sexta-feira, 29 de junho de 2012

Covardia com cão em Linhares/ES

Por: Eliseu

Um crime brutal contra um cão ocorrido em janeiro deste ano só foi divulgado hoje. O vídeo estava “perdido” no You Tube, com pouco mais de 300 visualizações, isso após a divulgação pela TV Gazeta.

De acordo com o portal G1/ES, a polícia vai investigar o homem que agrediu e matou um cachorro com um facão, em janeiro de 2012, no distrito de Povoação, em Linhares, região Rio Doce do Espírito Santo. A dona do cachorro diz que o ex-marido matou o animal. O homem assume o crime e alega que o cão comeu galinhas de sua casa. De acordo com o delegado Fabrício Lucindo, o suspeito foi intimado e vai depor no Departamento de Polícia Judiciária (DPJ) de Linhares na próxima semana.

A autônoma Paola Carvalho conta que não estava em casa no momento em que o ex-marido entrou e agrediu o cachorro. “Já estamos separados há mais de um ano, sem muito contato. Não estava em casa, minha filha me ligou dizendo que ele invadiu o quintal com um facão. Ele fala que fez isso porque o cachorro comeu umas galinhas dele, mas meus bichos só comem ração, não comem nem comida. Meus filhos viram, toda vizinhança viu. Meu filho de 5 anos ficou chorando e gritando por duas semanas, teve que ir ao psicólogo porque ficou traumatizado”, explica.

O homem se defende e diz que deu outro animal para o filho para compensar a perda. “O cachorro comeu 15 cabeças de galinhas minhas, e ele estava doido, fiz isso em defesa dos meus filhos, porque ele poderia atacar as crianças e toda a vizinhança. Já até dei outro animal para o meu filho”, alega a besta humana que trabalha como motorista, Luzenilton dos Santos.

Luzenilton, além de ser um covarde que pega um animal conhecido, de estimação, que sabe não vai reagir e faz uma barbaridade dessas, é um tremendo mentiroso. Onde cabe tanta galinha na barriga de um cachorro?

O crime aconteceu em janeiro, mas só chegou ao conhecimento da polícia nos últimos dias, com a divulgação do vídeo. “Não houve nenhum registro, ou queixa, quando aconteceu o fato em janeiro. Só agora tivemos o conhecimento com o vídeo”, disse o delegado Fabrício Lucindo. A pena para o agressor pode ser de 3 meses a 1 ano. Pena muito leve. Vejamos se as ong’s de proteção à animais tem algo a fazer. E a dona do cão deveria também ser responsabilizada por não ter prestado queixa do crime.

Charge Online do Bessinha # 103

Bessinha #103

Serra/ES: incompetência na saúde de humanos e de animais

Por: Eliseu

Nem bem começou a campanha eleitoral para prefeitos e vereadores, e a demagogia e o uso da máquina pública já está a pleno vapor. Pelo menos aqui em Serra, Região Metropolitana de Vitória, administrada (?) por Sérgio Vidigal.

É de impressionar a cara de pau desse ardiloso político que conseguiu um altíssimo índice de votação nas últimas eleições, utilizando ele e sua esposa Sueli Vidigal de artimanhas mais que manjadas, mas que infelizmente ainda dão certo no Brasil, e em especial aqui em Serra, que apesar, e por ser uma das mais ricas cidades do estado atrai grande número de migrantes, principalmente do Sul da Bahia em busca de uma vida melhor, e chegando aqui, sem estudo, sem formação profissional, acabam se amontoando pelas invasões que são promovidas pelos próprios políticos, tornando-se vítimas fáceis de compra de voto. (veja vídeo).

Vidigal tem gastado uma verdadeira fortuna com inserções diárias na mídia com propagandas enganosas, dizendo que fez o que não foi feito. Não satisfeito, mandou confeccionar um livreto “Guia de Saúde da Serra”, como se houvesse uma política séria de saúde aqui.

O objetivo deste post era falar sobre a inexistente política de proteção à animais na cidade, após tomar conhecimento que uma médica veterinária teria dito a um jornal local que o aumento de proliferação de cães abandonados nas ruas da cidade é por causa da posse irresponsável. Não é só por “posse irresponsável”. Começa com a irresponsabilidade da prefeitura, no caso a de Serra que deveria ser administrada por Sérgio Vidigal; passa pela irresponsabilidade de pessoas como essa médica veterinária, que em vez de ficar levantando teses que a burguesia tanto gosta, deveria começar a fazer sua parte e dedicar algum tempo para serviço voluntário de castração; falta de esclarecimento à população e leis mais rígidas para proteção à animais.

Entretanto, quando se puxa pela memória e arquivos recentes e outros nem tanto assim, vê-se que aqui na cidade de Serra, é utopia falar em política de proteção à animais, quando sequer existe uma política para humanos. Para não dizer que nada existe com relação à saúde animal, existe sim o Centro de Controle de Zoonoses, que gasta uma bela quantia do erário público inclusive para contratação de médicos veterinários, apenas para assassinar animais.

O demagogo prefeito Sérgio Vidigal, que tem como formação a medicina (pelo menos é o que ele afirma), já no seu terceiro mandato e tendo eleito seu sucessor ao término do segundo mandato, Audifax Barcellos que logo após passou-lhe uma rasteira bem ao estilo dos pilantras que são, nunca cuidou da saúde. Prefere desperdiçar água potável jogando nos gramados da cidade, que aliás, junto com distribuição de cesta básica com dinheiro da prefeitura em troca de votos em época de eleições é a única coisa que sabe fazer.

Quanto à saúde, fala-se muito, gasta-se muito com publicidade, mas na prática o que se vê é um verdadeiro desrespeito, com falta de medicamentos da cesta básica do SUS, pessoas morrendo em unidade de Pronto Atendimento e que precisava de transferência para UTI de um hospital, mas não solicitou vaga a tempo.

Sendo assim, fica difícil cobrar uma política de proteção à animais. Talvez fosse melhor a população aproveitar o poder do voto, e extirpar esse tipo de político de circulação.

Kassab não cumpre metas e é criticado

Pré-candidatos à prefeitura de SP criticam “fracasso” de Kassab em balanço de metas. Cumpriu apenas 36,3%

No: Rede Brasil Atual

image_previewClassificado de desumano, tacanho e fracassado, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) foi o principal alvo das críticas dos pré-candidatos à prefeitura de São Paulo, durante balanço do programa de metas promovido pela ONG Rede Nossa São Paulo, hoje (28), na capital paulista. Os pré-candidatos Carlos Giannazi (PSOL), Fernando Haddad (PT), Gabriel Chalita (PMDB) e Soninha Francine (PPS) participaram do evento e se comprometeram a participar do balanço do programa de metas da futura gestão, caso sejam eleitos. José Serra (PSDB), Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT), e Celso Russomano (PRB) não compareceram.

A seis meses do final do mandato, Kassab cumpriu apenas 36,3% das ações previstas no Programa de Metas da prefeitura. Das 223 metas propostas, Kassab conseguiu colocar em prática 81. De acordo com o balanço da Nossa São Paulo, 141 metas estão em andamento e uma não foi iniciada. Entre as metas não cumpridas, estão as principais promessas de campanha de Kassab, como a construção de três novos hospitais, o fim da fila por vagas em creches municipais e a criação de corredores de ônibus na cidade.

Para o pré-candidato do PSOL, Carlos Giannazi, a prefeitura fracassou no atendimento às demandas sociais. Ele também acusou o prefeito de superfaturar obras de operações urbanas e de defender empreiteiras e construtoras na cidade. “No início do mandato de Kassab, o Secovi (sindicato das construtoras) apresentou propostas para o plano urbanístico de São Paulo. Eles ditam política urbana para a cidade”, criticou.

Ele defendeu um choque de democracia na administração municipal, com participação efetiva dos movimentos sociais nos conselhos municipais e eleições diretas para as subprefeituras. “Na gestão Serra, ele indicava prefeitos de outras cidades para as subprefeituras. Agora são coronéis da reserva. Nem um, nem outro, tem de ser por eleições diretas”, propôs.

Fernando Haddad criticou a ausência do prefeito e do pré-candidato José Serra. Ele sugeriu à Rede Nossa São Paulo o aprimoramento de alguns pontos no plano de metas, com diferenciação de metas mais complexas das mais simples. “Metas que não têm a mesma importância para a sociedade, no formato atual, acabam tendo o mesmo peso”, disse. Ele também criticou o fato de a prefeitura considerar parte das metas atingidas eventos como reuniões e definições burocráticas. “Dizer que 90% de uma meta está cumprida, com base em reuniões, se a construção que é a última e principal etapa de um hospital não foi realizada é um erro.”

Voltado à defesa de seus planos de governo, Haddad apresentou os quatro eixos de sua campanha: moradia, saúde, educação e transporte público. Os pontos serão articulados na lógica de um novo tempo para São Paulo. “O tempo é nosso bem mais escasso, passamos muito tempo no trânsito, na fila dos hospitais e falta tempo livre para educação e lazer”, descreveu.

Corrupção

Soninha Francine defendeu ações sustentáveis e recordou projetos que ela apresentou durante seu mandato de vereadora e quando esteve à frente da subprefeitura da Lapa, na gestão de José Serra à frente da prefeitura de São Paulo. Além de propor um plano de ciclovias por distrito, Soninha disse que é preciso reduzir a distância que os paulistanos percorrem da casa para o trabalho.

Questionada pela reportagem, a pré-candidata atribuiu nota 5,5 ao desempenho do prefeito. Segundo ela, em mobilidade urbana o prefeito merece nota 4, mas não detalhou em que áreas ele teve melhor desempenho. Ela também criticou as ações de Kassab contra os camelôs. “Extinguir os ambulantes é um erro. O importante é regularizar e padronizar.”

