sábado, 19 de maio de 2012

Caos no transporte público de SP aviva debate eleitoral

Acidente no Metrô esta semana despertou candidato do PT; “PSDB promoveu o apagão dos transportes”, atacou; ex-governador tucano classificou crítica como “exploração eleitoral”; governador Alckmin e senadora Marta entraram na briga; situação é como se vê acima

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A campanha eleitoral para prefeito de São Paulo, em razão, literalmente, de um acidente de percurso, começou a pegar fogo. O choque de trens ocorrido na linha 3 do Metrô,  na quarta-feira 16, teve o poder de desalinhar os discursos e colocar frente a frente, com posições diametralmente opostas, os candidatos Fernando Haddad, do PT, e José Serra, do PSDB.

Desta vez, Haddad teve reflexo político e foi o primeiro a contextualizar o acidente que não deixou vítimas fatais, mas provocou pânico e levou cerca de 100 pessoas aos hospitais da região Leste. “Tem havido cortes nos recursos de manutenção, segurança e atualização de equipamentos”, disse o ex-ministro, que relacionou o choque entre uma composição e um vagão parado com o desmoronamento, em 2007, das obras da estação Pinheiros. Aquele acidente provocou a morte de sete pessoas. Em artigo ao 247, a senadora Marta Suplicy se somou às críticas do candidato. “Desde 2007, foram quase 100 panes nas linhas do metrô e 124 nas linhas ferroviárias da CTPM”, contabilizou. “A verdade pura e simples é que a situação do transporte público em São Paulo é de caos completo”, completou (leia artigo aqui).

De pronto, Serra, bem ao seu feitio, não quis enfrentar frontalmente a questão e procurou adequá-la ao seu discurso de superioridade. “Não faremos comentários, pois consideramos que acidentes não se prestam à exploração eleitoral”. A manifestação soou como algo do tipo “não contem comigo para debater agora as causas do ocorrido”, em razão da falta de compromisso em tratar de um fato, sem dúvida, importante para a cidade. Num momento anterior, Serra, ainda timidamente, tocou de modo transverso na questão dos investimentos públicos em Transportes. “Na Cidade do México, quem faz o metrô é o governo federal. Aqui é o Estado e a Prefeitura”, disse, reclamando. Haddad não ficou calado: “Lula e Dilma nunca se recusaram a atender nenhum pedido de Serra e Alckmin. É que eles não querem o governo federal em São Paulo, porque têm mentalidade tacanha”.

Nas contas divulgadas pelos petistas, as últimas administrações tucanas, incluídas as de Serra no governo e na Prefeitura, entregaram 25 quilômetros de linhas. Segundo informa o jornal Folha de S. Paulo, a campanha de Serra determinou a distribuição de tabelinhas com valores de investimentos feitos pelos tucanos no Metrô e na Companhias Metropolitana de Trens Urbanos como munição para rebater os ataques petistas.

Nessa briga, o governador Geraldo Alckmin resolveu entrar de sola. “O PT não colocou nenhum centavo no sistema de transportes de São Paulo. Nenhum centavo”, repetiu. “O PT só tem crítica e aleivosias como essa”. Ele adotou a seguinte linha de argumentação: “Lamento que a política venha para essa baixeja eleitoral. (É uma tentativa) de tirar casquinha de quem não contribui com nada para o sistema metroferroviário”, disse.

A guerra de números, de adjetivos e de propostas promete ser um dos temas dominantes da campanha, talvez o principal.

No: Brasil 247