terça-feira, 31 de julho de 2012

Charge Online do Bessinha # 140

Bessinha #140

Os falsos paladinos da liberdade de expressão

No: Contexto Livre

Os “blogs sujos” estão de fato se transformando em importante contraponto ao discurso homogêneo da grande mídia dominante. E isso parece ser intolerável para alguns setores – falsos paladinos – que ostentam publicamente a bandeira da liberdade de expressão e da democracia entre nós.

Blogs_SujosChegou ao conhecimento público, no último mês de fevereiro, que o jornalista Celso de Castro Barbosa fora demitido pelo editor da Revista de História da Biblioteca Nacional (RHBN) após divergências relacionadas à publicação, no site da revista, de uma resenha sua sobre o livro A Privataria Tucana. Pouco tempo depois, o próprio editor da RHBN, historiador Luciano Figueiredo, foi demitido. Em junho, o Conselho Editorial da RHBN, formado por conceituados intelectuais, anunciou sua renúncia coletiva.

Todo o episódio permanece nebuloso.

Logo após sua demissão, o jornalista Celso de Castro Barbosa disse à Carta Capital: “Fui censurado e injuriado”. A matéria, sob o título “Resenha de ‘A privataria tucana’ causa demissão de jornalista na revista da Biblioteca Nacional”, comenta:

Barbosa destaca que a remoção do texto ocorreu apenas “após o chilique do PSDB” em 1º de fevereiro, nove dias depois da publicação em destaque na primeira página do site da revista. O motivo seria uma nota divulgada em um jornal carioca, segundo a qual a cúpula do partido estava “possessa” com a revista, tida pela legenda como do governo. A evidente pressão externa fez com que o jornalista recebesse um chamado do editor-chefe da publicação, Luciano Figueiredo, naquele mesmo dia. “Ele [Figueiredo] disse concordar com quase tudo que havia escrito, mas o Gustavo Franco [ex-presidente do Banco Central no governo FHC] leu, não gostou e resolveu mobilizar a cúpula tucana”. Para conter o movimento, relata, o editor-chefe se comprometeu a escrever uma nota assumindo a culpa pela publicação do texto. “Eu disse: ‘Culpa de que? Ninguém tem culpa de nada. É uma resenha de um livro.” (...) Inconformado com a resenha, [o presidente do PSDB, Sérgio] Guerra chegou a enviar cartas de protesto à ministra da Cultura, Ana de Hollanda, e a Figueiredo. Outros tucanos alegaram que a publicação era pública, trazia os nomes da presidenta Dilma Rousseff e de Hollanda no expediente e recebia verba da Petrobras. Logo, deveria se manter isentada de questões políticas. (...) [ver aqui a íntegra da matéria].

A representação na PGE

Relembro este episódio motivado pela representação que o PSDB protocolou no último dia 23 de julho na Procuradoria Geral Eleitoral com o objetivo de “denunciar a utilização de organizações, blogs e sites financiados com dinheiro público, oriundo de órgãos da administração direta e de estatais, como verdadeiras centrais de coação e difamação de instituições democráticas. Da mesma forma, pretende-se denunciar a utilização de tais blogs e sites como instrumento ilegal de propaganda eleitoral”.

Baseada em matérias jornalísticas publicadas na revista Veja, e nos jornais O Globo e na Folha de S.Paulo, a representação denuncia (1) a utilização de blogs e sites “para desmoralizar o Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento do ‘mensalão’”; (2) a conclamação de organizações para defender réus da Ação Penal 470; e (3) a utilização de blogs para “fazer propaganda eleitoral para candidatos apoiados pelo Partido dos Trabalhadores”.

Conclui a representação que “as notícias (...) transcritas revelam claramente a prática de atos ímprobos e de ilícito eleitoral consubstanciados, não só em atentado aos princípios da administração pública, mas principalmente no recebimento indireto de doação por meio de apoio e publicidade custeada com o desvio de recursos públicos, sendo necessária a apuração dos fatos e a punição dos responsáveis na forma da lei” – e requer, especificamente:

a) apurar as fontes públicas de financiamento/receita das empresas e pessoas físicas (...) em especial da empresa PHA Comunicação e Serviços S/C Ltda., inscrita no CNPJ sob o nº 01.681.373/0001-38 e da empresa Dinheiro Vivo Agência de Informações S/A, inscrita no CNPJ sob o nº 58.732.710/0001-96;
b) apurar o desvio, ainda que indireto, de recursos públicos para a propaganda eleitoral de candidatos apoiados pelo Partido dos Trabalhadores – PT;
c) instaurar investigação destinada a apurar a prática de ato de improbidade [ver íntegra aqui].

Alguma novidade?

O comportamento antidemocrático de certos setores que se apresentam publicamente como defensores da democracia não constitui exatamente uma surpresa para quem acompanha a vida política do nosso país. Historicamente, o “liberalismo” brasileiro tem convivido, sem qualquer constrangimento, com posições não democráticas.

Não surpreende, portanto, que a defesa da liberdade de expressão – indevidamente associada à liberdade da imprensa – se caracterize por ser marcadamente seletiva. Quando se trata de opiniões divergentes, a resenha deve ser retirada do site (como aconteceu na RHBN) e/ou elas passam a ser consideradas como “coação e difamação de instituições democráticas”.
Tampouco surpreende que exista um posicionamento seletivo em relação ao financiamento público de veículos de comunicação. Como se sabe, entre nós o grande financiador da mídia tem sido o Estado, diretamente através da publicidade e/ou indiretamente através de financiamentos, empréstimos, subsídios, isenções fiscais etc., etc. [ver, no Observatório da Imprensa, “Quem financia a mídia pública?” e “Quem financia a mídia privada?”]

Não consta que tenha incomodado a esses setores – que agora protocolam representação junto à Procuradoria Geral Eleitoral – o apoio editorial e “jornalístico” explícito a candidatos de oposição que tem caracterizado o comportamento de boa parte da grande mídia em períodos eleitorais recentes [cf., por exemplo, Venício A. de Lima, A Mídia nas Eleições de 2006; Editora Perseu Abramo, 2007]

O contraponto dos “blogs sujos”

O professor Bernardo Kucinski argumenta que o surgimento da Última Hora, no segundo governo Vargas (1951-1954), “constitui o único momento na história da imprensa brasileira em que tanto a burguesia como o campo popular constituem um espaço público por intermédio de grandes veículos de comunicação e debatem nesse espaço com armas equivalentes”.

E continua:

“(...) em todos os outros momentos da vida brasileira o que temos é um espaço público uniclassista, elitista e estreito, a ponto de se desenvolver um espaço público alternativo, menor, contra-hegemônico, constituído por pasquins, no século passado [19], pelos jornais anarquistas, no começo deste século [20] ou pela imprensa alternativa, nos anos 70, quando então o espaço público alternativo torna-se o único espaço público, tal era a identidade e coincidência de interesses entre o estado e a burguesia” [cf. A Síndrome da Antena Parabólica, Editora Perseu Abramo, 1998].

Os “blogs sujos” estão de fato se transformando em importante contraponto ao discurso homogêneo da grande mídia dominante.

Essa talvez seja a grande novidade.

E isso, sim, parece ser intolerável para alguns setores – falsos paladinos – que ostentam publicamente a bandeira da liberdade de expressão e da democracia entre nós.

Venício A. de Lima, jornalista, professor aposentado da UnB e autor de, entre outros livros, Política de Comunicações: um balanço dos Governos Lula (2003-2010). Editora Publisher Brasil, 2012.

(*) Publicado originalmente no Observatório da Imprensa.

No Carta Maior

Agressor de mulher terá de indenizar INSS em caso de morte ou afastamento da vítima

Por: Rodrigo Gomes, no Rede Brasil Atual 

VIOLENCIACom objetivo de enfrentar a violência contra a mulher, a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) da Presidência da República firma hoje (31), em Brasília, um acordo de cooperação com o Ministério da Previdência Social (MPS) e o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Dentre as ações estão a identificação dos casos que envolvam violência doméstica, a responsabilização financeira do agressor e a garantia da concessão dos benefícios previdenciários e assistenciais à vítima. As beneficiárias serão mulheres seguradas pela Previdência Social.

De acordo com nota divulgada pela assessoria da SPM, será instituído um mecanismo de reparação à previdência dos valores gastos com os benefícios, que serão cobrados do agressor. “Na prática isso significa que o INSS vai responsabilizar o agressor para que ele devolva aos cofres públicos os valores pagos à vítima”, explica a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da SPM, Aparecida Gonçalves. Essa atuação será feita em parceria entre INSS e Advocacia Geral da União (AGU).

A parceria pretende ainda a capacitação de funcionários da previdência para atender mulheres que se declarem vítimas de violência e ações educativas para informar a população sobre a Lei Maria da Penha, a violência doméstica e a concessão dos benefícios previdenciários. “A Previdência Social tem um diálogo direto com milhões de brasileiras. Nosso objetivo é que as mulheres conheçam seus direitos assegurados pela lei”, completa a secretária Aparecida Gonçalves.

Hoje o INSS concede benefícios a mulheres vítimas de agressão, em casos de auxílio-doença, invalidez ou pensão por morte. A denúncia na delegacia da mulher e os procedimentos legais não mudam. O que se ampliará são as formas de repressão à prática de violência – além da prisão, uma cobrança judicial contra o agressor. O primeiro a quem se vai pedir o ressarcimento aos cofres públicos é o agressor da farmacêutica Maria da Penha, que da nome à lei. Ele a deixou paraplégica com um tiro e o INSS pretende protocolar a ação em 7 de agosto, data em que a legislação de proteção à mulher completa 6 anos.

