sábado, 29 de setembro de 2012

Russomanno e Serra representam o populismo e a barbárie

Em debate sobre conservadorismo em São Paulo, filósofa também diz que a maneira como o STF julga o 'mensalão' coloca em questão a República

Por: Eduardo Maretti, no Rede Brasil Atual 

marilena_ChauiOs candidatos Celso Russomanno (PRB) e José Serra (PSDB) representam duas vertentes da direita paulista igualmente prejudiciais à democracia, à inclusão e à cidadania, segundo definiu a filósofa Marilena Chaui em debate realizado ontem (28) à noite para discutir “A Política Conservadora na Cidade de São Paulo”. O debate ocorreu no comitê da educadora Selma Rocha, candidata a vereadora pelo PT. Russomanno e Serra são os principais adversários do petista Fernando Haddad na disputa pela prefeitura.

Segundo Chaui, Russomanno simboliza “a forma mais deletéria do populismo, porque é o populismo de extrema direita” de uma cidade “conservadora, excludente e violenta”, enquanto Serra encarnaria “um dos elementos de selvageria e barbárie do estado e da cidade de São Paulo”.

Ela define o candidato do PRB como herdeiro do populismo tradicional de São Paulo, na linhagem de Ademar de Barros e Jânio Quadros. O primeiro foi governador de 1947 a 1951 e de 1963 a 1966. O segundo, governador de 1955 a 1959 e prefeito da capital duas vezes (1953 a 1955 e 1986 a 1989), além de presidente da República por sete meses (de janeiro a agosto de 1961).

Por outro lado, diz Chaui, o candidato tucano representa o que ela chama de projeto hegemônico de PMDB e PSDB, há 30 anos dominando o estado. 

“Começou com Montoro, depois Quércia, Fleury, o Covas e o Alckmin. É muito tempo. É curioso que se trata de um partido que chama o PT de totalitário. Eles estão há 30 anos no poder. Se isso é totalitarismo, totalitários são eles”, diz a professora de Filosofia Política e História da Filosofia Moderna da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. 

Para ela, quem se compromete com a cidadania deve entender a gravidade do momento político: “Não podemos admitir nem a conservação no poder dos responsáveis pela barbárie, nem a retomada do processo característico também desta cidade protofascista, que é ter à sua frente figuras do populismo de extrema-direita. É nossa tarefa política, enquanto cidadãos, fazer com que cada um, ao nosso lado, compreenda isso”.

Marilena Chaui considera “uma tarefa libertária” a superação do entrave à cidadania representado pelas duas forças políticas que dominam uma “cidade na qual a violência, seja real, seja imaginada, é a forma da relação social e das relações entre as pessoas – para que a cidade se reconheça numa possibilidade nova”.

Candidatos “novos”

Na sua fala, ela disse ser preciso desfazer a confusão provocada pela ideia de que Russomanno e Fernando Haddad (PT) são os dois candidatos novos na eleição paulistana. 

“Tenho insistido em mostrar que, em primeiro lugar, não se pode confundir um rosto que não está identificado ao universo da política com o novo. Mas em segundo lugar, é preciso localizar Russomanno nessa vertente antiga enraizada na cidade de São Paulo, que é a posição política conservadora, autoritária, do populismo de extrema direita”. 

Para Marilena, o ex-governador Paulo Maluf, cujo partido (PP) está aliado ao PT não eleições paulistanas, não se enquadra na tradição política representada por Russomanno, mas na do “grande administrador”, que ela identifica com Prestes Maia (prefeito de São Paulo de maio de 1938 a novembro de 1945) e Faria Lima (prefeito de 1965 a 1969). “Afinal, Maluf sempre se apresentou como um engenheiro.”

Para a filósofa, as forças políticas conservadoras transformaram São Paulo em uma cidade que “opera um processo contínuo de expulsão da classe trabalhadora, das classes populares, de qualquer centro no qual o poder público tenha feito intervenção de melhorias urbanas. Se tiver asfalto, luz, água, esgoto, semáforo, você pode contar que a exclusão já está a caminho. E no lugar dela (classe popular) você tem os espigões, essa verticalização absolutamente desgovernada. Nós estamos aqui para propor a ruptura com essas tradições, com essas políticas conservadoras, com o que está sedimentado e nos sufoca, dia a dia”. 

Sobre a realidade eleitoral caracterizada hoje pela fuga dos votos tradicionais do PT, das zonas leste e sul da capital, para Celso Russomanno, Marilena Chaui disse à RBA que acha “possível virar isso”. Para ela, é preciso “mostrar à periferia o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida e todas as políticas sociais que não foram implantadas e que deixam a periferia ao deus-dará”. Em outras palavras, politizar a campanha de Fernando Haddad, o que “acontecerá no segundo turno”, acredita.

Julgamento do mensalão “coloca em questão a República”

No debate, Marilena Chaui falou também sobre o “mensalão”. “Não há dúvida de que ao lado de todas essas questões estruturais, históricas, há um dado de conjuntura que opera na rejeição popular (ao PT). Não na classe média, mas no nível popular, foi a grande operação em torno do ‘mensalão’ que produziu esse resultado (rejeição popular)”, acredita. 

Ela criticou o imprensa na cobertura do caso. “Se a gente pega a mídia brasileira, em particular a mídia paulista, houve dois grandes crimes contra a humanidade: Auschwitz e o ‘mensalão’”, afirmou, em referência ao campo de concentração localizado no sul da Polônia que foi um dos maiores símbolos do nazismo. Para ela, o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) na atual conjuntura foi “uma armação para coincidir com as eleições”.

De acordo com ela, se a República é constituída de três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, a atuação do STF ultrapassou o limite: “o fato de que o poder Judiciário faça isso coloca em questão o que é a República. Alguém tem que erguer a voz e dizer que o Judiciário está fazendo com que a gente ponha em questão se este país é ou não uma República”.

Charge Online do Bessinha # 210

Bessinha #210

Uma “bolinha de papel” morena? E o que mais?

No: Carta Maior 

serra_beijoUm beijo roubado é só um beijo roubado. Mas em plena campanha eleitoral virou destaque nos jornais  Globo e Folha deste sábado.

Furtado da boca do candidato cuja folha corrida acumula 45% de rejeição em sua própria cidade, o episódio reveste-se de incredulidade. O  dono da repulsa e da boca premiada com o beijo ardente da balconista Talita dos Santos, 23 anos, morena, 1,75,  ademais do talhe de galã, cultiva métodos que justificam uma ponta de dúvida presente até nas entrelinhas da mídia que o bajula.

É isso que dá dimensão política ao episódio. O nome do personagem é José Serra. Amigos e adversários creditam a ele uma das mais  respeitáveis carteiras de charlatanismo eleitoral do país. Exemplo? Outubro de 2010: Dilma abre 8 pontos sobre o tucano  na largada do 2º turno  presidencial. Serra, então, “sofre um ataque” de bolinha de papel.

O beijo remete a um retrospecto que recomenda cautela. Entramos na derradeira  semana  da campanha municipal de 2012. Serra e Haddad disputam uma vaga no 2º turno. O desfrutável relator Joaquim Barbosa calibrou sua leitura  no STF  de modo a deixar  a análise do chamado núcleo político do processo 470 para esse período.

O jogo é pesado!

Leia também:

Serra/ES. Política do descaso

Charge Online do Bessinha # 209

Bessinha #209

As aves de rapina aplaudem a Espanha moribunda

Lá fora, nas ruas e nas praças, todos parecem saber o que não sabe Mariano Rajoy, não sabe seu governo, não sabem os defensores dessa política suicida aplicada a ferro e fogo com o pseudônimo de austeridade e o aplauso dos matadores do futuro: que quanto mais de aplica essa receita, mais se mata o enfermo. Que enquanto se salvam bancos e especuladores, num ciclo tão vicioso como obsceno, enterram-se gerações.

Por: Eric Nepomuceno, no Carta Maior

foto_mat_38070Na tarde da sexta-feira 28 de setembro o Banco da Espanha – o Banco Central dos espanhóis – apresentou o relatório de uma auditoria feita por uma empresa norte-americana sobre a situação bancária do país. O relatório indica o volume de dinheiro necessário para salvar os bancos espanhóis: 53 bilhões e 745 milhões de euros.

A auditoria foi encomendada pela União Europeia, pelo Banco Central Europeu e pelo FMI, que são os que ditam a política econômica do país. Alguns bancos terão de receber dinheiro urgentemente para não virar purê, outros não escaparão de ser diretamente liquidados.

Um dia antes – a quinta-feira, 27 de setembro – o governo de Mariano Rajoy havia divulgado sua proposta de orçamento enviada ao Congresso. Aumento de impostos, novos cortes, mais medidas restritivas. Os cortes chegam à casa dos 38 bilhões de euros, que serão destinados a pagar os juros escorchantes cobrados pelos compradores de títulos públicos espanhóis.

Quanto às outras medidas, algumas foram tão restritivas que altos funcionários da Comissão Europeia se disseram surpresos, já que são mais ferozes do que as impostas pelo organismo ao governo espanhol.

