domingo, 13 de maio de 2012

Marconi Perillo, o “sério”

Brada Marconi: “Quero ver alguém mais sério que eu”

Vídeo na internet mostra o governador de Goiás, no centro das ligações perigosas com Cachoeira, desafiando todos os prefeitos do País, todos os governadores e até a presidente Dilma. Com ironia no discurso, desafia: “Quero ver se aguentam uma CPI”

get_imgO governado de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), fez mais do que propor a CPI das Empreiteiras, durante discurso inflamado em Catalão, neste sábado, 12. Vídeo disponível na internet mostra que, para provar que tem “as mãos limpas”, desafia “qualquer um” a mostrar “qualquer vírgula” contra as obras de sua administração. Garante: nada há contra ele. Mas e contra empreiteiras, prefeitos, governadores e até a presidente Dilma? Aí entra outro desafio, em tom de ironia: “...Mas eu quero saber se os outros aguentam uma CPI.”

“Vamos quebrar sigilo bancário de todas as empreiteiras, de todos os prefeitos, governadores, presidente da República, vamos fazer uma coisa séria, aí a gente moraliza este país, e eu topo, quero ser o primeiro a ser investigado”, continua Marconi, ao que parece se dispondo a fazer duas coisas pelas quais vem sendo cobrado nas últimas semanas: 1) ir à CPMI, mesmo que outros governadores não queiram ir e seu partido proteste; 2) abrir seus sigilos bancário e fiscal, para justamente deixar claro que a defesa intransigente que tem feito da moralidade não é uma moralidade de discurso.

Marca registrada de sua ação política, Marconi voltou a dar ênfase à sua moralidade irretocável. “Pode ter gente mais concentrada e mais séria na administração... eu quero ver alguém mais do que eu, mais comprometido. Por isso eu pedi ao Gurgel (Roberto Gurgel, procurador-geral da República): ‘Me investigue. Porque eu quero depois ter uma certidão de que eu sou limpo, tenho as mãos limpas e trabalho pelo bem das pessoas”.

O discurso do tucano em Catalão é parte de sua nova estratégia de defesa: o ataque. Daí bater geral, como que a avisar: se eu cair, muita gente vai junto. Ou: eu sou uma bomba ambulante; ou me salvam ou vou explodir geral.

Um dos questionamentos que vêm sendo feitos ao governador tucano tem a ver com a venda de sua casa, curiosamente onde foi preso o contraventor Carlinhos Cachoeira. Ele diz que a vendeu para o empresário Walter Paulo, mas os cheque que recebeu em pagamento são de um sobrinho de Cachoeira. E o dinheiro para a quitação do imóvel, que era financiado? Outro ponto em aberto.

Nas gravações da Polícia Federal, dentro da Operação Monte Carlo, há ainda inúmeras evidências de negócios realizados no governo com a autorização de Marconi Perillo. Sem falar nas nomeações de Cachoeira na administração estadual, na relação de proximidade dele com auxiliares diretos do tucano, e na amizade alimentada pela troca de 200 SMS entre Marconi e seu braço direito, Wladimir Garcez, que era também do PSDB e, talvez por acaso, foi o intermediário da venda da casa. Casa? De novo a casa? Pois é.

No: Brasil 247