Sobre as denúncias de cobrança de propinas e enriquecimento ilícito de Hussain Aref Saab, ex-diretor do Departamento de Aprovação de Edificações (Aprov) da prefeitura de São Paulo, Soninha disse que o problema é “nevrálgico” no município. “O cidadão correto é levado à loucura. Um funcionário da prefeitura pode extorquir usando as regras. É preciso mudar as regras e tornar os processos mais transparentes”, reivindicou.

Tacanha

Chalita classificou a gestão de Kassab como ineficiente e “tacanha”. Segundo ele, só a administração fazendária evoluiu. Ele criticou especialmente os esforços para aumento da arrecadação. “Os semáforos podem parar, mas os radares nunca param. Tecnologia para radar e para aumentar arrecadação não faltam”, disse.

Ele também chamou de “desumana” a ação do prefeito, que teria proibido a distribuição de sopa para pessoas em situação de rua na cidade. Segundo Chalita, Kassab promove um espetáculo ao proibir os camelôs de trabalhar. “É preciso organizar os camelôs porque são trabalhadores que só têm a banca como alternativa.” E acrescentou: “Graças a Deus que prefeito passa”.

Charge Online do Bessinha # 102

Bessinha #102

11º ônibus incendiado em “terras tucanas”

No: R7

Ônibus incendiadoMais um ônibus foi incendiado por criminosos em São Paulo, desta vez em Jardim Aracati, na região de Jardim Ângela, zona sul da capital. O veículo foi queimado por volta das 23h30 de quinta-feira (28), na avenida Simão Caetano Nunes, cruzamento com a rua Abílio César.

O procedimento adotado no ataque desta quinta-feira foi o mesmo de todos os demais ocorridos até o momento: os bandidos abordaram o motorista, ordenou que todos os passageiros saíssem do veículo e atearam fogo. E também como nos casos anteriores, os bandidos fugiram antes da chegada da polícia. Não há informações sobre feridos e ninguém foi preso até o momento. 

Foi o 11º ônibus incendiado na região metropolitana de São Paulo desde a última sexta-feira (22), quando ocorreu o primeiro caso em Taboão da Serra. Na capital paulista foram queimados dois veículos no Sacomã e um no Capão Redondo (zona sul), dois no Tremembé (zona norte) e um em Sapopemba (zona leste). Outros dois ônibus foram queimados no período em municípios da Grande São Paulo - em Diadema e em Guarulhos.

Ataque frustrado

Em outro ataque a ônibus, criminosos tentaram atear fogo em um coletivo na rua Olho'Dágua do Borges, no bairro de Cangaiba, na Zona Leste de São Paulo. O ataque aconteceu por volta das 0h30 desta sexta-feira (29).

Os bandidos jogaram o combustível e colocaram fogo, mas o motorista e a polícia conseguiram apagar o princípio de incêndio com um extintor. Ninguém se feriu e ninguém foi preso. O caso foi para o 22° Distrito Policial.

Tentativa de assalto

Um policial militar baleou dois bandidos em uma tentativa de assalto, no bairro Cidade Dutra, zona sul da capital paulista. Segundo a polícia, por volta das 23h desta quinta-feira (28), ele seguia em sua moto, quanto foi abordado por dois homens, também de moto, na avenida Teotônio Vilela, próximo ao cruzamento com a Avenida Jangadeiro. Quando parou o veículo, ele reagiu e trocou tiros com os criminosos. Os dois assaltantes foram atingidos.

Um menor de 15 anos, mesmo baleado, conseguiu furtar um carro e fugir. Ele foi detido quando procurou atendimento médico em hospital. O outro criminoso foi levado ao pronto-socorro do hospital Grajaú. Não há informações sobre seu estado de saúde. O caso foi registrado no 98º Distrito Policial do Jardim Mirian.

De janeiro até esta quinta-feira (28), 40 policiais militares foram mortos no estado de São Paulo e três bases da PM foram atingidas por tiros.

Bombeiros

O Corpo de Bombeiros informou que não está mais autorizado a fornecer nenhum tipo de informação sobre ônibus incendiados para a imprensa. Toda informação sobre casos desse tipo agora estarão concentrados com a Polícia Militar.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Kassab proíbe. Internautas organizam “sopão da gente diferenciada”

gilberto-kassabPoucas horas após o anúncio da prefeitura de São Paulo de proibir a distribuição de sopa para moradores de rua, manifestantes já se mobilizaram por meio das redes sociais para protestar contra o ato do prefeito Gilberto Kassab (PSD).

Em 30 dias, a prefeitura promete acabar com o serviço das instituições voluntárias, punindo-as caso não aceitem passar a distribuir apenas para os albergues mantidos pela prefeitura. Algumas instituições já fazem o serviço voluntário há mais de 20 anos.

Os contrários prometem mobilizar paulistanos promovendo uma grande distribuição de sopa, aos moldes do “churrasco da gente diferenciada”, que em maio do ano passado reuniu milhares de pessoas no bairro de Higienópolis após a declaração de uma moradora da região que criticou a instalação de uma estação de metrô no local. Ela argumentou que “muita gente diferenciada começaria a passar por ali”. Os protestos se espalharam pela internet imediatamente.

Dois protestos já estão sendo anunciados na rede social Facebook, o primeiro a ser realizado na Praça da Sé e outro em frente à casa do prefeito Gilberto Kassab, em Pinheiros, na zona oeste. Ambos estão marcados para o dia 6 de julho à noite. Podem ser acessados nos links Sopão da #GenteDiferenciada e Sopaço na Casa do Kassab. Até as 15h30, mais de mil pessoas haviam confirmado presença nos dois eventos.

No Twitter, usando a hashtag #SopaodaGenteDiferenciada e #KassabSopaZero, o tom é de indignação: “Desobediência Civil Já! Sopão tem de ser mantido pela Pastoral #SopaodaGenteDiferenciada”, diz um dos usuários. “O problema de Kassab e seu PSD (e do PSDB) nem é o sopão, mas sim, o pobre andarilho em SP”, diz outro usuário do microblogue.

A informação sobre a proibição foi dada pelo jornal O Estado de S.Paulo e a Secretaria de Segurança Urbana não quis comentar o assunto. Segundo sua assessoria, será enviada uma nota oficial a respeito do assunto.

Charge Online do Bessinha # 101

Bessinha #101

Ônibus queimados, povo a pé e "xerife" na Boca

No: Brasil 247 

Enquanto trabalhadores voltavam caminhando para casa, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto assistia à primeira partida da final da Libertadores da América, em Buenos Aires; da Argentina, ele apontava situação “sob controle”

get_imgAcossado pela onda de violência em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin terá que tomar uma atitude drástica para não ver sua política de segurança pública ser desmoralizada. Na noite de ontem, enquanto trabalhadores voltavam a pé para suas casas, depois que motoristas, que temiam novos ataques e incêndios a ônibus, os obrigaram a descer, o secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto passeava em Buenos Aires. Pinto, o “xerife” da segurança pública em São Paulo, estava precisamente na Bombonera para assistir à primeira partida da final da Taça Libertadores da América – corintiano fanático, ele tem o brasão do clube tatuado no peito.

De Buenos Aires, o secretário falou ao jornal Estado de S. Paulo, a quem declarou que a situação em São Paulo está “sob controle”. E defendeu suas férias. “Estou há seis anos no governo. Passei todos esses seis anos sem tirar férias ou folga. Pela primeira vez, tirei licença de dois dias. Licença oficial”. Ao ser questionado sobre a preocupação dos paulistanos, o secretário afirmou que mesmo de folga estaria em contato com todos os subordinados da área de segurança pública.

Desde o último sábado, dez ônibus foram incendiados em São Paulo e sete deixaram de circular. Atordoado, o governador Geraldo Alckmin tem se limitado a repetir as mesmas declarações. “Os criminosos serão presos. E, se enfrentarem a política, vão levar a pior”. Além dos incêndios a ônibus, São Paulo sofre com uma onde de arrastões a restaurantes. Estatísticas de homicídios e roubos de veículos também pioraram no primeiro semestre de 2012.

Fotos, símbolos e caricaturas

No: Carta Maior

É verdade que os símbolos tem um peso crucial na política, mas os símbolos não contam toda a verdade da política. Não raro ofuscam o discernimento num reducionismo que acaba por comprometer a força, o fôlego e a credibilidade da mensagem que se pretendia condensar.

Muitos gostariam que a foto polêmica em que Lula e Haddad posam ao lado de Maluf simbolizasse a essência daquilo que o PT, Lula e Maluf representam para a história política brasileira. Uma gigantesca engrenagem foi posta a serviço dessa tese.

A pesquisa do Datafolha faz parte desse mutirão. Egos foram atiçados. Durante dois dias seguidos, após a divulgação da polêmica fotografia, martelou-se a sentença irrecorrível: a imagem era o ultra-som de uma degeneração terminal que destruía por dentro o principal partido progressista brasileiro e sua liderança máxima. Uma técnica usual na mídia consiste em blindar “denúncias” contra qualquer arguição vitaminando-as através de uma implacável imersão da opinião pública em declarações reiterativas.

No caso da foto, o esforço anestesiante ganhou um reforço imediato de grande impacto: a deputada Luiza Erundina, ela mesma um símbolo de retidão e dignidade na política, reagiu à pressão do rolo compressor renunciando ao posto de vice na candidatura Haddad à prefeitura de São Paulo. Seu gesto e sucessivas declarações a uma mídia sequiosa foram incorporados à espiral condenatória dando-lhe um torque quase irrespondível nas primeiras 48 horas pós “flagrante fotográfico”.