As duas notícias – novos cortes drásticos no orçamento e mais bilhões para salvar bancos quebrados – receberam aplausos entusiasmados da Comissão Europeia, do Eurogrupo, do Banco Central Europeu, do FMI. Todos disseram, em uníssono, que são passos importantes para conter o déficit do governo e sobretudo para o reforço, a viabilidade e a confiança no setor bancário do país. O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, chegou a expressar sua satisfação ao constatar que as necessidades da banca espanhola são inferiores aos 60 bilhões de euros. É que o Eurogrupo havia previsto 100 bilhões, e a urgência ficou bem abaixo desse valor. Há, diz ele, uma cômoda margem de segurança.

Houve ainda cumprimentos entusiasmados do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional, o FMI, que disse que as necessidades da banca espanhola serão atendidas para que seja construído um sistema financeiro mais sólido, que irá ajudar a reativar o crédito e apoiar o crescimento.

Não encontrei menção alguma a outros dados que essas notícias irão provocar. Por exemplo: o desemprego, que ronda a casa dos 25% e é o maior da Europa, poderá chegar facilmente a 27% da mão de obra no ano que vem. A retração do PIB, que segundo o governo deverá ser de 0,5%, seguramente será o triplo. As exigências da Comissão Europeia continuarão pressionando por novas medidas, a começar pela flexibilização das leis trabalhistas, que contribuam para afundar ainda mais o país no pantanal em que já se encontra. As manifestações populares deixarão, cada vez mais, de serem de protesto, para serem de ira.

É assombrosa a inépcia do governo espanhol, é assombrosa a frieza com que os que realmente mandam nos rumos do país tratam números e dinheiros como se tudo se resumisse numa contabilidade estrita cujo único objetivo é salvar os bancos.

Será que ninguém vê o que acontece nas ruas do país? Nas casas do país? Nas famílias do país? Será que ninguém vê o que acontece com quem tem menos de 30 anos e padece um desemprego que chega a 50% da população dessa faixa etária?

É impossível que não vejam. É impossível semelhante estupidez diante de uma realidade cristalina, de um quadro tão nítido.

O que era um furacão monetário de ventos ruins se transformou numa crise econômica que se transformou numa crise social que se transformou numa crise política que se transformou numa crise institucional – nessa velocidade, sem vírgula alguma de respiro. Agora, a Catalunha, região mais rica do país, com um PIB superior ao de Portugal, resolve se dar ares de grandeza e torna a falar, desta vez em voz alta, em declarar sua autodeterminação, que é uma maneira sutil de dizer independência.

Que país é capaz de enfrentar, de uma vez só, tantas crises desse tamanho? O sistema bancário está em crise, a fuga de capitais anda na casa de bilhões de euros, as contas públicas estão em estado crítico, o governo é governado do exterior e desprezado pela população. O estado de bem-estar social é, cada vez mais, de profundo mal-estar. Pouca gente se considera representada pelos políticos, há uma atmosfera espessa, pesada, carregada de fúria. Essa atmosfera rescende a cravo de defunto, a vela de velório ao lado do leito onde um país moribundo agoniza. E lá fora, nas praças e nas ruas, o que se vê é uma imensa multidão de olhos atônitos por não compreender como é que o país se empantanou tanto, de olhos irados por não compreender como é que deixaram a Espanha se transformar no que se transformou.

Lá fora, nas ruas e nas praças, todos parecem saber o que não sabe Rajoy, não sabe seu governo, não sabem os defensores dessa política suicida aplicada a ferro e fogo com o pseudônimo de austeridade e o aplauso dos matadores do futuro: que quanto mais de aplica essa receita, mais se mata o enfermo. Que enquanto se salvam bancos e especuladores, num ciclo tão vicioso como obsceno, enterram-se gerações.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Serra chama repórter de “sem-vergonha”

Como postulante à prefeitura, candidato derrotado à Presidência da República em 2010 mantém a prática de responder apenas às perguntas 'agradáveis' e veta acesso à agenda de campanha

No: Rede Brasil Atual

jose_serraO candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, chamou de “sem-vergonha” repórter da Rede Brasil Atual durante cobertura de agenda de campanha hoje (28) na Mooca, região central da cidade. O tucano se recusou a responder a uma pergunta sobre seu plano de governo e, após ser questionado sobre um profissional de outro veículo de imprensa, abandonou a entrevista coletiva.

O fato se deu após Serra repetir uma prática comum em sua carreira política: a de questionar o veículo de origem do repórter e escolher as perguntas que deseja responder. O tucano caminhou pela Mooca, bairro onde cresceu e que gosta de evocar em seus discursos. No final da jornada, disse aos jornalistas que voltar ao lugar de sua infância lhe deu a ideia de criar um sistema municipal de ensino técnico e profissionalizante.

“Vamos aumentar em dezenas de milhares o número de alunos em parceria com o governador do estado, Geraldo Alckmin. É uma chance para crianças de famílias mais humildes subirem na vida”, propôs. “Isso me veio agora à cabeça lembrando de minha infância e juventude aqui.”

– A ideia veio agora à cabeça ou é seu projeto de governo? – perguntou o repórter da RBA.

– De onde você é? – indagou o tucano, pergunta que promove habitualmente. Nas eleições de 2010, quando descobriu que havia interpelado um repórter da Rede Globo, Serra pediu desculpas.

– Não interessa – respondeu o repórter. – O Sr. vai responder à minha pergunta ou não?

– Eu quero saber de onde.

– Da Rede Brasil Atual.

Serra, então, fez um gesto de desdém e ameaçou encerrar a entrevista, mas permaneceu no local após insistência dos jornalistas. O candidato foi questionado por um repórter do G1, portal de notícias da Globo, sobre declarações de seu rival e líder nas pesquisas eleitorais, Celso Russomanno (PRB). Antes de responder, porém, perguntou ao jornalista: “De onde você é?” Após ouvir “G1”, o tucano assentiu e esclareceu a dúvida do profissional.

Depois, José Serra foi questionado novamente sobre a inexistência de seu plano de governo por um profissional do programa televisivo CQC, da Band. “Que solução você tem para resolver o problema do trânsito em São Paulo se nem plano de governo você apresentou?” O candidato disse que, sim, havia apresentado plano de governo e que o documento estaria na tevê, rádio e no Tribunal Regional Eleitoral. Confira o texto apresentado pelo tucano ao TRE.

Depois disso, o candidato o PSDB deu a conversa por encerrada. O repórter da RBA perguntou, então, por que Serra só responde a “perguntas favoráveis à sua campanha”, o que irritou o tucano: “Não, eu não respondo pergunta de sem-vergonha. É só isso.”

Histórico

Não é a primeira vez que o tucano tenta impedir o trabalho jornalístico da RBA. Nas eleições de 2010, em diversas ocasiões ele se recusou a responder às perguntas de veículos de comunicação que não lhe agradavam. 

Este ano, a RBA tentou acessar a agenda de campanha de Serra, mas foi impedida. O chefe de comunicação do tucano, Fábio Portela, refutou todos os pedidos apresentados logo início do período eleitoral. De lá para cá, ele não permite que os compromissos diários do candidato sejam divulgados, como fez hoje, o que vem impedindo a cobertura jornalística nos mesmos moldes daquilo que se faz com as atividades de Celso Russomanno (PRB) e Fernando Haddad (PT), por exemplo – os dois principais adversários do candidato derrotado à Presidência da República em 2010 têm respondido normalmente às perguntas que lhes são apresentadas por todos os veículos. 

A má relação de Serra e aliados com a nova mídia é notória. Este ano, o PSDB apresentou à Procuradoria Regional Eleitoral pedido de investigação da publicidade de autarquias federais a veículos considerados contrários aos interesses do partido – a sigla queria especificamente que fossem vasculhadas as contas de Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, e do blog de Luis Nassif. O pedido foi rejeitado.

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Charge Online do Bessinha # 208

Bessinha #208

Aliados a Dilma podem vencer em 65% das maiores cidades

Levantamento feito pelo PT aponta o partido liderando em 20 desses municípios e bem posicionado em 8 capitais

Por: Eduardo Maretti, no Rede Brasil Atual

dilma_lulaPartidos aliados ao governo da presidenta Dilma Rousseff caminham para vencer as eleições municipais deste ano em cerca de dois terços das cidades com mais de 150 mil eleitores, segundo levantamento feito pelo PT e obtido pela Rede Brasil Atual. Os números têm por base balanços atualizados de pesquisas públicas e internas.

Ao todo, há 119 municípios nessa faixa, mas em 21 deles não havia pesquisas recentes até o fechamento do relatório. Os candidatos de legendas aliadas ao Planalto despontam em primeiro lugar em 65% das demais 98 cidades – sendo 20 do PT, 15 do PMDB, 13 do PSB, 7 do PDT e 3 do PP, entre outros.

O PT também aparece bem posicionado em 15 das 83 cidades em que pode haver segundo turno (mais de 200 mil eleitores), incluindo oito capitais: Salvador, Fortaleza, João Pessoa, Porto Velho, Cuiabá, Rio Branco, São Paulo e Goiânia.

Nesse recorte, a disputa mais embolada ocorre em Porto Velho (RO). Pesquisa Ibope divulgada na quarta-feira (26) mostra Lindomar Garçom (PV) liderando com 29% das intenções de voto. Como a margem de erro é de 4 pontos percentuais, quatro candidatos aparecem tecnicamente empatados em segundo lugar: Mário Português (PPS) com 17%, Mauro Nazif (PSB) com 16%, Mariana Carvalho (PSDB) com 15% e Fatima Cleide (PT) com 12%.

