sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Multinacionais exploram o trabalhador e sangram a nação

A economia brasileira atravessa um perigoso processo de desnacionalização. Somente no primeiro semestre deste ano, de acordo com informações da empresa de consultoria internacional KPMG, 167 companhias cujos proprietários eram brasileiros foram compradas por multinacionais de outros países através de operações de fusões e aquisições. Atualmente, capitalistas estrangeiros controlam mais de 50% do parque industrial do Brasil.

Por Wagner Gomes*, no Vermelho

multinacionaisO problema não é novo. Tem raiz na história da formação tardia e dependente do capitalismo brasileiro. Mas, ganhou nova dimensão nas últimas décadas, principalmente após o governo neoliberal de FHC, que realizou um escandaloso programa de privatizações e tratou de apagar, por meio de reforma constitucional, as diferenças jurídicas entre empresas estrangeiras e nacionais definidas na Carta Magna.

Hoje em dia, transnacionais como a GM, a Ford, a Fiat, a Volks, a Monsanto, entre outras, são consideradas e tratadas como empresas nacionais. O comportamento desses monopólios, porém, não condiz com o status concedido com espírito entreguista por FHC, infelizmente mantido nos governos Lula e Dilma. Os interesses das multinacionais nem sempre coincidem e no mais das vezes colidem de modo escandaloso com os da nação. Isto transparece na análise de alguns indicadores fundamentais da nossa economia.

É o caso das remessas de lucros e dividendos, que crescem na proporção direta da desnacionalização. Aumentaram 262,92% entre 2003 e 2011, ano em que a riqueza enviada pelas multinacionais ao exterior bateu novo recorde, alcançando US$ 38,1 bilhões, sangria que se transformou na principal causa do déficit na conta corrente do balanço de pagamentos. Cabe destacar o ramo automobilístico, que transferiu US$ 5,58 bilhões, 36,1% a mais que em 2010.

O Brasil é um verdadeiro paraíso para as multinacionais do carro, que por aqui obtêm uma taxa de lucros três vezes maior que nos EUA e pelo menos duas vezes superior à média mundial - estimada em 10% pelos especialistas, depois de deduzidos os custos de produção e impostos. A explicação está no preço absurdo dos veículos, impostos pelos oligopólios, que supera em mais de 200% o valor praticado no exterior. “Lucro de montadora no Brasil é maior do que em qualquer lugar do mundo”, conforme o diretor-gerente de consultoria IHS Automotive do Brasil.

As operadoras também contam com a generosa redução do IPI para automóveis, cuja prorrogação até o final de outubro foi anunciada quarta-feira, 29, pelo Ministério da Fazenda. Nada disto impede que as multinacionais reservem aos seus operários um tratamento carregado de desprezo e arrogância, demitindo em massa ou ameaçando demitir no primeiro sinal de crise, como a GM em São José dos Campos.

Os lucros e dividendos remetidos pelas transnacionais ao exterior são subtraídos dos investimentos líquidos realizados na economia brasileira e contribuem de forma considerável para a redução do potencial de desenvolvimento nacional, além de causar o rombo na conta corrente do balanço de pagamentos. Por esta e outras razões é urgente colocar um freio em tais remessas, ampliando as taxações e os mecanismos de restrição.

É igualmente necessário combater a liberdade incondicional dos oligopólios na formação dos preços. Não se justifica a distância abissal da taxa de lucros no Brasil, que é o quarto maior consumidor de automóveis do globo, em relação ao resto do planeta. É evidente que falta ao governo uma política industrial soberana para reverter a desindustrialização em marcha, deter a desnacionalização, conter a sangria provocada pelas remessas e estabelecer novas regras no relacionamento com as multinacionais. O excesso de liberalismo herdado dos governos tucanos é nocivo aos interesses nacionais e deve ser rechaçado.

A desnacionalização em curso não pode ser encarada como um fenômeno natural e inevitável, pois depende do rumo da política econômica. O tema reclama um debate mais profundo dos movimentos sociais e das forças progressistas.

*Presidente da CTB

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Bessinha #174

Policarpo Jr. era empregado de Cachoeira

Durante ameaça, mulher de bicheiro prometeu dossiê contra magistrado

No: R7

andressa_cachoeiraO jornalista e editor-chefe da revista Veja em Brasília, Policarpo Jr., foi empregado do bicheiro Carlinhos Cachoeira e recebia para fazer "serviços" para o contraventor. Essa é a informação que a mulher do bicheiro, Andressa Mendonça, passou ao juiz Alderico Rocha, na sede da Justiça Federal em Goiânia, quando o visitou para exigir que o marido fosse solto.

Rocha é o responsável pelo processo relativo à Operação Monte Carlo, que prendeu Cachoeira em fevereiro deste ano. Em julho, Andressa o visitou e o chantageou, segundo o juiz, e acabou detida pela Polícia Federal. Para ser liberada, ela pagou fiança de R$ 100 mil e ficou proibida de visitar os réus do processo, inclusive o marido, que está preso na Papuda, em Brasília.

O juiz falou ao R7 e confirmou as informações que estão no ofício encaminhado pelo juiz ao Ministério Público Federal ao qual o Jornal da Record teve acesso. “A Sra. Andressa falou que seu marido Carlos Augusto tem como empregado o jornalista Policarpo Jr., vinculado à revista Veja, e que este teria montado um dossiê contra a minha pessoa”, diz trecho do documento.
— Ela me perguntou se eu conhecia Policarpo, jornalista da Veja. Eu disse que não conhecia não, mas já tinha ouvido falar. Então ela disse assim: Sabia que ele trabalhou durante certo tempo para meu marido, Carlinhos? Durante um tempo o Carlinhos pagou ele para que fizesse uns serviços.
Segundo o juiz, diante da negativa dele em conhecer ou saber mais sobre o jornalista, Andressa o ameaçou.
— Ela disse que agora o jornalista estava encarregado de montar um dossiê contra a minha pessoa e contra a senadora Katia Abreu (PSD-TO) que teria destratado ele (Cachoeira) na CPI. Que tinha fotos minhas entrando num avião de um amigo de infância e outras fotos e que isso tudo seria capa da revista Veja a mando de Carlinhos.

Neste momento, Andressa teria escrito em um bilhete três nomes de pessoas ligadas ao juiz que teriam sido fotografadas com ele: Luís Pires, Maranhense e Marcelo Miranda.

Marcelo Miranda é ex-governador do Tocantins e teve o mandato cassado em setembro de 2009 por suspeita de abuso de poder político nas eleições de 2006, Maranhense é um fazendeiro da região do Tocantins e Pará, e Luís Pires seria um amigo de infância do juiz e supostamente responderia a processo por trabalho escravo.

Esta semana, a perícia da PF confirmou que a letra no bilhete entregue ao juiz Alderico Rocha é de Andressa. Com a confirmação de que a letra é mesmo da mulher que ficou conhecida como Musa da CPI, a PF deve encaminhar um relatório ao Ministério Público Federal, que fica responsável por uma possível denúncia ou pelo arquivamento do processo.
A reportagem do R7 entrou em contato com a assessoria de imprensa da revista Veja, mas até a publicação deste reportagem, não obteve resposta.

Kassab: sucesso na política, fracasso na gestão

O MESMO POLÍTICO QUE CONSEGUIU APOIO DE 630 PREFEITOS E SEIS MIL VEREADORES QUANDO CRIOU O PSD, NO ANO PASSADO, TEM HOJE FORTE REJEIÇÃO COMO PREFEITO DE SÃO PAULO; SEGUNDO O DATAFOLHA, 85% DOS PAULISTANOS QUEREM AÇÕES DIFERENTES DO CANDIDATO QUE VENCER AS ELEIÇÕES DE OUTUBRO
No: Brasil 247 

kasabO prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, pode ser definido como um político de dois extremos. Segundo o último levantamento Datafolha, 85% dos paulistanos querem ações “diferentes” do candidato que vencer as eleições de outubro. Entre seis capitais que participaram do levantamento, o paulistano tem a pior avaliação de gestão da população. A porcentagem é registrada em todas as regiões da cidade e faixas de renda, idade e escolaridade, sendo majoritária até entre os que aprovam o atual prefeito (24% dos paulistanos). Em março de 2012, o Datafolha registrou rejeição de 36% ao prefeito.

Os números nem parecem corresponder com o político que criou em setembro de 2011 o Partido Social Democrata (PSD), que em um mês conseguiu a filiação de 630 prefeitos e cerca de seis mil vereadores. Nas eleições deste ano, a sigla concorre em 104 municípios apenas no Mato Grosso, Estado onde tem bastante força.

Desempenho prejudica Serra

Os dados justificam boa parte do mau desempenho que José Serra (PSDB) vem tendo em sua candidatura. O tucano é o único postulante que apoia a gestão de Kassab e posa ao lado do prefeito desde o início da disputa. Entre os motivos citados pelos entrevistados para os 43% de rejeição a Serra está a reprovação de Kassab. Quanto a correligionários de Serra no PSDB, já admitem que a má avaliação do prefeito contamina a campanha do tucano de forma irreversível, segundo nota publicada hoje na coluna Poder Online, do iG.

Vice de Serra na chapa de 2004, Kassab assumiu como prefeito quando o tucano renunciou ao cargo para se candidatar ao governo do Estado. Em 2008, quando sua imagem, apesar de polêmica devido a criação de projetos como o Cidade Limpa, não era das piores. Tanto que conseguiu apoio suficiente para ser reeleito.

