segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Leis de trânsito garantem impunidade

“Poder público já não é eficiente e, ainda por cima, a família não impõe limites”  Fabiano Contarato, delegado de trânsito

No: G1/ES

Uma universitária disse que bebeu antes de dirigir e fumou R$ 50. Um motorista dormiu no carro ligado e foi acordado pela polícia. Outro condutor atropelou uma menina de 13 anos, derrubou um poste e foi detido com uma garrafa de cachaça. Todos os casos aconteceram em um intervalo de duas semanas, na Grande Vitória. Neste domingo (26), o jornal A Gazeta divulgou uma pesquisa do Instituto Futura que mostrou que o capixaba quer mais rigor em relação à punição a motoristas que dirigem alcoolizados.

Para 97% dos entrevistados, as penas devem ser mais rigorosas para quem bebe e dirige e, para 85,6%, a punição ideal é a prisão. Segundo o delegado de trânsito Fabiano Contarato, o resultado da pesquisa reflete a hipocrisia das pessoas. “O resultado é positivo, mas quando alguém é detido por beber e dirigir, essa pessoa, normalmente, acha um absurdo ficar presa. Infelizmente, as leis de trânsito garantem a certeza da impunidade. Esse é problema não só da Segurança Pública, mas da Saúde, do Transporte, da Educação e das polícias”, comentou.

contaratoContarato ainda lamenta que a falta de educação no trânsito por parte do motorista brasileiro é um reflexo do que o delegado define como a renúncia da família aos seus deveres na sociedade. “A maioria dos pais deixa para a escola ensinar os princípios fundamentais de educação. O que a gente vê é muito pai passando a mão na cabeça de filhos que cometem infrações no trânsito. O poder público já não é eficiente e, ainda por cima, a família não impõe limites”, analisa.

O delegado disse que, além da uma ação mais ativa da família, a educação no trânsito deve ser ensinada formalmente nas escolas, como prevê o Código de Trânsito Brasileiro. “Fico triste quando vejo os mesmos brasileiros imprudentes dentro do país, respeitando as leis de trânsito no exterior. Isso é um retrato da impunidade no Brasil. Não temos nada a comemorar. O Espírito Santo é o segundo estado do país em violência no trânsito. E o Brasil é o segundo no mundo, perdendo apenas para a China”, disse Contarato.

Segundo o Batalhão de Trânsito, neste ano, 70 motoristas foram flagrados embriagados nas vias estaduais. São realizadas mais de seis blitze por dia no Espírito Santo. Entre janeiro e julho deste ano, os radares registraram, aproximadamente, 560 infrações por dia. No total, já foram mais de 117 mil multas, a maioria por causa da velocidade, superior à máxima em até 20% dos casos.

O Departamento de Trânsito do Espírito Santo (Detran-ES) informou que dirigir sob o efeito do álcool é a sexta infração mais registrada no estado. No Brasil, o motorista flagrado dirigindo embriagado não é obrigado a fazer o teste do bafômetro.