terça-feira, 21 de agosto de 2012

Depois de Jânio, Pitta e Kassab, o que vem aí?

No: Carta Maior

banner_37228São Paulo que já elegeu Jânio, Pitta e Kassab agora ensaia apoiar um novo out-sider para ocupar a cadeira de prefeito da maior cidade brasileira. Com Celso Russomano devorando Serra pelo calcanhar e a expectativa de que sete minutos diários na TV tirem Haddad do ostracismo nos próximos 45 dias, começa nesta 3ª feira a propaganda eleitoral da disputa mais importante do país em 2012 .

A desqualificação da política e, sobretudo a demonização inclemente dos partidos progressistas pela plutocracia paulistana, caninamente ecoada pelo seu dispositivo midiático, explicam em boa parte - e mais que em outros lugares - a recorrente 'preferência' do eleitorado local, não só de classe média, pelo “líder independente”, o bonaparte engomadinho, “o que vai lá e faz do seu jeito”, aquele que, supostamente, a exemplo do que anuncia de si próprio um dos jornais reprodutores dessa lógica, “não tem rabo preso com ninguém”.

O analfabetismo político cultivado pela mídia é um dos desafios que as candidaturas progressistas, sobretudo a do PT, terão que enfrentar corajosamente na propaganda eleitoral para torná-la relevante. Cortejar o senso comum oferecendo-lhe confeitos coloridos e melodias rastejantes, a exemplo do jingle tucano, em prejuízo do debate em torno de uma nova estratégia para a cidade e cidadania, dificilmente fará de Haddad um vencedor diante de profissionais do ramo.

A condição subaltera que ocupa nessa largada, todavia, dá ao PT a liberdade para se livrar de enredos de faz de conta e, mais que nunca, pautar a disputa na principal trincheira do capitalismo brasileiro com propostas críveis de reforma urbana e socialização de recursos que quebrem o ceticismo de muitos e a apatia da maioria; e devolvam ao voto a dimensão de uma ferramenta de uso relevante para interferir, de fato, no cotidiano da população. A ver.