Aos poucos, porém, surgiram fissuras. O PT e Lula estão presentes na história e no imaginário do país há quatro décadas. Ambos são filhos do capitalismo brasileiro, cuja principal singularidade foi assentar a supremacia de uma elite indigente na mais desigual estrutura de distribuição de renda (e de poder) existente no planeta. O PT decidiu, e conseguiu, assumir o governo dessa sociedade com a promessa de transformá-la.

O compromisso de torná-la mais justa, inclusiva e democrática, dentro dos marcos institucionais disponíveis (o que não o exime de ampliá-los, por exemplo, no acesso à comunicação) levou-o a um mergulho no moedor de carne de concessões e recuos impostos pela exigência da governabilidade, ao preço, entre outros, de um certo grau de desfiguramento orgânico e partidário. Ainda assim, o partido obteve um voto de confiança das grandes maiorias para testar a sua aposta em 2002, 2006 e 2010.

Há resultados eloquentes que explicam a renovação desse pacto eleitoral. São avanços conhecidos; alguns, objeto de controvérsia quanto à consistência estrutural; outros, ainda por demais tímidos para reverter desequilíbrios aterradores, como o acesso e a qualidade da saúde e da escola pública. Mas a percepção vivenciada e majoritária da população concede a Lula e ao PT que o Brasil é hoje, após 10 anos sob seu comando, o país menos desigual da sua história de 500 anos, 380 dos quais em regime de senzala e casa-grande. O recuo da taxa de pobreza no país, de fato, foi notável no período: uma redução da ordem de 15 pontos percentuais, caindo de 39% da população, em 1999, no fim do segundo governo tucano, para 23,9%, em 2009, no crepúsculo do ciclo Lula. A renda domiciliar per capita dos 10% mais pobres cresceu 7%ao ano entre 2001 e 2009;entre os 10% mais ricos a taxa foi de 1,5%. Tudo somado, 30 milhões de brasileiros deixaram a pobreza brava nesse meio tempo.

Teve um custo. Não se espere querubins egressos dessa descida ao inferno implícita numa aposta de transformação progressiva da senzala em cidadania, sem ruptura abrupta com a casa-grande. O desfibramento intrínseco da militância a partir dessa experiência, ancorada mais em eleições e acordos de cúpula do que em mobilizações - exceto nos momentos críticos - produziu um legado de paradoxos de peso histórico ainda não totalmente mensurável. Inclui-se nessa contabilidade de perdas e danos, por exemplo, a esquizofrênica dualidade de um PT que defende a democracia participativa , mas tem dificuldade de vivenciá-la internamente.

Maniqueísmos religiosos ancorados em símbolos fáceis não ajudam, porém, a entender e nem a intervir na história. Nenhum partido de esquerda passou pelo teste do poder impunemente. O desgaste está implícito num aparelho de Estado quem longe de ser “imparcial”, está organizado para dinamitar projetos que afrontem a lógica dominante e premiar, em contrapartida, políticas 'amigáveis e quadros “complacentes”. Por isso o Banco Central – “independente” - funciona e as políticas sociais, assim como os investimentos públicos em educação, saneamento, saúde e habitação tem dificuldade para deslanchar.

Lula deixou oito anos no comando desse paradoxo com 80% de apoio popular, marca inédita, exceto talvez se comparada à catarse em torno de Vargas, após o suicídio em 1954. O PT, sim, o partido desfibrado, burocratizado, espelho da sociedade que representa, cuja vida interna e inquietação intelectual às vezes lembram o eletrocardiograma de um morto, é o preferido por cerca de 1/3 dos brasileiros, tem 28% das preferências; o PMDB vem em seguida com 6%; o PSDB, apesar da superexposição que a Folha - e o Datafolha - lhe concede, de forma sempre isenta, obtém ralos 5% da aceitação. Os dados, extraídos de um levantamento recente feito pela Vox Populi, indicam ainda que 70% dos brasileiros enxergam no PT um partido moderno e comprometido com os pobres; 66% veem nele um partido que busca políticas que atendam ao interesse da maioria da população (apenas 16% discordam disso e enxergam no partido a força ultrapassada – “-degenerada”- que as perguntas do Datafolha desta 4ª feira buscam induzir e calcificar).

Voltemos à fotografia polêmica. Martelada em 48 horas de bombardeio intenso, a imagem teve o apoio reiterativo da sempre digna deputada e socialista Luiza Erundina, para assumir a dimensão de um testamento ejetado do fundo da cova petista. A esférica blindagem em torno dessa tese enfrentou, após o desconcerto inicial, uma avalanche de fissuras em blogs e sites progressistas (leia por exemplo a enquete realizada pelo blog do Emir,). O que se constatou, então, é que a aliança com o PP, embora questionada na forma - o que foi reafirmado pelo Datafolha - não fora percebida como uma renúncia ao espaço ocupado pelo PT na história brasileira. Mais que isso. Embora a contragosto, a mídia foi obrigada também a reconhecer certas nuances entre o “símbolo definitivo” que saboreou com gula inicial e a visão da própria deputada Luiza Erundina. Passado o gesto abrupto, a ex-prefeita de São Paulo tirou uma a uma as escoras da versão que ajudara a construir. Mais atenta ao uso de sua credibilidade, matizou em divergência de forma uma reprovação que não se estendia nem ao candidato,nem a campanha e tampouco à aliança com o PP.

Erundina, a exemplo dos 70% que enxergam no PT e em Lula referências antagônicas às forças e projetos que acompanham Paulo Maluf, sabe que ambos são imiscíveis historicamente, ainda que interações secundárias possam ocorrer no jogo eleitoral. Erundina sabe, ademais, que Lula não trocou a sua história por 90 segundos, como regurgitaram sebosamente os editoriais e colunistas de sempre. Lula foi em busca de um fator essencial a um candidato ainda desconhecido por 55% dos eleitores de São Paulo. E não só para adicionar-lhe 90 segundos de exposição, mas para evitar que esses 90' fossem para o candidato Serra, que ficou irritadíssimo com Alckmin por ter “deixado escapar o Maluf”, como confidenciou ao Terra Magazine um tucano capa preta menos hipócrita.

Lula raciocinou com base na matemática dos confrontos diretos: “tirar 90' do Serra e acrescentar 90' a Haddad significa virar 3 minutos”. Foi isso. “Virar 3 minutos” em troca de um cargo subalterno no plano federal, sob o comando rígido de Dilma Rousseff. “Não muda uma vírgula”, disse o secretário geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, “na hegemonia da aliança. Tampouco no programa de Haddad para São Paulo”. Justiça seja feita, a recíproca é verdadeira;e significativa: a foto não reflete igualmente o presente, o passado ou o futuro do próprio Maluf que - os críticos da aliança afirmam, com razão -, continua sendo quem sempre foi. Seria esse diagnóstico válido apenas a um dos lados da equação?

A imagem, na verdade, é caricata; acentua aspectos reais do jogo eleitoral ao qual o PT aderiu há mais de três décadas - com os resultados medidos pela pesquisa Vox Populi. Mas não tem a força simbólica que o dispositivo midiático conservador pretende atribuir-lhe, para jogar a pá de cal da “desilusão” petista que o Datafolha busca agora colher com o senso de oportunidade de um engajamento conhecido.
A ante-sala do julgamento do chamado “mensalão” - empurrado em ritmo paraguaio pela mídia conservadora para coincidir com a campanha municipal deste ano - explica em boa parte esse esforço de reportagem em torno de uma fotografia de dimensões elásticas. Uma, pouco destacada, é que ela acrescenta ao PT 90 segundos de fôlego para se defender de uma previsível identidade narrativa, a emendar o noticiário do Jornal Nacional sobre o julgamento do “mensalão” e a campanha tucana na TV. É esse esforço de vida ou morte para não perder São Paulo e não enterrar Serra na urna de mais uma derrota para o partido de Lula, que deu à imagem a densidade de um símbolo de significado incontestável, que ela de fato não tem.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Charge Online do Bessinha # 100

Bessinha #100

Essa não deu no PIG: Justiça de SP arquiva investigação sobre Palocci

No: Amigos do Presidente Lula

Justiça de São Paulo arquiva investigação sobre Palocci. Objetivo de inquérito era descobrir se petista ocultou compra de apartamento

pallociA Justiça de São Paulo arquivou a investigação sobre a suposta prática de lavagem de dinheiro pelo petista Antonio Palocci, ex-ministro da Casa Civil. O arquivamento foi feito a pedido do Ministério Público paulista.

O objetivo do inquérito era apurar se Palocci tinha comprado um apartamento com dinheiro de origem ilícita e se tinha usado um “laranja” para ocultar a transação.

Outra acusação dos tucanos era que o ex-ministro tivesse simulado a locação do imóvel. Até julho de 2011, a família de Palocci morou no apartamento, na zona sul de São Paulo, avaliado em R$ 4 milhões.

O imóvel estava registrado em nome de uma empresa que tinha como um de seus donos o comerciante Gesmo Siqueira dos Santos, que é réu em vários processos sobre fraudes e crimes tributários.

O inquérito foi iniciado em setembro do ano passado pelo Gedec (Grupo Especial de Delitos Econômicos) do Ministério Público de São Paulo,(escolhido pelo PSDB) a partir de uma denuncia do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB-SP).

Segundo o promotor Joel Carlos Moreira da Silveira, “não foram encontrados elementos indicativos de que o apartamento tenha sido comprado por Palocci”.

