segunda-feira, 11 de junho de 2012

PSDB terceiriza ataques políticos para poupar Serra

No: Vermelho

O pré-candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, José Serra, passou a "terceirizar" para o PSDB a exploração de assuntos polêmicos e que não constam da agenda municipal. Na tentativa de evitar a nacionalização da disputa eleitoral deste ano e se poupar, Serra tem se blindado de temas controversos.

NOT-serra-comunica-ao-psdb-que-nao-disputara-prefeitura-de-sp1327002622A exploração política de fato nacionais como a greve nas universidades federais e o julgamento do mensalão — que inclui a polêmica entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes — foi delegada a dirigentes e líderes do tucanato no Congresso. Mesmo assim, o tom dos ataques e até as notas divulgadas à imprensa passam pelo crivo da assessoria de comunicação da pré-campanha de Serra.

O objetivo é acentuar a relação do tucano com temas municipais, já que sua imagem ainda estaria “contaminada” pela disputa nacional de 2010 — quando Serra foi mais uma vez derrotado.
Na semana passada, o pré-candidato se manteve longe de polêmicas. Mas em nome dele o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, o líder do partido no Senado, Álvaro Dias (PR), e o vereador paulistano Floriano Pesaro responsabilizaram o pré-candidato Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Educação, pela greve das universidades federais, num movimento que teve como origem o QG da campanha serrista.

Há dez dias, tucanos organizaram um ato de desagravo a Gilmar Mendes, mas o encontro foi esvaziado após a coordenação da campanha avaliar que, mesmo encabeçado por parlamentares, respingaria em Serra. “Qualquer movimento ligando o candidato a tema nacional tira a legitimidade da candidatura a prefeito. Cria uma névoa. E é isso que queremos evitar”, disse um tucano.
Para o PT, a nacionalização do debate por tucanos, em nome de Serra, não atrapalha o petista. “Haddad não tem nada a ver com o mensalão. Sempre esteve distante disso. Não vai afetar em nada”, avaliou o coordenador da campanha, Antonio Donato. “Já fizeram isso e não deu certo em 2010. Não vai dar de novo.”
Segundo o vereador José Américo (PT), em eleições passadas a sigla encomendou pesquisas que detectaram que a pecha do mensalão não teria influência sobre seus candidatos - em 2010, por exemplo, Dilma Rousseff não foi “contaminada” pelo caso. Na visão do PT, o eleitorado isentaria Lula pelo mensalão.