O retrato do País

Por: Mino Carta, no CartaCapital 

cartacapitalNão fosse enredo da vida real, o processo do chamado “mensalão” seria espetáculo ímpar na capacidade de trafegar entre tragédia e comédia com toques exemplares de drama e de farsa. Não cabe desmerecê-lo, contudo, nesta versão próxima do terceiro ato, o do epílogo, ao menos teoricamente, e que me arrisco a encarar como crítico teatral disposto a registrar de saída seu mérito inegável: o mensalão, em todos os seus aspectos, retrata à perfeição os males do Brasil. A inesgotável mazela, a hipocrisia inata dos senhores, o patrimonialismo do sistema. Um conjunto excepcional de prepotência e parvoíce.

Padecemos um longo prólogo, longo demais, a partir da denúncia do inconfiável Roberto Jefferson, e ainda assim rico em eventos que se fundem no entrecho central mesmo quando parecem desligados do contexto. Por exemplo, a presença do banqueiro Daniel Dantas. Vibra claramente na própria origem do mensalão como vibrou nos pregressos de marca tucana. E desaguou na Operação Satiagraha, enfim adernada miseravelmente porque DD está por trás de tudo, e muito além do que se imagine.

Marcos Valério serviu a Dantas e dele José Dirceu é bom amigo. Bela figura a ­ocupar a ribalta sete anos atrás, começo do prólogo, foi o ministro Luiz Gushiken, o samurai, como então o batizei, um inocente que pagou caro por sua inocência. Cavaleiro sem mancha, cometeu o pecado de enxergar em Dantas o grande vilão de todas as situações. Pecado imperdoável, tudo indica. A respeito, recomendo nesta edição o texto assinado pelo redator-­chefe Sergio Lirio, a retratar uma personagem de insólita dignidade, sacrificada injustamente ao ser forçada a deixar o governo.

O início do primeiro ato propõe Roberto Gurgel, o procurador-geral, Gogol se deliciaria com ele, fâmulo da treva e da reação, escalado para definir o mensalão como “o mais atrevido e escandaloso esquema de corrupção e de desvio de dinheiro público flagrado no Brasil”. Não lhe são inferiores, talvez mais daninhos, a bem da verdade factual, os anteriores urdidos pelo tucanato, a partir da compra de votos no Congresso para permitir a reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Decerto mais imponente, o maior de todos, o episódio das privatizações, promovidas pelo mesmo FHC e protagonizado, entre outros, olhem só, por Daniel Dantas.

Não é que nossos juristas façam jus ao respeito unânime da audiência, sobretudo aquela que se apinha no balcão. Alguns produzem argumentações destinadas a suscitar pena em uma plateia mais atilada e menos comprometida do que a da ­casa-grande, esta escorada pelos barões da mídia e seus sabujos, unidos na ameaça aos próprios ministros do Supremo inclinados a um julgamento imparcial. O ministro Luiz Fux, no seu realismo exasperado, pretendeu condenar por peculato um réu chamado a responder por outros crimes, conforme teve de ser bondosamente avisado ao cabo de sua diatribe. Enquanto isso, Ricardo Lewandowski se abala a telefonar para um crítico global, Merval Pereira, que contestava duramente seus argumentos a favor de João Paulo Cunha. Contribuição inefável à imortalidade de um jornalista acadêmico, a seguir as pegadas culturais do seu falecido patrão. Donde, largo à cultura. Leiam, a propósito, Mauricio Dias na sua Rosa dos Ventos.

O primeiro ato do espetáculo presta-se a demonstrar a inadequação do título “mensalão”. Como sempre sustentou Carta­Capital. Provas certamente haverá de outros delitos, igualmente condenáveis, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro. Quanto ao uso de caixa 2, a lei brasileira prontifica-se a uma lamentável leniência na punição do crime eleitoral. O segundo ato inaugura-se em proveito de outra constatação, caso não tivesse já dado o ar da sua desgraça: um grupo de petistas, que não seria o caso de chamar de aloprados, decidiu imitar a estratégia tucana desenhada e comandada por Serjão Motta a partir de 1994 com o propósito de manter no poder ad aeternitatem o pássaro incapaz de voar.

Não deu, José Serra lá estava para atrapalhar desde 2002, a despeito do maciço apoio midiático. A diferença entre uns e outros está no fato de que o Partido dos Trabalhadores nasceu em odor de subversão e de nada lhe adiantou abjurar pelo caminho a fé primeva. Além disso, no caso do ex-metalúrgico Lula pesa, em primeiro lugar, o ódio de classe, sentimento tão natural na casa-grande. Em contrapartida, a trajetória da esquerda nativa, oportuno é sublinhar, é tão deplorável quanto tudo o mais, e cabe neste enredo de traições aos ideais propalados em vão, de promessas bombásticas e falsos propósitos inexoravelmente descumpridos em nome do oportunismo aconselhado pelo momento fugidio.

Estamos na iminência do terceiro ato, mas o que se viu até agora estimula depressões monumentais. E aonde quer que o espectador se volte não encontrará razões de alívio.

Charge Online do Bessinha # 173

Bessinha #173

Buffet farto, orquestra afinada e pista vazia

No: Carta Maior 

stfHá certo gosto de decepção no ar. O conservadorismo que durante meses, anos, cultivou o julgamento do chamado mensalão como uma espécie de terceiro turno sanitário, capaz de redimir revezes acumulados desde 2002 no ambiente hostil do voto, de repente percebe-se algo solitário na festa feita para arrebanhar multidões.

Como assim se os melhores buffets da praça foram contratados; a orquestra ensaiou cinco anos a fio e o repertório foi escolhido a dedo?
Por que então a pista está vazia?

Pouca dúvida pode haver, estamos diante de um evento de coordenação profissional.
O timming político coincide exatamente com o calendário eleitoral de 2012; a similitude e a precedência comprovadas do PSDB na mesma e disseminada prática de caixa 2 de campanha --nem por isso virtuosa--, e que ora distingue e demoniza o PT nas manchetes e sentenças, foi enterrada no silêncio obsequioso da mídia.

Celebridades togadas não sonegam seu caudaloso verbo à tarefa de singularizar o que é idêntico.Tudo caminha dentro do figurino previsto, costurado com o afinco das superproduções, o que falta então?

Apenas o essencial: a alegria do povo.

A população brasileira não tem ilusões. Ninguém enxerga querubins no ambiente nebuloso da luta política. Consciente ou intuitiva, ela sabe a seu modo que a política brasileira não é o que deveria ser: o espaço dos que não tem nenhum outro espaço na economia e na sociedade.

A distância em relação ao ambiente autofestivo da mídia condensa essa sabedoria em diferentes versões.

Privatizada pelo financiamento de campanha a cargo dos mercados, a política foi colonizada pelos mercadores. Afastada do cidadão pelo fosso cravado entre a vontade da urna e o definhamento do voto no sistema representativo, a política é encarada exatamente como ela é: um matrimônio litigioso entre a esperança e a decepção.
O PT do qual se cobra aquilo que não se pratica em muitos círculos - à direita e à esquerda - é protagonista dessa ambiguidade; personagem e cronista dos seus limites, possibilidades e distorções.

Que tenha aderido à lógica corrosiva do financiamento eleitoral vinculado ao caixa 2 das empresas e , ao mesmo tempo, protagonizado um ciclo de governo que faz do Brasil hoje o país menos desigual de sua história (de obscena injustiça social), ilustra a complexidade desse jogo pouco afeito a vereditos binários.

Essa ambiguidade não escapa ao discernimento racional ou intuitivo da sociedade.
Se por um lado semeia degenerações clientelistas e apostas recorrentes nos out-siders que se apresentam como entes 'acima dos partidos', ao mesmo tempo é uma vacina de descrença profilática em relação a encenações de retidão como a que se assiste agora.
A repulsa epidêmica dos eleitores de São Paulo a um dos patrocinadores
desse rega-bofe, do qual se imaginava o principal beneficiário, é sintomática do distanciamento que amarela o riso de vitória espetado nos cronistas convidados a animar o evento.

O baixo custo eleitoral do julgamento em curso no STF, contudo, não deve ensejar alívio ou indiferença na frente progressista da qual o PT é um polo central.
O julgamento do chamado 'mensalão' por certo omite o principal e demoniza o secundário. Ao ocultar a dimensão sistêmica a qual o PT aderiu para chegar ao poder, sanciona o linchamento de um partido democrático, uma vez que desautoriza seu principal argumento de defesa.

A meia-verdade atribuída aos réus do PT pelos togados e promotores está entranhada na omissão grotesca da história de que se ressentem suas sentenças pretensiosamente técnicas, envelopadas em liturgia mistificadora.

A pouca ou nenhuma influência eleitoral desse engenhoso ardil que elegeu a ausência de provas como a principal prova condenatória diz o bastante sobre o alcance da hipocrisia vendida como marco zero da moralidade pública pelos vulgarizadores midiáticos.
Não é esse porém o acerto de contas com o qual terá que se enfrentar o PT.

Após uma década no governo federal, o partido, seus intelectuais, lideranças e aliados nos movimentos sociais tem um encontro marcado com uma indagação incontornável, que não é nova na história das lutas sociais: em que medida um partido progressista tem condições de se renovar depois da experiência do poder? Em que medida tem algo a dizer sobre o passo seguinte da historia?