“Ainda que Palocci fosse o verdadeiro dono do imóvel, nas apurações não foram encontradas evidências de operações com dinheiro de origem ilícita”, afirmou o promotor de Justiça.

Ante a falta de provas para oferecer uma denúncia contra o ex-ministro, Silveira pediu à Justiça o arquivamento do inquérito, conforme revelado ontem pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.

O requerimento foi analisado pela juíza Cynthia Maria Sabino Bezerra, do Dipo (Departamento de Inquéritos Policiais e Polícia Judiciária), que acolheu o pedido e encerrou a investigação.

José Roberto Batochio, advogado de Palocci, disse que apresentou ao Ministério Público mais de 40 recibos de pagamentos do aluguel do imóvel. Segundo o criminalista, ficou comprovado que Palocci “encontrou e alugou o apartamento por meio de uma imobiliária, e pagou regularmente os valores previstos no contrato de locação”.

Batochio disse que o ex-ministro “nunca teve qualquer contato como o Sr. Gesmo ou outro sócio da empresa proprietária do imóvel”.

Perillo pagou Bordoni com “caixa 2”

No: CartaCapital

BordoniO jornalista Luiz Carlos Bordoni reafirmou nesta quarta-feira, desta vez em depoimento à CPI do Cachoeira, que foi pago com recursos do caixa 2 da campanha do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), por serviços prestados em 2010. Bordoni relatou ter recebido na conta de sua filha, Bruna Bordoni, R$ 45 mil da empresa Alberto e Pantoja, investigada pela Polícia Federal como parte do esquema criminoso atribuído ao empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

“O meu serviço limpo foi pago com dinheiro sujo”, disse o jornalista, que produziu os programas de rádio da campanha de Perillo. “O que existiu, de fato, foi o pagamento feito a mim com dinheiro de caixa 2″, disse Bordoni, cujo depoimento irritou deputados aliados ao governador goiano, que o interromperam várias vezes. Segundo Bordoni, alguns membros da comissão não estavam “preocupados em esclarecer coisa alguma”. A frase de Bordoni irritou parlamentares, especialmente os aliados de Perillo. O deputado Rubens Bueno (PPS-PR) e o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) chamaram o jornalista de “vagabundo”. As frequentes interrupções da fala do jornalista levaram o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), a pedir que os parlamentares “respeitassem a testemunha”. Vital do Rêgo também sugeriu que Bordoni “se comportasse” e respeitasse a comissão.

Como ocorreu na terça-feira, durante depoimento do arquiteto Alexandre Milhomen, aliados de Perillo manifestaram indignação com as acusações. O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) prometeu enviar à CPI um requerimento para que Bordoni participe de uma acareação com Marconi Perillo.

Além do depósito de R$ 45 mil, o jornalista disse ter recebido mais R$ 33,3 mil do departamento financeiro da campanha e mais R$ 10 mil pagos pelo presidente da Agência de Transportes e Obras (Agetop) de Goiás, Jayme Rincón, que era tesoureiro da campanha. Bordoni entregou à comissão documentos sobre sua movimentação bancária e de sua filha e autorizações de quebra dos sigilos bancários, telefônico e fiscal dele e dela.

O jornalista disse também que o governador Perillo mentiu em seu depoimento na CPI, ao mostrar uma nota fiscal em nome da empresa Art Midi, no valor de R$ 33,3 mil, como prova do pagamento que teria feito a ele. “Se os senhores provarem onde está minha assinatura nesta nota, eu engulo essa folha”, disse o jornalista, mostrando o documento que teria sido apresentado por Perillo. “O governador faltou com a verdade abusivamente quando aqui esteve”, disse o jornalista.

Bordoni se disse magoado por ter sido chamado de mentiroso, controverso e irresponsável pelo governador Perillo. “Por que eu iria mentir? Fiz um pacto com o amigo Marconi, mas quem tem amigos como tal não precisa de inimigos”, afirmou Bordoni. Ele também reclamou de ter sido apontado pela mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, como chantagista. “Quem sou eu para achacar o rei do achaque, o Al Capone do Cerrado? Vou processar todos eles, inclusive o dono da banda dos desafinados. Nada tenho a esconder, não temo encarar ninguém, seja quem for”, disse a testemunha. “Não se brinca com a honra e com a dignidade das pessoas”, destacou.

Com informações da Agência Brasil

Charge Online do Bessinha # 99

Bessinha #99

Cachoeira apela para “saúde precária”

No: Brasil 247 

Sem sucesso nos tribunais, advogados do bicheiro, contratados por R$ 15 milhões, apelam para doença que ele estaria enfrentando; para diretor da Papuda, quadro clínico é absolutamente normal; segundo Dora Cavalcanti, da equipe de Marcio Thomaz Bastos, há “deterioração seríssima” em seu estado

cachoeira“A saúde de Carlinhos Cachoeira está deteriorada e ele não come há dias”, relatou à Agência Brasília a advogada Dora Cavalcanti. Ela diz que a situação de seu cliente se agravou desde que foi transferido da ala federal do Presídio da Papuda para o Centro de Detenção Provisória (CDP) do mesmo complexo penitenciário, como resultado da revogação do mandado de prisão da Operação Monte Carlo.  “Estamos preocupados com a integridade física dele, que passou por deterioração seríssima”, disse Dora. Ela também informou que o empresário não recebe visitas da família há dias e está alojado em um ambiente sujo, o que colabora para a piora do quadro emocional.

Segundo o diretor do CDP, Nivaldo Oliveira da Silva, havia, sim, preocupação com a saúde de Cachoeira quando ele foi transferido para o local na última quinta-feira (21). No dia seguinte, o empresário teve uma consulta com o psiquiatra da família, que mudou sua medicação. Cachoeira também passou  por uma entrevista com o próprio Nivaldo, que alertou sobre cuidados que ele deveria tomar para preservar a saúde.

“Se a gente não adotasse esses procedimentos, ele poderia ficar doente. Mas agora melhorou muito, está bem, saudável e comendo”, disse o diretor. Nivaldo ainda informa que o empresário está alojado em local adequado, embora divida uma cela pequena com mais sete presos. Cachoeira não teve direito a cela especial porque ainda não apresentou diploma de nível superior.

O diretor do CDP informa também que, assim como os outros presos, Cachoeira tem direito a dois banhos de sol diários de até duas horas, um pela manhã e outro à tarde, e que ele está se comunicando normalmente com os outros detentos.

O empresário está detido preventivamente há quase quatro meses como resultado da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. Ele é apontado como líder de esquema de corrupção, tráfico de influência e exploração ilegal de jogos no Centro-Oeste. Há ainda um segundo mandado de prisão contra Cachoeira resultante da Operação Saint-Michel, que apurou suposta fraude na área de transporte público do Distrito Federal.

No início desta semana, os advogados acionaram o STJ duas vezes para tentar derrubar os dois mandados de prisão contra Cachoeira. O primeiro recurso, relativo à Operação Monte Carlo, é para que a Quinta Turma do STJ analise decisão do ministro Gilson Dipp que anulou liberdade concedida ao empresário pelo desembargador Fernando Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1º Região (TRF1). A decisão do ministro atendeu a uma reclamação do Ministério Público.

Em relação à Operação Saint-Michel, os advogados recorreram ao STJ contra decisão unânime do Tribunal de Justiça do DF que negou liberdade a Cachoeira na última quinta-feira 21. “O processo da Saint-Michel é muito mais simples e menos grave que o da Monte Carlo. E da mesma forma que a Justiça já soltou os acusados da Saint-Michel, o Cachoeira também tem que ser solto”, argumenta a advogada. O recurso está sob relatoria de Gilson Dipp.

Movimento denuncia “extermínio” de moradores de rua e cobra ação pública

Policiais e neonazistas seriam os autores dos crimes. Levantamento mostra que pelo menos 304 pessoas foram mortas no Brasil nos últimos seis meses

Por: Gisele Brito, no Rede Brasil Atual 

morador_de_ruaPesquisa do Movimento Nacional de Pessoas em Situação de Rua (MNPR) mostra que pelo menos 304 moradores de ruas foram assassinados no Brasil entre janeiro e junho deste ano. Na média, são quase duas pessoas por dia. O levantamento tem por base notícias publicadas em jornais.

Segundo integrantes do movimento, os responsáveis pela maioria das mortes são policiais atuando como seguranças privados e grupos neonazistas. “Comerciantes pagam para policiais que trabalham como seguranças para fazer isso. Esse extermínio é fruto da Copa, da Olimpíada e de uma sociedade preconceituosa que insiste em dizer que todo morador de rua é usuário de drogas, vagabundo, bandido”, diz Anderson Miranda, presidente da entidade. 

Os líderes do movimento pedem a criação de políticas para combater o que chamam de “genocídio” e reclamam que as promessas feitas em março pelo Comitê Intersetorial de Monitoramento da População em Situação de Rua (CIMPR), coordenado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, não foram cumpridas. “As pessoas continuam morrendo e nada é feito”, afirma Miranda.

O coordenador do Comitê, Wellington Pantaleão, rebate as críticas afirmando que medidas importantes já foram tomadas. “Desenvolvemos a estratégia e oficiamos que cada estado destaque um promotor do Ministério Público e um defensor público para acompanhar os casos que tínhamos informação. Ao mesmo tempo, oficiamos as secretarias de segurança pública, de direitos humanos e as polícias para que os casos recebam a atenção devida”, aponta.

Segundo Pantaleão, um comitê de defensorias está sendo implantado para garantir a atuação em novos casos. Dessa forma, cada estado teria um promotor ou um defensor público de referência permanente. E a reunião de um grupo de trabalho que contará com a participação dos movimentos sociais está marcada para a primeira semana de julho. 