Charge Online do Bessinha # 139

Bessinha #139

FHC diz que opinião pública deve influenciar o STF

No: CartaCapital 

fhcAs vésperas do julgamento do chamado “mensalão” no Supremo Tribunal Federal, o PSDB escalou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para registrar em vídeo as suas “expectativas” sobre o caso. O tucano gravou três mensagens para o site Observador Político, financiado pelo Instituto FHC. O primeiro deles foi publicado na segunda-feira 30.

Nele, Fernando Henrique defende que a opinião pública deve ser levada em conta no julgamento. Faltou explicar sobre “qual opinião pública” ele se referia. “Claro que o juiz julga pela lei, mas a lei não é algo que tenha relação com a vida. Claro que (a opinião pública) não pode substituir a lei, mas a existência de opiniões na sociedade faz parte de um processo que é eminentemente político.”

Tentando valorizar as sessões do STF, o ex-presidente disse que este será “um julgamento que pode marcar a história”. “O comentário de que não há punição no Brasil e que a corrupção está ligada a isso é frequente”, afirmou. “O que for correto, absolve.  O que for crime, castiga”.

Na quinta-feira 2 terá início a decisão sobre o destino dos 38 réus acusados pelo Ministério Público Federal de integrarem o esquema. O julgamento deve durar mais de um mês e se prolongar ao longo da campanha eleitoral.

Serviço Secreto de FHC monitorou militantes antineoliberalismo

Documentos sigilosos do governo FHC, já desclassificados, indicam que militantes e políticos de esquerda, do Brasil e do exterior, foram monitorados pelo serviço secreto quando participavam de atividades antineoliberalismo. “Me assusta saber que um governo tido como democrático tutelou de forma ilegal pessoas que participavam de eventos pacíficos, que não representavam nenhuma ameaça à segurança nacional”, afirmou à Carta Maior o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

Najla Passos (*), no Carta Maior

foto_mat_36805Documentos sigilosos do governo Fernando Henrique Cardoso, abertos à consulta pública no Arquivo Nacional, indicam que militantes e políticos de esquerda que participavam de seminários, encontros e fóruns contra o neoliberalismo foram monitorados pela Subsecretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), o órgão que substituiu o Serviço Nacional de Inteligência (SNI), em 1990, até a criação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), em 1999.

Como a maioria dos documentos desclassificados são os de nível reservado e se referem apenas ao período 1995-1999, não é possível precisar o grau deste monitoramento. Pela nova Lei de Acesso à Informação, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff em maio, os documentos reservados são liberados decorridos cinco anos, os secretos, 15 e os ultrassecretos, os mais importantes, somente após 25 anos. Mas o acervo já disponível deixa clara a linha de atuação do serviço.

Há registros que fazem referências explícitas às informações colhidas em revistas e jornais, prática tida como recorrente no serviço que perdera status e orçamento após o fim da ditadura. Mas outros revelam espionagem direta. O seminário “Neoliberalismo e soberania”, por exemplo, promovido pela Associação Cultural José Marti, a Casa da Amizade Brasil-Cuba, no Rio de Janeiro, de 5 a 9 de setembro de 1999, foi integralmente gravado em 12 fitas cassetes, entregues ao escritório central da SAE.

Chiapas

Em julho de 1996, o serviço deu especial atenção à realização, em Chiapas, no México, do Encontro Internacional pela Humanidade e contra o Neoliberalismo. “A significativa presença internacional de ativistas de esquerda transforma a região em novo polo de atração revolucionária latinoamericana”, dizia o documento produzido pelo escritório central da SAE. Os relatórios também contêm pautas de discussões, análise de conjuntura e listas de participantes brasileiros.

O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, figura nesta lista. “Me assusta muito saber que um governo tido como democrático tutelou de forma ilegal pessoas que participavam de eventos absolutamente pacíficos, que não representavam nenhuma ameaça à segurança nacional”, afirmou à Carta Maior. Na época secretário nacional de Comunicação do PT, o ministro disse recordar-se que não divulgara sua participação no evento. “É possível até que a SAE tenha contado com o apoio de algum serviço secreto de outro país”, acrescentou.

Mesmo fazendo a ressalva de que tais procedimentos poderiam não ser de total conhecimento do presidente à época e que as informações sobre a natureza do trabalho da SAE no período ainda estão incompletas, o ministro avalia que a simples menção do nome de uma pessoa que participou de um evento democrático em documentos oficiais do serviço secreto é uma prática condenável. “O que a gente espera do serviço secreto de um governo democrático é que ele esteja atuando para defender as fronteiras do país, evitar ameaças externas, e não para monitorar pessoas que estavam lutando pelo aprimoramento da democracia”, acrescentou.

O coordenador do Projeto Memória e Verdade da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, Gilney Viana, na época deputado federal pelo PT, foi outro fichado por participar do evento em Chiapas. Ex-preso político da ditadura por dez anos, ele sabia que seus passos foram ostensivamente seguidos pelos agentes secretos até a extinção do SNI, mas ficou chocado ao saber que continuou a ser alvo durante um governo democrático. “Eu até compreenderia que os Estados Unidos estivessem monitorando o evento de Chiapas, mas o serviço secreto brasileiro realmente me surpreendeu”, disse.

Belém

O II Encontro pela Humanidade e contra o Neoliberalismo mereceu atenção redobrada por ter sido realizado em território brasileiro. Mesmo as etapas preparatórias do evento, que ocorreu em Belém (PA), de 6 a 11 de dezembro de 1999, estão registradas na SAE. Um relatório antecipa a mensagem do subcomandante Marcos, do Exército Zapatista para Libertação Nacional do México, para o evento. Há relações de participantes e descrição dos assuntos debatidos nas etapas preparatórias de pelo menos Belém, Salvador, Brasília e Macapá.

O lançamento do evento, patrocinado pela prefeitura de Belém, também foi documentado. No relatório da SAE, há a informação de que os organizadores queriam incrementar a geração de recursos por meio da venda de objetos com a logomarca do evento, a realização de shows com artistas locais bem como com as inscrições. Entre os participantes do II Encontro, estão o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a filósofa Marilena Chauí, o sociólogo Chico de Oliveira e o ex-governador do Rio Leonel Brizola, além dos escritores José Saramago e Luiz Fernando Veríssimo.

Foro de São Paulo

Considerado à época o principal organismo aglutinador de partidos e entidades de esquerda do continente, o Foro de São Paulo, criado em 1990 pelo PT com o apoio do então presidente cubano Fidel Castro, também teve suas atividades amplamente monitoradas. A 6ª edição, realizada em El Salvador, em julho de 1996, está registrada em relatório sobre as atividades internacionalistas do PT.

A 7ª edição, que aconteceu em Porto Alegre (RS), em 1997, foi ainda mais espionada. O pacote de documentos relativos ao evento inclui relatórios setoriais produzidos pelos grupos de trabalho, lista completa de presenças e até fotos dos participantes. São citadas lideranças de esquerda, nacionais e internacionais. Entre os brasileiros, o ministro Gilberto de Carvalho, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro e o deputado estadual gaúcho, Raul Pont (PT).

Em relatório específico, a SAE observou que, durante o evento, o então ex-prefeito da capital gaúcha Tarso Genro havia lançado o livro “O orçamento participativo – a experiência de Porto Alegre”, escrito em parceria com o então secretário de formação do PT, Ubiratan de Souza, classificado como “ex-militante da VPR”.

Os relatórios relativos à 8ª edição, que ocorreu no México, em 1999, registraram as presenças de vários brasileiros, como o atual líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) e do hoje assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.

Grupo do México

O 4º Encontro do Grupo do México, realizado em Santiago, no Chile, nos dias 10 e 11 de maio de 1997, foi registrado pela SAE em relatório como o “marco do surgimento de uma política que transcende a esquerda”. De acordo com o serviço secreto brasileiro, “o Grupo do México é formado por representantes de partidos de centro-esquerda e teve sua origem a partir do PNUD, com o objetivo de buscar a construção de um projeto econômico para a América Latina, alternativo aos padrões neoliberais”.

Na documentação, estão descritos os principais pontos de unidade entre os presentes e há uma lista com os nomes dos brasileiros presentes. Entre eles, o ex-presidente Lula, seus ex-ministros petistas José Dirceu e Mangabeira Unger, o ex-governador do Rio, Leonel Brizola (PDT), os ex-deputados Vivaldo Barbosa (PDT-RJ) e Zaire Resende (PMDB-MG), além de Marco Aurélio Garcia e Tarso Genro, entre outros.

Attac no Brasil

O diretor-presidente da Carta Maior, Joaquim Palhares, também foi citado em documentos da SAE, principalmente por ter sido, em 1996, ao lado do ativista Chico Whitaker, um dos fundadores no Brasil da Associação pela Tributação das Transações Financeiras para ajuda aos Cidadãos (Attac), criada na França, com o objetivo de instituir um imposto sobre transações financeiras internacionais. “Muitos militantes de esquerda ainda tinham a impressão de estarem sendo monitorados mesmo após a ditadura. Mesmo assim, a confirmação desta prática causa indignação”, afirma.