O legado inegociável das conquistas acumuladas nesses dez anos entrou na casa dos brasileiros mais humildes, sentou-se à mesa, integrou-se à família. Ganhou aderência no imaginário social.

Não é preciso desconhecer os erros e equívocos para admitir que essa década mudou a pauta da política; alterou a face da cidadania; redefiniu as fronteiras do mercado e da produção.Deu ao Brasil uma presença mundial que nunca teve.

Com todas as limitações sabidas, criou-se uma nova referência histórica no campo popular em que antes só avultava a figura de Getúlio Vargas.

Lula personifica essa novidade que a população entende, identifica e respeita.
E que o enredo do 'mensalão' gostaria de sepultar.

Não está em jogo abdicar do divisor conquistado, mas sim ultrapassá-lo. Avulta que o percurso concluído abriu flancos, sugou agendas, talhou cicatrizes e escavou revezes de esgotamento, dos quais o julgamento em curso no STF é um exemplo ostensivo. Todavia não o principal.

Existe uma moldura histórica mais ampla a saturar esse ciclo.
O colapso da ordem neoliberal, os riscos intrínsecos espetados na desordem financeira e ambiental em curso no planeta --suas ameaças às conquistas brasileiras-- formam um condensado de culminâncias que pede desassombro na renovação da agenda da democracia e do desenvolvimento para ser afrontado.

O caminho não será trilhado, menos ainda liderado, por forças e partidos incapazes de incluir na bússola do trajeto o ponteiro da autocrítica política e de um aggiornamento organizativo coerente com a renovação cobrada pela história.

O carro de som da direita faz barulho por onde passa nesse momento. Mas isso não muda a qualidade da mercadoria que apregoa.

O que o alarido dos decibéis busca vender, na verdade, é o velho pote de iogurte vencido e rançoso, cuja versão eleitoral em São Paulo tem 43% de rejeição popular.
A resposta da frente progressista à qual o PT se insere não pode ser a mera denúncia da propaganda enganosa.

Urge esquadrejar revezes e resoluções para renovar o próprio estoque de metas e métodos requeridos pelo passo seguinte da história.

Haddad sobe, Serra cai até entre os tucanos

Segundo Datafolha, maior crescimento do petista se dá entre os eleitores mais jovens, onde rejeição ao candidato do PSDB chega a 50%

No: Rede Brasil Atual 

jose_serraO início do horário político no rádio e na TV, em São Paulo, provocou efeitos opostos nas candidaturas Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB). Os números da pesquisa Datafolha divulgados anteontem (29), e cujo detalhamento foi colocado ontem (30) no site do instituto, mostram quadro favorável ao petista, com potencial de crescimento, enquanto o tucano apresenta queda em todos segmentos, inclusive entre os que se dizem eleitores do PSDB.

Segundo a pesquisa, o candidato Celso Russomano (PRB) mantém a dianteira das intenções de voto, mas em situação de estabilidade, com os mesmos 31% do último levantamento, na semana passada. A movimentação maior se deu na disputa pela segunda segunda posição: Serra caiu de 27% para 22% e Haddad subiu de 8% para 14%.

Além dos números gerais, conta a favor do petista o fato de ele ainda ser completamente desconhecido por 25% dos entrevistados. Dos que dizem conhecê-lo, apenas 18% afirmam ser “muito bem”, contra 30% que dizem “um pouco” e outros 27% só de “ouvir falar”.

Já a imagem de Serra está consolidada, com um nível de conhecimento de 99% do eleitorado (75% “muito bem”). Russomano também tem pouco para crescer nesse aspecto, já que 96% dizem conhecê-lo (42% “muito bem”).

Partido

Outro ponto favorável a Haddad é sua crescente identificação ao PT – partido que, segundo a pesquisa, tem a preferência de 25% do eleitorado, contra 9% do PSDB e 2% do PMDB. 

Antes do horário no rádio e na TV, muitos eleitores que se dizem petistas não sabiam que Haddad era do partido (essa é a primeira vez que o ex-ministro da Educação dos governo Lula e Dilma disputa uma eleição). No Datafolha anterior, 33% dos petistas declaravam intenção de voto em Russomano, enquanto Haddad tinha a preferência de 29%. Agora Haddad tem 40% e Russomano 21% nessa faixa.

Se está perdendo o voto dos petistas, a pesquisa mostra que o candidato do PRB agora começa a fazer estrago no ninho tucano. Ele saltou de 7% para 23% entre os eleitores do PSDB, enquanto Serra caiu de 76% para 61%.

Juventude

O maior avanço percentual de Haddad se deu na juventude. Na faixa etária de 16 a 24 anos, a opção pelo petista subiu de 7% para 20%, enquanto Serra caiu de 25% para 20% e Russomano manteve os 28% da pesquisa anterior. A faixa em que Serra mais perdeu adeptos foi entre 25 e 34 anos, caindo de 22% para 13%.

Os mais jovens, aliás, são os que tem mais rejeição ao tucano. No geral, 43% dos paulistanos disseram que não votariam em Serra “de jeito nenhum”, de acordo com os termos usados na pesquisa. O índice sobre para 50% entre as pessoas que tem de 16 e 34 anos.

As planilhas publicadas pelo Datafolha não trazem detalhes sobre a audiência ou a percepção dos eleitores em relação ao horário político. A pesquisa foi feita nos dias 28 e 29 com 1.069 entrevistas. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Charge Online do Bessinha # 172

Bessinha #172

Rejeição a Serra vira epidemia

No: Carta Maior 

jose_serraNenhum candidato com rejeição em torno de 40% consegue prosperar numa disputa política e chegar ao 2º turno.

Esse consenso entre pesquisadores soa agora à candidatura municipal do PSDB em São Paulo como o prognóstico de um percurso ao cadafalso, não às urnas.

Vive-se na capital paulista um fenômeno de esgotamento histórico que assume contornos de nitidez vertiginosa, dificilmente reversível: a rejeição esférica, espontânea, ascendente e incontrolável de uma cidade a um político e ao que ele representa, seus métodos e metas.
Já não se trata apenas de rejeição, mas de um sentimento epidêmico que a palavra ojeriza descreve melhor e a expressão “fim de um ciclo” coroa de forma objetiva.

A rejeição a José Serra em seu berço político, e principal casamata do PSDB no país, é o aspecto mais significativo da atual disputa. Sobretudo porque cercado de uma “coincidência” cuidadosamente programada, o julgamento do STF, que deveria impulsionar as coisas no sentido inverso. Se é que teve influência, foi no sentido oposto.

De 30% em meados de junho,a repulsa a Serra saltou para 38% em agosto e explodiu na pesquisa divulgada pelo Datafolha nesta 4ª feira, batendo em massacrantes 43%.
A sangria sugere que se trata de sentimento espraiado, que contagia segmentos sitiados além dos bolsões progressistas, atingindo núcleos da própria classe média, mais ou menos conservadora, tradicionalmente tributária do vertedouro tucano.

A contrapartida nas sondagens de intenções de votos parece confirmar essa observação. E o faz cristalizando tendências talvez só reversíveis por um acontecimento de proporções diluvianas.

Para desespero do dispositivo midiático conservador, o julgamento do chamado “mensalão”, embora tangido pelo jornalismo “isento” - e fiel ao script condenatório que singulariza o caixa 2 de campanha petista, aliviado no caso precedente do PSDB mineiro - dificilmente terá esse efeito.

Nessa São Paulo que surpreende seus “formadores de opinião”, Russomano lidera as intenções de votos com 31% (tinha 26% em junho); Serra, afundou para 22% (contra 31% em junho) e, como previsto, Haddad ao sair do anonimato graças ao horário eleitoral, saltou de 7% em junho para 14% agora. Dobrou as intenções de votos com uma semana na TV.
A agressividade estridente da campanha tucana está explicada.

O som da marcha fúnebre previsto para ensurdecer o governo, o PT, suas lideranças, candidatos e eleitores, a partir da melodia das condenações emitidas no STF, eleva-se de fato em altos decibéis, mas em outro ambiente. No entorno irrespirável de uma campanha e de um político já derrotado nacionalmente em 2002 e 2010, mas agora execrado em seu próprio berço.

Charge Online do Bessinha # 171

Bessinha #171

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

PM invade ocupação em São Paulo sem mandado

Por: Gisele Brito e Tadeu Breda, no Rede Brasil Atual 

image_previewPor volta das 14 horas de hoje (29) cerca de 30 policiais militares invadiram a ocupação sem-teto da Rua Mauá, 340, no centro de São Paulo. Segundo os coordenares do prédio, os soldados empunhavam armas de grosso calibre e assustaram os moradores. Oito viaturas da força tática participaram da operação.

“Eles disseram que tinham recebido uma denúncia de roubo. Mas é mentira. Eles fizeram para apavorar a ocupação. Parecia uma cena de guerra”, conta Nelson da Cruz Sousa, coordenador do Movimento de Moradia da Região Centro (MMRC), uma das três organizações populares que conduzem a ocupação. Os policiais só deixaram o prédio quando um advogado foi chamado.

