quarta-feira, 4 de julho de 2012

Bang-bang paulista: o paradoxo tucano

No: Carta Maior 

bang_bangO governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) atribui os lances de guerrilha urbana registrados na capital paulista nas últimas semanas, com queima serial de ônibus e execuções sumárias de bandidos e policiais, ao “desespero” dos criminosos. “O governo foi para cima do tráfico”, diz ele. “Estão tendo dificuldade para vender”, assegura o nosso Calderón de bico longo. No México, os eleitores não compraram essa justificativa. Será mesmo que no caso de São Paulo tudo não passa de um paradoxo da máxima eficiência tucana numa área tão sensível ao discurso conservador?
Quando há recessão e desemprego, o tucanato costuma atribuir mecanicamente seus reveses diante do crime organizado à crise, responsabilidade federal, naturalmente. A desculpa desta vez não funciona. Os índices de desemprego no país são os mais baixos da história; em São Paulo, segundo o Dieese, a taxa recuou para 10,9% no mês de maio, ante 11,2% em abril; em maio de 2011 estava em 10,7%;ao mesmo tempo, a massa de rendimentos dos ocupados na metrópole teve alta de 1,6% no período.
Os marcos da insegurança na capital, ademais, não se restringem ao bang-bang em torno do suculento comércio de drogas, que renderia cerca de $20 milhões/mês ao PCC, formando assim um “budge” atraente às diferentes modalidades de achaques e disputas entre facções e policiais corruptos.
A verdade é que o número de homicídios cresce em São Paulo desde março, quando as ocorrências saltaram para um total de 96 casos, contra 53 no mesmo mês de 2011 Nos cinco primeiros meses do ano, o número de homicídios cresceu 16,29%: 464 casos contra 399. O roubo de veículos explodiu no período: passou de 15.544 casos em 2011 para 19.588, mais 26%.
É sob esse pano de fundo que a segunda quinzena de junho acendeu o sinal vermelho da deriva em um setor no qual os tucanos se tem em alta conta: 14 ônibus incendiados; seis policiais militares assassinados pelo crime organizado; 4 bases da PM atacadas; execuções sumárias de suspeitos pela polícia e, de aperitivo, quase uma dúzia arrastões a bares, restaurantes e edifícios de alto padrão. Desespero deles, ou desculpa vossa, governador?