Crítica contundente da ciranda financeira de capitais voláteis alimentada pelo neoliberalismo, a Attac foi preocupação constante para a SAE. A visita ao Brasil do presidente internacional a entidade, o ativista francês e diretor do jornal Le Monde Diplomatique, Bernardo Cassen, entre 1 a 5 de março de 1999, foi acompanhada com atenção. Os relatórios do serviço informam que Cassen proferiu palestras em cinco capitais brasileiras (Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre), nas quais apresentava os objetivos da organização, traçava o histórico da crise econômica mundial, defendia a adoção da chamada Taxa Tobin para a taxação do capital especulativo internacional e exortava as plateias a lutarem contra o projeto neoliberal.

Nos documentos produzidos, também constavam os nomes dos militantes identificados nas plateias de Cassen. Do escritório da SAE em Belo Horizonte, por exemplo, chegou o informe das participações de Lula, então presidente do PT, do coordenador do MST, João Pedro Stédile, do ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, do geógrafo Milton Santos e do cientista político Cezar Benjamin, entre outros. Os ex-presidente Lula tinha suas atividades relatadas pela SAE, tanto pela sua militância antineoliberalismo como por ser o principal adversário político de FHC.

Viagens a Cuba

Mesmo com o fim da guerra fria e da ditadura, as viagens de brasileiros a Cuba continuaram a ser alvo de preocupação do serviço secreto. Principalmente quando se cruzavam com a luta antineoliberal. De 21 de julho a 21 de agosto de 1996, foi realizado, em Cuba, o curso de formação sindical “Neoliberalismo e Globalização da Economia”. Informes registram a participação de brasileiros, entre eles os sindicalistas Adriano Torquato, Francisco Nascimento Araújo, José Nunes Passos e Nonato César.

Há relatório de alerta para a realização em Cuba, em 1997, do Seminário Internacional sobre o Neoliberalismo, promovido pela Federação Mundial da Juventude Democrática, com a presença de militantes do MR8. No relatório pós-evento, está relatada a participação de 1,2 mil trabalhadores de 453 organizações sindicais, políticas e acadêmicas de 63 países. Do Brasil, participaram cerca de 300 sindicalistas, incluindo representantes da CUT. Há menção detalhada dos participantes. Um informe exclusivo apontava, por exemplo, o embarque de dois vereadores de Montes Claros (MG): Aldair Fagundes (PT) e Lipa Xavier (PCdoB).

Outro informe alertava que a edição seguinte seria realizada no Brasil, em 1999. O evento, organizado pela CUT, no Rio de Janeiro, de 1 a 3 de setembro de 1999, também foi documentado pelo serviço, que apresentou os textos integrais da declaração da Federação Sindical Internacional, do discurso do delegado de Cuba, Pedro Ross Leal, do delegado da França, Freddy Huck, e a proposta da CUT, entre outros.

Atividades internacionais do MST

Em 1996, a SAE acompanhou a participação integrantes do MST no seminário “Crisis del Neoliberalismo Y Vigências de las Utopias em La America Latina”, na Argentina, entre os dias 8 e 13 de outubro. Antes do embarque dos militantes sem-terra, um informe produzido pelo escritório central já alertava sobre a viagem.

Também em 1996, o serviço registrou a participação do coordenador do MST, João Pedro Stédile, no seminário América Livre, em Buenos Aires, com Emir Sader e Frei Betto.

Atividades rotineiras

Sader é citado também por sua participação em eventos comuns, como o lançamento do livro “O século do crime”, dos jornalistas José Arbex Junior e Cláudio Tognolli, em São Paulo, no dia 7 de agosto de 1996. Conforme o relatório da SAE, os autores “enfatizaram que a proliferação e o crescimento das máfias foram estimulados pela era neoliberal”.

O mesmo ocorreu com o deputado estadual gaúcho Raul Pont (PT), monitorado tanto quando participava de eventos internacionais, como o Foro de São Paulo, quanto em atividades rotineiras. A SAE registrou, por exemplo, que em novembro de 1995, quando era vice-prefeito de Porto Alegre, Pont foi recebido por papeleiros da Associação Profetas da Ecologia, na companhia do teólogo Leonardo Boff. “Eu me lembro vagamente que visitei essa cooperativa, que tinha o apoio da prefeitura e realizava um trabalho pioneiro em reciclagem de lixo”, relatou à Carta Maior.

De acordo com o relatório da SAE, o registro do evento se deu porque Boff relacionava os problemas ambientais do planeta à adoção crescente do modelo neoliberal. “Esta foi uma das atividades mais pacíficas de que já participei. Não havia nada que indicasse perigo ao governo da época. É difícil acreditar que esse tipo de coisa ocorria no governo do príncipe da sociologia”, disse.

Estudos sobre a doutrina

Um documento produzido em 1997 pelo escritório central da SAE justifica a importância dada ao tema neoliberalismo. Conforme a interpretação dos arapongas oficiais, o neoliberalismo é a teoria econômica criada após a segunda guerra como anteparo a expansão do comunismo no mundo. Teve a Inglaterra e os EUA como seus principais defensores e caracteriza-se, basicamente, pelo livre comércio, austeridade nas contas públicas, privatização, crescimento do sistema financeiro e fortalecimento do mercado.

Os agentes da SAE se debruçavam também sobre obras relativas ao tema produzidas por intelectuais de esquerda. O professor da Universidade de Nova York, James Petras, que já tinha suas atividades monitoradas pelo SNI desde a ditadura, recebeu atenção especial.

O livro “Latin American: The left strikes”, sobre a atuação das esquerdas latinoamericanas em contraposição ao neoliberalismo e à globalização, liderados pelos Estados Unidos, foi objetivo de relatório específico, principalmente porque destacava que as esquerdas latinoamericanas já haviam encontrado uma nova e eficiente forma de atuação. Os exemplos citados na obra são o MST, no Brasil, os Zapatistas, no México, as organizações camponesas, no Paraguai, e os plantadores de coca, na Bolívia e na Colômbia. Todos eles movimentos monitorados pelo sistema.

Em 1999, a SAE voltou a dividir com todo o sistema de inteligência o conteúdo de um outro livro de Petras, o recém lançado “Neoliberalismo, América Latina, Estados Unidos e Europa”. Um documento produzido pelo escritório do Rio de Janeiro resumiu os capítulos da obra e ainda relatou atividades correlatas promovidas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Antes disso, o serviço secreto registrou a visita de Petras ao Brasil para o lançamento da obra, ocorrido em 20 de maio de 1999, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UER

Mais higienismo: Kassab ameaça fechar roda de samba em SP

Há duas semanas guardas interrompem a tradicional roda, realizada há 12 anos

Por: Mario Henrique de Oliveira, do SpressoSP | No: Rede Brasil Atual 

roda-de-sambaMais um foco cultural da cidade de São Paulo pode ser fechado. O alvo agora é a tradicional roda de samba que ocorre há quase 12 anos toda sexta-feira no Largo de Santa Cecília, na região central. Nas duas últimas semanas o samba foi interrompido pela Guarda Civil Municipal. “Nas duas últimas sextas tivemos de acabar mais cedo, por volta das 21 horas por causa da GCM”, disse Demétrio Atra, presidente do Bloco Carnavalesco Filhos da Santa, que promove a roda.

Segundo Atra, os sambistas já alteraram o horário da roda para não incomodar a vizinhança. “Nossa roda é antiga e conta com o apoio da igreja, do padre e da comunidade. Antigamente fazíamos das 19 às 23 horas, mas diminuímos o tempo para ser das 20 às 22 horas, respeitando o horário da última missa, que é às 19h, e a lei do silêncio, para não incomodar os vizinhos”, afirmou.

Ainda de acordo com Atra, não houve explicações sobre o motivo de a GCM acabar com o samba. “Quando a gente perguntava por que não podíamos continuar com a roda simplesmente respondiam ‘porque não’”, completou. “Não respeitaram ninguém. Na nossa roda tem mulher, criança e idoso. Quem via de fora achava que estávamos cometendo algum crime e não nos informaram de nada.”

Atra e outros representantes do bloco compareceram na última quarta-feira à reunião do Conselho de Segurança do bairro (Conseg). Lá, eles ouviram do representante da GCM que se tratava de cumprimento de ordem e que, caso alguém faça uma denúncia, é dever deles ir até o local. A GCM ainda teria dito que a cena pode se repetir nesta sexta-feira.

“Achei estranho ele falar isso. A gente tava na quarta e ele já sabia que ia ter uma ligação para reclamar da roda na sexta? Como é que é isso?”, questiona Atra. O presidente acredita que alguém esteja querendo tirar o samba de Santa Cecília, esvaziando ainda mais a região. “É um dos poucos focos culturais do nosso bairro. Nunca vi ninguém da Secretaria de Cultura vir até aqui e propor alguma coisa. Fazemos oficinas com as crianças, ensinando um instrumento musical, agora querem acabar com isso”, disse.

Para lutar contra o encerramento da roda de samba um abaixo-assinado já está circulando pela internet. Segundo Atra, até sexta-feira já haviam sido coletadas 539 assinaturas. Clique aqui para assinar.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Veja e Cachoeira, sempre juntos!

Suposto dossiê de Veja foi usado em chantagem para soltar Cachoeira, diz juiz

Veja-CachoeiraMais uma vez, o nome da revista Veja foi envolvido em  denúncias associadas ao  bicheiro Carlinhos Cachoeira. Em entrevista ao R7, o juiz federal Alderico Rocha Santos revelou como foi chantageado pela mulher do contraventor, Andressa Mendonça. O magistrado afirma que foi ameaçado por Andressa com um suposto  dossiê, que teria sido produzido contra ele pelo jornalista Policarpo Júnior, redator-chefe da revista Veja em Brasília, a pedido do bicheiro.