A porteira da ocupação, Maria Elisete Barbosa de Sousa, explica que a ação durou aproximadamente meia hora. Foi tempo suficiente para que a PM vasculhasse o pátio e três dos seis andares da ocupação e, diz, entrasse em alguns apartamentos. “Quando o morador abria a porta, eles já iam apontando o revólver. Acompanhei tudo pelas câmeras de segurança”, conta. “A gente falou o tempo todo que ninguém estranho havia entrado no prédio, que éramos trabalhadores, que tínhamos família, mas eles não estava nem aí. Intimidaram grandão.”

A coordenadora do Movimento Sem-Teto do Centro (MSTC), Ivaneti Araújo, estava trabalhando fora da ocupação durante a ação policial e recebeu a notícia com revolta. “Acho que, se tem suspeita, a gente nunca fechou as portas, não somos coniventes com a criminalidade”, lembra. “Lá dentro tem criança, idoso, não podem fazer isso. O mínimo que têm de fazer é respeitar.” A advogada dos moradores, Rosângela Rivelli, recorda que esse tipo de operação é ilegal. “Não podem entrar lá sem mandado de busca.”

Segundo a assessoria da Polícia Militar, nenhuma ocorrência de roubo ou furto foi registrada na região da Luz, onde se localiza o edifício, e nenhum mandado de busca e apreensão foi emitido. Agora, os advogados do movimento pretendem preparar uma representação para o Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana (Condepe) e para a Ouvidoria da PM por abuso de autoridade e invasão.

A ocupação sem-teto na Rua Mauá começou em 2007. Naquele ano então, o edifício que um dia abrigou o Hotel Santos Dumont contabilizava mais de 15 anos de abandono. Os moradores contam que, quando entraram no imóvel, encontraram montanhas de lixo, além de ratos e baratas aos montes. Limparam o local, instalaram câmeras de segurança, uma rígida organização e recomeçaram suas vidas, muitos com emprego novo. Conseguiram inclusive impedir na Prefeitura a demolição do prédio, que já estava decidida.

Se confirmado, o abuso policial ocorrido na tarde de hoje contra os sem-teto do bairro da Luz não será uma novidade em São Paulo. A ocupação Sete, edifício abandonado na rua da Independência, no bairro do Cambuci, zona sul, convivem há algum tempo com o problema. Os cerca de 370 moradores garantem que a agressão fardada já virou rotina.

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Serra mente

Por: André Forastieri, no R7

serra-kassab-aeEspero qualquer baixeza de José Serra. A gestão Serra-Kassab dá indigestão. É a pior que já vi em São Paulo. Vivo aqui desde 1983. Pitta perto dessa gente é De Gaulle. É uma rara combinação de inoperância, autoritarismo histérico e rendição aos interesses mais espúrios da cidade. Onde põem a mão não nasce grama. O próprio Serra diz que sua gestão e a de Kassab são uma só.

Os dois entregaram a administração da cidade nas mãos de policiais militares. São trinta, das trinta e uma subprefeituras de São Paulo, nas mãos de tiras. Fora muitos outros cargos na prefeitura. Mentalidade militar para lidar com problemas civis - temos décadas de experiência pra saber como isso (não) funciona. Escrevi longamente sobre o assunto, na época da invasão da USP. De lá para cá, piorou bastante. Leia aqui.

Quer saber mais? Tampe o nariz, e confira os dados completos e atualizados sobre a militarização de São Paulo, neste site desenvolvido pela agência de reportagem Pública. Tem até quanto cada um ganha a mais. Porque eles acumulam suas aposentadorias de coronéis com os salários de funcionários da prefeitura. Aqui onde eu moro, o subsecretário, 53 anos, ganha R$ 41 mil. Veja aqui.

Há quem estranhe que Serra tenha se tornado uma pessoa tão paranoica e truculenta, a ponto de instaurar um regiminho militar light na cidade. Afinal, ele foi perseguido pela ditadura, teve que fugir para o Chile e os Estados Unidos, não? Bem, não seria o primeiro caso de alguém com juventude de esquerda que se metamorfoseia em conservador truculento. Não há  direitista mais fervoroso que um ex-comunista... Quer saber mais? Tampe o nariz, e veja os dados completos sobre a militarização de São Paulo, neste site desenvolvido pela Pública.

Que nos importam as profundas razões psicológicas, ou quaisquer outras, que fizeram de Serra essa figura nefasta que ele é hoje? O que interessa é nos livrarmos dele. Que é o que vai acontecer. Não é que Serra não vai ganhar. Serra não vai nem para o segundo turno. Arrisca ficar atrás de Russomano, Haddad e Chalita. Quem ganha? Sei lá. Não voto em nenhum. Não voto e pronto. Mas como muitos conterrâneos, rejeito Serra acima de qualquer outro.

Paulistano com dois neurônios não confia em Serra. Conhecemos bem a peça. Então ele não se elegerá e vai ser carta fora do baralho, sem nunca ter atingido seu sonho da presidência. São Paulo perdeu os últimos anos, mas pelo menos o Brasil escapou de boa. Kassab, bem, é jovem, e se Maluf até hoje está por aí, arrisca ter longa vida política pela frente.

Vamos fazer força para que não. Se você acha que estou exagerando, assista a este vídeo. Está no site oficial da campanha de Serra. Fecha oito anos de baixarias com chave de ouro. É um comercial contra o bilhete único mensal, proposto por Haddad. Veja aqui.

O bilhete único funciona maravilhosamente bem em todas as metrópoles desenvolvidas do planeta, e algumas nem tanto. Em Paris, para ficar em um exemplo, você compra o cartãozinho Navigo de uma semana, ou mês, e usa para todos os meios de transporte públicos durante aquele período - ônibus, trem, metrô. Até para o bondinho que poupa as pernas dos preguiçosos, na subida para Montmartre. Barato e prático.

Serra tentou colar no bilhete único o apelido de “bilhete mensaleiro”. Não pegou. Agora tem o descaramento de dizer que o bilhete único paulistano seria um novo imposto, a Taxa do Ônibus. Que teríamos que pagar mesmo que não usássemos. Trata os eleitores como idiotas. Diz que Haddad fez a taxa do lixo, na administração de Marta Suplicy. Haddad tinha cargo de terceiro escalão na prefeitura, na época. Não apitava nada.

Sem nem entrar na discussão sobre se a necessidade da taxa do lixo, uma coisa é certa: a responsável por sua criação foi Marta, não Haddad. A proposta do PT é que a prefeitura crie o bilhete único, banque sua implementação (R$ 400 milhões anuais, 1% do orçamento da cidade) e coloque-o à venda. O preço seria algo em torno de R$ 140,00 por mês.

Para quem pega quatro conduções por dia, o que para São Paulo é pouco, a economia seria enorme. Entendeu? Compra quem quer. Quem quiser pagar cada coisa separada, que o faça. Quem quiser andar de carro ou a pé, tudo bem. A compra do bilhete único não seria compulsória. Portanto, não é taxa. O comercial do PSDB deliberadamente tenta enganar o eleitor. É imoral. Serra mente.

Charge Online do Bessinha # 170

Bessinha #170

Fala FHC: como seria o Brasil em mãos tucanas?