A ideia é que sejam discutidas formas de tornar a ação da polícia mais efetiva para a proteção da população de rua. Mas ele ressalta a dificuldade dos órgãos públicos em prevenir novos atentados: “Como se previne a violência contra crianças, idosos ou contra a população de rua? Só com muita educação em direitos humanos.”

Impunidade

Apesar de o MNPR apontar a atuação de grupos de extermínio, a maioria dos casos não têm inquérito aberto. Pantaleão e o defensor público Carlos Weis acreditam que isso é uma realidade não restrita apenas à população de rua. “Na verdade há um problema de investigação policial no Brasil como um todo. Somente os casos mais rumorosos têm atuação mais efetiva. Sem resolver isso não conseguimos combater a criminalidade”, acredita Weis. 

Miranda, no entanto, defende que é possível prevenir e punir os crimes se políticas intersetoriais forem adotadas. Para ele, municípios, estados e União deveriam trabalhar juntos. “Claro que não é o governo federal que cuida diretamente dessa questão, mas ele poderia não repassar verbas para cidades que não respeitem os direitos humanos dessa população. Nós estamos denunciando esse massacre e os governos não fazem nada”, enfatiza.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Charge Online do Bessinha # 98

Bessinha #98

O Bolsa Família e seus inimigos

Por: Marcos Coimbra, no CartaCapital

bolsa_familiaO pensamento conservador brasileiro – na política, na mídia, no meio acadêmico, na sociedade – tem horror ao Bolsa Família. É só colocar dois conservadores para conversar que, mais cedo ou mais tarde, acabam falando mal do programa.

Não é apenas no Brasil que conservadores abominam iniciativas desse tipo. No mundo inteiro, a expansão da cidadania social e a consolidação do chamado “Estado do Bem-Estar” aconteceu, apesar de sua reação.

Costumamos nos esquecer dos “sólidos argumentos” que se opunham contra políticas que hoje em dia são vistas como naturais e se tornaram rotina. Quem discutiria, atualmente, a necessidade da Previdência Social, da ação do Estado na saúde pública, na assistência médica e na educação continuada?

Mas todas já foram consideradas áreas interditas ao Estado. Que melhor funcionariam se permanecessem regidas, exclusivamente, pela “dinâmica do mercado”. Tem quem pode, paga quem consegue. Mesmo se bem-intencionado, o “estatismo” terminaria por desencorajar o esforço individual e provocar o agravamento – em vez da solução – do problema original.

O axioma do pensamento conservador é simples: a cada vez que se “ajuda” um pobre, fabricam-se mais pobres.

Passaram-se os tempos e ninguém mais diz essas barbaridades, ainda que muitos continuem a acreditar nelas. Hoje, o alvo principal das críticas conservadoras são os programas de transferência direta de renda. Naturalmente, os que crescem e se consolidam. Se permanecerem pequenos, são vistos até com simpatia, uma espécie de aceno que sinaliza a “preocupação social” de seus formuladores.

Mas é uma relação ambígua: ao mesmo tempo que criticam os programas de larga escala, dizem-se seus mentores. Da versão “correta”. Veja-se a polêmica a respeito de quem inventou o Bolsa Família: irrelevante para a opinião pública, mas central para as oposições. À medida que o programa avançou e se expandiu ao longo do primeiro governo Lula, tornando-se sua marca mais conhecida e aprovada, sua paternidade começou a ser reivindicada pelo PSDB. Argumentavam que sua origem era um programa instituído pelo prefeito tucano de Campinas, José Roberto Magalhães Teixeira, em 1994.

Ele criou de fato o Programa de Renda Mínima, que complementava a receita de pessoas em situação de miséria. Por razões evidentes, limitava-se à cidade e beneficiava apenas 2,5 mil famílias, com uma administração tão complexa que era impossível expandi-lo com os recursos da prefeitura.

Tem sentido dizer que o Bolsa Família nasceu assim? Que esse pequeno experimento local é a matriz do que temos hoje? O maior e mais bem avaliado programa do gênero existente no mundo e que serve de modelo para países ricos e pobres?

O que a discussão sobre o Renda Mínima de Campinas levanta é uma pergunta: se o PSDB estava convencido da necessidade de elaborar um programa nacional baseado nele, por que não o fez?

Não foi Fernando Henrique Cardoso quem venceu a eleição de 1994? O novo presidente não era amigo e correligionário do prefeito? Ou será que FHC não levou o programa do companheiro para o nível federal por ignorá-lo?

Quem sabe conhecesse a iniciativa e até a aplaudisse, mas não fazia parte do arsenal de medidas que achava adequadas para enfrentar o problema da pobreza. Não eram “coisas desse tipo” que o Brasil precisava.

Goste-se ou não de Lula, o fato é que o Bolsa Família só nasceu quando ele chegou à Presidência. E é muito provável que não existisse se José Serra tivesse vencido aquela eleição.
Fazer a arqueologia do programa é bizantino. Para as pessoas comuns não quer dizer nada. Como se vê nas pesquisas, acham até engraçado sustentar que o Bolsa Família não tem a cara de Lula.

Não é isso, no entanto, o que pensam os conservadores. Para eles, continua a ser necessário evitar que essa bandeira permaneça nas mãos do ex-presidente. O curioso é que não gostam do programa. E que, toda vez que o discutem, só conseguem pensar no que fazer para excluir beneficiários: são obcecados pela ideia de “porta de saída”.

Outro dia, tudo isso estava em um editorial de O Globo intitulado “Efeitos colaterais do Bolsa Família”: a tese da ancestralidade tucana, a depreciação do programa – apresentado como reunião de “linhas de sustentação social (?) já existentes” –, a opinião de que teria ficado “grande demais”, a crítica de que causaria escassez de mão de obra no Nordeste, e por aí vai (em momento revelador, escreveu “Era FHC” e “período Lula” – como se somente o primeiro merecesse a maiúscula).

Para a oposição – especialmente a menos informada –, o Bolsa Família é o grande culpado pela reeleição de Lula e a vitória de Dilma Rousseff. Não admira que o deteste.
Para os políticos, as coisas são, porém, mais complicadas. Como hostilizar um programa que a população apoia?

Por isso, quando vão à rua disputar eleições, se apresentam como seus defensores. Como na inesquecível campanha de Serra em 2010: “Eu sou o Zé que vai continuar a obra do Lula!”.

Alguém acredita?

Dops será identificado oficialmente como local de tortura em Porto Alegre

No: Rede Brasil Atual

DOPS_Porto_Alegre,_Brazil_-_Torture_CenterO Comitê Pela Verdade e Justiça Carlos De Ré fará um ato ousado nesta quarta-feira (27). Ao meio dia, o grupo pretende identificar o primeiro prédio público em funcionamento como antigo local de tortura no regime militar. Onde hoje funciona o Palácio da Polícia (avenida João Pessoa, 2050), abrigou em 1964 o Departamento de Ordem Política e Social (Dops), em Porto Alegre. “Isto já está comprovado e fundamentado. Pela legislação podemos fazer esta identificação. Faremos uma grande mobilização”, explica o presidente do Comitê, vereador Pedro Ruas (PSOL).

A concentração de ativistas dos direitos humanos e demais apoiadores da verdade sobre o período de exceção será a partir das 11h30. A demarcação pública do local será completa. “Vamos desde a João Pessoa até o interior do prédio, onde ocorriam as prisões”, salienta Ruas.

Está prevista a participação de autoridades, políticos e ex-presos políticos, como o último preso político no Brasil, Antonio Louzada. Nesta terça-feira (26), o vereador Pedro Ruas convidará o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT) e o governador gaúcho, Tarso Genro para acompanhar a identificação do Dops. “Se não forem, ao menos foram convidados e esperamos algum representante”, falou.

A primeira identificação de um dos locais onde ocorreu tortura na ditadura militar feita pelo Comitê Pela Verdade e Justiça Carlos De Ré foi o Dopinha, no casarão amarelo da rua Santo Antônio, esquina com Vasco da Gama.

Charge Online do Bessinha # 97

Bessinha #97

Cassação de Demóstenes é aprovada

No: Agência Brasil

AgenciaBrasil25Por unanimidade, o Conselho de Ética do Senado aprovou na noite de hoje (25) o relatório do senador Humberto Costa (PT-PE) que pede a cassação do mandato do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). A votação ocorreu de forma nominal e por meio de voto aberto. O relatório recebeu a aprovação dos 15 senadores que integram o conselho.

O parecer será encaminhado agora à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, para análise dos aspectos constitucionais. Antes de votar, no entanto, a CCJ terá que esperar um intervalo equivalente a cinco sessões ordinárias do Senado, o que fará com que o julgamento político de Demóstenes só ocorra a partir da próxima semana.

Após passar pela CCJ, a posição do conselho segue para o plenário, que terá que decidir, em votação secreta, sobre a perda de mandato do senador.

A reunião durou cerca de cinco horas. No texto, o relator destacou a relação próxima de Demóstenes com o empresário goiano Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, investigado pela Polícia Federal por suspeita de explorar jogos ilegais e comandar um esquema de corrupção de agentes públicos e empresários.

Costa destacou em seu relatório que Demóstenes mentiu ao Conselho de Ética sobre a sua relação com o empresário e que colocou o seu mandato de senador a serviço dos interesses de Cachoeira. O relatório também apontou que o parlamentar goiano participava do esquema de "lavagem de dinheiro" operado por Cachoeira.

“Afirmo, sem tergiversar, que o Senador Demóstenes Torres teve um comportamento incompatível com o decoro parlamentar: percebeu vantagens indevidas; praticou irregularidades graves no desempenho do mandato”, disse o senador Humberto Costa ao apresentar seu voto.