Em Salvador (BA), segundo Ibope de ontem (27), a situação está mais bem definida: o petista Nelson Pelegrino tem 34%, seguido por ACM Neto (DEM), com 31%.

Na capital da Paraíba, João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT) aparece em primeiro lugar com 29%, de acordo com Ibope do dia 21. Lutam pelo segundo posto Cícero Lucena (PSDB), com 20%; José Maranhão (PMDB), com 18%; e Estela Bezerra (PSB) com 14%.

Em Fortaleza (CE), há equilíbrio entre três candidatos, mas Elmano Freitas (PT) sobe nas intenções de voto e, segundo o Datafolha divulgado ontem (27), já está com 24%, ultrapassando Moroni Torgan (DEM), que tem 18% ficou atrás também de Roberto Claudio (PSB), com 19%.

Em Cuiabá (MT), as pesquisas mostram Mauro Mendes (PSB) liderando com 38%, tecnicamente empatado com Lúdio Cabral (PT) com 36%. Em Goiânia (GO), o candidato do PT, Paulo Garcia, tem 38% e é seguido de muito longe por Jovair Arantes (PTB), com 11,5%. Na soma de votos válidos, Garcia pode vencer no primeiro turno. 

Na capital do Acre, Rio Branco, Marcos Alexandre (PT) lidera com 43%, à frente de Tião Bocalom (PSDB), que está com 39%. O movimento é de queda do tucano e de ascensão do petista.

Na capital de São Paulo, as pesquisas mostram Fernando Haddad (PT) brigando pelo segundo lugar com José Serra (PSDB), na casa dos 18%, enquanto Celso Russomano (PRB) lidera com índices que vão de 34% a 30%.

Além dessas oito capitais, os petistas também acreditam que podem virar o jogo em Belo Horizonte. O quadro atual, porém, mostra Márcio Lacerda (PSB) à frente de Patrus Ananias (PT) e em condições de vencer no primeiro turno, já que lá a disputa ficou polarizada entre os dois candidatos.

Disputas locais

Embora as pesquisas apontem o fortalecimento dos partidos que dão sustentação parlamentar ao governo Dilma, criando condições favoráveis para o projeto de reeleição em 2014, no plano local essas legendas muitas vezes atuam em campos opostos e travam disputas encarniçadas, tanto na política como nas concepções ideológicas e programáticas. É o que acontece hoje em municípios como Londrina (PR), Caxias do Sul (RS), São José do Rio Preto (SP), Belo Horizonte (MG), Santo André (SP), Cuiabá (MT), Recife (PE) e Fortaleza (CE), entre muitos outros.

O cenário embaralha a lógica tradicional da política e confunde a cabeça do eleitor. Em São Paulo, por exemplo, a campanha petista detectou que muitos eleitores potenciais do PT teriam migrado para Celso Russomano, cujo partido, o PRB, está na base de apoio do governo federal. 

Para a cientista política Maria Victoria Benevides, sem uma reforma política essas situações muitas vezes desconfortantes vão continuar. “Alianças muitas vezes espúrias, que não se dão em torno de propostas comuns ou ideologias, mas que são meras alianças eleitorais, muitas vezes exigem um preço elevado, exigem concessões”, diz. “Precisamos de uma reforma que exigisse mais autenticidade nas alianças, em torno de propostas políticas, ideológicas e programáticas”, acredita a professora, que acrescenta: “Não sou contra alianças, mas contra a confusão que o atual sistema gera na cabeça do eleitor, e que faz ele acreditar que só existe política para politicagem, e não como um meio de organizar a sociedade”. 

Maria Victoria Benevides defende uma reforma que faça valer de fato a fidelidade partidária, financiamento público de campanha, que mexa na questão do tempo de TV da propaganda eleitoral. “Grandes acordos são feitos para maximizar o tempo na TV”, constata.

Embora afirme que todo o nosso sistema político “deva passar por uma revisão séria”, ela não crê que tal reforma passe no Congresso Nacional. Teria de ser feita com “amplo apoio popular e mobilização da sociedade civil”, diz. “Se depender só do Congresso, não acredito que saia. Já ouvi de políticos que aprovar uma reforma poderia ser um ‘suicídio político.’”

Kassab tira verba da saúde mental e dá mais dinheiro para organizações privadas

Por: Rodrigo Gomes, no Rede Brasil Atual 

saude_mentalParte do aumento da verba destinada às Organizações Sociais de Saúde (OSS) pela prefeitura de São Paulo foi retirada de duas áreas em que a população da cidade sofre com a falta de estrutura e atendimento: saúde mental e realização de diagnósticos. Privilegiando projetos usados como bandeiras pela gestão Kassab e pela campanha de José Serra (PSDB) à prefeitura, conforme denunciado na última segunda-feira (24) pela Rede Brasil Atual, a atual administração transferiu, apenas no dia 20 de setembro deste ano, R$ 105 milhões das duas áreas para diversas atividades, sendo que mais de R$ 86 milhões foram repassados para suplementar verbas de OSS, ou seja, para fortalecer o atendimento oferecido pelo setor privado.

De acordo com o Diário Oficial do Município de 21 de setembro de 2012, através do Decreto 53.433 a prefeitura realizou um remanejamento de verbas de R$ 107.455.376,33. Entre as ações que receberam maior quantidade de verba estão a operação e a manutenção de atendimento hospitalar, pronto-socorro e pronto atendimento por meio de organizações sociais, com R$ 44.685.659,98, acumulando aumento de mais de R$ 128 milhões neste ano, ou 33% de aumento; e a implantação e manutenção de AMAs, que recebeu mais R$ 36.743.873,90, indo a R$ 408.287.881,90 acumulados no ano, cerca de 31% de aumento.

Em termos proporcionais, a operação e a manutenção do programa Mãe Paulistana teve o maior aumento de recursos, sendo o último de R$ 4.857.470,04. Com isso, esta ação, frequentemente evocada pela campanha de Serra no rádio e na televisão, vai de um orçamento inicial de R$ 22.400.000,00 para R$ 45.447.470,04, um aumento de mais de 100%.

Apesar de a operação e a manutenção para atendimento ambulatorial, odontológico e serviços auxiliares de diagnóstico e terapia serem os realizados por meio das Organizações Sociais, esse setor sofreu um corte de R$ 158.500.984,00 sobre os R$ 785.918.779,00 orçados inicialmente, contando agora com R$ 627.417.795,00. Os serviços odontológicos são raros nas Unidades Básicas de Saúde e as chamadas AMA-Sorriso, unidades especializadas em saúde bucal, nem sequer saíram do papel.

Já para a saúde mental, a comparação entre os remanejamentos de recursos e a execução orçamentária de 2012, mostra encolhimento  financeiro. Dos R$ 189.955.130,00 previstos no começo do ano, foram remanejados R$ 66.540.362,01, uma redução de cerca de 35%. Além disso, até 31 de agosto deste ano haviam sido aplicados apenas 35% da verba destinada à saúde mental no município. Ou seja, além de retirar recursos, a secretaria também deixa de executar de forma adequada o orçamento do setor, que nesta época do ano deveria estar em torno de 70%.

Contra-reforma manicomial

Para a militante Maria Clara*, de um movimento que reivindica melhoria na qualidade da saúde pública, está havendo um retrocesso no atendimento de saúde mental em São Paulo, com precarização dos serviços e retorno da lógica dos manicômios. “O atendimento está ruim e o sistema, sucateado. Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que promovem a humanização do atendimento, centrando as ações na pessoa e nas suas especificidades, estão sendo abandonados. Isso vem ocorrendo desde o estabelecimento das OSS. Querem criar grandes centros de atendimento generalizado e colocar foco sobre a medicalização, como eram os manicômios”, diz.

De acordo com o site da Secretaria Municipal de Saúde, São Paulo tem hoje 77 Caps em funcionamento, sendo 23 deles infantis. Maria* afirma que o número é insuficiente para o atendimento à população e cita um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) de maio deste ano indicando que 30% das pessoas que vivem na região metropolitana da capital têm algum tipo de transtorno mental e vão precisar de atendimento em algum momento da vida. 

O presidente do Sindicato dos Psicólogos do Estado de São Paulo, Rogério Giannini, acredita que essa precarização é parte de uma lógica privatizante e, também, manicomial. “Percebo dois movimentos: não efetivar a rede de Caps e direcionar o dinheiro para o setor privado. Os Caps propõem um atendimento individualizado e por isso existe o interesse em sucateá-lo. A lógica manicomial é muito mais lucrativa, pois as internações são longas, os medicamentos são de alto custo, e nós sabemos que o mundo privado se orienta pelo lucro”, diz.

Giannini afirma que nas gestões de José Serra e Gilberto Kassab muito pouco foi feito para efetivar o sistema de atendimento à saúde mental. “Houve uma enorme resistência em desconstruir a rede manicomial em São Paulo, para estruturar os Caps e outros serviços da rede de saúde mental. Então essa má qualidade no atendimento é produzida com o sentido de precarizar. Daí a rede de saúde acaba não funcionando e você inventa um novo serviço que será administrado por uma OSS”, conclui.

Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde – mais uma vez – não se manifestou sobre os questionamentos da reportagem.