No: Carta Maior

fhcUm grande banco de São Paulo reuniu nesta 3ª feira três vigas chamuscadas do incêndio neoliberal que ainda arde no planeta: Clinton, Blair e FHC. Que um banco tenha promovido um megaevento com esses personagens a essa altura do rescaldo diz o bastante sobre a natureza do setor e da ingenuidade dos que acreditam em cooptar o seu 'empenho' na travessia para um novo modelo de desenvolvimento. Passemos.
As verdades às vezes escapam das bocas mais inesperadas. Clinton e Blair jogaram a toalha no sarau anacrônico do dinheiro com seus porta-vozes. Coube ao ex-presidente norte-americano sintetizar um reconhecimento explícito: 'Olhando de fora, o Brasil está muito bem. Se tivesse que apostar num país, seria o Brasil'.
Isso, repita-se, vindo de um ex-presidente gringo que consolidou a marcha da insensatez financeira em 1999, com a revogação da lei de Glass-Steagall.
Promulgada em junho de 1933, três meses depois da Lei de Emergência Bancária, que marcou a posse de Roosevelt, destinava-se a enquadrar o dinheiro sem lei, cujas estripulias conduziram o mundo à Depressão de 29.
A legislação revogada por Clinton submetia os bancos ao rígido poder regulador do Estado. Legitimado pela crise, Roosevelt rebaixou os banqueiros à condição de concessionários de um serviço sagrado de interesse público: o fornecimento de crédito e o financiamento da produção. Enquanto vigorou, a Glass Steagall reprimiu o advento do supermercado financeiro, o labirinto de vasos comunicantes dos gigantes financeiros em que bancos comerciais agem como caixa preta de investimento especulativo, com o dinheiro de correntistas.
O democrata que jogou a pá de cal nas salvaguardas do New Deal elogiou o Brasil, quase pedindo desculpas por pisotear o ego ao lado do grande amigo de consensos em Washington e de corridas de emergência ao guichê FMI.
Mas FHC é um intelectual afiado nas adversidades.
A popularidade contagiante do tucano, reflexo, como se sabe, de seu governo, poupa-o da presença física nos palanques do PSDB, preferindo seus pares deixá-lo no anonimato ocioso para a necessária à defesa do legado estratégico da sigla.
É o que tem feito, nem sempre dissimulando certo ressentimento, como nessa 3ª feira mais uma vez.
Falando com desenvoltura sobre um tema, como se sabe, de seu pleno domínio sociológico, ele emparedou Clinton, Hair e tantos quantos atestem a superioridade macroeconômica atual em relação à arquitetura dos anos 90.
Num tartamudear de íngreme compreensão aos não iniciados, o especialista em dependência - acadêmica e programática - criticou a atual liderança dos bancos públicos na expansão do crédito, recado oportuno, diga-se, em se tratando de palestra paga pelo banco Itau; levantou a suspeição sobre as mudanças que vem sendo feitas - 'sem muito barulho'' - na política econômica ("meu medo é que essa falta de preocupação com o rigor fiscal termine por criar problemas para a economia”) e fez ressalvas ao " DNA" das licitações - que não reconhece, ao contrário de parte da esquerda, como filhas egressas da boa cepa modelada em seu governo.
Ao finalizar, num gesto de deferência ao patrocinador, depois de conceder que a queda dos juros é desejável fuzilou: 'houve muita pressão para isso'.
O cuidado tucano com os interesses financeiros nos governos petistas não é novo.
Há exatamente um ano, em 31 de agosto de 2011, quando o governo Dilma, ancorado na correta percepção do quadro mundial, cortou a taxa de juro pela primeira vez em seu mandato, então em obscenos 12,5%, o dispositivo midiático-tucano reagiu indignado. A pedra angular da civilização fora removida por mãos imprevidentes e arestosas aos mercados.
O contrafogo midiático rentista perdurou por semanas.
Em 28 de setembro, Fernando Henrique Cardoso deu ordem unida à tropa e sentenciou em declaração ao jornal ‘Valor Econômico’: a decisão do BC fora 'precipitada'.
Era a senha.
Expoentes menores, mas igualmente aplicados na defesa dos mercados autorreguláveis, credo que inspirou Clinton a deixar as coisas por conta das tesourarias espertas, replicaram a percepção tucana do mundo:"não há indícios de que a crise econômica global de 2011 seja tão grave quanto a de 2008", sentenciou, por exemplo o economista de banco Alexandre Schwartzman,indo para o sacrifício em nome da causa.
Nesta 4ª feira, o BC brasileiro completa um ano de cortes sucessivos na Selic com um esperado novo recuo de meio ponto na taxa, trazendo-a para 7,5% (cerca de 2,5% reais).
Ainda é um patamar elevado num cenário de crise sistêmica, quando EUA e países do euro praticam juros negativos e mesmo assim a economia rasteja.
Uma pergunta nunca suficientemente explorada pela mídia, que professa a mesma fé nas virtudes do laissez-faire, quase grita na mesa: 'Onde estaria o Brasil hoje se a condução do país na crise tivesse sido obra dos sábios tucanos?'
As ressalvas feitas por FHC no evento de banqueiros desta 3ª feira deixa a inquietante pista de que seríamos agora um grande Portugal, ou uma gigantesca Espanha - um superlativo depósito de desemprego, ruína fiscal e sepultura de direitos sociais, com bancos e acionistas solidamente abrigados na sala VIP do Estado mínimo para os pobres.
Em tempos de eleições, quando candidatos de bico longo prometem fazer tudo o que nunca fizeram, a fala de FHC enseja oportuna reflexão.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Garota rebelde é proibida de tirar CNH

A estudante de direito Luiza Gomes foi proibida de tirar Carteira de Habilitação por tempo indeterminado. O pedido à justiça foi do delegado Fabiano Contarato

Por: Eliseu

luiza_gomesNesse nosso Brasil infestado de corruptos, sejam políticos em sua grande maioria, e uma pequena parte os funcionários públicos incluindo aí, e principalmente policiais que se aproveitam de sua condição e, se não aceitam corrupção, se encantam com belas curvas femininas (ressalve-se que a maioria é honesta e cumpre seus deveres), felizmente como coloquei no parêntese, a maioria cumpre seus deveres, e entre eles destaca-se o delegado Fabiano Contarato, titular da Delegacia de Delitos de Trânsito do ES.

Após a jovem siliconada estudante de direito Luiza Gomes “pintar e bordar”, dirigir completamente bêbada e sem habilitação, tentar ligar o carro com um canudinho de tomar refrigerante e fumar uma nota de R$ 50,00, zombar das leis, desacatar os policiais e no final ser levada em casa de carona na viatura da Polícia Militar, a mesma polícia que demorou mais de uma hora para atender um chamado de um taxista que estava sendo assaltado, ou melhor, nem atendeu, uma vez que o mesmo foi encontrado por uma ambulância já baleado e em estado gravíssimo, o delegado Contarato pediu e a justiça proibiu a estudante de obter a carteira de habilitação. A decisão saiu nesta terça-feira (28) e foi da juíza Sayonara Couto Bittencourt Barbosa, da Vara de Inquéritos Criminais da Comarca de Vitória, conforme informou o G1/ES.

fabiano_contaratoApós tamanha benevolência por parte dos policiais militares que atenderam a ocorrência, o delegado Fabiano Contarato aplicou multa na garota rebelde que disse: “é lógico que eu bebi, bebi um pouco como qualquer pessoa da festa bebeu”, por assumir ter ingerido bebida alcoólica, fumar uma nota de R$ 50 e ligar o carro com um canudinho, além claro, de não poder tirar habilitação por tempo indeterminado.

Se tivéssemos mais delegados do mesmo naipe de Fabiano Contarato, certamente as coisas mudariam para melhor aqui abaixo da Linha do Equador.

Veja o vídeo da estudante que fumou R$ 50,00 | Não esqueça de DESLIGAR a rádio clicando stop

Kassab novamente descumpre liminar e não oferece abrigo para despejados

Moradores de ocupação no centro da cidade, colocados hoje na rua, dizem não ter para onde ir e relatam peregrinação pela cidade

Por: Gisele Brito, no Rede Brasil Atual 

desocupação_spDuzentas e dezessete famílias tiveram de sair de um prédio ocupado há 9 meses na avenida Ipiranga, região central de São Paulo, na manhã de hoje (28). A prefeitura descumpriu decisão proferida em julho pelo Tribunal de Justiça determinando o oferecimento de alojamentos. “Conversamos com a prefeitura, com a Polícia Militar e acertamos não resistir. A prefeitura tinha uma determinação de disponibilizar moradia, mas não cumpriu. Mais uma vez”, afirma Maria do Planalto, coordenadora da ocupação e integrante da Frente de Luta por Moradia (FLM).

A decisão, tomada pela juíza Regina Capistrano em 12 de julho, indicava que as famílias deveriam ser “alojadas em abrigos provisórios, e ali mantidas, até o final julgamento deste recurso” por conta do risco envolvido na violação do direito básico à moradia. Esta é a segunda vez apenas neste ano que a administração de Gilberto Kassab (PSD) descumpre uma determinação judicial relativa a moradia. Em fevereiro, a Secretaria de Negócios Jurídicos não obedeceu a liminar que obrigava a oferecer abrigo aos despejados de uma outra ocupação no centro da cidade. 

Tampouco foi colocado à disposição aluguel social ou qualquer outro programa assistencial. O prédio estava abandonado há 9 anos. Segundo líderes da ocupação, as dívidas do proprietário do imóvel apenas com a Sabesp, a companhia estadual de saneamento, chegam a R$ 8 milhões, ou seja, seria possível promover a desapropriação do imóvel com base na legislação existente.

Sem ter para onde ir, parte dos ocupantes diz que vai permanecer na rua. “Eu estou desempregada. Tenho dois filhos, um deles especial, e não tenho pra onde ir. Vou dormir na calçada hoje”, conta Gisele Oliveira, de 30 anos.

Márcia Alves, de 33 anos, também reclama que seus três filhos não poderão ir para a escola nos próximos dias. “Eles estudavam aqui perto. Agora não sei o que vai acontecer. Aluguel não tem como eu pagar, com os R$ 722 reais que eu ganho só dá pra nos sustentar mesmo”, explica.

“As pessoas dizem que nós somos favelados. Favelado tem um teto. A gente, não. Somos sem-teto mesmo”, define a empregada doméstica Cícera de Almeida, de 59 anos. Ela conta que antes de morar na ocupação precisou abandonar o antigo trabalho para cuidar do marido, que morreu meses depois em decorrência de um câncer. Durante o tratamento, eles moraram “de favor” na casa de uma familiar. Depois da morte do companheiro, sem trabalho, ela resolveu aderir ao movimento de moradia. A primeira ocupação de que participou foi no inicio de 2010 em um prédio bem em frente ao desocupado hoje. A experiência durou poucos meses e ela voltou a morar com parentes. Até que a oportunidade de ocupar outro imóvel surgiu. “Perdi tudo que eu tinha lá naquela desocupação”, lembra. “Dessa vez não perdi nada, já que não tinha quase nada. Quem mora de favor não pode ter muita coisa”.

Cícera diz ganhar R$ 600 reais por mês e não ter condições de pagar um aluguel. “As favelas estão cheias. Não tem lugar para a gente morar”, diz. “Vai em qualquer imobiliária aí. Não tem como comprar nada com esse salário. A gente não quer nada de graça. Queremos pagar conforme o que a gente ganha. É isso que a gente espera da prefeitura. Mas eles só prometem”, explica.

