domingo, 13 de maio de 2012

Serra diz que Dilma o copia no que faz de bom

Em entrevista, candidato tucano à prefeitura de São Paulo confere tom nacional à disputa na maior cidade do Brasil e deixa no ar a possibilidade voltar concorrer à presidência da República, mesmo que seja logo daqui a dois anos, em 2014

jose-serraNeste domingo, o jornal Estado de S. Paulo traz uma entrevista reveladora com o tucano José Serra, que lidera as pesquisas para a prefeitura de São Paulo, com 31% das intenções de voto, segundo o Ibope.

Político derrotado em duas eleições presidenciais, para Lula em 2002 e Dilma Rousseff em 2010, Serra é claramente uma pessoa ainda obcecada com o Palácio do Planalto. E mesmo ao falar da disputa local, ele confere a ela um caráter nacional. “São Paulo é uma cidade com receitas de município e problemas nacionais”, disse ele aos jornalistas Alberto Bombig e Bruno Boghossian.

Serra não descartou totalmente a possibilidade de concorrer novamente à presidência em 2014. Ao ser perguntado sobre o que faria se houver um clamor para que ele seja candidato, Serra não fechou as portas, como fez em 2004, chegando até a assinar uma promessa em cartório de que permaneceria os quatro anos na prefeitura. “Eu não pensei nisso porque eu estou com o propósito de me eleger prefeito e governar quatro anos. Não creio que vá haver um clamor”, disse ele.

O candidato do PSDB também acredita que, sua campanha em 2010, condicionou o comportamento do governo Dilma. “Muitas das coisas que o governo faz, sem dúvida, foram resultado da minha campanha”, disse ele. “Juros, infraestrutura, mesmo a questão da liberdade de imprensa”.

Ele estaria então sendo plagiado por Dilma? “Eu não acho que, na vida pública, cópia seja plágio. Cópia, se bem feita, de maneira honesta e não eleitoreira, é uma virtude.”

São Paulo

Sobre os problemas da cidade de São Paulo, Serra falou relativamente pouco. Disse que os problemas da mobilidade urbana se resolvem com uma “teia de trilhos por baixo da cidade”, defendeu uma campanha nacional contra o crack, criticando a postura “hesitante” do governo federal e, por fim, elogiou a gestão do prefeito Gilberto Kassab. Disse que problemas na sua avaliação estão relacionados à criação do PSD, que demandaram muito tempo do prefeito fora de São Paulo. “Mas é uma sensação, porque, de fato, o Kassab trabalhou muito na administração da cidade”, disse Serra.

Sobre as pesquisas em si, que o apontam como favorito, Serra adotou um discurso cauteloso, longe do “já ganhei”. “Todo político tem que ser meio paranoico”, disse ele.

No: Brasil 247