“Ela me perguntou se eu já tinha ouvido falar do  Policarpo (Júnior). Disse que ele tinha um dossiê contra mim, mas que tinha ligado pra ele, pedindo pra não divulgar enquanto ela não falasse comigo”.

A acusação de chantagem foi feita nesta segunda-feira (30) pelo próprio juiz em um documento encaminhado ao MPF (Ministério Público Federal). Alderico disse ao R7 que Andressa insistiu em falar com ele, na última quinta-feira (26) no prédio da Justiça Federal em Goiânia.

“Ela pediu várias vezes para eu soltar o Cachoeira, disse que a prisão era injusta e que, se eu o liberasse, o dossiê não seria divulgado (pela Veja)”.

O juiz conta que Andressa escreveu num pedaço de papel três nomes que “comprometeriam” Alderico. Os nomes foram: Marcelo Miranda, Maranhense e Luiz.

Alderico Rocha Santos afirma que apenas conhece os dois primeiros e não tem qualquer relação com eles. "Luiz" seria um amigo seu, e a relação não teria nada de comprometedor.

“Falei para Andressa: ‘Não sei se você tem fotos minhas com ele (Luiz, o amigo citado). Se não tiver foto minha com ele, eu tiro a hora que você quiser’”.

Por causa da chantagem, a empresária foi detida nesta segunda-feira (30) em Goiânia. Andressa foi interrogada na Superintendência da Polícia Federal da cidade e terá que pagar fiança de R$ 100 mil. Se não fizer o pagamento, ela terá a prisão preventiva decretada.

O juiz diz que tem dúvidas sobre a existência de um dossiê contra ele:

“Não sei se ela (Andressa) estava usando o nome dele (Policarpo Júnior) indevidamente. Até acredito que sim. Pelo que sei, ele é um jornalista competente”.

Procurada pelo R7, a assessoria da Editora Abril enviou uma nota informando que “a direção da Veja afirma que seu departamento jurídico está tomando providências para processar o autor da calúnia que tenta envolver de maneira criminosa a revista e seu jornalista com uma acusação absurda, falsa e agressivamente contrária aos nossos padrões éticos”.

Andressa Mendonça também foi procurada pela reportagem do R7, mas até o momento ela não atendeu as ligações.

Veja e Cachoeira

Em abril, o Domingo Espetacular, da TV Record, já havia denunciado os laços entre Carlinhos Cachoeira e Policarpo Júnior. Documentos a que o programa teve acesso mostravam a influência do bicheiro na publicação da Editora Abril.

O MPF vai investigar o caso e deve ouvir Policarpo Júnior, da Veja, para que ele explique o envolvimento que ele tem com Cachoeira.

Charge Online do Bessinha # 138

Bessinha #138

Lista do mensalão tucano é notícia, menos para a nossa mídia

Por: Helena Sthephanowitz, no Rede Brasil Atual 

midia-golpistaCausa estranheza o silêncio nas redações da velha imprensa sobre a publicação na revista CartaCapital desta semana dos documentos que mostram o caixa 2 da campanha de reeleição do tucano Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais em 1998. O pouco que foi publicado a respeito foi Marcos Valério negando a autoria do documento (curioso é que quando o mensalão é tucano, a simples negativa de Valério é aceita sem maiores apurações jornalísticas).

Também apareceram declarações do ministro do STF Gilmar Mendes, negando ter recebido R$ 185 mil constantes na listagem, inclusive dizendo que na época não estava na Advocacia Geral da União (AGU), como sugere a matéria, e sim servindo na Casa Civil do governo Fernando Henrique Cardoso.

Anexo à listagem, tem cópias de depósitos e transferências bancárias que confirmam alguns nomes e valores da lista. Não há destes comprovantes para valores mais altos, que correspondem à maioria de políticos e autoridades famosas, como Aécio Neves, FHC e o próprio Gilmar Mendes (o que tem lógica, para não serem captados pelos alertas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – Coaf, nem deixar rastros).

O fato é que não dá para a velha imprensa esconder essa denúncia do noticiário político. Se for verdadeira é grave e se for falsa também, pois é do interesse do próprio Gilmar Mendes esclarecer quem estaria envolvendo seu nome no mensalão tucano.

Afinal a quem interessaria incluir o nome de Mendes nesta listagem? Ele não é candidato a cargos políticos para ser abatido por escândalos. E se o material for parte de um dossiê político falso, forjado por adversários inescrupulosos, não interessaria colocar um ministro do STF na confusão, porque dividiria as atenções com o alvo, sob risco de enfraquecer e desviar o foco dos políticos do PSDB.

Assim, o mais lógico é que, ou o conteúdo da listagem é verdadeiro na íntegra, ou é parcialmente verdadeiro, e quem estava nela é que se interessou em incluir nomes do Judiciário para causar confusão e anular provas de processos.

É assunto para Polícia Federal esclarecer, mas também para imprensa informar. A CartaCapital publicou na internet a íntegra dos documentos que teve acesso, mostrando-se sintonizada com o jornalismo deste século. A imprensa alternativa, blogs e redes sociais também estão tratando do assunto com a dimensão que merece. O vexame da tentativa de abafar a notícia fica por conta da velha imprensa corporativa.

Mulher de Cachoeira deve pagar fiança por tentativa de corromper juiz

No: Estadão

cpi-cachoeira-20120522-12-size-598A mulher do contraventor Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça, foi liberada após prestar esclarecimentos na Superintendência da Polícia Federal em Goiânia, na manhã desta segunda-feira, 30. Segundo a PF, ela é suspeita de tentar subornar um juiz federal para beneficiar seu marido em julgamento.

De acordo com a Policia Federal, a mulher de Cachoeira teria procurado o juiz federal, Alderico da Rocha Santos, em seu gabinete, na quinta-feira da semana passada. Momentos após a audiência dos réus na Operação Monte Carlo. Foi quando ela teria dito ao juiz estar de posse de um dossiê contra ele, que seria veiculado por uma revista de circulação nacional. Teria escrito ainda num papel o nome de outras três pessoas que seriam denunciadas por meio do suposto dossiê. O juiz entendeu a situação como corrupção ativa, previsto pelo Código Penal, e acionou a PF.

Após cerca de três horas na Superintendência da PF, Andressa saiu sem óculos escuros, cabeça baixa, sem dar entrevistas e sem distribuir sorrisos como de hábito. De acordo com o delegado Sandro Paes Sandre, da Policia Federal em Goiás, ela terá de pagar fiança de R$ 100 mil em até três dias, em dinheiro. Caso contrário, será decretada a prisão preventiva.

O delegado informou ainda que Andressa está proibida de ter contato ou visitar Cachoeira, preso desde o mês de fevereiro, e atualmente detido na Penitenciária da Papuda (DF). Como é monitorada pela PF, Andressa também está impedida de entrar em contato com pessoas vinculadas ao processo da Operação Monte Carlo.

Segundo a PF, a mulher do bicheiro chorou muito, no momento em que foi detida. Na casa dela, a polícia apreendeu dois computadores, tablets, celulares e documentos.

domingo, 29 de julho de 2012

O mensalão e o photoshop de um tempo histórico

No: Carta Maior 

Quando Serra ataca blogs críticos, classificando-os de “sujos”, ou se refere ao PT como um partido que usa métodos nazistas, e Veja faz do photoshop seu principal argumento “jornalístico” na demonização de lideranças adversárias - como na capa da edição desta semana, com o ex-ministro José Dirceu -, o objetivo é infantilizar o discernimento da sociedade, quebrar seu senso crítico para inocular valores e legitimar interesses que de outro modo figurariam como controversos, ou mesmo intragáveis, no imaginário social.

A infantilização da política é a tradução 'popularesca' da judicialização, o recurso extremo de um tempo em que projetos e referências históricas do conservadorismo foram tragados pela conflagração entre os seus interesses e as urgências da sociedade humana, entre elas a urgência ambiental e a urgência, a ela associada, de se convergir para formas mais sustentáveis de produção e repartição da riqueza.

Órfãos da crise do Estado mínimo, açoitados diariamente pelo noticiário econômico, soterrados nos escombros das finanças desreguladas - aqui e alhures - que argumento lhes resta, além do photoshop dos fatos na tentativa, algo derrisória, de ainda vender peixe podre como iguaria inexcedível?

Nos EUA, a extrema direita e seus veículos, a exemplo das respectivas versões tupiniquins, usaram e abusaram do photoshop para implantar chifres demoníacos no perfil essencialmente cool de Obama, ademais de classificá-lo, ora de comunista, ora de nazista, com direito ao bigodinho do Führer. A extrema direita e a direita norte-americana não podem permitir a dissecação política do colapso financeiro - fruto de sua costela - em outro ambiente que não o photoshop e a barragem judicial às medidas requeridas pela desordem reinante.

Semi-informação, assim como a semi-cultura do bueiro televisivo, formam o lubrificante da infantilização e da impenetrável judicialização da política. O episódio chamado de “mensalão” cumpre o papel de prato de resistência dessa ração tóxica servida à opinião pública nacional. O tema efetivo do julgamento que se inicia esta semana no STF argüi os alicerces do sistema político brasileiro. O nebuloso financiamento privado das campanhas eleitorais, indissociável da rejeição conservadora ao financiamento público, é a contraparte de um interdito mais amplo à presença do Estado - leia-se, do interesse público - em todas as esferas da vida social e econômica.