Charge Online do Bessinha # 169

Bessinha #169

CPMI pode esclarecer suspeitas de irregularidades de tucanos

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a relação de agentes públicos e privados com o crime organizado comandado por Carlos Augusto Ramos, o Carlos Cachoeira, ouve nesta semana depoimentos considerados por seus integrantes como “polêmicos” e “esclarecedores”.
No: Vermelho

tucanos-não-psdbEntre os convocados estão o ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot; o ex-diretor da estatal paulista Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, e o ex-presidente da empreiteira Delta, Fernando Cavendish.

Para o líder da bancada do PT, deputado Jilmar Tatto (PT-SP), os depoimentos desta semana representam oportunidades de os depoentes “manifestarem de forma transparente tudo que aconteceu entre o crime organizado e o PSDB”. “Se os depoentes colaborarem com a CPMI, estarão prestando um grande serviço ao Brasil”, ponderou Jilmar Tatto.

Em recente entrevista concedida à revista IstoÉ, Pagot denunciou o desvio de recursos públicos para abastecer caixa dois da campanha do tucano José Serra à Presidência da República, em 2010. Ele disse que em sua gestão à frente do Dnit contrariou interesses da Construtora Delta e de Carlos Cachoeira.

O ex-diretor do Dnit foi demitido após divulgação de matéria elaborada pela revista Veja. Interceptações telefônicas apontam relação estreita entre o diretor da sucursal da revista em Brasília, Policarpo Júnior com a rede liderada por Cachoeira. Pagot depõe nesta terça-feira (28).

Na quarta-feira (29), depõem Paulo Preto e Cavendish. Paulo Preto é considerado homem de confiança do tucano José Serra. Ele era o responsável pela obra viária conhecida como Rodoanel, entre outras, e terá de explicar suspeitas de superfaturamento. Ele é ainda acusado de pressionar o Dnit para liberar recursos para a campanha de Serra à Presidência da República.

De acordo com reportagem do jornal Folha de S.Paulo, deste fim de semana, Paulo Preto mandou recado à cúpula do PSDB dizendo que os atos por ele praticados à frente da Dersa eram de conhecimento de José Serra, atual candidato tucano à Prefeitura de São Paulo.
Já o depoimento de Cavendish pode não ocorrer, pois seus advogados entraram com pedido de habeas corpus junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que exerça o direito constitucional de ficar em silêncio.

Além desses depoimentos, a comissão ouve o empresário Adir Assad, dono das empresas JSM Terraplenagem e SP Terraplenagem. As empresas são consideradas “laranjas”. O depoente também utilizará da prerrogativa constitucional de permanecer calado.

A "redenção" de Joaquim Barbosa

A POSTURA QUE ADOTOU NO JULGAMENTO DO MENSALÃO QUEBROU AS RESISTÊNCIAS QUE A COR DE SUA PELE SEMPRE LHE GEROU ENTRE UMA ELITE QUE AGORA O IDOLATRA E DEFENDE, AO MENOS ENQUANTO LHE FOR ÚTIL
Por: Eduardo Guimarães, no Brasil 247 

joaquim_barbosaAcabo de ler mais um dos incontáveis textos de “colunistas” do consórcio demo-tucano-midiático paridos após o ministro do STF Ricardo Lewandowski ter inocentado o petista e ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha, contrariando o relator do processo do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, que votou por sua condenação.

Entre outras reflexões, desanima a previsibilidade que vai se comprovando sobre o que diriam esses “colunistas” sobre os votos antagônicos dos dois juízes. A última coluna que li foi de Miriam Leitão, que, como todos os seus congêneres na grande mídia, por óbvio deu razão a Barbosa.

Outra reflexão, que é a que orienta este texto, versou sobre a “redenção” de Barbosa na mídia que a sua posição sobre o mensalão, desde o início alinhada ao que ela quer, está lhe proporcionando agora, após ter sido alvo midiático por tanto tempo.

A maledicência midiática contra Barbosa teve início já em 2003, quando de sua nomeação como ministro do STF pelo então recém-empossado presidente Lula. Os mesmos “colunistas” insinuavam que o juiz chegara aonde chegara simplesmente por ser negro.

Segundo diziam aquelas más línguas, Lula queria um negro – qualquer negro – para a vaga que surgira naquela Corte e Barbosa era o que havia à mão. Como sempre ocorreu quando o ex-presidente deu oportunidades a negros – fosse no ensino superior, fosse na Suprema Corte –, eclodiu todo um discurso midiático sobre “meritocracia”, à qual o escolhido não faria jus.

Nos anos seguintes, as militâncias midiática e governista travariam, sobretudo na internet, um furioso embate sobre Barbosa. Governistas defenderiam a belíssima história de vida de um negro pobre, filho de pedreiro, e a mídia oposicionista diria que sua escolha fora “política”, como se as de todos os juízes do STF não fossem.

Barbosa, porém, fez por merecer o cargo de ministro do STF. Aos 16 anos, saiu de casa. Foi viver em Brasília, onde arranjou emprego na gráfica do jornal Correio Brasiliense e estudou em colégio público. Chegou à universidade e ao bacharelado em Direito na Universidade de Brasília, onde obteve seu mestrado em Direito do Estado.

Barbosa também foi Oficial de Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores (1976-1979), tendo servido na Embaixada do Brasil em Helsinki, Finlândia, e depois foi advogado do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) (1979-84).

Prestou concurso público para procurador da República e foi aprovado. Licenciou-se do cargo e foi estudar na França por quatro anos, tendo obtido mestrado e doutorado pela Universidade de Paris em 1990 e 1993.

Retornou ao cargo de procurador no Rio de Janeiro. Foi professor concursado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Foi visiting scholar no Human Rights Institute da faculdade de direito da Universidade Columbia em Nova York (1999 a 2000) e na Universidade da Califórnia Los Angeles School of Law (2002 a 2003).

Fez estudos complementares de idiomas estrangeiros no Brasil, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Áustria e na Alemanha. É fluente em francês, inglês, alemão e espanhol. Toca piano e violino desde os 16 anos de idade.

Ufa! É uma trajetória de tirar o fôlego. Ainda assim, ao ser indicado para o STF – uma corte para a qual as indicações têm menos que ver com o currículo do indicado do que com as conveniências políticas de quem indica –, só o que a mídia enxergou foi “populismo” de Lula, que o teria escolhido “só por ser negro”.

Os anos foram se passando e Barbosa continuou sendo alvo de narizes torcidos da elite midiática, sendo visto por ela como “o juiz negro de Lula”.

Essa situação se agravou em abril de 2009 durante sessão do STF que analisava uma lei paranaense que estendia a aposentadoria do setor público a funcionários de cartórios. Naquela oportunidade, Barbosa se desentendeu com o juiz “da oposição”, Gilmar Mendes.

Diga-se que os dois juízes já vinham se estranhando devido aos habeas corpus “cangurus” que Mendes dera a Daniel Dantas nas horas mortas da madrugada, e devido à perseguição do juiz “tucano” ao juiz Fausto de Sanctis e ao delegado da operação Satiagraha Protógenes Queiroz, condutas de Mendes que Barbosa criticava duramente.

A discussão entre os dois juízes foi duríssima e permaneceu por semanas a fio no noticiário. E, claro, confirmando a previsibilidade de viés que ressurge agora na disputa retórica entre o relator do inquérito do mensalão, o mesmo Joaquim Barbosa, e o revisor, Ricardo Lewandowski. Todavia, à diferença de hoje, àquela época a mídia tomou partido do adversário do juiz negro.

Editoriais e colunas dos grandes jornais e os blogs e sites da grande mídia na internet praticamente trucidaram Barbosa. Na imprensa paulista, por exemplo, Folha de São Paulo, Estadão e Veja saíram, furiosamente, em defesa de Gilmar Mendes contra Joaquim Barbosa.

Em 24 de abril de 2009, a Folha publica o editorial “Altercação no STF”. O previsível editorial, já no primeiro parágrafo, demonstrava a que vinha:

O ministro Joaquim Barbosa excedeu-se na áspera discussão travada anteontem com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Não se justificam os argumentos “ad hominem” e a linguagem desabrida empregada por Barbosa em sessão aberta na mais alta corte brasileira (…)”

No mesmo dia, o Estadão, sempre mais passional, partiu para o insulto em editorial sob o título “Falta de compostura”:

“(…) Na sessão de quarta-feira, durante o julgamento de um recurso do governo do Paraná contra decisão do STF, que em 2006 considerou inconstitucional a lei que criou o fundo de previdência do Estado, o ministro Joaquim Barbosa, que dialogava com o presidente da Corte, Gilmar Mendes, perdeu a compostura (…)”

Na coluna de Eliane Cantanhêde, na Folha, tudo no Day After da “altercação” entre Barbosa e Mendes, não foi diferente:

“(…)Era uma discussão técnica qualquer, os dois (Barbosa e Mendes) se desentenderam e Barbosa perdeu a compostura (…)”

No blog de Reinaldo Azevedo, no portal da revista Veja, o pitbull da publicação repisa a questão racial em relação a Joaquim Barbosa:

“(…) Eu tenho verdadeiro horror, asco mesmo, de quem costuma reivindicar o lugar do oprimido (…)”

Os anos foram se passando e Barbosa acabou ficando com a relatoria do inquérito do mensalão. A partir dali, quando foi ficando claro que o fato de ter sido indicado por Lula não estava pesando no viés que assumira em relação ao caso, o discurso midiático contra si foi sendo abrandado, chegando, hoje, a se tornar o novo queridinho da mídia no STF.

