quarta-feira, 19 de setembro de 2012

FHC assume de vez o seu discurso neoudenista

Em ato de apoio a José Serra, ex-presidente diz que o candidato representa a “recuperação moral” da política. O mensalão, que nasceu com o PSDB, em Minas (daí a cautela de Aécio), é a bandeira que restou aos tucanos em São Paulo

No: Brasil 247 

images-cms-image-000286382Será que o Brasil voltou aos anos 50, quando Getúlio Vargas era acusado por Carlos Lacerda de estar imerso num “mar de lama”? Será esse o discurso que restou à oposição no País?

Nessa terça-feira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso rasgou de vez a fantasia e assumiu seu discurso neoudenista, ao dizer que José Serra representa a “recuperação moral” da política brasileira.

Rejeitado por 46% dos paulistanos, segundo a última pesquisa Datafolha, José Serra tem sido o político mais agressivo nos programas eleitorais. Num deles, afirmou que Delúbio Soares voltará ao poder se Fernando Haddad for eleito e, na sabatina da Folha, afirmou que o candidato do PT tem José Dirceu como “guru”.

Sob o risco de não passar para o segundo turno, e com uma candidatura que vem perdendo o apoio de intelectuais, como Luiz Carlos Bresser Pereira, que apoia Haddad, Serra recorreu a FHC. E o ex-presidente, que rege o discurso da oposição, fez um panegírico ao tucano. “Serra é o candidato que representa um reencontro do Brasil com a sua história de luta pela democracia. Uma democracia que não é para favorecer a corrupção, mas para favorecer a cidadania”, disse o ex-presidente.

“Não é difícil perceber que vivemos hoje um desses momentos de densidade histórica. Depois de vários anos que o Brasil conquistou a democracia, conseguiu avanços econômicos e avanços sociais, essa mesma democracia começa a ser minada por dentro pela falta de crença nela. E a falta de crença advém da decepção que existe no país de práticas correntes e recorrentes na política. Não preciso me referir a quais. O momento vai além do banal, além do usual. Mas nós temos, ao mesmo tempo, uma possibilidade de recuperação. É também o momento da recuperação moral. Isso tem que ser dito”, concluiu.

Será que o eleitor concorda?

Leia também:

Serra/ES. Política do descaso