terça-feira, 8 de maio de 2012

Processo contra Demóstenes é aberto no Conselho de Ética

Demostenes-TorresO Conselho de Ética do Senado abriu nesta terça-feira 8 um processo para investigar as ligações entre o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Relator do processo, o senador Humberto Costa (PT-PE) acusa Demóstenes de mentir no plenário em 6 de março. Demóstenes afirmou naquele dia que, apesar de ser amigo de Carlinhos Cachoeira, atuava contra a legalização dos jogos de azar no país. Segundo o relator, a fala do senador não condiz com a atuação dele, que em diversos momentos teria votado favoravelmente à legalização dos jogos.

“A afirmação de militância contrária à legalização dos jogos de azar (feita por Demóstenes) se mostra uma inverdade, verificada no curso de sua atuação parlamentar”, diz Costa em seu relatório. Apesar de não ser uma prática incomum, mentir em plenário é quebra de decoro parlamentar e pode levar à cassação.

A partir dessas constatações, o relatório aprovado por unanimidade pede a investigação das ligações entre o senador e o bicheiro.

Citado em gravações da Polícia Federal, conforme o inquérito hoje nas mãos do Supremo Tribunal Federal, Demóstenes é alvo também na Comissão Parlamentar de Inquérito recém-instaurada no Congresso.

Votação às escuras pode salvar Demóstenes

A partir de agora, o Conselho deve analisar o mérito das denúncias já apresentadas. Depois, os integrantes do colegiado decidirão se o processo deve resultar na perda do mandato de Demóstenes. O processo é enviado ao plenário da Casa se os senadores decidirem pela cassação.

Com a votação às claras no Conselho, é improvável que algum senador queira sujar sua imagem como um salvador de Demóstenes.

A maior chance dele se salvar ocorre no plenário da Casa. A votação final para a cassação depende da decisão por voto secreto da maioria dos senadores. Às escuras, os parlamentares podem simplesmente rejeitar a cassação sem nenhum prejuízo às suas imagens.

Até hoje, apenas o senador Luiz Estêvão (então no PMDB-DF) foi cassado na Casa pelos colegas – ainda assim, a votação secreta foi violada pela bisbilhotice dos então senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (na época no PSDB-DF).

No: CartaCapital