* Nome fictício para preservar a identidade da entrevistada, que teme reprimendas

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Serra e Russomano: O escárnio da democracia

No: Carta Maior 

Serra-e-RussomanoEles frequentemente se autodefinem  paladinos do eleitor  sem especificar exatamente do que estão falando, a quem se dirigem e o que propõem.

Transitam meses nessa nebulosa. Consolida-se uma  campanha  na flauta das indefinições, com alguns candidatos embalados na esférica certeza de que as redações  funcionam  como um hímen complacente às mais descabidas omissões.  Chega-se a esse colosso da democracia “à paulista”.

A uma semana do voto, dois dos três principais postulantes à prefeitura, em uma das quatro maiores manchas urbanas do planeta, não apresentaram até agora uma proposta crível para a cidade.

Serra e Russomano desdenham da dimensão mais fundamental de uma campanha, que consiste em adicionar informação, formação e  discernimento ao processo democrático e ao seu principal protagonista, o eleitor.

Isso é normal? Não. É o escárnio da democracia. Mas não há holofotes, nem indignação disponíveis. Foram todos alocados à cobertura dos chiliques de Joaquim Barbosa no STF. É lá que se espera derrotar o PT.O resto se resolve com “miolo de pote”, ou seja, nada.

Charge Online do Bessinha # 207

Bessinha #207

Serra: o ridículo!

Por: Eliseu

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O ridículo candidato tucano à prefeitura de São Paulo, depois da fenomenal “surra” que levou de Dilma nas eleições para presidente da república sempre consegue uma maneira de se mostrar, mesmo que seja ridículo.

Em queda livre nas intenções de voto, o tucano resolveu mostrar sua destreza futebolística e deixou perplexos os assessores e crianças (eleitores não havia) que estavam no local, cuja sequência de fotos pode ser apreciada à vontade aqui. Até hoje não se sabe o paradeiro do famoso sapato.

Não satisfeito com a desastrada exibição, o tucano José Serra resolveu “aparecer” novamente e numa caminhada pelo bairro Bom Retiro, uma mulher que já deveria ter combinado com a assessoria do tucano lascou-lhe um beijo na boca. E que beijo. O mais ridículo que esse blogueiro já viu em toda sua existência.

A ascensão conservadora em SP

Por: Matheus Pichonelli, no CartaCapital 

burnsNum seminário sobre a ascensão do conservadorismo em São Paulo realizado na USP no final de agosto, a filósofa Marilena Chauí provocou risos na plateia ao contar o estranhamento de uma amiga sobre o comportamento de parte dos habitantes da maior cidade do País. A amiga dizia custar a entender como pessoas tão hospitaleiras e civilizadas na vida doméstica se transformavam em “feras indomáveis” quando entravam em espaços compartilhados, como o trânsito ou as filas do banco.

É fato. Quem já acompanhou os bate-bocas diários protagonizados em disputas fratricidas pelas faixas preferenciais, barbeiragens no trânsito ou um simples carrinho de supermercado sabe do que a filósofa está falando. Nessas pequenas disputas pelos espaços públicos, brigamos, ofendemos, damos cotoveladas, estacionamos em vagas proibidas, ofendemos os garçons, o manobrista, o vendedor, o atendente, o empregado, o motoboy, a vizinha do terceiro andar…e tudo parece natural, pacífico até segunda ordem.

Como se ganhar no grito fosse esporte popular. Não é. Como explicou Chauí no mesmo evento, essa deterioração das relações interpessoais possui raízes históricas. Tem base numa violência historicamente cristalizada que opera com base na discriminação e preconceito de classe, sexo, religião, profissão e raça. Que naturaliza as diferenças. Que não reconhece a humanidade do outro. Que confunde o exercício da consciência, da liberdade e da responsabilidade com um conjunto de regulamento típico das empresas e suas horas marcadas e regras de comportamento. E se assenta sobre as “características mais alarmantes” do neoliberalismo: o encolhimento do espaço público e o alargamento do espaço da vida privada.

O resultado é que sabemos tudo da intimidade da celebridade mas não somos capazes de conviver de forma civilizada nos espaços comum – espaços que, muitas vezes, se restringem à fila de banco ou ao trânsito. Ali o outro é sempre uma ameaça.

Por isso corremos para nos abrigar em escolas, escoltas ou sistema de saúde privados: para nos “proteger” e nos diferenciar.

A violência é, assim, uma reação de quem vê o acesso a esses espaços antes impenetráveis como a invasão de um espaço cativo. Como se a proteção fosse violada e prestígio, ameaçado, pela presença das “gentes diferenciadas”.

Em tempos de eleição, essa violência latente ganha amplificação pelos discursos. O desafio é puxar meia hora de conversa em qualquer grupo de qualquer lugar e passar menos de cinco minutos sem ouvir velhos absurdos. Discursos que, mais do que ignorância política, atestam a manifestação impune dos mais elementares preconceitos sociais.

Daí a mesmice, ouso dizer, dos questionamentos em tempos de campanha (“O senhor é a favor do aborto?”. “Vai permitir casamento entre gays?”. “Acredita em Deus?”) e posições dos candidatos (“sou a favor da ética”, como quem se posiciona a favor do sol, da saúde e da alegria). Tanto a mídia como os candidatos sabem exatamente o terreno perigoso em que estão pisando. Por isso todos resolvem, a cada dois anos, querer saber o que pensam os líderes religiosos sobre tal e qual candidato. O referendo para as urnas passa pela benção dos homens de fé.

É como se, dotado dos padrões de comportamento religiosos exigidos, o candidato fosse incapaz de mexer nas duas obsessões das classes conservadoras, base do eleitorado, e também citadas pela filósofa: a ordem e a segurança.

Esse comportamento foi, em parte, retratado na pesquisa Datafolha divulgada no domingo 23 sobre o perfil do eleitor paulistano. O levantamento mostrou que nada menos do que 79% dos eleitores acham que acreditar em Deus torna as pessoas melhores. Com perguntas como esta (dez no total), o instituto mostrou haver em São Paulo nada menos do que 34% de eleitores identificados como conservadores – enquanto apenas 27% se dizem liberais. O restante se diz neutro.

E o que é ser conservador em São Paulo, além do já citado talento em se estapear pela faixa de trânsito ou pelo carrinho de supermercado (afinal, paga-se para se ter razão)? Pela pesquisa, descobrimos exatamente quem confunde as atribuições do Estado com uma cerca elétrica aos medos mais inexplicáveis. Na metrópole, mostrou o Datafolha, duas em cada dez pessoas acreditam que a homossexualidade deve ser desencorajada pela sociedade. Mais: três em cada dez eleitores acham que pobres migrantes trazem problemas para a cidade; e 60% veem na “maldade das pessoas” a causa principal da violência.

É a divisão clara de quem vê o mundo por uma ótica simplista afora do próprio umbigo. E que, como consequência, cobra soluções fáceis para lidar com problemas que não consegue explicar. É o que leva uma parcela assustadora do eleitorado (41%) a considerar a pena de morte como a “melhor punição para indivíduos que cometeram crimes graves”.

O cálculo parece claro. Esse eleitor quer soluções agressivas contra tudo o que o ameace (da prisão de adolescentes infratores à proibição total das drogas) e, ao mesmo tempo, tem dificuldade em participar da vida pública, algo evidente da concepção segundo a qual os sindicatos “servem mais para fazer política do que defender os trabalhadores”, como declaram 60% dos eleitores.

Não estranhe se um dia, numa roda de conversa, identificar neste eleitor a “fera indomável” citada por Chauí. O cidadão-eleitor que em casa fala de paz, prosperidade, valores, esforço, que bota nariz de palhaço ao votar e sai às ruas, uma vez por ano, para cobrar “ética na política”, pode ser capaz de promover uma hecatombe se alguém chegar perto do seu automóvel, o único elo que o diferencia numa multidão sem identidade a reproduzir uma velha violência incrustada. O reacionarismo que exige do Estado medidas duras contra tudo o que não é ele é a face mais notável da covardia.

Charge Online do Bessinha # 206

Bessinha #206

Um encontro perigoso para a democracia

Ontem, o presidente da Abril, Fábio Barbosa, visitou a Folha, a convite do jornal de Otávio Frias Filho. Os dois grupos estão incomodados com a diversidade de opiniões que floresce na internet e com os desafios colocados por essa nova forma competição

No: Brasil 247 

Já é tradição na Folha de S. Paulo. Sempre que alguma autoridade ou empresário vai ao jornal essa visita é noticiada na última nota do Painel. E a Folha diferencia ainda quem vai porque se convidou e aquele que vai “a convite do jornal”.

Ontem, a sede da Folha, na Barão de Limeira, em São Paulo, foi palco de um encontro potencialmente perigoso para a democracia brasileira. Leia abaixo:

Visita à Folha Fábio Barbosa, presidente executivo da Abril S/A, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Meire Fidelis, diretora de Relações Corporativas.

Tanto Abril como Folha têm demonstrado incômodo com o fato de não exercerem mais o monopólio da opinião pública. Especialmente porque, agora, novos editores, e especialmente os leitores, encontram espaço na internet para se expressar com total liberdade.

O crescimento desses novos foros de debate e de jornalismo online tem incomodado os barões da velha mídia. A tal ponto que grandes grupos, como Folha e Abril, têm tentado intimidar potenciais anunciantes, e até potenciais investidores, ligados aos seus novos concorrentes.