A defesa do senador, que falou na abertura da reunião durante 30 minutos, declarou que Demóstenes quer ser avaliado pelo plenário do Senado e optou por não pedir o arquivamento do processo.

O pedido da defesa causou protesto do senador Mário Couto (PSB-PA). Ele disse que se desligaria do conselho, caso a decisão fosse a favor de Demóstenes. “Jamais vi na minha vida uma defesa pedir a condenação. Peço meu desligamento antecipado deste Conselho de Ética se o plenário absolver Demóstenes”, declarou.

Couto prometeu que abrirá o seu voto quando o processo de cassação for apreciado pelo plenário da Casa. “Quero fazer um apelo, que o senhor (o presidente do Conselho de Ética, Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) seja portador de um pedido de voto aberto. Nós temos que moralizar o Senado. Não podemos mais esconder o nosso voto do povo brasileiro”, disse. "A nação está carente de moralidade, e nós não podemos esconder o nosso voto. Vou abrir o meu voto, nem que, para isso, meu voto seja anulado", completou.

Já o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) disse ao votar que os atos de Demóstenes Torres acabaram prejudicando a imagem do Senado. “O que estamos aqui cuidando não é da ética no comportamento pessoal. A quebra de decoro parlamentar não atinge o indivíduo, atinge a instituição”, destacou. “Nos não estamos aqui em uma confraria de amigos. O Senado não é um clube”, declarou.

Antes da votação, o senador Pedro Taques (PDT-MT) lembrou que as gravações indicaram que Demóstenes avisou Carlinhos Cachoeira sobre as investigações da Polícia Federal. “Isso é um fato gravíssimo porque expõe a risco de morte pessoas que estão exercendo uma função pública”, disse Taques. “Não existe nada mais trágico no mundo do que saber o que é certo e fazer o errado. O senador Demóstenes sabia o que é certo e optou pelo que era errado”, ressaltou.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) falou da decepção que sentiu ao saber das denúncias envolvendo o senador goiano. “Eu vivo um momento muito doloroso porque eu tinha uma grande admiração pelo senador Demóstenes. A mim, ele enganou o tempo todo. Sinceramente, eu acreditei nele. Será que o problema dele não é um problema psiquiátrico e não jurídico. Um problema de dupla personalidade”, disse.

Simon também defendeu que a votação em plenário fosse feita de forma aberta. "Eu vou votar pela cassação e gostaria que a votação fosse aberta", disse Simon.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Charge Online do Bessinha # 96

Bessinha #96

Fernando Lugo tenta articular retorno ao poder

paraguaiO ex-presidente do Paraguai Fernando Lugo transformou sua casa em Lambaré, nos arredores de Assunção, capital paraguaia, em uma espécie de quartel-general de um governo paralelo ao oficial. Lugo marcou para hoje (25) cedo uma reunião denominada Gabinete da Restauração da Democracia. A ideia é manter a rotina de governo, mesmo depois da sua destituição há três dias.

Lugo convocou todos os ex-ministros e ex-assessores para a reunião nesta manhã. O principal assunto é a articulação para o que o chamou de restauração da democracia. Na prática, a ideia é alinhavar de maneira objetiva seu retorno ao poder. Deputados e senadores aliados de Lugo tentam buscar maneiras de reverter o quadro político atual.

Analistas consideram, porém, a hipótese pouco provável. Lugo não dispõe de apoio político no Congresso. A prova das suas dificuldades foi a votação, no último dia 22, do processo que levou ao seu impeachment, com um placar de 39 votos a favor, 4 contra e 2 abstenções.

Em uma rua com casas de classe média alta, a residência de Lugo é a única que tem muros altos e seguranças armados do lado de fora. Há ainda militares fardados e com armas que guardam a entrada principal da casa. Ontem (24), correligionários entravam e saíam a toda hora. Vez por outra, simpatizantes passavam em frente à casa e gritavam palavras de ordem.

As principais ruas de Assunção voltaram à normalidade, com exceção da área em frente à TV Pública, local escolhido pelos simpatizantes de Lugo para as manifestações. Um protesto pacífico, que começou ontem de manhã, estendeu-se pela madrugada de hoje. Com palavras de ordem, canções e representações teatrais, os manifestantes protestaram contra o governo de Franco. A polícia acompanhou tudo a distância, sem embates.

Mercosul suspende Paraguai da próxima cúpula do bloco

No: Estadão

mercosulO bloco comercial Mercosul suspendeu neste domingo a participação do Paraguai na próxima cúpula regional que o grupo realizará na semana que vem, informou neste domingo a chancelaria argentina.

Em comunicado, a chancelaria argentina informou que os países-membros do Mercosul e os Estados associados expressaram “sua mais enérgica condenação à ruptura da ordem democrática na República do Paraguai, por não ter sido respeitado o devido processo”.

Por isso, decidiram “suspender o Paraguai de forma imediata e, por este ato, do direito de participar da Reunião do Conselho do Mercado Comum e da cúpula de presidentes do Mercosul”.

Os encontros serão realizados na cidade argentina de Mendoza, entre os dias 25 e 29 de junho.

Na sexta-feira o Congresso paraguaio aprovou o impeachment do então presidente do país, Fernando Lugo, e deu posse a seu vice, o liberal Federico Franco.

O processo foi aberto na quinta-feira e concluído no dia seguinte.

domingo, 24 de junho de 2012

Charge Online do Bessinha # 95

Bessinha #95

Brasil e Uruguai convocam embaixadores no Paraguai

No: CartaCapital

Lugo_protestoOs governos do Mercosul tentaram ampliar neste fim de semana a pressão sobre o Paraguai, depois que o Congresso do país realizou um impeachment relâmpago do agora ex-presidente Fernando Lugo, colocando em seu lugar o vice, Federico Franco. O Brasil e o Uruguai convocaram seus embaixadores em Assunção para esclarecimentos, um sinal, na diplomacia, de relações estremecidas entre os países. A Argentina foi além e retirou oficialmente seu embaixador do Paraguai até “a restituição da ordem democrática”.

A posição inicial do Brasil foi tomada pela presidenta Dilma Rousseff na noite de sábado. Ela se reuniu com os ministros Antonio Patriota (Relações Exteriores), Celso Amorim (Defesa) e Edison Lobão (Minas e Energia), além do assessor especial para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, para discutir a crise no país. Em nota divulgada no fim da noite de sábado, o Ministério das Relações Exteriores evitou usar o termo golpe para designar o que houve no Paraguai, mas afirmou que a destituição de Lugo é o “rompimento da ordem democrática”.

“O governo brasileiro condena o rito sumário de destituição do mandatário do Paraguai, em que não foi adequadamente assegurado o amplo direito de defesa. O Brasil considera que o procedimento adotado compromete pilar fundamental da democracia, condição essencial para a integração regional”, diz o Itamaraty em nota. Ainda segundo o governo brasileiro, “medidas” estão sendo estudadas pelo Mercosul e pela Unasul contra o Paraguai. Essas medidas, garante o governo Dilma, não terão como alvo a população paraguaia.

O governo do Uruguai tem posições semelhantes. Após dialogar com o presidente José Mujica, o chanceler Luis Almagro condenou o “julgamento sumário” de Lugo e afirmou que a forma como o impeachment foi realizado “não condiz com as garantias essenciais do devido processo”. Almagro pediu ainda que uma nova eleição seja convocada o mais rápido possível. A próxima eleição está marcada para daqui a nove meses.

O governo de Cristina Kirchner na Argentina foi mais radical e decidiu retirar seu embaixador de Assunção. Em nota, seu governo voltou a criticar a “ruptura da ordem” e ordenou a “imediata retirada de seu embaixador em Assunção, ficando a representação diplomática sob a responsabilidade de um funcionário de negócios, até que seja restabelecida a ordem democrática no Paraguai”.

Lugo fala em volta da ditadura

Lugo reapareceu na madrugada deste domingo e deu uma entrevista coletiva em frente à sede da tevê pública do Paraguai, em Assunção, onde seus apoiadores se reuniram em protesto. Ele elogiou a reação internacional a seu impeachment. “A comunidade internacional vê com objetividade e serenidade o processo aqui no Paraguai. Vocês têm noção de que nossos amigos, os presidentes do Brasil, da Argentina, do Uruguai, estão retirando seus embaixadores daqui”, disse o ex-presidente segundo a BBC Brasil. Ele ainda afirmou que o governo de Federico Franco vai fazer o Paraguai voltar à ditadura. “Mesmo o Paraguai sendo um país mediterrâneo, o governo está ilhando o nosso país. Eles serão responsáveis pela pobreza e pelo retorno da ditadura ao Paraguai”, afirmou.

Charge Online do Bessinha # 94

Bessinha #94

Brasil condena ruptura democrática no Paraguai

O PRESIDENTE FEDERICO FRANCO FEZ DE TUDO PARA CONVENCER O BRASIL DE QUE PODE SER MAIS “BARATO” DO QUE FERNANDO LUGO, FALANDO EM PAGAR DÍVIDAS DE ITAIPU E EM PROTEGER OS BRASIGUAIOS; NO ENTANTO, NO SEU PRIMEIRO TESTE INTERNACIONAL, DILMA AGIU BEM AO REJEITAR O SUBORNO E MOSTRAR QUE, NA DIPLOMACIA, PRINCÍPIOS PESAM MAIS DO QUE INTERESSES

No: Brasil 247

Nas primeiras entrevistas que concedeu como presidente do Paraguai, Federico Franco tentou subornar o Brasil. Simples assim. Logo depois de ser empossado, ele sinalizou que pagaria dívidas de Itaipu, que protegeria os 6 mil fazendeiros brasileiros no Paraguai, conhecidos como brasiguaios, diante dos camponeses locais e fez de tudo para demonstrar que, na relação bilateral, poderia ser mais “barato” para o país do que seu antecessor Fernando Lugo.

