terça-feira, 15 de maio de 2012

Destino de Demóstenes é selado por depoimentos de delegados da PF

cachoeiraTerminou no início da tarde desta terça-feira o depoimento sigiloso de quase três horas ao Conselho de Ética do Senado, dos delegados da Polícia Federal responsáveis pelas Operações Vegas e Monte Carlo. Eles confirmaram a ligação do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Parlamentares que integram o conselho disseram aos jornalistas, ao final da sessão, que os depoimentos de Raul Alexandre de Souza e Matheus Mela Rodrigues comprovaram que Demóstenes usou o mandato para defender interesses de Cachoeira no Congresso, assim como mantém uma relação de “intimidade” com o empresário do ramo de jogos.

Isso fica claro (no depoimento dos delegados). A ação (de Cachoeira) era na defesa de seus interesses em órgãos públicos – disse o relator do processo no conselho, senador Humberto Costa (PT-PE).

Segundo os delegados, as interceptações telefônicas das duas operações flagraram 416 conversas diretas entre Demóstenes e Cachoeira (63 na Operação Vegas, que terminou em 2009, e outras 353 na Monte Carlo). Outros 292 diálogos foram interceptados pela PF nas conversas entre integrantes da “organização criminosa” que citam Demóstenes. Em uma dessas citações, o tesoureiro da suposta quadrilha comandada por Cachoeira, Gleyb Ferreira da Cruz, informa estar na porta da residência de Demóstenes esperando para entregar R$ 20 mil ao parlamentar.

Em outra escuta autorizada pela Justiça, Cachoeira fala com Cláudio Abreu, diretor afastado da empresa Delta, sobre a entrega de R$ 1 milhão ao “professor”, que seria Demóstenes. Segundo os integrantes do conselho, todas as revelações dos delegados são baseadas nas interceptações telefônicas da PF nas duas operações. Eles negaram que o senador tenha sido alvo das investigações ao afirmarem que, por ser citado indiretamente em alvos da polícia, acabou sendo flagrado pelas escutas.

A defesa de Demóstenes ainda tenta anular no Supremo Tribunal Federal (STF) as escutas telefônicas por considerá-las ilegais. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, alega que seu cliente tem “foro privilegiado”.

O senador só poderia ter sido investigado com autorização do Supremo. Tivemos hoje a prova inquestionável de que um senador ficou durante meses sendo investigado de forma ilegal, disse o advogado.

No depoimento, os delegados também confirmaram que Cachoeira presenteou Demóstenes com um rádio Nextel para conversas exclusivas seguindo uma orientação de um dos membros da “organização criminosa” de que o aparelho seria imune a grampos telefônicos.

De acordo com os integrantes do Conselho de Ética, a situação de Demóstenes ficou muito mais complicada com os depoimentos dos delegados.

Está claro que o senador atuava para fazer lobby em favor do Cachoeira no Congresso. Isso está claro pelo intenso número de ligações, afirmou o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

No: Correio do Brasil