A direita nativa - e seu dispositivo midiático - sabe que o cerne da questão refere-se à prática do caixa 2 de campanha, uma degeneração intrínseca à entrega de um bem público, a eleição, à lógica de mercado. O jogo do toma-lá-dá-cá instaurado a partir da indução à busca de recursos privados não poupa direita ou esquerda. Todos os partidos foram e são reféns desse moedor que abastarda projetos e rebaixa a soberania democrática.

O PSDB de Serra, por sinal, desfruta o cume do pódium como pioneiro e virtuose, com o comprovado engate do valerioduto mineiro ao caixa 2 da fracassada tentativa de reeleição do ex-presidente do partido, Eduardo Azeredo, em 1998. Romper esse dínamo implica, na verdade, alargar as fronteiras da democracia, libertando-a não apenas do dinheiro privado, mas também dos limites exauridos do sistema representativo, revitalizando-o com a ampliação de mecanismos de consultas e referendos mais regulares e adequados às demandas de participação da cidadania.

O photoshop da Veja responde a esse divisor histórico desenhando chifrezinhos colegiais em Chávez, por exemplo. Ao reduzir a crise da economia e da sociedade a um tanquinho de areia, a direita brasileira quer garantir o seu recreio nas próximas semanas, fantasiando a hora do lanche à sua conveniência, com a esperada ajuda de alguns bedéis togados. Pode ser que atinja seu objetivo.Mas o fará no efêmero espaço do faz de conta judicial em que pretende circunscrever a história. O mundo real, que o photoshop tenta desesperadamente congelar, esse já ruiu.

SP: Aumenta apoio à extinção da PM

Mais de 300 pessoas se aglomeraram no MP Federal exigindo mudanças na conduta da segurança pública em São Paulo, bem como a construção de uma campanha que pressione o poder público e conscientize a sociedade sobre a problemática da violência estatal. Precisamos acabar com essa roleta russa que pode estourar na cabeça de qualquer pessoa”, disse Daniela Skromov, do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública

Por: Isabel Harari e Mailliw Serafim, no Carta Maior 

Alckmim Nazista“É o melhor exercício da democracia representativa. Tantas pessoas e entidades reunidas para um mesmo fim. Precisamos acabar com essa roleta russa que pode estourar na cabeça de qualquer pessoa”, disse Daniela Skromov, do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública, no inicio da Audiência Pública que ocorreu no último dia 26, acerca do extermínio de jovens que vem ocorrendo no estado de São Paulo desde maio.

Estima-se que 200 mortes já ocorreram neste período. Mais de 300 pessoas se aglomeraram no Ministério Público Federal exigindo mudanças efetivas na atual conduta da segurança pública na capital, bem como a construção de uma campanha que pressione o poder público e conscientize a sociedade sobre a problemática da violência estatal.

Matheus Beraldi, procurador da República, criticou a atual conjuntura da polícia e apontou para a necessidade de uma ação concreta contra os crimes cometidos pela PM. “É preciso afastar imediatamente o comando da Polícia Militar. A estrutura ideológica da policia é de reforçamento da violência, criam-se assassinos incontroláveis, o ‘praça’ se tornou uma maquina de matar descontrolada”, afirmou.

violencia-policial“Nós temos em São Paulo 31 Pinheirinhos, porque temos 31 subprefeituras e 62 coronéis militares na ativa. É preciso eliminar a militarização da administração pública. É preciso extinguir a policia militar, é preciso extinguir todas as polícias”, afirmou Maurício Ribeiro Lopez, promotor de Justiça do Estado de São Paulo. Em média 600 homicídios são cometidos pela polícia por ano no estado, sem contar as cifras ocultas, casos não contabilizados. As execuções cometidas pela polícia não são computadas como homicídios, e sim como “mortes em confronto”, registrada como “resistência seguida de morte”.

Os casos envolvendo a polícia, em sua maioria, não são apurados de maneira efetiva. As cenas do crime são frequentemente alteradas pelos próprios PMs, através do “kit vela”, que consiste em uma série de objetos como armas frias e drogas para justificar as mortes ocorridas, por meio da criminalização da vítima. As investigações são arquivadas rapidamente e sem a possibilidade da família ou outras instâncias recorrerem. Na própria estrutura policial existem mecanismos autoritários que levam ao arquivamento do processo sem a devida perícia.

“A segurança pública é um direito humano. Foi uma recomendação da ONU acabar com a Polícia Militar”, afirmou Rose Nogueira à Carta Maior. “A polícia sai do quartel com uma doutrina de guerra na cabeça, o outro é sempre o inimigo, que tem que ser eliminado, e a estrutura recompensa o abuso de violência. É a impunidade que permite isso. O Brasil não teve justiça de transição efetiva após o período ditatorial, precisamos desvendar o que aconteceu na ditadura. Hoje temos o mesmo modelo, com nomes diferentes”, continuou Rose, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP.

O coronal Paes de Lira, da PM indagou a legitimidade da audiência. Segundo ele, ao ser chamada no calor dos acontecimentos é “tendenciosa e está contaminada ideologicamente”. No final do evento, ao ser questionado por um integrante do Movimento Mães de Maio acerca das mortes de seus familiares pela polícia, questionou o motivo da pergunta dizendo que “todos vamos morrer um dia”.

Durante a audiência, o coronel da PM jogou luz às conquistas obtidas pela polícia ao longo de sua história centenária. “O hall de serviços prestado pela polícia militar, em nada justifica as atrocidades cometidas recentemente”, rebateu Beraldi, procurador do Estado.
“A segurança pública não deve ser reformulada, ela deve ser extinta, é um modelo opressor e exterminador”, afirmou Débora Silva Maria, do Movimento Mães de Maio, que também apontou para a perseguição aos jornalistas que vem denunciando os crimes cometidos pela PM. “Não podemos aceitar que a liberdade de imprensa seja atacada dessa maneira, que a policia continue como na ditadura a dizer o que o jornalista pode dizer ou não”, completou Rose Nogueira.

Ao fim da audiência propostas e encaminhamentos foram levantados, como a unificação e desmilitarização das polícias, independência na perícia técnica (hoje vinculada à policia civil), transparência nos dados, proteção efetiva aos denunciantes policiais, entre outros. A federalização dos crimes foi apresentado como uma das principais medidas em conjunto com o fim da resistência seguida de morte.

Hihihi, nós, blogueiros sujos, rolamos de rir!

No: Guerrilheiros Virtuais
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sábado, 28 de julho de 2012

"Mensalão": a mídia golpista quer sangue



Por DiAfonso
Todas as investigações sobre o escândalo – na Polícia Federal, em CPIs, na imprensa – produziram provas. Em cima delas, os juízes decidirão o destino dos réus

Assim, a revista Época resume matéria em que trata da Ação Penal 470 ou, simplesmente, "Mensalão" [do PT, que fique claro!]. 

Há de se perguntar se as "provas produzidas na imprensa" têm a credibilidade da Veja, de O Globo, da Folha de S.Paulo, do Estadão e da própria Época. Sim, porque, quando donos de veículos de comunicação [leia-se, Roberto Civita] e jornalistas agem como bandidos [leia-se Policarpo Jr. e Gustavo Nogueira Ribeiro], fica difícil tomar tais investigações jornalísticas como parâmetro para um julgamento justo e isento das interferências políticas a que estarão sujeitos os réus [na verdade, eles já foram condenados por uma mídia que julga e condena à revelia das instâncias jurídicas].  

Vale notar, ainda, a "disposição" de certos ministros do STF [leia-se, sobretudo, Gilmar Mendes] em se aliarem ao que de mais podre existe nessa elite apeada do poder pelo voto popular.

Noutros tempos, é preciso destacar, o Grupo Folha tornou-se mais do que bandido, ao ceder seus carros para torturadores do regime militar.

Esta é a mídia que produz provas para um julgamento no STF...

Charge Online do Bessinha # 137

Bessinha #137

Valerioduto: confira a íntegra dos documentos

No: CartaCapital

ValeriodutoCartaCapital publica a íntegra dos documentos que registram o caixa 2 da campanha de reeleição do tucano Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais em 1998. Há uma lista de doadores e outra de beneficiários.

Neste último grupo, constam meios de comunicação, institutos de pesquisa e fornecedores de vários serviços de campanha que não necessariamente sabiam da movimentação ilegal de recursos. Podem ter recebido sem conhecer a origem do dinheiro que pagou por seus serviços. De qualquer forma, a contabilidade assinada e registrada em cartório pelo publicitário Marcos Valério de Souza mapeia o fluxo dos recursos não-registrados oficialmente. A diferença é colossal. Azeredo declarou ter gasto 8 milhões de reais, mas os números apontados pelo publicitário chegam a 104 milhões.

Também é possível acessar um documento intitulado Declaração para fins de prova judicial ou extrajudicial datado de 12 de setembro de 2007 e assinado por Marcos Valério de Souza. Nele, o publicitário declara um repasse de 4,5 milhões de reais a Azeredo.

Todos os papéis estavam em posse do advogado Dino Miraglia Filho, de Belo Horizonte, e foram entregues à Polícia Federal.

Certos assessores de imprensa disfarçados de jornalistas tentam desqualificar a lista pinçando nomes de empresas citadas e perguntando se elas se corromperiam por tão pouco. Não sabemos afirmar (nem esta é a questão, a não ser para a estratégia diversionista de certos assessores de imprensa). Mas achamos que se abre uma nova linha de investigação do valerioduto.