Abril e Folha também atuaram conjuntamente na CPI da Operação Monte Carlo e fizeram intensa movimentação de bastidores para evitar a convocação de jornalistas pela comissão. Outro ponto que os incomoda é o ambiente político na América Latina, onde governos de esquerda, como o de Cristina Kirchner, têm aprovado novas leis para regulamentar os meios de comunicação, evitando a concentração excessiva de poder nas mãos de poucas famílias. O dia 7 de dezembro, quando será retomada parte da concessão do Clarín, tem sido anunciado na Argentina como dia da democracia e da diversidade.

Uma ala do PT defende que a discussão sobre uma nova Lei dos Meios de Comunicação seja aberta no Brasil depois do período eleitoral, para descentralizar o setor e evitar eventuais abusos – o caso que tem sido mais comentado é a “entrevista” sem áudio e sem fita de Marcos Valério, incriminando o ex-presidente Lula, e já negada pelo próprio “entrevistado”.

Essa discussão, se vier mesmo a ser colocada em prática, terá Folha e Abril como dois grandes opositores.

O transformismo perigoso de uma toga

Por: Saul Leblon, no Carta Maior 

joaquim_barbosaO desequilíbrio emocional do relator Joaquim Barbosa na sessão desta 4ª feira do STF escancara o papel híbrido - e temerário - assumido por ele desde o início desse julgamento. Barbosa ora veste a toga de relator, ora de acusador; faz as vezes de juiz e de Ministério Público, ao mesmo tempo e com igual intensidade. Alterna-se nesse transformismo à sua conveniência e arbítrio. Causa constrangimento seu descontrole. Acima de tudo, preocupa os riscos dessa escalada.

A espiral ascendente desenha uma linha de colisões que atropela os limites e a liturgia da função, desrespeita a presunção de inocência dos réus e agride os demais membros do Supremo. Sobretudo o revisor, no seu papel sagrado de contemplar um segundo olhar sobre cada linha do processo, tem sido alvo da intolerância dessa toga que se evoca uma suficiência ubíqua estranha ao Direito - exceto em um tribunal de exceção.

Em qualquer sociedade onde impera o Estado de Direito, comportamento assemelhado autorizaria arguir se os extremos dessa conduta já não teriam resvalado a fronteira do impedimento. Não basta apenas conhecimento fascicular do Direito. A missão de relator pede serenidade, equilíbrio e grandeza histórica.

Foi esse o sentido da advertência figurativa feita pelo cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, quando declarou a Carta Maior: “A cabeça de um juiz não pode pensar como a de um taxista”.

A figura algo caricata que vai se delineando sob a toga híbrida pode dar razão aos temores mais pessimistas de segmentos democráticos e ecumênicos da sociedade brasileira, signatários de um manifesto de ampla adesão nos meios artísticos e culturais.

A volúpia condenatória ameaça a isenção e o contraditório. São dois dos requisitos que diferenciam um julgamento de um linchamento, mutação abertamente encorajada por certa mídia, mas que não pode contagiar o relator, a ponto de ser capturado como personagem desfrutável de um simulacro de Justiça.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Morte de baratas em Hospital de Vitória

As baratas se revoltaram com a fama das moscas do centro cirúrgico do Hospital São Lucas, e num ataque em massa retomaram seu lugar.

Por: Eliseu

barataO Governador do Espírito Santo tem se esforçado por um atendimento exemplar aos insetos. Mas, mais uma vez, como de costume, o atendimento falhou e centenas de baratas morreram sem atendimento médico no Hospital São Lucas em Vitória.

Os invertebrados recebem atenção especial do Governo do Estado. Tem à sua disposição nada mais que o maior e mais bem equipado hospital do estado, referência em traumas e neurocirurgia, que deveria atender os casos mais graves de acidente do Espírito Santo e parte dos estados vizinhos como Minas Gerais e Bahia.

Após as moscas que faziam suas exibições de voo em pleno centro cirúrgico do hospital, mostrando suas habilidades aos médicos e enfermeiros que operavam no local, agora quem está “mandando” na área são as baratas.

Quem teve a ousadia de procurar atendimento no hospital na terça (25) foi recepcionado por centenas de baratas, bem melhor do que não ser recepcionado, ou recepcionado pessimamente pelos funcionários que sempre estão de mau humor como se a população estivesse culpa de adoecer ou se acidentar.

As baratas se revoltaram com as moscas que ficaram famosas na mídia Capixaba, e num ataque surpresa retomaram sua posição. Elas saíam dos pontos de esgotos, se espalhavam em frente à porta do pronto socorro, tomaram posição em frente ao CTI, tomaram a entrada do centro cirúrgico e “passeavam” ostensivamente pelo estacionamento.

Mas comeram algum alimento estragado no hospital e nem a boa vontade do Governo do Estado para com os “bichinhos” resolveu a situação de mau atendimento no São Lucas. Informações de “fonte segura” garantem que as baratas tentaram receber socorro por estarem com infecção intestinal provocado por alimentos ainda não identificados, mas a demora foi tamanha que morreram antes de receber atendimento.

O Governo do Estado vai abrir uma sindicância para apurar a morte em massa das baratas. Porque a de humanos não tem a menor importância para o governador Casagrande.

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Charge Online do Bessinha # 205

Bessinha #205

Ataques a Lula soam como “uma vingança das elites”, diz Requião

O senador Roberto Requião manifestou, nesta terça-feira (25), no plenário do Senado, solidariedade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, nas últimas semanas, tem sido alvo de uma forte campanha “de destruição de imagem”.

No: Vermelho 

presidente-lulaSegundo o senador, liderada pela mídia e secundada pela oposição, “a campanha soa como que uma vingança das elites contra o retirante nordestino que chegou à Presidência da República e ousou trazer os mais pobres para o primeiro plano das preocupações estatais”.

Requião apontou que a mídia e a oposição desencadearam os ataques a Lula quando ele se vê duplamente fragilizado: pela doença, que lhe enfraquece uma de suas principais armas, a voz; e a transformação do julgamento do “mensalão” em espetáculo mediático, buscando-se sempre envolver o ex-presidente no processo.

O senador revelou ainda que nem sempre convergiu com o ex-presidente, especialmente em relação à política econômica, mas exaltou a política de inclusão de Lula.

“É preciso ter entranhados na alma o preconceito, a insensibilidade e a impiedade de nossas elites para não se louvar o que ele fez pela nossa gente humilde. Na verdade, no fundo da alma escravocrata de nossas elites mora o despeito com a atenção dada aos mais pobres por Lula.”

O senador fez um paralelo entre os ataques da mídia a Getúlio Vargas e João Goulart, também classificados pelas elites como “populistas”, e a campanha desencadeada agora contra Lula. Ele citou exemplos de como a mídia, às vésperas do golpe de 1964, tratava com extremo desrespeito o presidente Goulart e sua mulher Maria Teresa, e como esse comportamento repete-se agora.

“Qualquer coisa que beneficie os trabalhadores, que dê um sopro de vida e de esperança aos mais pobres, que compense minimamente os deserdados e humilhados, qualquer coisa, por modesta que seja, que cutuque os privilégios da casa grande, qualquer coisa, é imediatamente classificada como populismo”, afirmou.

“Não sejamos ingênuos de pedir ou exigir compostura da mídia. Não faz parte de seus usos e costumes. Sua impiedade, sua crueldade programada pelos interesses de classe não estabelece limites.”

Requião solidarizou-se ainda com a presidente Dilma, segundo ele também “alvo de baixezas” por parte da mídia.

Dilma bate novo recorde de aprovação

No: Rede Brasil Atual 

dilmaA aprovação ao governo de Dilma Rousseff bateu outro recorde. Agora 62% dos brasileiros avaliam positivamente a gestão da presidenta, segundo levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com o Ibope divulgada hoje (26). O índice é três pontos percentuais maior que o registrado na pesquisa de junho deste ano e superior ao dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso no mesmo período no segundo ano das respectivas gestões.

Os pesquisadores acreditam que a razão para o crescimento da avaliação positiva ao governo sejam os estímulos dados pelo poder executivo à  economia. Notícias relacionadas ao assunto foram as mais lembradas por 18% dos entrevistados. “Praticamente é o que deve estar sustentando a boa avaliação do governo”, afirmou o gerente-executivo de pesquisas da CNI, Renato Fonseca, segundo a agência Reuters.

O julgamento do chamado mensalão é citado como a notícia mais lembrada por 16% das pessoas. “Aparentemente, dado ao fato que a população está informada, a população não está colocando a conta do mensalão no governo da presidente Dilma”, argumenta Fonseca.

Entre os oito setores de atuação do governo pesquisados apenas “meio ambiente” apresentou recuo na aprovação. Na última pesquisa 55% aprovavam a atuação do governo nessa área. Agora, a avaliação positiva caiu para 54% enquanto a negativa subiu de 37% para 40%. O combate à fome chega a ter avaliação positiva de 60% dos entrevistados, seguida pelas políticas combate ao desemprego, aprovadas por 57%. Curiosamente, a política de redução de juros viu aumentar a reprovação, de 41% para 43%, justamente no momento em que a taxa básica fixada pelo Banco Central atingiu o nível mais baixo da história. A aprovação a este item se manteve em 49%.

