segunda-feira, 16 de julho de 2012

PSD corre para apagar seu primeiro incêndio

Após a senadora Katia Abreu tornar público o incômodo com o "autoritarismo" de Gilberto Kassab, o prefeito de São Paulo e o líder do PSD na Câmara, Guilherme Campos, aparecem para pôr panos quentes; o partido sobrevive à primeira eleição?

No: Brasil 247 

get_imgDepois de obter duas grandes vitórias e celebrar o direito a tempo de propaganda eleitoral e a uma maior fatia do Fundo Partidário, o PSD, criado pelo prefeito Gilberto Kassab no ano passado, topou com a primeira crise. A intervenção de Kassab para que o PSD apoiasse o PT em Belo Horizonte desagradou à vice-presidente do partido, senadora Katia Abreu, que chegou a dizer, em entrevista publicada nesta segunda-feira, que o prefeito de São Paulo conduz o partido na base do “centralismo e autoritarismo”. O tom das críticas subiu e é hora de apagar o incêndio, percebeu Kassab:

“É um partido grande, que tem divergências, mas elas serão resolvidas com diálogo”, minimizou o prefeito de São Paulo. “A senadora Katia Abreu é bem intencionada, ela age pensando no melhor do PSD, mas desde o começo já se sabia que ela não concordaria com a intervenção em Minas”, contemporizou presidente do PSD, que conta com as palavras de seu líder na Câmara para tentar acalmar a senadora. “Discussões como essa (entre Kassab e Kátia Abreu) fazem parte da democracia partidária. Não há crise no PSD”, garantiu o deputado Guilherme Campos em entrevista ao Terra Magazine.

Campos também lamentou, contudo, a “necessidade” de uma intervenção em BH. “Ninguém gosta de fazer o que foi feito, mas foi uma necessidade, uma posição partidária da maioria da bancada. O que temos que fazer agora é cuidar para que fatos como esse não voltem a acontecer”, disse. Mas, apesar das tentativas de Kassab e Campos de apresentar o partido como democrático, os fatos falam por si. “Nós só tivemos uma reunião da Executiva e nunca mais. Isso tem mais de um ano”, lamenta Katia Abreu.

De lá para cá, lembra a senadora, “tivemos várias oportunidades de debates em que poderíamos contribuir para o país e estivemos ausentes. Estamos em meio a uma crise grave econômica e o que o PSD pensa?”, continua a vice-presidente do partido, que, na entrevista à Folha de S.Paulo desta segunda, comenta que na última quarta-feira 11 o PSD realizou uma confraternização à qual menos de 15 dos cerca de 50 membros do partido compareceram – ela e Kassab estavam entre os ausentes.

O PSD é novo, mas faz política do mesmo jeito que os irmãos mais velhos. Os partidos mais longevos aprenderam com o tempo, contudo, que é preciso pelo menos encenar uma estrutura interna democrática. Ou o PSD se arruma ou está arriscado a disputar, neste ano, a única eleição de sua breve história.