Confira abaixo a íntegra dos arquivos (em PDF):

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Documentos de pagamento

Parte01

Parte02

“Veja” queima seu último cartucho com Dirceu

NA ÚLTIMA EDIÇÃO ANTES DO JULGAMENTO, PUBLICAÇÃO FALA DE SUPOSTA TENTATIVA DE FUGA DO EX-MINISTRO; AO CONTRÁRIO DO QUE A REVISTA INFORMA, ELE ASSISTIRÁ AO JULGAMENTO DE UM SÍTIO EM VINHEDO (SP); SEGUNDO A DIREÇÃO DA REVISTA, JULGAMENTO IRÁ DEFINIR SE BRASILEIROS PODEM SE ORGULHAR OU NÃO DO PAÍS
No: Brasil 247

get_imgA revista Veja queimou seu último cartucho dirigido ao ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, neste fim de semana. Na derradeira reportagem antes do julgamento, que se inicia na próxima quinta-feira, Dirceu estampa a capa intitulada “réu”, mas cuja foto dá a entender “culpado”.

O texto, assinado por Otávio Cabral, traça um perfil psicológico do ex-ministro e fala do “lado escuro” da sua alma. Insinua, por exemplo, que o principal líder do PT, afora o ex-presidente Lula, talvez tenha sido agente infiltrado da ditadura. Ou eventual traidor de seus companheiros de guerrilha em Cuba.

Sobre o julgamento em si, uma única revelação. Diz o texto que Dirceu estaria cogitando fugir do Brasil, em caso de condenação. Isso mesmo, dar o fora. A única evidência seria uma frase, supostamente dita por ele, num jantar na casa do advogado Ernesto Tizulrinik: “Para quem já viveu o que eu vivi, sair daqui clandestino de novo não custa nada”. Na reportagem, não há quem confirme a frase, mas, enfim, haveria um plano de fuga, em caso de eventual condenação a prisão.

Veja aborda todas as possibilidades imaginadas pelo ex-ministro. Em caso de absolvição, ele cogitaria concorrer ao governo do Distrito Federal, em 2014, impedindo a reeleição de Agnelo Queiroz. Em caso de prisão, ele denunciaria o Brasil à OEA, caso é claro, não fuja. Mas o cenário mais provável, segundo a revista, seria uma condenação branda, por crimes já prescritos, sem pena de prisão.

Não é, no entanto, o que deseja a revista. Na sua Carta ao Leitor, Eurípedes Alcântara, diretor de Veja, expressa o desejo da Abril: “O que está em jogo é que página da história nossa geração escreveu neste começo de século XXI. Uma página que pode nos envergonhar ou da qual nós, nossos filhos e netos vamos nos orgulhar.”

Em tempo: Dirceu não pretende fugir do País. Acompanhará o julgamento de seu sítio, em Vinhedo (SP), ao lado de advogados.

Charge Online do Bessinha # 136

Bessinha #136

São Paulo ultrapassou todos os limites na violência policial

Matheus Baraldi, que pedirá o afastamento da cúpula da polícia paulista, critica "estrutura ideológica" que “cria assassinos”

Por: Gisele Brito, no Rede Brasil Atual

matheus_baraldiAo anunciar oficialmente que pretende pedir afastamento da cúpula da Polícia Militar de São Paulo, o procurador da República Matheus Baraldi criticou ontem (26) a “estrutura ideológica da violência” presente no dia a dia da corporação. “Essa estrutura ultrapassou todos os limites. Essa cultura da apologia da violência cria assassinos”, afirmou.

A fala ocorreu durante audiência pública que reuniu mais de 300 pessoas na sede do Ministério Público Federal de São Paulo, no centro da cidade. Em resposta, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que irá representar contra o procurador. 

Cerca de 200 pessoas foram mortas em apenas dois meses em circunstâncias com indícios de participação de grupos de extermínio formados inclusive por policiais. “Baseados em critérios internacionais, entendemos que é possível solicitar o afastamento do comando da PM”, disse Baraldi.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública afirmou que “a ideia propalada pelo procurador da República, de que a PM estaria descontrolada e teria que ter o comando substituído, é absurda e capciosa. A Polícia Militar é uma instituição preparada e serve de referência a outras polícias do País. É evidente que, numa corporação com mais de 90 mil homens, erros acontecem. Quando eles ocorrem – como nos dois casos da semana passada – os policiais são presos e, após procedimento disciplinar, expulsos”, em referência ao caso do empresário morto no bairro de Pinheiros, em São Paulo, e de um rapaz, em Santos. O carro que ele estava com outros cinco pessoas foi alvejado 25 vezes por policiais. 

O governador Geraldo Alckmin, que não compareceu à audiência nem mandou representante de nenhuma de suas secretarias, classificou a troca do comando da PM como “totalmente descabida” na manhã de ontem.

Para os organizadores da audiência, no entanto, os casos não podem ser vistos como isolados. “Em São Paulo morrem por ano cerca de 500 pessoas, em episódios classificados como resistência seguida de morte”, afirmou a defensora pública Daniela Skromov. Segundo ela, 20% das mortes violentas são de responsabilidade de policiais, enquanto parâmetros internacionais apontam apenas 3% como aceitáveis.

Em meio à audiência, o comandante geral da PM, o Coronel Roberval Ferreira, divulgou em seu Facebook uma carta aberta em que afirma que a polícia não irá se acovardar. A mensagem foi mal avaliada por participantes do ato público. “Temos que caminhar para uma segurança pública que esteja aliada ao respeito integral aos direitos humanos. Esse tipo de postura reativa de dizer que a polícia não irá se acovardar faz parte de um passado”, afirmou o defensor público Carlos Weis, que presidiu a mesa da audiência. Danilo Cara, do movimento Mães de Maio, e Rodolfo Valente, da Pastoral Carcerária, veem a declaração como mais uma “carta branca” do comando para a violência das tropas.

Apesar de defenderem pontos de vista opostos e vaiarem a fala uns aos outros diversas vezes durante a audiência, os representantes da sociedade civil e os de associações da polícia militar que compareceram para defender a corporação não pouparam críticas ao governador Geraldo Alckmin. “Nós não morremos de amores por esse governo, não morremos de amores pelos péssimos salários que eles nos pagam”, disse o coronel Paes de Lira, ex-comandante da PM de São Paulo e ex-Deputado Federal. No entanto, ele afirmou que a audiência foi chamada no “calor do momento” e que “uma corporação centenária não podia ser desmoralizada”.

Os organizadores da audiência propuseram a convocação de uma nova audiência daqui a três meses para reavaliar as ações propostas hoje. Eles se reunirão na segunda-feira (30) para preparar os documentos que serão enviados para a Procuradoria Geral da República.  

sexta-feira, 27 de julho de 2012

“Valerioduto” abasteceu FHC e Gilmar Mendes

Planilhas obtidas pela revista Carta Capital trazem pagamentos feitos a políticos, membros do judiciário e empresas de comunicação

No: Rede Brasil Atual

ValerioDutoReportagem da revista Carta Capital que chegou hoje (27) às bancas traz documentos reveladores e inéditos sobre a contabilidade do chamado “valerioduto tucano”, que ocorreu durante a campanha de reeleição do então governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998.

A matéria, assinada pelo repórter Leandro Fortes, mostra que receberam volumosas quantias do esquema, supostamente ilegal, personalidades do mundo político e do judiciário, além de empresas de comunicação, como a Editora Abril, que edita a Revista Veja.

Estão na lista o ministro Gilmar Mendes, do STF, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), os ex-senadores Artur Virgílio (PSDB-AM), Jorge Bornhausen (DEM-SC), Heráclito Fortes (DEM-PI) e Antero Paes de Barros (PSDB-MT), os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e José Agripino Maia (DEM-RN), o governador Marconi Perillo (PSDB-GO) e os ex-governadores Joaquim Roriz (PMDB) e José Roberto Arruda (ex-DEM), ambos do Distrito Federal, entre outros.

Também aparecem figuras de ponta do processo de privatização dos anos FHC, como Elena Landau, Luiz Carlos Mendonça de Barros e José Pimenta da Veiga.

Os documentos, com declarações, planilhas de pagamento e recibos comprobatórios, foram entregues ontem (26) à Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. Estão todos com assinatura reconhecida em cartório do empresário Marcos Valério de Souza – que anos mais tarde apareceria como operador de esquema parecido envolvendo o PT, o suposto “mensalão”, que começa a ser julgado pelo STF no próximo dia 2.

A papelada chegou às mãos da PF através do criminalista Dino Miraglia Filho, advogado da família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, que seria ligada ao esquema e foi assassinada em um flat de Belo Horizonte em agosto de 2000.

Segundo a revista, Gilmar Mendes teria recebido R$ 185 mil do esquema. Fernando Henrique Cardoso, em parceria com o filho Paulo Henrique Cardoso, R$ 573 mil. A editora Abril, quase R$ 50 mil.

A Carta Capital ainda não colocou em seu site a matéria completa, que pode ser lida na versão impressa.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Charge Online do Bessinha # 135

Bessinha #135

Sacolinhas: Vitória e Serra acompanham Vila Velha

Por: Eliseu 

sacolaVila Velha, na Região Metropolitana de Vitória reage e sai na frente contra o abuso dos supermercados – amparado pelo legislativo – e sancionou lei que proíbe supermercados de cobrarem por sacolinhas.