Outros 16% disseram que as notícias sobre o julgamento do chamados mensalão eram as mais vivas em suas memórias. Isso, no entanto, não abalou a imagem de Dilma. A avaliação pessoal dela e o nível de confiança da presidenta também são maiores dos que os registrados por FHC e Lula: 77% das 2.002 pessoas entrevistadas em 143 municípios avaliam positivamente Dilma e 73% dizem confiar nela.

A expectativa para os próximos dois anos de mandato de Dilma são ótimas ou boas para 62% entrevistados do Ibope. 24% apostam em uma continuidade “regular” do governo e 7% apostam que a sequência será “ruim" ou "péssima”. A confiança é maior na faixa de 30 a 39 anos, com 65% de perspectiva “ótima” ou “boa”, e, por outro lado, cai à medida em que avança o grau de instrução, de 66% entre os que cursaram até a quarta série do ensino fundamental para 58% entre quem tem nível superior.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Charge Online do Bessinha # 204

Bessinha #204

Burguesia fétida!

“Me preocupa quando juízes do STF pensam como taxistas”

Em entrevista cientista político Wanderley Guilherme dos Santos destila preconceito contra taxistas 

Por: Eliseu

wanderley_Guilherme_santosNo País que ainda não se livrou do estigma da Casa Grande e da Senzala, o preconceito ainda é marca registrada principalmente pela cor da pele e profissão das pessoas.

A burguesia, mesmo os que se colocam na condição de contrários às injustiças sociais, não desperdiçam uma oportunidade para soltar seu veneno contra os que foram menos bafejados pela sorte, portanto não puderam levar adiante seus estudos numa época que Universidade Pública era só para ricos, (leia-se antes da era Lula) e trabalham em profissões “menos importantes” que outros.

O analista político Wanderley Guilherme Santos, graduado em filosofia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Pós-Doutorado em Teoria Antropológica, escritor, professor aposentado e mais alguns títulos, foi muito infeliz ao dizer: “Me preocupa quando juízes do STF pensam como taxistas”. Ora, juízes são para julgar com imparcialidade! Taxistas, como o professor deveria saber – ao dizer: “nenhum preconceito contra os taxistas e nenhum problema quanto ao fato deles manifestarem suas opiniões” (será?) -dirigem taxis e como qualquer cidadão brasileiro tem direito à livre expressão, conforme assegura nossa Carta Magna.

O analista político, destilo seu veneno contra os taxistas em entrevista à Carta Maior, ao alertar para o perigo que o país corre do julgamento do “mensalão” se transformar em um julgamento de exceção, a partir de uma reinterpretação da lei para atender a conveniência de condenar pessoas específicas. “Me chama a atenção o preconceito de alguns juízes contra a atividade política de partidos populares. Minha preocupação é quando a opinião dos magistrados coincide com a dos motoristas de táxi, que têm opiniões péssimas sobre todos os políticos”.

O burguês analista político Wanderley Guilherme Santos está certo em sua preocupação com o rumo que está sendo tomado o julgamento da Ação Penal 470, o “mensalão”, que está mais para espetáculo midiático e atendendo interesses escusos, e na implicação que daí poderá advir, mas não precisava colocar os taxistas como comparativo negativo. Esquece o professor que quem financiou seus cursos foi a sociedade brasileira, inclusive os trabalhadores de posição “inferior” - como ele deixa claro -, inclusive taxistas.

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Sérgio Vidigal: O prefeito que não é!

É preciso vomitar o “sapo barbudo”

Por: Roberto Amaral, no CartaCapital 

lula-300x178Quem quiser, no que resta de esquerda brasileira, que construa castelos de areia sobre a ilusão do fim da luta de classes, ou da conciliação dos interesses populares com a burguesia reacionária, rentista, quatrocentona, de nariz arrebitado e cartórios na Avenida Paulista. Nossas “elites” conservadoras têm consciência de classe, mais aguda e mais profundamente que os dirigentes da Força Sindical. A classe dominante (vai a expressão em desuso como homenagem ao sempre saudoso Florestan Fernandes) conhece seus objetivos e sabe escolher os adversários segundo a “periculosidade” que  atribui a cada um. Uns são adversários passageiros, ocasionais, outros são inimigos históricos, que cumpre o quanto antes eliminar.

Lula, considere-se ele intimamente de esquerda ou não, socialista ou não, é, independentemente de sua vontade, esse inimigo fundamental: de extração operária (daí, contrário senso, a boa vontade da classe média com Dilma, pois não vem do andar de baixo) está, no campo da esquerda, no campo popular e no campo das lutas sociais. Para além, portanto, das reivindicações econômicas do sindicalismo, quando chegou a encantar certos setores da burguesia que nele viam então apenas uma alternativa sindical aos cartéis do “peleguismo”, dóceis,  e do que restava de varguismo e comunismo. Hoje,  queira ou não, continua a ser o “sapo barbudo” que a direita foi obrigada a engolir, mas está sempre tentando regurgitar. A direita — impressa ou partidária (esta sob o comando daquela, ambas mercantis, desligadas do interesse nacional) –, ao contrário de certos setores pueris de nossa esquerda,  age em função de seus objetivos estratégicos e em torno deles se unifica. Recua, quando necessário, em pontos secundários em face de dificuldades conjunturais para avançar no fundamental, exercitando a lição leninista do “um passo atrás, dois à frente”. Muitos de nós operam na inversão da frase.

No governo, cingido à realidade fática da “correlação de forças”, nosso governo (o de coalisão liderado pelo presidente Lula, que abarcou todos os partidos de esquerda e mais os apêndices que foram do centro à direita assistencialista) não realizou as reformas políticas, da estrutura estatal, que poderiam, passo a passo, abrir caminho para uma efetiva, ainda que a médio e longo prazos, alternância de poder.

Neste ponto, conciliou com mais competência que Vargas e Jango (pois se manteve no poder e o conservou ao fazer sua sucessora), para realizar o que não conseguiram esses seus antecessores, atingidos que foram por golpes de Estado, do que Lula se livrou em 2005. O governo Lula realizou, porém, o inaceitável: transferir o centro ideológico dos interesses do Estado para as maiorias marginalizadas pelo capitalismo predador, o que o tornou inimigo estratégico da nossa carcomida direita. E, audacioso – rompendo com o complexo de vira-latas das “elites” econômicas alienadas ao forâneo–,  construiu (salvas a Amorim-Samuel-Marco Aurélio) uma inserção soberana no cenário internacional, rompendo com décadas de submissão  aos interesses externos, cujo exemplo maior é oferecido pelas administrações dos dois Fernandos. Ao contrário de Jânio, que acenava no plano externo com uma política independente para no campo interno realizar uma política recessiva e anti-popular, Lula, que encontrou falido o país de FHC, rompe com a submissão recessivista para colocar o Brasil na rota do desenvolvimento com distribuição de renda, incorporando à cidadania milhões de brasileiros até então marginalizados.

Para a burguesia reacionária essa política soou como um rompimento com a “Carta aos brasileiros”, e era o sinal para a tentativa de desestabilização do governo.

Tudo o que se segue é história recente, daí decorrente.

Nada de novo, portanto.

A direita brasileira foi sempre, é, e sempre será golpista. Não podendo derrotar Vargas, impôs-lhe o golpe-de-Estado de agosto de 1954, consumado com a posse de Café Filho e o governo reacionário – leia-se anti-nacional -  de Eugênio Gudin-Eduardo Gomes-Juarez Távora. Derrotada pelo povo na tentativa de impedir a posse de Jango, impôs-lhe o golpe de Estado de 1964, abrindo as portas para a ditadura militar. O grande legado histórico da UDN e da “grande imprensa”. Antes, por cinco anos, tentara, inclusive com insurreições militares e seguidos pedidos de impeachment (e a oposição dos jornalões de sempre) desestabilizar o governo JK. Ora, se o presidente era um quadro do pessedismo conservador, tinha como vice-presidente o inaceitável  Jango e sua administração apoiada pelos comunistas. Em 1954, para fazer face ao nacionalismo de Vargas, a direita inventou um “mar de lama”, que, como as armas de Saddam Hussein, jamais existiu. Em1964 a aleivosia foi uma “conspiração comunista” que a simples fragilidade do governo, derrubado sem resistência,  revelou fantasiosa. Agora, e como sempre, os herdeiros do golpismo, aprendizes medíocres do lacerdismo anacrônico, investem na injúria e na mentira para tentar denegrir a honra do mais importante líder popular contemporâneo.

Eis um inimigo que precisa ser destruído, como a era Vargas que FHC prometeu apagar da história.

Uma notória revista de questionável padrão ético, alimentada por “segundo consta” e “segundo teria dito” um réu da ação penal 470, procura, uma vez mais e não pela última vez, politizar o julgamento do “mensalão”, tentando aproximá-lo do ex-Presidente. Este objetivo é perseguido, incansavelmente, mediante, intrigas e futricas, desde 2005.

A imprensa levanta a tese, e, como respondendo a um reflexo condicionado, como o cão de Pavlov, os Partidos de direita  assumem a acusação leviana como bandeira de lutas.

Estranha história: são as atuais forças da reação – PSDB e DEM (e o penduricalho do PPS) — as fundadoras, no primeiro governo FHC, da grande fraude que foi a compra de votos para assegurar a imoral aprovação da emenda permissiva da reeleição.  Foi o PSDB que, no governo de Eduardo Azeredo, com os personagens de hoje, fundou o “mensalão”. Foi  o DEM do “mosqueteiro” Demóstenes  quem deu sustentação à quadrilha de  Cachoeira e foi o DEM de Arruda quem instalou o “mensalão”, no Distrito Federal.  São essas as forças que apontam o dedo sujo na direção do presidente Lula.

