sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Será que Civita vê o Brasil como um grande Paraguai?

Uma nota assinada por seis partidos políticos enxergou na última capa de Veja o embrião de um golpe, semelhante ao que levou Getúlio Vargas ao suicídio e afundou o Brasil numa ditadura de 21 anos. Um precedente acaba de ocorrer no país vizinho, agora governado por Federico Franco. Acusada de golpista, Veja tem, agora, a obrigação de provar suas acusações contra Lula, apresentando a fita que, aparentemente, não tem

No: Brasil 247 

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O empresário Roberto Civita, dono do grupo Abril, decidiu jogar truco com a democracia no Brasil. Na semana passada, Veja publicou uma capa em que o ex-presidente Lula é acusado de chefiar o mensalão, numa “entrevista” já negada pelo próprio “entrevistado”, o empresário Marcos Valério de Souza. Ato contínuo, diversos colunistas de meios de comunicação relevantes passaram a tratar como “declarações”, aquilo que o próprio “declarante” negava. Na terceira etapa, presidentes de três partidos políticos (PSDB, DEM e PPS), anunciaram a propositura de ações judiciais contra o ex-presidente Lula após o período eleitoral.

Há, portanto, um movimento em marcha para conter a força de Lula, que, segundo uma pesquisa recente da CNT/Sensus, se reelegeria com quase 70% dos votos, caso fosse candidato em 2014. Essa manobra acaba de ser denunciada numa nota conjunta assinada por seis partidos: PT, PSB, PMDB, PDT, PC do B e PRB. “Valendo-se de fantasiosa matéria veiculada por Veja, pretendem transformar em verdade o amontoado de invencionices colecionado a partir de fontes sem identificação. As forças conservadoras revelam-se dispostas a qualquer aventura. Não hesitam em recorrer a práticas golpistas, à calúnia e à difamação, à denúncia sem prova”, diz o documento, dirigido pelos partidos à “sociedade brasileira”.

O documento compara ainda a situação atual a dois momentos trágicos da história brasileira: o que levou Getúlio Vargas ao suicídio, com as denúncias udenistas do “mar de lama”, e o que derrubou João Goulart, empurrando o Brasil para uma ditadura de 21 anos. Há, ainda, na América Latina, um ambiente neogolpista, desde a deposição de Fernando Lugo, no Paraguai, que foi sucedido por Federico Franco – personagem que, com cara de bom moço, concedeu entrevista às páginas amarelas de Veja dizendo que “os generais foram leais à pátria”.

No jogo de truco, a carta mais forte é o Zap. E Veja, aparentemente, não a possui. A tal “entrevista” com Marcos Valério, ao que tudo indica, não possui fita ou registro. Seria apenas um amontoado de declarações supostamente ditas a supostos interlocutores. Como tudo indica que Veja blefou no seu truco antidemocrático, os partidos agora devolveram a bola para a revista Veja. Para negar suas intenções golpistas, a revista, desafiada por várias forças políticas, só tem uma alternativa: apresentar a fita e provar suas acusações contra Lula.

Caso contrário, a tentativa de golpe paraguaio terá sido desmascarada já no nascedouro.