Uma coisa é certa: a conduta de Barbosa no âmbito do inquérito do mensalão lhe valeu “redenção” na mídia. De juiz que chegara ao STF pelo único “mérito” de ser negro e de “juiz de Lula”, converteu-se em profundo conhecedor da lei e exemplo de “isenção” – sem, por óbvio, a ressalva de que o mérito de nomear um juiz “isento” é de Lula.

Joaquim Barbosa é um vencedor. Sua trajetória, antes empanada por acusações de cunho racial na mídia, não encontra mais óbices. A postura que adotou no julgamento do mensalão quebrou as resistências que a cor de sua pele sempre lhe gerou entre uma elite que agora o idolatra e defende, ao menos enquanto lhe for útil.

Charge Online do Bessinha # 168

Bessinha #168

SP: quarto incêndio em favela em duas semanas

Nova ocorrência destruiu em torno de 30 barracos em São Miguel Paulista, na zona leste da cidade

No: Rede Brasil Atual 

incêndio_favela_spMais uma favela em São Paulo pegou fogo na manhã de hoje (28). O incêndio, desta vez, ocorreu na favela da Paixão, no bairro de São Miguel Paulista, zona leste da cidade. Até as 12h30 o fogo ainda não havia sido controlado e já havia destruído pelo menos 30 barracos, de acordo com a Defesa Civil. As causas ainda não são conhecidas.

Este é o quarto incêndio em favela em duas semanas na capital paulista. Na última quinta-feira (23) ocorreu um incêndio em uma favela localizada na rua Capitão Pacheco Chaves, na Vila Prudente, entre as zonas sul e leste da capital paulista, que destruiu cerca de 100 barracos e deixou 600 pessoas desabrigadas.

Antes disso, em 17 de agosto, a favela do Areão pegou fogo e deixou cerca de 280 pessoas desabrigadas. Um dia depois ocorreu um incêndio na Favela Alba, na zona sul, que deixou pelo menos 120 desalojados. A prefeitura não ofereceu abrigo para as vítimas, que tiveram que se hospedar na casa de amigos e parentes.

Em abril, a Câmara Municipal abriu uma CPI para investigar as suspeitas de que os incêndios sejam provocados por pessoas ou grupos interessados em eliminar as casas de madeira para abrir espaço à especulação imobiliária. Passados quase cinco meses, ela realizou apenas duas das seis audiências marcadas, apenas para formalizar a abertura da CPI. A comissão deve encerrar os trabalhos no próximo dia 9, sem sequer ter nomeado relator. A próxima reunião está marcada para amanhã (29), às 12h, na Câmara Municipal.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O pior analfabeto

Por: Eliseu

analfabeto_politicoNeste ano de eleições para prefeitos e vereadores, quando todos os políticos se tornam os melhores homens desse planeta chamado Terra, o que nas situações normais do dia a dia lhes causa repulsa, nas eleições são normais e “agradáveis”, como pegar no colo crianças sujas nas favelas (aqui no ES nomearam de Invasões. No Rio são Comunidades), dão tapinhas nas costas de todos, até de quem jamais tenham visto, pegam nas mãos de pessoas humildes (depois correm para desinfetar) e prometem o “diabo a quatro” na tentativa de angariar alguns votos, seria bom se refletisse sobre a citação de Bertolt Brecht sobre o analfabeto político que segue logo abaixo.

Essa espécime aqui no Brasil está longe da extinção. Por exemplo, o tucano mentiroso José Serra que nunca cumpriu o que prometeu aos paulistanos; aqui na nossa cidade de Serra/ES temos o prefeito “doutor” Sérgio Vidigal que apesar de se dizer médico não cuida da saúde, extermina cães, compra votos em troca de cestas básicas às nossas custas, e o outro candidato, Audifax Barcelos que foi introduzido na política por Vidigal, gostou do poder e tentou passar uma rasteira no mesmo ao final do mandato bem ao estilo dos desonestos políticos brasileiros. Os dois polarizam a campanha aqui na cidade. E agora, qual dos dois é pior? Difícil resposta!

Segue abaixo a citação do Bertolt Brecht que peguei de uma amiga do Facebook:

O Analfabeto Político

“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais, e exploradores do povo.”
Bertolt Brecht

Charge Online do Bessinha # 167

Bessinha #167

Leis de trânsito garantem impunidade

“Poder público já não é eficiente e, ainda por cima, a família não impõe limites”  Fabiano Contarato, delegado de trânsito

No: G1/ES

Uma universitária disse que bebeu antes de dirigir e fumou R$ 50. Um motorista dormiu no carro ligado e foi acordado pela polícia. Outro condutor atropelou uma menina de 13 anos, derrubou um poste e foi detido com uma garrafa de cachaça. Todos os casos aconteceram em um intervalo de duas semanas, na Grande Vitória. Neste domingo (26), o jornal A Gazeta divulgou uma pesquisa do Instituto Futura que mostrou que o capixaba quer mais rigor em relação à punição a motoristas que dirigem alcoolizados.

Para 97% dos entrevistados, as penas devem ser mais rigorosas para quem bebe e dirige e, para 85,6%, a punição ideal é a prisão. Segundo o delegado de trânsito Fabiano Contarato, o resultado da pesquisa reflete a hipocrisia das pessoas. “O resultado é positivo, mas quando alguém é detido por beber e dirigir, essa pessoa, normalmente, acha um absurdo ficar presa. Infelizmente, as leis de trânsito garantem a certeza da impunidade. Esse é problema não só da Segurança Pública, mas da Saúde, do Transporte, da Educação e das polícias”, comentou.

contaratoContarato ainda lamenta que a falta de educação no trânsito por parte do motorista brasileiro é um reflexo do que o delegado define como a renúncia da família aos seus deveres na sociedade. “A maioria dos pais deixa para a escola ensinar os princípios fundamentais de educação. O que a gente vê é muito pai passando a mão na cabeça de filhos que cometem infrações no trânsito. O poder público já não é eficiente e, ainda por cima, a família não impõe limites”, analisa.

O delegado disse que, além da uma ação mais ativa da família, a educação no trânsito deve ser ensinada formalmente nas escolas, como prevê o Código de Trânsito Brasileiro. “Fico triste quando vejo os mesmos brasileiros imprudentes dentro do país, respeitando as leis de trânsito no exterior. Isso é um retrato da impunidade no Brasil. Não temos nada a comemorar. O Espírito Santo é o segundo estado do país em violência no trânsito. E o Brasil é o segundo no mundo, perdendo apenas para a China”, disse Contarato.

Segundo o Batalhão de Trânsito, neste ano, 70 motoristas foram flagrados embriagados nas vias estaduais. São realizadas mais de seis blitze por dia no Espírito Santo. Entre janeiro e julho deste ano, os radares registraram, aproximadamente, 560 infrações por dia. No total, já foram mais de 117 mil multas, a maioria por causa da velocidade, superior à máxima em até 20% dos casos.

O Departamento de Trânsito do Espírito Santo (Detran-ES) informou que dirigir sob o efeito do álcool é a sexta infração mais registrada no estado. No Brasil, o motorista flagrado dirigindo embriagado não é obrigado a fazer o teste do bafômetro.

domingo, 26 de agosto de 2012

Vitória: “ortoridade” x “ortoridade”

Por: Eliseu 

loucoOntem publiquei aqui matéria intitulada “ES: “Ortoridades” estão loucas?”, onde mais uma vez criticava a conduta diferente e desproporcional da Polícia Militar em dois casos análogos de trânsito, onde a garota siliconada que deveria ser presa foi levada em casa na viatura da PM e o rapaz que apenas dormia em seu carro após tomar umas “biritas” foi preso. E também os desempregados que pescavam para saciar a fome (haviam pescado 2 quilos de peixe na Baia de Vitória, num barquinho a remo) e foram presos, algemados, acorrentados e ficaram 26 horas sem comer.

No mesmo fatídico sábado (25) para o “biriteiro” que foi preso ilegalmente, ocorreu outra confusão envolvendo trânsito, dessa vez entre “ortoridades” aqui na capital Capixaba, o que reforça minha tese que o calor dos trópicos vem mesmo fazendo nossas “ortoridades” ficarem de “miolo mole”. De acordo com o mesmo G1/ES (um dos tentáculos do PIG no ES. E só coloco link do PIG se for essencial), o delegado aposentado Bianor Terra tomou, rasgou e amassou o bloco de multas do agente de trânsito Samuel Gabriel da Silva, que tentava autuá-lo por estacionamento irregular.

O delegado aposentado tentou dar uma “carteirada” no guarda dizendo ser delegado. Por sua vez o guarda de trânsito foi ríspido dizendo que ele poderia ser até o presidente, e que estava errado.

O delegado errou ao tentar usar sua condição de policial para se safar da multa e o agente de trânsito também errou ao discutir com o motorista infrator. Que o multasse e pronto! Discutir com motoristas não faz parte de suas atribuições. Quem circula pelas ruas de Vitória sabe bem como a maioria dos agentes de trânsito são abusados.

