisa Vigitel mostra como fator de risco para a saúde o grande consumo de refrigerantes, carne e leite integral (com gorduras). “Os brasileiros têm trocado a água pelo refrigerante, o que prejudica demais a saúde”, destacou Barbosa. Além disso, foi comprovado que quem tem mais 12 anos de escolaridade consome mais hortaliças e menos leite com alto teor de gordura. “As regiões Norte e Nordeste apresentam percentual menor de adultos que consomem porções diárias de frutas e hortaliças”, disse o secretário. Como ponto positivo, a redução do tabagismo, particularmente entre os homens. Hoje a maioria das capitais está abaixo da media nacional geral de consumo de cigarros.

Portanto, vamos fazer nossas partes. Vamos dar atenção às nossas alimentações, consumir mais frutas, menos doces; mais legumes e verduras, menos produtos industrializados, menos carne vermelha, menos sal, mais água, menos refrigerante, menos sedentarismo, mais exercícios. Com certeza podemos. É uma questão de decisão.

No: Jornal do Brasil