Ocorre que, na diplomacia, não existem apenas interesses econômicos. Há também princípios. E estes devem vir na frente. Foi exatamente isso o que a presidente Dilma Rousseff demonstrou na nota divulgada na noite deste sábado, após uma reunião de emergência que contou com a participação do chanceler Antônio Patriota, do ministro Celso Amorim, da Defesa, de Edison Lobão, de Minas e Energia, e do presidente de Itaipu, Jorge Samek. Na prática, o Brasil condenou a ruptura da ordem democrática no Paraguai e convocou para consultas em Brasília o embaixador brasileiro em Assunção. É o primeiro passo para a imposição de sanções econômicas e diplomáticas ao Paraguai.

Como gigante regional, o Brasil também fortaleceu o processo de integração sul-americana ao enfatizar que a decisão brasileira será tomada em conjunto com os demais países da Unasul, a União de Nações Sul-Americanas. Leia, abaixo, a nota do Itamaraty:

“O governo brasileiro condena o rito sumário de destituição do mandatário do Paraguai, decidido em 22 de junho último, em que não foi adequadamente assegurado o amplo direito de defesa. Medidas a serem aplicadas em decorrência da ruptura da ordem democrática no Paraguai estão sendo avaliadas com os parceiros do Mercosul e da Unasul”.

sábado, 23 de junho de 2012

O que é um tucano?

No: Terror do Nordeste

tucano

Avis rara, animal político com grave risco de extinção, o tucano se diferencia dos outros animais.

Identifiquemos suas características, antes que seja tarde demais:

O tucano tem certeza que tem razão em tudo o que diz e faz.
O tucano lê a Folha de São Paulo cedinho e acredita em tudo o que lê.
O tucano nunca foi à América Latina, considera o continente uma área pré-capitalista e, portanto, pré-civilizatória.
O tucano considera a Bolívia uma espécie de aldeia de xavantes e a Venezuela uma Albânia.
O tucano nunca foi a Cuba, mas achou horrível.
O tucano foi a Buenos Aires (fazer compras com a patroa), mas considera a Argentina uma província europeia.
O tucano considera FHC merecedor de Prêmios Nobel – da Paz, de Literatura, de física, de química, quaisquer.
O tucano considera o povo muito ingrato, ao não reconhecer o bem que os tucanos – com FHC à cabeça - fizeram e fazem pelo país.
A cada derrota acachapante, o tucano volta à carga da mesma maneira: ele tinha razão, o povo é que não o entendeu.
O tucano acha o povo malcheiroso.
O tucano considera que São Paulo (em particular os Jardins paulistanos) o auge da civilização, de onde deve se estender para as mais remotas regiões do país, para que o Brasil possa um dia ser considerado livre da barbárie.
O tucano mora nos Jardins ou ambiciona um dia morar lá.
O tucano é branco ou se considera branco.
O tucano compra Veja, mas não lê. (Ele já leu a Folha).
O tucano tem esperança de retomar o movimento Cansei!
O tucano tem saudades de 1932.
O tucano venera Washington Luis e odeia Getúlio Vargas.
O tucano só vai a cinema de shopping.
O tucano só vai a shopping.
O tucano frequenta a Daslu, mesmo que seja por solidariedade às injustiças sofridas em função da ação da Justiça petista.
O tucano nem pronuncia o nome do Lula: fala Ele.
O tucano conhece o Nordeste pelas novelas da Globo.
O tucano dorme assistindo o programa do Jô.
O tucano acorda assistindo o Bom dia Brasil.
O tucano acha o Galvão Bueno a cara e a voz do Brasil.
O tucano recorta todos os artigos da página 2 da Folha para ler depois.
O tucano acha o Serra o melhor administrador do mundo.
O tucano acha Alckmin encantador.
O tucano tem ódio de Lula porque tem ódio do Brasil.
O tucano sempre acha que mereceria ter triunfado.
O tucano é mal humorado, nunca sorri e quando sorri – como diz The Economist sobre o candidato tucano - é assustador.
O tucano não tem espírito de humor. Também não tem motivos para achar graças das coisas. É um amargurado com o mundo e com as pessoas pelo que queria que o mundo fosse e não é.
O tucano considera a Barão de Limeira sua Meca.
O tucano acha o povo brasileiro preguiçoso. Acha que há milhões de “inimpregáveis” no Brasil.
O tucano acha a globalização “o novo Renascimento da humanidade”.
O tucano se acha.
O tucano pertence a uma minoria que acha que pode falar em nome da maioria.
O tucano é um corvo disfarçado de tucano.

Fonte: Blog do Emir Sader

Charge Online do Bessinha # 93

Bessinha #93

No ES caos na saúde não tem fim

Por: Eliseu

falta de remedioA saúde pública no Brasil é um cancro existente desde sempre e que precisa ser extirpado com urgência. Desde o “descobrimento” desse nosso belo país tropical, - terra de palmeiras, sabiás, belas mulheres e políticos corruptos - pelo incompetente Pedro Alvares Cabral e durante os 502 anos seguintes, não só a saúde pública como todas áreas essenciais como educação, segurança, etc, foram relegadas a segundo plano. Devo estar sendo muito complacente ao citar “segundo plano”. Pelo jeito foram relegadas à plano nenhum, sendo o país governado por e em prol da pseudo-elite nojenta tupiniquim.

Aqui no nosso belo, pequeno e rico Espírito Santo a coisa não é diferente. Ontem mesmo fiz um post que tentava mostrar a demagogia e falta de vergonha na cara de Sérgio Vidigal, prefeito de Serra, uma das mais ricas cidades do estado, mostrando que na farmácia que deveria fornecer medicamentos do SUS à população não tinha sequer um simples analgésico.

Bem, um analgésico comum como o paracetamol, é medicamento relativamente barato, e na pior hipótese, caso o cidadão não tenha recursos para comprá-lo sempre é possível um parente ou vizinho se condoer e fazer o papel do Estado, o que não é raro, comprando-lhe o medicamento. Ou então aguentar a dor!

Mas terrível mesmo foi a notícia veiculada pela mídia também ontem, que está faltando medicação para uma grave doença, a Hepatite C, que se não tratada adequadamente pode levar o paciente à óbito, isso após um longo sofrimento como câncer de fígado. E o medicamento é de alto custo. Se o paciente não for RICO, não terá como adquiri-lo.

A gerente estadual de assistência farmacêutica, Maria José Sartório, que com certeza não é portadora da doença, disse que na segunda-feira (25) os medicamentos já estarão disponíveis. “Devido ao atraso na entrega, a gente ficou sem o medicamento. A gente aguardava a chegada desse medicamento na quarta-feira (20), e realmente houve essa dificuldade. Isso nos pegou de surpresa. Já verificamos nos Correios e, segunda-feira a situação já deve ser normalizada”, esclareceu.

Não é a primeira, muito menos a segunda denúncia de falta de medicamentos, e a desculpa geralmente é atraso na entrega. Será que a explicação Srª Maria Sartório vai convencer o vírus C a ficar inerte até dia 25, quando possivelmente será entregue o medicamento? Talvez sim, pois uma pessoa que ocupa um cargo como esse deve saber o que faz. Ou não!

Lugo: mais um Golpe de Estado na América Latina

No: CartaCapital

LugoO veloz processo de impeachment contra o presidente paraguaio Fernando Lugo teve o final desejado pelos conservadores do país nesta sexta-feira 22. A maioria absoluta no Senado aprovou a remoção do mandatário do poder por 39 votos favoráveis e quatro contrários. Eram necessários 30 votos dos 45 senadores, uma tarefa fácil em um parlamento dominado pela oposição. Houve duas ausências. O vice-presidente Frederico Franco, do PLRA (Partido Liberal Radical Autêntico), assume o posto um ano após romper a coligação com Lugo.

Em discurso logo após a decisão, Lugo pareceu derrotado e sem capacidade de reagir. “Me submeto à decisão do Congresso e estou disposto a responder sempre por meus atos como presidente”, disse. “Me despeço como presidente, mas não como cidadão”, afirmou. Lugo também pediu que a parte da população favorável a ele não faça protestos violentos. “Faço um profundo chamado para que as manifestações sejam pelas vias pacíficas”, disse. “Que não se derrube mais sangue por motivos mesquinhos em nosso país”.

A Câmara dos Deputados, também dominada pela oposição, aprovou na quinta-feira 21 o processo de impeachment com 73 votos a favor e apenas um contra. O Senado abraçou a ideia rapidamente, sob o pretexto de Lugo mobilizasse suas bases no interior do país e levasse a uma onda de violência. O Senado agiu como juizado político e concedeu apenas duas horas de defesa a Lugo, meramente proforma.

Ação foi vista por muitos países latinos como um golpe de Estado e pela União das Nações Sul-Americanas (Unasul) como uma “violação da ordem democrática”. O processo relâmpago espantou porque faltam apenas nove meses para o fim da administração de Lugo, sem a possibilidade de reeleição.

Motivos da destituição

Os parlamentares defenderam a remoção do presidente pelo suposto “fraco desempenho de suas funções” após um confronto violento com trabalhadores sem-terra na região leste do país na sexta-feira 15, que culminou em 17 mortes – 11 de trabalhadores rurais sem-terra e 6 de policiais na região de Curuguaty, departamento (estado) de Canindeyú. Haviam também outros quatro motivos. Entre eles uma manifestação de jovens de esquerda no Comando de Engenharia das Forças Armadas, em 2009 – que para a oposição foi financiada com recursos da hidrelétrica de Yaciretá -, o uso de tropas militares em 2012 por sem-terra em Ñacunday para pressionar fazendeiros.