E as “ortoridades”, pelo menos aqui no litoral ensolarado do Espírito Santo, estão cada vez mais desorientadas. Quem sabe se com a chuva que cai agora a coisa melhora???

Por falar em chuva, uma “palinha” do Jorge Ben, que depois acrescentaria Jor a seu nome.

Para ouvir a música, não esqueça de DESLIGAR a rádio clicando stop.

Charge Online do Bessinha # 166

Bessinha #166

A parábola dos cegos

Por: Wálter Maierovitch, no CartaCapital 

Temis de olho abertoNa pinacoteca do Museo Nazionale di Capodimonte está exposto o famoso quadro do holandês Pieter Bruegel, pintado em 1568 e intitulado A Parábola dos Cegos, com a cena de um homem sem visão a guiar outros. À Ação Penal 470, apelidada de “mensalão”, foi imposto um “iter” às cegas, incomum, onde a busca do processo justo cedeu lugar à pressa atabalhoada.

No pretório excelso existem centenas de processos, com matérias relevantes, que aguardam anos para ingressar na pauta de julgamentos. Quanto ao mensalão, tão logo o relator Joaquim Barbosa concluiu o seu preparo, passou-se a forçar o ministro Ricardo Lewandowski a concluir a revisão em prazo determinado. Tudo para colocar o caso em pauta na primeira sessão após o recesso decorrente das férias forenses de julho.

Infelizmente, não foi levada em conta a inconveniência de se marcar um julgamento de grande impacto midiático em período eleitoral. Onde o processo criminal do mensalão, com foro privilegiado pela presença de três deputados e não desmembrado em relação aos 34 demais corréus, poderia ser explorado para demonizar partidos políticos e acusados. Mais ainda: com a par conditio desprezada no que diz respeito ao desmembrado “mensalão tucano”. Frise-se ainda a inexistência de urgência, ou melhor, nenhum risco, pela pena em abstrato tomada pelo máximo, de extinções de punibilidades de réus por proximidade de prescrições de pretensões punitivas.

Pelo que hoje se percebe, a pressa, além do fato de Carlos Ayres Britto buscar algo de relevância histórico-política para marcar a sua curta presidência, objetivava evitar a perda do voto, pela aposentadoria compulsória, em 3 de setembro, do ministro Cezar Peluso. Assim os ministros, na ausência do revisor Lewandowski, elaboraram um extenuante calendário de sessões. Do calendário ao fatiamento do julgamento, houve um festival de desencontros e de obviedades, como, por exemplo, cada ministro poder escolher, no seu voto, a metodologia desejada.

O fatiamento gera, porém, a cada item da proposta de condenação ou absolvição feita pelo relator manifestações balizadas, limitadas, do revisor e dos demais ministros. O fatiamento, por evidente, prejudica o script inicial, ou seja, o de Peluso, após o relator e o revisor, antecipar o seu voto completo. A antecipação, ressalte-se, apenas cabe nos casos de não fatiamento do julgamento. Essa inédita antecipação representaria uma teratologia lógico-procedimental. No popular, seria como o padre começar a missa pela bênção final.

Enquanto os ministros supremos procuram uma bússola para acertar o norte, não deve ter passado despercebido de Têmis, a deusa da justiça e da coerência, o voto de Joaquim Barbosa que absolveu, pela fórmula plena da ausência de provas e não pela da insuficiência, o ex-ministro Luiz Gushiken.

A única prova nos autos do mensalão a incriminar Gushiken era o relato, na CPI dos Correios, do corréu Henrique Pizzolato. Como Barbosa não engoliu a história contada por Pizzolato sobre os 360 mil reais recebidos, considerado o preço da sua corrupção, foi coerentemente desprezada pelo relator a delação extrajudicial contra Gushiken.

Ensinam os processualistas europeus que para ser aceita a delação do corréu é necessária a total admissão da sua responsabilidade. Aquele que delata deve concordar com o núcleo central acusatório. Fora isso, o julgador não pode “fatiar” a confissão, tirando a parte que entende verdadeira e excluindo a mendaz. E outra: na célebre lição de Enrico Altavilla, na obra La Psicologia Giudiziaria, “a acusação de um corréu não deve ser uma simples afirmação, antes precisa ser enquadrada numa narração exauriente”.

O famoso Tommaso Buscetta delatou os chefões da Máfia, mas admitiu a sua condição de mafioso e a coautoria em vários crimes. A isso se chamou Teorema Buscetta, aceito, na sua parte fundamental, pela corte de cassação da Itália.

No mensalão, Roberto Jefferson, o principal delator, admite ter recebido importância vultosa, mas esconde os nomes dos beneficiários do repasse. Fora isso, Jefferson atacou José Dirceu após vir a público o pagamento de propina a um diretor dos Correios indicado pelo PTB. Talvez por isso tudo, Jefferson conseguiu se eleger presidente do Partido Trabalhista Brasileiro.

A essa altura e com a costumeira coerência, Têmis, que nunca usou venda, apesar de ter se espalhado o contrário na Idade Média, deve estar com uma pergunta engatilhada: será que Barbosa, que não aceitou a delação de Pizzolato contra Gushiken, vai aceitar como válida a delação de Jefferson contra Dirceu?

No caso do ex-ministro, como insistiu o seu defensor constituído na sustentação oral, a única acusação contra ele, colhida na fase judicial, provém de Jefferson.

sábado, 25 de agosto de 2012

ES: “Ortoridades” estão loucas?

Aqui no ES desempregados se “atrevem” a pescar para comer. São presos e acorrentados! Garota dirige bêbada, desacata policiais e ganha carona para casa na viatura da polícia. Motorista toma umas “pingas”, vai dormir no corro e é preso

Por: Eliseu 

loucoDe vez em quando escrevo aqui no O Carcará que tenho a impressão que o calor dos trópicos aqui abaixo da Linha do Equador, nesse belo País chamado Brasil deixa as “ortoridades” de miolo mole. Agora tenho certeza, e não são apenas as “ortoridades”, incluindo ai obviamente nosso desonestos políticos. Esse blogueiro também deve ter “fervido” seus miolos. A diferença é que os políticos e “ortoridades” em geral usam os seus ferventes miolos, algumas para roubar o erário público e outras para cometer  arbitrariedades e desmandos de toda ordem.

Dia 21 deste mês publiquei aqui post intitulado “ES: autoridades… “ortoridades”?”, onde criticava o tratamento extremamente  desigual da Polícia Militar com dois desempregados que pescavam para garantir uma refeição e foram presos, algemados e acorrentados e passaram 26 horas sem comer – tudo isso sem ter sequer passagem pela polícia – e a estudante siliconada Luiza Gomes que foi “achada” dormindo completamente embriagada, com o carro danificado, pneus estourados visivelmente por alguma batida, desacatou os policiais, tirou “sarro” da Lei Seca, e a “punição” foi ser levada de carona para sua casa numa viatura da Polícia Militar (Veja o vídeo aqui). Agora o Delegado Fabiano Contarato da Delegacia de Delitos de Trânsito está dando uma “dura” na estudante e nos PM’s que se encantaram com a curvilínea e siliconada estudante.

Hoje, vejo sem surpresa, a mesma Polícia Militar que foi tão “rigorosa” com os desempregados e tão permissiva com a siliconada estudante, num caso análogo, tomar uma atitude no mínimo estranha. Conforme reportagem publicada no portal G1/ES, um motorista foi flagrado dormindo dentro do carro estacionado em local proibido na Avenida Saturnino de Brito, na Praia do Canto, em Vitória, na manhã deste sábado (25). Quando a Polícia Militar abordou o condutor Tiago Rocha, de 31 anos, o veículo estava ligado e ele deitado nos bancos da frente. Questionado pela reportagem sobre o que havia feito durante a noite, ele disse pouco: “Estou em Vitória, estou bem”. O homem foi encaminhado para o Departamento de Polícia Judiciária da capital.

Segundo a polícia, ele apresentava sinais de embriaguez e estava com a pulseira de uma boate de Vitória no punho direito. O sargento Henrique, do batalhão de trânsito da capital, disse que o motorista se recusou a fazer o teste do bafômetro. “Mas ele estava com sinais claros de que havia bebido. Os olhos estavam vermelhos, a fala embargada, a braguilha da calça estava aberta”, relatou.

Não estou aqui para advogar para bêbados, muito menos para bêbados que dirigem, como o senador tucano Aécio Neves que foi pego dirigindo bêbado no Rio, mas verdade seja dita! O motorista em questão não foi pego dirigindo. A Polícia Militar agiu com excesso de zelo, para não dizer abuso de autoridade uma vez que o mesmo estava apenas dormindo embriagado dentro de seu carro ligado.

Até onde sei, beber pode fazer mal, mas não é crime; dormir dentro do próprio carro também não é; manter o carro ligado gasta combustível mas também não é crime; estar com pulseira de boate também não é; barguilha aberta, desde que não esteja com os “documentos” à mostra também não é crime e estacionamento proibido é apenas passível de multa e em determinadas condições, reboque. Se o veículo estivesse obstruindo passagem, como garagem, que rebocassem o veículo  com o bêbado dorminhoco dentro! Nada impede que o cidadão tome umas “carraspanas” e vá curar a cachaçada dentro de seu veículo, no frescor do ar condicionado.

Ou as “ortoridades” do ES estão completamente de miolo mole, ou é esse blogueiro. Ou todos!

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