De acordo com o portal G1/ES, Neucimar Fraga, prefeito de Vila Velha, sancionou a lei que proíbe os supermercados da cidade de cobrar pelas sacolas plásticas, na tarde desta quarta-feira (25). A lei obriga os estabelecimentos a comprar sacolas recicláveis e distribuí-las gratuitamente. Segundo a prefeitura do município, a lei será publicada nesta quinta-feira (26) no Diário Oficial e já entra em vigor no mesmo dia. Atualmente, os supermercados cobram 19 centavos pelas sacolas ecologicamente corretas.

O prefeito da cidade, Neucimar Fraga, disse que atendeu uma demanda da população. “Eu só vou atender a reivindicação da população que já adquiriu esse direito em supermercados e mercearias há muitos anos, de comprar a mercadoria e levar embalado. Amanhã,a lei já começa a vigorar ”, explicou.

Assim como em Vila Velha, a polêmica das sacolas plásticas pode estar perto do fim nos municípios de Vitória e Serra. Pelo menos é o que pretendem dois vereadores que criaram projetos de lei para que a distribuição volte a ser feita gratuitamente.

Em Vitória, o projeto pode ser votado já na próxima quarta-feira (1º), caso os vereadores aprovem o pedido de urgência. “Acho que é uma discussão importante diminuir resíduos sólidos. Mas essa decisão está atingindo somente o consumidor. Não é errado eliminar, mas já começou penalizando o consumidor”, disse o autor do projeto, o vereador Fabrício Gandini.

Para o vereador, a venda das sacolas não representa um ponto positivo para a questão ambiental. “Foi uma ação isolada que não beneficia a discussão ambiental, pelo contrário, está atrapalhando porque a população fica contra. Dá a entender que está privilegiando um grupo empresarial. A insatisfação é muito grande pela forma como foi feita. Não foi feita nenhuma discussão para a proibição, foi uma decisão entre o MP e os empresários”, concluiu.

Já na Câmara Municipal da Serra, também região Metropolitana de Vitória, os nobres vereadores sentindo o peso da opinião pública, resolveu seguir Vila Velha e Vitória e já existe um projeto sobre o mesmo assunto que pode ser votado também na próxima quarta-feira, em regime de urgência especial. Para o autor do projeto, outras medidas poderiam ter sido pensadas para beneficiar o meio ambiente, mas se prejudicar o consumidor.

“A votação desse projeto segue a questão da representatividade popular. Essa questão já faz parte da nossa cultura e não se muda uma coisa dessas da noite por dia, é um retrocesso. Se pensou muito no meio ambiente, mas não se pensou na população. Mesmo quando se pensa no meio ambiente, existe a divergência porque o fato de suspender não é o que vai resolver. Não vejo essas sacolas como problema. Acabando com as sacolas de supermercado, como os resíduos vão ser acondicionados? Será que as pessoas vão comprar as sacolas específicas para armazenar lixo? A sacola não vira lixo. Ela é reutilizada, a destinação final dela acaba sendo o aterro sanitário”, disse o vereador Aldair Xavier.

Como já havia adiantado aqui neste blog, os principais interessados na proibição das sacolinha não ficaram nada satisfeitos e o presidente da Associação Capixaba de Supermercadistas (Acaps), João Carlos Devens, disse que “ficou surpreso” com o resultado da votação e informou que vai acionar o Ministério Público e definir o que será feito. Devens também afirmou que não será possível aos estabelecimentos dar conta da demanda pelas sacolas se a lei entrar em vigor imediatamente. “Hoje, compramos apenas 7%. Não vai ter sacola para todo mundo – as indústrias exigem de 30 a 60 dias para entregar o produto”, foi o fraco argumento do empresário que pensa que toda população é completamente idiota e alienada. Devens também afirmou que vai recorrer assim que a lei for publicada no Diário Oficial.

Mas em ano eleitoral, os políticos ficam bastante “sensíveis” aos apelos da população. É uma pena que não seja assim durante todo o mandato. Mas com o advento da popularização da internet, as opções de informações estão mais acessíveis e cada vez mais veículos de comunicação independentes, chamados de mídia alternativa, e nós os “blogueiros sujos”, apelido que nos foi atribuído pelo tucano José Serra nas eleições de 2010 e que muito nos honra, estamos podendo levar informações confiáveis à população. Afinal somos “sujos”, ou seja, escrevemos a verdade. O que para o PSDB é um grande defeito.

Grupo teatral questionou política da prefeitura e ironiza guarda de Kassab

“Deitaço” ironiza guarda de Kassab e alerta para violência contra moradores de rua

Por: Rodrigo Gomes, no Rede Brasil Atual 

deitaçoCerca de 60 pessoas realizaram, na tarde de hoje (26), uma manifestação exigindo o fim das ações violentas e da remoção forçada da população de rua, realizadas pela Guarda Civil Metropolitana (GCM), estrutura de segurança da prefeitura de São Paulo. O grupo, que estava bem vestido, estendeu cobertores de feltro e se deitou na frente da Catedral da Sé, logo abaixo do Marco Zero. De acordo com os organizadores, o ato pretendeu questionar a diferença de tratamento dado ao povo de rua e aos “bem aparentados”.

As pessoas que passavam pela Sé olhavam com perturbação o grupo deitado. Gente tricotando, lendo, dormindo, com óculos escuros, de terno ou roupas sociais. Muitos paravam e perguntavam de que se tratava. Uma viatura da GCM passou pelo local, desviou do grupo e foi embora. Um grupo de policiais militares em uma base comunitária a poucos metros do local conversava tranquilamente. O ato foi organizado por um grupo teatral e convocou pessoas pelas redes sociais para participar da ação.

De acordo com a atriz Marina Tranjan, da Cia. Auto Retrato, a ideia de realizar a manifestação surgiu após o grupo presenciar uma abordagem violenta da GCM a moradores de rua, que tiverem seus pertences apreendidos. “Tomaram tudo deles, cobertor, mochila, documentos, mas a gente estava perto, com coisas espalhadas no chão, e não fomos perturbados”, diz. O grupo resolveu então procurar a Defensoria Pública para se informar sobre o que poderia fazer. E realizar intervenções de rua para provocar reflexão da população sobre o caso.

Algumas pessoas concordam com a ideia. Outras, nem tanto. Para a agente escolar Márcia Cristina, fazer ato na praça não vai mudar a vida da população de rua. “Devia ter uma lei que obrigasse os empresários a dar cursos e empregar as pessoas em situação difícil”, diz. Para Márcia, a questão é mais profunda e precisa ser tratada com mais seriedade do que encenações teatrais. Já a estudante de Direito Milena Tavares acredita que é importante grupos de pessoas fazerem ações assim e concorda que remover as pessoas não resolve o problema. “Precisa fazer alguma coisa, gerar emprego, moradia, pois ficar empurrando pra lá e pra cá só aumenta o problema.”

Marina esclarece que esta ação era meramente simbólica. “Os atos de rua procuram sensibilizar as pessoas para que denunciem abordagens truculentas contra a população de rua, que ajudarão a Defensoria a propor a ação”, complementa. O grupo pretende realizar outras ações na cidade e estabelecer parcerias com organizações de direitos humanos

Em 4 de julho, o promotor de direitos humanos do Ministério Público Estadual, Alexandre Marcos Pereira, denunciou que, sob ordens da prefeitura, a GCM tem cometido abusos em abordagens e que sua principal função é de expulsar os moradores de rua de áreas onde sua presença é considerada inapropriada. A ação exige uma indenização de R$ 20 milhões, cuja metade deve ser destinada para projetos de interesse social e metade para eventuais pedidos de indenização.

“Se levasse à Dilma argumentação da TIM, estava demitido”

FRASE É DO MINISTRO DAS COMUNICAÇÕES, PAULO BERNARDO; ELE OUVIU DO PRESIDENTE MUNDIAL DA TIM, FRANCO BERNABÈ, DURANTE AS DISCUSSÕES DECORRENTES DA PUNIÇÃO DA ANATEL, QUE HÁ OUTRAS EMPRESAS CONCORRENDO COM A TIM E PELAS QUAIS O USUÁRIO PODE OPTAR SE ESTIVER INSATISFEITO

get_imgO ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, deu uma ideia ao presidente mundial da TIM, Franco Barnabè, do que é trabalhar para o governo da presidente Dilma Rousseff. Em confidência à coluna Poder Online, o ministro revelou um argumento curioso dado pelo presidente da Telecom Itália durante o encontro de quarta-feira sobre a suspensão da venda de chips pela operadora em 19 Estados brasileiros.

“Na tentativa de minimizar as falhas na prestação de serviços, Bernabè disse que o próprio mercado resolve esses assuntos, na medida em que há outras empresas concorrendo com a Tim e pelas quais o usuário pode optar se estiver insatisfeito”, relatou Paulo Bernardo, que completou: “Ora! Disse-lhe que não sabia como são as coisas lá na Itália. Mas aqui, se eu for à presidenta Dilma Rousseff com um argumento desses, sou demitido na hora. Ele estava tentando me convencer simplesmente do seguinte: os incomodados que se mudem. O governo não pode aceitar uma coisa dessas”.