Além disso, há a responsabilização de Lugo pela violência no país, que teria sido tratada de forma incorreta. Essa acusação inclui a “falta de vontade política” para combater os guerrilheiros do EPP (Exército do Povo Paraguaio). A última acusação tem caráter internacional: os parlamentares criticaram a decisão de Lugo em ratificar o Protocolo de Ushuaia II, de dezembro de 2011, que prevê intervenção externa caso uma democracia esteja em perigo.

Apoiado por três advogados e dois auxiliares, Lugo teve duas horas para responder às acusações do processo no Senado. A defesa tentou pressionar para um adiamento dentro do prazo constitucional de 18 dias, mas não obteve sucesso.

Como nos tempos da Guerra Fria

Os advogados do presidente mostraram indignação com a condução do caso. Segundo o jornal paraguaio Ultima Hora, Enrique García definiu o julgamento como viciado e nulo por violar o direito da não condenação prévia. “Este julgamento é igual aos da Guerra Fria”, ressaltou Adolfo Ferreiro. Ele completou que a negativa do Senado em ampliar o prazo da defesa evidencia a clara intenção de condenar o presidente, um ato que pode “trazer consequências políticas e econômicas imprevisíveis”. “Querem cassar um presidente eleito por professar ideias que são contrárias às ideias de seus julgadores”, afirmou.

A defesa negou todas as acusações, alegando que não havia uso das Forças Armadas por movimentos sociais ou negligência de Lugo no combate à violência e ao grupo guerrilheiro Exército do Povo Paraguaio (EPP). Para a defesa, o presidente corre o risco de perder seu mandato por acusações inexistentes, baseadas em perseguição política. “A verdade é que não temos partidos políticos que protejam o presidente Lugo”, lamentou Emilio Camacho, também advogado de Lugo. “É quase uma tragédia grega, porque Lugo decidiu submeter-se a um juízo político, no qual está definida sua sentença.”

Lugo ainda tentou pela manhã uma ação de inconstitucionalidade para a Suprema Corte do Paraguai contra o processo de impeachment. A defesa se baseou, entre outras coisas, no pouco tempo que o presidente teve para preparar sua defesa – cerca de 16 horas. Adolfo Ferreiro, um dos advogados de Lugo, pediu durante o julgamento que o Senado se “adequasse aos tempos correspondentes para a apresentação da defesa, que é de 18 dias”.

Enquanto ocorria o julgamento, a Praça de Armas, em frente ao Congresso, reunia milhares de pessoas em apoio a Lugo. Segundo o Ultima Hora, nos momentos antes de a divulgação dos resultados, mais de 5 mil pessoas estavam no local em vigília, em um número que ia aumentando conforme terminava o horário de trabalho. Naquele momento, já havia incidentes entre a polícia e manifestantes em frente ao prédio da Vice-presidência.

Lugo não quis renunciar e enfrentou o julgamento sob protesto, acompanhando o caso pela televisão na sede do governo. O Parlamento o responsabiliza pelos confrontos, que forçaram a saída do ministro do Interior, Carlos Filizzola, e do comandante da polícia, Paulino Rojas, após pressão do Congresso.

Lugo diz que irá resistir a partir de “instâncias organizacionais”

Pouco antes de ser destituído, Lugo disse à Rádio 10 argentina que acataria o julgamento político votado no Congresso, mas resistiria “a partir de outras instâncias organizacionais”. “É preciso acatá-lo (o julgamento político), é um mecanismo constitucional, mas a partir de outras instâncias organizacionais certamente decidiremos impor uma resistência para que o âmbito democrático e participativo do Paraguai vá se consolidando”. O mandatário chamou de golpe a ação do Parlamento. “Não é mais um golpe de Estado contra o presidente, é um golpe parlamentar disfarçado de julgamento legal, que serve de instrumento para um impeachment sem razões válidas que o justifiquem.”

Lugo afirmou ter recebido ligações de apoio dos presidentes Hugo Chaves (Venezuela) Rafael Correa (Equador), Evo Morales (Bolívia), Dilma Rousseff e Cristina Kirchner (Argentina).

Unasul fala em “ruptura da ordem democrática”

A rápida movimentação para derrubar Lugo repercutiu em toda a América do Sul. Os chanceleres dos países integrantes da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) se reuniram na noite de quinta 21 e nesta sexta-feira 22, em Assunção, com o presidente. Além disso, Nicarágua, Bolívia e Venezuela denunciaram no Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) que o julgamento de Lugo é “um golpe de Estado encoberto”. A secretaria de estado norte-americana Hillary Clinton também manifestou “preocupação” com o processo de impeachment de Lugo.

Em meio à crise, os chanceleres da Unasul deixaram em caráter de emergência a cúpula do desenvolvimento sustentável Rio+20 e embarcaram para o Paraguai. Em Assunção, os membros do bloco puderam acompanhar o processe no Senado nesta sexta-feira. Mas, se reuniram com Lugo, com o vice-presidente Frederico Franco e outros dirigentes políticos e autoridades legislativas para avaliar a situação no país. O grupo, no entanto relatou não ter obtido “respostas favoráveis às garantias processuais e democráticas” do processo contra Lugo. Por isso, informou em comunicado que “as ações em curso poderiam ser compreendidas como uma ameaça de ruptura da ordem democrática, ao não respeitar o devido processo”. Os governos da Unasul avaliarão em que medida será possível continuar a cooperação na integração do continente, além de manter apoio a Lugo.

A delegação, liderada pelo chanceler brasileiro, Antonio Patriota, conta também com representantes de Argentina, Uruguai, Chile, Venezuela, Peru, Equador e Colômbia. A missão se baseia em um protocolo da Unasul que possibilita aos membros do bloco impor sanções a um país em caso haja ruptura ou ameaça da ordem democrática. “A tentativa dos chanceleres é criar um ambiente que habilite uma solução menos traumática para a democracia (…) para todos nós, seria importante uma solução negociada”, afirmou Dilma durante entrevista coletiva na Rio+20, disse a presidenta Dilma Rousseff na tarde de sexta.

O secretario geral da Unasul, Alí Rodríguez, havia adiantado mais cedo que Venezuela, Bolívia e Nicarágua não reconheceriam outro governo que não o de Lugo.

Diante do processo de impeachment sumário, o porta-voz para América Latina do departamento de Estado, William Ostick, advertiu que os EUA acompanham de perto a crise no Paraguai. “Com base nos compromissos com a democracia no continente, é importante que as instituições do governo sirvam aos interesses do povo paraguaio e, para tal, é criticamente importante que estas instituições ajam de maneira transparente, observando escrupulosamente os princípios do devido processo e dos direitos do acusado”.

Durante o dia, manifestantes pró-governo tomaram o local após a saída de partidários do impeachment do presidente, enquanto as forças policiais assumiam posições estratégicas em torno do Congresso, incluindo atiradores de elite. “Estamos aqui para protestar contra esse julgamento do nosso presidente, um representante genuíno do povo”, gritava Manuel Martinez, um manifestante que se dizia ser um dos coordenadores da manifestação.

Mais cedo, os manifestantes “anti-Lugo” expressaram seu apoio aos deputados e senadores paraguaios pela abertura do processo político. Ao menos 4 mil agentes foram mobilizados para proteger a região do Congresso, revelou o porta-voz da Polícia Nacional, comissário Sebastian Talavera. “Foram tomadas todas as medidas de precaução” para evitar incidentes, disse.

Por trás do golpe, o Partido Colorado

Em uma entrevista à tevê estatal venezuelana TeleSUR, Fernando Lugo acusou diretamente o empresário Horacio Cartes de estar por trás da tentativa de golpe. Cortes é o pré-candidato a presidente nas eleições previstas para 2013 pelo conservador Partido Colorado. “Esse processo de impeachment é inconstitucional, (nele) estão unidas as forças mais conservadoras do país”, declarou.

Lugo foi eleito em 2008 com 41% dos votos e interrompeu seis décadas de poder do Partido Colorado, incluindo 35 anos de governo militar. Apesar de nunca ter tido maioria no Congresso, Lugo mantinha-se com poder por meio da aliança com o PLRA (Partido Liberal Radical Autêntico), de Federico Franco, seu vice-presidente. A aliança entre ambos foi rompida em 2011.

Ex-bispo católico ligado a movimentos sociais de esquerda, ele tem histórico atuação com os sem-terra do país. Os conflitos agrários no Paraguai têm crescido nos últimos anos, o que culminou com o conflito de Curuguaty. Seus opositores culpam Lugo por má gestão desta crise, o que se transformou em mote para o impeachment.

Totalmente isolado, Lugo não teve apoio da Igreja Católica. Os bispos do país pediram ontem a renuncia do presidente “pelo bem do país” e para evitar atos de violência. “Falamos com muita sinceridade e franqueza para pedir que renuncie ao cargo e acabe com esta tensão”, disse o bispo Claudio Giménez, secretário-geral da Conferência Episcopal Paraguaia (CEP), após se encontrar com o mandatário. Vale lembrar que Lugo, quando bispo teve diversos filhos.

O Paraguai tem 6,5 milhões de habitantes espalhados em 406,7 mil quilômetros quadrados, tamanho um pouco maior que o estado de Goiás. O país tem uma das rendas per capitas mais baixas da América do Sul, com 3,2 mil dólares por ano. O Brasil soma 12,4 mil dólares.

Com informações Agência Brasil e AFP.