A história não se repete, sabemos (a não ser como tragédia ou farsa) mas no Brasil ela é recorrente: direita impressa, meramente mercantil ou partidária, ou seja, a direita em quaisquer de suas representações, reiteradamente derrotada nas urnas, está sempre em busca de uma crise política salvadora, que a leve ao poder, pelo golpe inclusive, já que pelo voto não o consegue.  A infâmia, a mentira, a calúnia, são, no caso,  preços moralmente irrelevantes que a reação brasileira está disposta a pagar para “varrer a era Lula”.

O mundo está menor. Semana passada chegou a temida notícia da morte de Carlos Nelson Coutinho, certamente o mais importante filósofo de minha geração. Só nos resta chorar nossa solidão crescente.

Um manifesto contra a presunção de culpa

No: Carta Maior 

José DirceuO risco de um julgamento de exceção, pré-concebido para condenar um partido, conforme advertiu o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, em entrevista recente ao jornal Valor, motivou um manifesto que tem recebido a adesão de intelectuais e artistas e deve ser enviado aos ministros do Supremo. O que se reivindica é isenção e equilíbrio.

Entre as duas centenas de personalidades que já assinaram o texto estão: Oscar Niemeyer, Alceu Valença, Luiz Carlos Bresser Pereira, Bruno Barreto, Jorge Mautner, Flora Gil, Emir Sader, Eric Nepomuceno.

Ouvido pelo jornal O Globo, o arquiteto Oscar Niemeyer, um dos primeiros signatários, afirmou: “Assinei o manifesto porque acredito que desde o início há uma campanha contra o José Dirceu”.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Charge Online do Bessinha # 203

Bessinha #203

Lula pede “orgulho pelo PT”

Em mais um comício, ex-presidente responde aos ataques dos adversários, pregando a paz. “Quero pedir a vocês para não dar trégua e não ter raiva de ninguém nem aceitar provocação. Quem tem o partido que temos e os candidatos que temos não precisa ter raiva de ninguém”, afirmou Lula, que vem sendo ameaçado com processo pelos opositores

No: Brasil 247 

lulaAtacado por adversários na política e nos meios de comunicação, com uma retórica virulenta que lembra a da década de 50, o ex-presidente Lula transmitiu algumas mensagens importantes, num comício em Santo André, no ABC paulista, neste domingo. Em resumo, pregou a paz. “Quero pedir a vocês para não dar trégua e não ter raiva de ninguém nem aceitar provocação. Quem tem o partido que temos e os candidatos que temos não precisa ter raiva de ninguém”, afirmou.

Lula também tentou animar os militantes do PT, no momento em que várias lideranças do partido, como José Dirceu e José Genoino, estão prestes a ser julgadas – e provavelmente condenadas – pelo Supremo Tribunal Federal, na Ação Penal 470. “Quando fazem críticas ao PT, a gente tem de fechar os olhos e imaginar o País sem o PT. Sem o PT, o Brasil não seria esse País alegre que é nem esse País orgulhoso que é”, disse o ex-presidente, que também vem sendo ameaçado pelos adversários com uma ação judicial em razão da “entrevista” de Marcos Valério a Veja, já negada pelo “entrevistado”.

Lula lembrou os 34 anos de história do PT, falou das greves que liderou no ABC e pediu aos militantes que tenham orgulho pelas conquistas do partido. “Vamos pegar nossa bandeira, visitar rua por rua, comércio por comércio, fábrica por fábrica e defender nosso candidato”, disse ele.

Em Santo André, o comício foi organizado pela campanha do candidato petista Carlos Grana, que está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto. Além de Lula, também participou do evento a ministra do Planejamento, Miriam Belchior.

domingo, 23 de setembro de 2012

Joaquim Barbosa, o herói da mídia

O ministro Joaquim Benedito Barbosa Gomes teria todas as características para fazer da sua vida uma história de superação. “Superação”, como se chama hoje na imprensa a luta de pessoas que partindo de condições difíceis chegam a um final feliz, no que a imprensa julga ser um final feliz.

 

Por Urariano Mota, no Vermelho 

joaquim_barbosaDe fato, a jornada do ministro do STF, desde o nascimento, mostra a trajetória de um jovem que não aceitou o destino dos pobres do Brasil. Atentem para o Benedito do seu nome, que longe está de ser algo abençoado, bendito. Benedito é marca com foros de genética, pois era o nome desde a senzala em homenagem ao santo dos pobres, o franciscano negro São Benedito, que virou um qualificativo do passado de violência e exclusão.

No breve resumo da sua vida, Joaquim Benedito Barbosa é filho mais velho entre oito crianças de pai pedreiro e mãe doméstica. Aos 16 saiu de Minas sozinho para Brasília, onde arranjou emprego na gráfica do Correio Braziliense. Então se formou em Direito na Universidade de Brasília e concluiu o mestrado em Direito do Estado. Mais adiante, informa a montagem do seu perfil no STF, seguiu uma reta somente para cima: Chefe da Consultoria Jurídica do Ministério da Saúde, Oficial de Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores, ministro do Supremo Tribunal Federal. Ali será presidente. Mas pelo andar da carruagem, ocupará, depois desse estágio, a direção da revista Veja ou da Rede Globo.

Entendam. Na parte Barbosa do seu nome, o ministro Joaquim Benedito tem sido fiel discípulo das aulas de Direito Constitucional, Penal e Administrativo dos jornais brasileiros. No chamado Julgamento do Mensalão, a sua reta vem sendo também ascendente, desde o roteiro montado pela mídia no Brasil, repetido em todas tevês e jornais com pequenas alterações, já antes do julgamento:

O mensalão seria – não, era! - um esquema clandestino de financiamento político organizado pelo PT para garantir apoio ao governo Lula no Congresso em 2003 e 2004, logo após a chegada dos petistas ao poder. Três grupos organizaram e puseram o esquema para funcionar, a saber: o núcleo político, organizado pelo então ministro da Casa Civil, José Dirceu, e integrado por outros três dirigentes partidários que integravam a cúpula do PT no início do governo Lula; o núcleo operacional, de Marcos Valério, dono de agências de publicidade que tinham contratos com o governo federal, para usar empresas com o fito de desviar recursos dos cofres públicos para os políticos indicados pelos petistas; e o núcleo financeiro, o Banco Rural, que deu suporte ao mensalão, alimentando o esquema com empréstimos fraudulentos. Etc. etc.

Além de seguir esse roteiro monótono, repetido à exaustão, em que os jornais anunciam o crime e o relator confirma, o ministro Joaquim Benedito Barbosa nesta semana foi mais longe, em sessão pública, filmada: ele comentou que os partidos políticos no Brasil são todos iguais, pois não se registram diferenças ideológicas entre eles. O que vale dizer, no mundo brasileiro não há diferenças de classe na luta parlamentar, pois os petistas são petralhas, e os socialistas, comunistas e o governo Lula são um saco de gatos ou negócios. Com tal descrédito, o ministro paga o pedágio contra o passado Benedito: os tribunais hão de corrigir o que o povo ignorante elegeu pelo voto.

É natural que Joaquim Benedito recolha agora os frutos da sua glória Barbosa. Todas as noites, até os rincões profundos, em todos os noticiários o ministro aparece. Ele jamais acordará para o que um dia disse de si um personagem de Tchekhov: “Eu não gosto da fama do meu nome. É como se ela estivesse me enganando”. Pelo contrário. Diferente do Benedito da sua origem, sobre quem a lenda conta que, preocupado com os mais pobres, furtava alimentos do convento, escondendo-os dentro de suas roupas, mas foi surpreendido um dia pelo novo Superior do Convento, que desconfiado perguntou: “O que escondes aí, debaixo do teu manto, irmão Benedito?”. E o santo humildemente respondeu: “Rosas, meu senhor!” e, abrindo o manto, de fato apareceram rosas de grande beleza e não os alimentos de que suspeitava o Superior...

Diferente das rosas do santo, o ministro Joaquim exibe todas as noites o furto pautado na imprensa. No processo do chamado mensalão, o ministro saiu do STF para um novo STJ, o Superior Tribunal dos Jornais. Lá ele tem os seus diários 5 minutos de fama. Tão pouco, para mudar a glória de uma vida que começou por Benedito e virou Barbosa.

Charge Online do Bessinha # 202

Bessinha #202

Chacina e champanhe

Por: Claudio Bernabucci, no CartaCapital 

revolver_chacinaAquela terra de ninguém que é a Baixada Fluminense voltou às crônicas nos dias passados por causa de uma horrenda chacina que resultou na morte de nove jovens. Sobraram os corpos estraçalhados. Depois de certo constrangimento público e alguma ênfase nos noticiários, é forte a possibilidade de que a questão seja destinada a um rápido esquecimento. Em terras brasileiras o valor da vida é relativo: depende da classe social.

Não que esta maldição seja uma exclusividade nacional, mas o que choca mais em relação a outros cantos da terra é que aqui a distância entre civilização e barbárie, luxo e miséria, é insignificante: basta cruzar a avenida.