Charge Online do Bessinha # 134

Bessinha #134

Vítima de Veja e Folha, Erenice é inocentada

EM PLENA CAMPANHA ELEITORAL, ELA FOI DERRUBADA POR REPORTAGEM DE VEJA QUE DIZIA QUE FUNCIONÁRIOS DO PLANALTO RECEBIAM PROPINA DENTRO DA CASA CIVIL E POR OUTRA DA FOLHA QUE APONTAVA LOBBY BILIONÁRIO NO BNDES EM FAVOR DE UM ESTRANHO PERSONAGEM CHAMADO RUBNEI QUÍCOLI; ERA TUDO MENTIRA

No: Brasil 247

get_imgTida como braço direito e “irmã” da presidente Dilma Rousseff, a ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, foi alvo de um tiroteio pesado durante a campanha presidencial de 2010. Contra ela, havia canhões apontados pela revista Veja e pela Folha de S. Paulo.

Da Abril, partiu uma das mais estranhas reportagens da história recente. Chamava-se “Caraca, que dinheiro é esse?” e relatava entregas de pacotes de até R$ 200 mil, dentro da Casa Civil, que era comandada por Erenice Guerra. Tudo a partir de relatos em off. Eurípedes Alcântara, publicou até um editorial chamado “O dever de publicar”, em que afirmava que o papel da imprensa era ter coragem de noticiar – mesmo que pudesse vir a ser acusada de tentar influir em resultados eleitorais. Mais recentemente, soube-se que Veja engavetou uma entrevista com José Roberto Arruda, também no período eleitoral, porque o ex-governador do Distrito Federal acusava o ex-senador Demóstenes Torres de tentar obter vantagens no GDF.

Da Folha, as acusações também foram inacreditáveis. Um sujeito que se apresentava como consultor, chamado Rubnei Quícoli, mas tinha extensa ficha criminal, afirmava que o filho de Erenice lhe cobrava uma propina de 5% para liberar um empréstimo bilionário no BNDES para uma empresa de fundo de quintal.

Para evitar danos maiores à campanha presidencial, Erenice Guerra foi demitida, ainda que as acusações fossem totalmente inconsistentes.

Nesta quarta-feira, no entanto, a mesma Folha que ajudou a derrubá-la noticia que o inquérito foi arquivado pela Justiça Federal. O motivo: falta de provas.

Este caso chegou até a ser abordado pelo ex-presidente Lula, numa crítica recente ao comportamento eleitoral de parte da imprensa. “Erenice foi execrada, acusada de tudo quanto é coisa”, disse ele. “Quando terminou a campanha, o acusador em Campinas retirou a acusação na primeira audiência e a imprensa, que a massacrou, não teve coragem sequer de pedir desculpas à companheira Erenice”.

Na reportagem desta quarta-feira, a Folha reconhece que “o escândalo tirou votos de Dilma e acabou contribuindo para levar a eleição ao segundo turno”.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Sacolinhas: lobby de supermercadistas começa a ruir

Proibição de sacolinhas de supermercado prejudica consumidor, aumenta lucro de supermercadistas e não ajuda preservação ambiental

Por: Eliseu, com colaboração de amigo por e-mail

esgotoSão Paulo, que vem sendo administrada por tucanos nas últimas 2 décadas e, como sempre, tentando prejudicar os mais fracos, “inventou” a cobrança de sacolinhas de supermercado sob a alegação de proteger o meio ambiente - sempre apoiada pelo PIG, a mídia golpista tradicional - mas que na verdade beneficiaria apenas aos donos de supermercados uma vez que o preço das sacolinhas já faz parte da planilha de custos pelo menos a 40 anos. Felizmente o Ministério Público paulista recuou e resolveu não validar o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que previa que os consumidores não poderiam mais receber sacolas plásticas gratuitamente em supermercados de São Paulo.

Seguindo os passos dos tucanos paulistas, os políticos de várias cidades brasileiras, inclusive as da Região Metropolitana da Grande Vitória, resolveram ajudar os “pobres” supermercadistas Capixabas e também aprovaram leis para a não distribuição, num flagrante desrespeito ao consumidor.

Reproduzo abaixo um e-mail recebido de um amigo e que já está circulando pela rede mundial de computadores, que representa o sentimento de grande parte da sociedade capixaba, e porque não a brasileira, a respeito da não distribuição das sacolinhas:

“Caros amigos e Prezados Srs e Sras representantes da bancada capixaba no Senado e Câmara dos Deputados, Prezados Srs e Sras Deputados Estaduais,

Peço a gentileza de refletirem sobre a questão de proibição/cobrança adicional pela distribuição de sacolas nos supermercados do nosso estado e também no nosso país. É isso mesmo que resolve o problema do meio ambiente? Seria mesmo esta contribuição significativa para melhorarmos nossa interação com o meio que nos cerca? Ou seria este ato apenas um meio de protelar uma ação eficiente e eficaz?

Por que o ponto mais fraco e desarticulado é penalizado primeiro?

Senhores e senhoras nossos representantes de nossas casas de leis, por gentileza e mesmo obrigação, intervenham para que esta discussão vá além das sacolas de supermercados. Que ações realmente capazes de trazer resultados sejam implementadas antes e não apenas esconder a ponta do iceberg.

Quem tem obrigação de legislar são Câmara de Vereadores, Assembleias Legislativas, Câmara dos Deputados e Senado. Procon e Ministério Público devem fiscalizar o cumprimento das leis legitimamente formuladas, legitimamente aprovadas e legitimamente sancionadas pelo executivo. ACAPS não é para elaborar leis mas cumprir aquelas existentes.

http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/07/noticias/a_gazeta/dia_a_dia/1321567-lei-garante-sacolinha-de-graca-em-supermercados-de-vila-velha.html

Vamos fazer circular esta notícia. A não entrega e subsequente cobrança pelas sacolas nos supermercados foi imposta ao elo mais frágil e indefeso da cadeia: nós consumidores desarticulados.
É chegada a hora de reverter isso que somente atende aos interesses das supermercadistas que são, inclusive, associados a uma entidade. Entidade esta que se associou a orgão governamental que deveria defender os interesses da população mas que lhe virou as costas.
Bravo vereadores de Vila Velha. Coragem Neucimar Fraga... que sancione a Lei e que as demais Câmaras Municipais e respectivos prefeitos do Estado caminhem na mesma direção: Refutar tal imposição que sequer resolve o problema ambiental usado como pretexto.

Não desconsiderando a contribuição que cada um deve dar pela preservação do meio ambiente, mas convenhamos, esta iniciativa de proibir a entrega de sacolas apenas favorece aos supermercadistas que vêm seus lucros melhorarem pela diminuição das despesas (com sacolas e embaladores) sem trazer benefício algum. Lembremo-nos que a maioria de nós já reutiliza tais sacolas “poluidoras” para acondicionar o lixo. Na situação atual, vemo-nos obrigados a adquirir sacolas de lixo... é uma equação de resultado nulo para o meio ambiente, sai a sacola do supermercado usada para embalar as compras e posteriormente o lixo e entra a sacola de lixo...

Apenas um lado ganho com isso:

1) não se compra sacola para embalar as compras = menor custo para o supermercado

a. Não se repassa esta redução de custo aos consumidores = ganha o supermercado

2) Reduz-se postos de trabalho (embaladores) = menor despesa para os supermercados

3) Vende-se  + sacolas para acondicionar lixo = maior lucro para o supermercado

4) Vende-se  + sacolas retornáveis = maior lucro para o supermercado

5) Repassa-se alguma redução de custo aos consumidores = R$0,03/5 itens de adquiridos!!!

Quem paga por tudo, inclusive pela sacola que recebíamos antes? O consumidor como eu e você.

Uma pergunta intrigante: é a sacola de supermercado o maior problema de preservação do meio ambiente se considerarmos apenas esta cadeia de consumo?

Se focamos no plástico, onde mais ele está presente? Podemos entender que em 99,9% de tudo que temos ao nosso dispor  hoje há plástico (até o cartão de crédito é de plástico!). Copos ou garrafas de água mineral são confeccionados com plástico!!!

Os produtos são entregues aos supermercados embalados em fardos revestidos com.... plástico. Quais as iniciativas para substituir por outro material menos agressivo ao meio ambiente? Alguém tem notícia deste detalhe?

Não seria o caso de cobrarmos das prefeituras posturas eficientes na destinação do lixo produzido? Pensemos apenas na Grande Vitória, quais municípios fazem coleta seletiva?!

Novamente resolveram tomar uma iniciativa travestida de consciência ambiental pouco eficiente do ponto de vista do meio ambiente mas muitíssimo eficiente para melhorar resultados financeiros dos donos de supermercados.

Estranha-me que órgãos ditos de defesa do consumidor estejam apoiando tal coisa.

Prezados representantes do povo, coloquem a cabeça para pensar e apresentem soluções verdadeiramente eficientes e eficazes. Não vamos tampar o sol com a peneira.

Ultimamente estamos vendo muitos órgãos “governamentais” e mesmo alguns empresariais julgando-se no direito de instituir normais, legislar mesmo. Vejamos este exemplo de termo de cooperação firmando entre MP/ES, PROCON/ES e ACAPS com a boníssima intenção de eliminar as sacolas nos supermercados pela preservação do meio ambiente. A intenção é nobre, concordam?

Pergunta: há entre os integrantes destes órgãos alguém legitimamente eleito para legislar em nome do povo? Alguém veio ouvir o povo sobre este tema?”

Com a palavra nossos nobres representantes. No caso específico da cidade de Serra, o prefeito Sérgio Vidigal, o demagogo!

E já que o assunto é proteção ao meio ambiente, uma importante questão para o Sr. prefeito Sérgio Vidigal explicar à sociedade é porque utiliza água potável para molhar gramados.

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