quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Serra mente

Por: André Forastieri, no R7

serra-kassab-aeEspero qualquer baixeza de José Serra. A gestão Serra-Kassab dá indigestão. É a pior que já vi em São Paulo. Vivo aqui desde 1983. Pitta perto dessa gente é De Gaulle. É uma rara combinação de inoperância, autoritarismo histérico e rendição aos interesses mais espúrios da cidade. Onde põem a mão não nasce grama. O próprio Serra diz que sua gestão e a de Kassab são uma só.

Os dois entregaram a administração da cidade nas mãos de policiais militares. São trinta, das trinta e uma subprefeituras de São Paulo, nas mãos de tiras. Fora muitos outros cargos na prefeitura. Mentalidade militar para lidar com problemas civis - temos décadas de experiência pra saber como isso (não) funciona. Escrevi longamente sobre o assunto, na época da invasão da USP. De lá para cá, piorou bastante. Leia aqui.

Quer saber mais? Tampe o nariz, e confira os dados completos e atualizados sobre a militarização de São Paulo, neste site desenvolvido pela agência de reportagem Pública. Tem até quanto cada um ganha a mais. Porque eles acumulam suas aposentadorias de coronéis com os salários de funcionários da prefeitura. Aqui onde eu moro, o subsecretário, 53 anos, ganha R$ 41 mil. Veja aqui.

Há quem estranhe que Serra tenha se tornado uma pessoa tão paranoica e truculenta, a ponto de instaurar um regiminho militar light na cidade. Afinal, ele foi perseguido pela ditadura, teve que fugir para o Chile e os Estados Unidos, não? Bem, não seria o primeiro caso de alguém com juventude de esquerda que se metamorfoseia em conservador truculento. Não há  direitista mais fervoroso que um ex-comunista... Quer saber mais? Tampe o nariz, e veja os dados completos sobre a militarização de São Paulo, neste site desenvolvido pela Pública.

Que nos importam as profundas razões psicológicas, ou quaisquer outras, que fizeram de Serra essa figura nefasta que ele é hoje? O que interessa é nos livrarmos dele. Que é o que vai acontecer. Não é que Serra não vai ganhar. Serra não vai nem para o segundo turno. Arrisca ficar atrás de Russomano, Haddad e Chalita. Quem ganha? Sei lá. Não voto em nenhum. Não voto e pronto. Mas como muitos conterrâneos, rejeito Serra acima de qualquer outro.

Paulistano com dois neurônios não confia em Serra. Conhecemos bem a peça. Então ele não se elegerá e vai ser carta fora do baralho, sem nunca ter atingido seu sonho da presidência. São Paulo perdeu os últimos anos, mas pelo menos o Brasil escapou de boa. Kassab, bem, é jovem, e se Maluf até hoje está por aí, arrisca ter longa vida política pela frente.

Vamos fazer força para que não. Se você acha que estou exagerando, assista a este vídeo. Está no site oficial da campanha de Serra. Fecha oito anos de baixarias com chave de ouro. É um comercial contra o bilhete único mensal, proposto por Haddad. Veja aqui.

O bilhete único funciona maravilhosamente bem em todas as metrópoles desenvolvidas do planeta, e algumas nem tanto. Em Paris, para ficar em um exemplo, você compra o cartãozinho Navigo de uma semana, ou mês, e usa para todos os meios de transporte públicos durante aquele período - ônibus, trem, metrô. Até para o bondinho que poupa as pernas dos preguiçosos, na subida para Montmartre. Barato e prático.

Serra tentou colar no bilhete único o apelido de “bilhete mensaleiro”. Não pegou. Agora tem o descaramento de dizer que o bilhete único paulistano seria um novo imposto, a Taxa do Ônibus. Que teríamos que pagar mesmo que não usássemos. Trata os eleitores como idiotas. Diz que Haddad fez a taxa do lixo, na administração de Marta Suplicy. Haddad tinha cargo de terceiro escalão na prefeitura, na época. Não apitava nada.

Sem nem entrar na discussão sobre se a necessidade da taxa do lixo, uma coisa é certa: a responsável por sua criação foi Marta, não Haddad. A proposta do PT é que a prefeitura crie o bilhete único, banque sua implementação (R$ 400 milhões anuais, 1% do orçamento da cidade) e coloque-o à venda. O preço seria algo em torno de R$ 140,00 por mês.

Para quem pega quatro conduções por dia, o que para São Paulo é pouco, a economia seria enorme. Entendeu? Compra quem quer. Quem quiser pagar cada coisa separada, que o faça. Quem quiser andar de carro ou a pé, tudo bem. A compra do bilhete único não seria compulsória. Portanto, não é taxa. O comercial do PSDB deliberadamente tenta enganar o eleitor. É imoral. Serra mente.