Chatuba, Mesquita, os lugares da matança, são acidentes topográficos para os cariocas. Encontram-se a poucos quilômetros do centro, entre a Via Dutra e a Avenida Brasil, mas nossos carros só correm furtivos por ali em direção a São Paulo ou Angra dos Reis. O carioca comum da classe média ou alta pode passar a vida inteira sem entrar uma vez sequer em grande parte da própria cidade.

Nos mesmos dias da chacina, uma peculiar concomitância chamou minha atenção. Um evento de significado muito diverso se realizava paralelamente no Rio de Janeiro: a Feira de Arte Contemporânea, de altíssimo nível internacional, que tem atraído as melhores galerias do mundo. Esse fato representa claro sinal do renascimento depois de décadas de decadência. O Rio se configura sempre mais como relevante polo cultural e confirma sua capacidade de referência internacional em benefício do País. As galerias internacionais admitiram sem complexos que estavam aqui presentes porque consideram o Brasil um dos poucos países onde se vende muito bem. No final da Feira, calaram sobre o valor da própria ganância. Em suma, na ArtRio rolaram rios de dinheiro, e até aqui nada contra.

As minhas vísceras contorceram-se, porém, ao ler O Globo do dia 13 de setembro, onde, em editorial não assinado sobre o “genocídio em curso contra jovens”, lamentam-se os recursos limitados para combater a criminalidade e a desorganização dos governos. Lembrei-me então de um velho ditado italiano. No país do sole mio, para imprecar contra um imprevisto temporal, o povão xingava: Piove, governo ladro! (em português: “Chove, governo ladrão!”). Muito repetido até os anos 1970, tal ditado virou por sorte sinônimo de casuísmo e, hoje, quase esquecido. Ora, é verdade que brasileiros e italianos têm muitos vícios em comum, mas nunca podia imaginar que o principal jornal do Rio de Janeiro virasse paladino daquele mesquinho ditado da península.

Ante a chacina, minha reação foi outra: além da compaixão, chocou-me que dois fatos tão extremos, a barbárie de um lado e a vida glamourosa de outro, eram na realidade muito próximos, a poucos quilômetros de distância, todavia não se tocavam. Por consequência, a constatação de que, se a cidade no seu conjunto está bem melhor do que no passado, tal melhora reverte, sobretudo, em benefício das classes privilegiadas. O ritmo de desenvolvimento dos imensos setores periféricos e marginais, sem receber investimentos públicos adequados e sem atrativos para os privados, progride bem mais lentamente. Assim, as distâncias são destinadas a tornar-se insuperáveis e as duas cidades a se cristalizarem perigosamente.

Uma forma de aproximar tais extremos e de limitar as diferenças entre os dois Brasis seria responder construtivamente à queixa do Globo de que faltam recursos para combater a criminalidade. Nós acrescentamos: faltam também para uma saúde pública mais digna, e qual seja, saneamento básico em áreas insalubres e malcheirosas. Como as estatísticas demonstram (e os galeristas internacionais confirmam), a riqueza no Brasil continua imensa e concentrada em poucas mãos. Transferir parte desses enormes recursos para a realização das melhorias acima descritas significaria cumprir tarefas básicas de um país democrático decente. Após enormes enriquecimentos das décadas passadas e outros “antecedentes”, a elite brasileira deveria sentir-se chamada a uma mínima reparação ante a sua dívida histórica com o País.

Nas democracias, é o Estado que cuida da segurança, saúde e higiene pública. Consegue realizar tais serviços baseando-se em sistemas de impostos que provêm das riquezas em forma progressiva. O contrário do Brasil. Mudar o Fisco brasileiro para aproximá-lo dos sistemas das democracias mais avançadas é condição necessária para permitir ao Estado superar atrasos históricos. Na espera de uma reforma abrangente ou de medidas específicas extraordinárias, uma honesta luta contra a evasão seria auspiciosa. Infelizmente, após dez anos de governos “progressistas”, donos de helicópteros e iates continuam isentos de impostos.

O perigo de que “tudo mude para ficar sempre igual”, de siciliana memória, pode virar o fantasma da atual governança brasileira.

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A VIOLÊNCIA DÁ LUCRO !!!


Por: Antônio Carlos

Os casos de violência direta ou como podemos chamar de “violência visível” eram de pouca ocorrência há pouco tempo atrás. Mas, mesmo nesses tempo atrás a violência já era explorada no nosso chamado Regime Capitalista. Claro, não era uma exploração tão controlada e com operadores profissionais do chamado Mercado Consumidor. A exploração da violência, por parte das empresas, era feita de maneira direta (Exploração Visível)l e com o aumento da violência surgiram empresas explorando a violência de forma indireta (Exploração Invisível).

Exploração Visível da Violência

Alguns anos atrás os índices de segurança eram muitos baixos, se resumia a pequenos furtos e os assaltos não eram muito comum. As pessoas podiam viver da caça, pesca e não era tão difícil se conseguir emprego como na atualidade. Mesmo estando desempregado, as pessoas podiam fazer uma pesca, caçar algum animal e aliviar a fome até se conseguir um emprego ou conseguir colocar atividade para se ganhar a pr´pria sobrevivência.

Neste período, as empresas que exploravam o ramo de segurança, se limitavam a vender cadeados, grades de ferros e as empresas de segurança se limitavam a da segurança aos bancos. Essa atividade das empresas de segurança poderia ser chamada “Exploração Visível da Violência”.

Com o passar do tempo, esta violência visível vem aumentando e a tendência é a mesma aumentar ainda mais. O Estado em vez de se combater os motivos do aumento da violência, está se preocupando em punir e não se preocupa em combater as causas (maiores investimentos em educação e saúde são bons exemplos) que fazem aumentar essas violência.

A preocupação em punir, por parte do Estado, os responsáveis pela violência, não pode deixar de ser feita, mas o Estado tem de criar condições e combater os motivos que estão gerando o aumento da violência. Hoje, um cidadão que perde o emprego, vai para o Seguro Desemprego, terminando o tempo que tem direito de receber o seguro desemprego, o cidadão fica desprotegido na luta pela sobrevivência.

Nos tempos atuais, para sanear a fome, o cidadão não tem mais onde realizar uma pesca ou uma caça temporária para aliviar a fome até que ele consiga um novo emprego ou mesmo criar alguma coisa que possa garantir a sobrevivência. As áreas que existem para pescar ou mesmo caçar, são áreas protegidas, por motivos ecológicos, o que levaria o cidadão a responder por crime ecológico.

Essa falta de perspectiva tem levando ao aumento da criminalidade e observa-se que hoje as industrias que vendem material de segurança se sofisticaram e estão vendendo, além dos produtos de segurança existentes, equipamentos mais sofisticados como: câmeras de segurança, cercas elétricas, detectores de metais e o surgimento em grande escala de empresas que vendem o serviço de vigilância (as chamadas empresas de segurança!).


Exploração Invisível da Violência

O problema se agravou de tal maneira que nossas penitenciárias estão, todas elas lotadas. Alguns governantes estão terceirizando os serviços penitenciários e entregando todo o controle dos presos na mão de empresas particulares. Logicamente, essas empresas tem interesse que a violência aumente, já que elas recebem o pagamento por preso mantido nas celas.

Atualmente,  surgiram as empresas que exploram os presos como mão-de-obra barata (eu chamo de mão-de-obra presidiária) na execução de serviços. Essa nova modalidade de se explorar os resultados da violência está chegando ao Brasil por intermédio do Estado de são Paulo e com apoio da opinião pública,  embalada nos programas televisivos que exploram o tema da violência,  na realidade esses programas são uma modalidade de se explorar comercialmente a ramo da violência.

Concomitantemente, outras empresas que exploram o serviço da carceragem indiretamente, também tem interesse que essa situação não se altere, entre essas empresas podemos citar: empresas fornecedoras de alimentos, empresas fornecedoras dos fardamentos para presos e agentes penitenciários, empresas vendedoras de alarmes, câmeras de segurança e a nova modalidade que é a exploração do presidiário como mão-de-obra.. Todas essas empresas ganham sempre mais quanto mais se aumentar o número de presidiários!!!!

Perigo a vista

O ramo da segurança (violência) se tornou um grande negócio para essas empresas e o mais interessante é que esse negócio é mais lucrativo quanto mais o Estado deixar de combater as causas da violência (falta de investimentos em educação e saúde são bons exemplos) e agir só na hora de punir. Uma associação entre essas empresas, que exploram o ramo de segurança, nos presídios, e os governantes de plantão, garantiriam lucros eternamente a essas empresas. Tem de se observar, que os proprietários dessas empresas, também podem sair candidatos e serem eleitos administradores do Estado sem a necessidade de intermediários.

Consequências

Se a exploração da mão-de-obra presidiária se tornar uma coisa comum e vier a serem utilizadas, cada vez mais, por um grande número de empresas, irá influenciar nas condições de trabalho e salarias da mão-de-obra “livre”. Certamente, as empresas que ficarem fora da exploração desta mão-de-obra irá pedir flexibilização dos direitos trabalhistas e futuramente poderão ocorrer demissões. Esses demitidos, sem opção de terem de como ganhar a vida irão aumentar a violência e poderão serem punidos se tornando mão-de-obra presidiária. Ou seja, se futuramente se tornar comum o uso de mão-de-obra presidiária irá se criar um ciclo de geração de violência que irá criar mais mão-de-obra presidiária.


Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena Geografia - UFS

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