sábado, 22 de setembro de 2012

Serra na marca do pênalti

Candidato do PSDB é quem mais perdeu pontos nas pesquisas em toda a corrida eleitoral; também é o que mais ataca adversários; igualmente, aquele que mais esconde seus apoiadores, entre eles o atual prefeito Gilberto Kassab; mesmo assim, mantém a fleuma de propositivo, ético e transparente; mas como um pênalti no futebol, a hora da verdade está chegando com a aproximação do dia do voto; e o jeito que Serra bate pênalti, como se viu ontem num campinho da periferia Leste de São Paulo, quando ele perdeu o sapato direito e errou o alvo, é ridículo; ou não é?

No: Brasil 247 serra_penalti_tucano

Pênalti para os tucanos! O candidato a prefeito do PSDB José Serra correu, bateu  e... lá se foi um sapato. No chute a uma bola de futebol, dado na manhã da sexta-feira 21, num campinho de terra numa escola da periferia Leste de São Paulo, o erro tosco de Serra, no lance que é decisivo para qualquer partida, foi emblemático de todos os problemas que seu desempenho eleitoral apresenta até aqui. Como se viu no voo ridículo do acessório que protegia seu pé direito, Serra está jogando mal, por mais que mantenha a velha fleuma tucana, marca registrada do partido que ele ajudou a fundar e dar identidade, de tentar transferir para os outros os problemas que são seus.

É Serra, e não qualquer outro, que iniciou o atual jogo eleitoral com entre 32% e 35% de intenções de voto, a depender do instituto que se consultasse no março deste ano. E é ele mesmo que, agora, a quinze dias do final do jogo, amarga entre 21% (Datafolha) e 15% (Vox Populi), marcando, no meio termo, 19% pelo Ibope. Entre a melhor e a pior das hipóteses apuradas por milhares de entrevistas com a população paulistana, ao mostrar sua face, sua habilidade política e sua maneira de atuar nesta campanha, a partir do início do horário eleitoral gratuito e da aceleração da agenda de compromissos – que incluiu a visita à humilde escolinha de futebol com seu campinho de terra -, Serra só faz perder. E feio. Entre 14 e 18 pontos percentuais. No colégio eleitoral paulistano de cerca de 8 milhões de votantes, significa que Serra ouviu o apito inicial tendo a seu favor algo como 2,8 milhões de torcedores (35%), passando a ser apoiado, agora, depois de exibições de estilo como a do sapato que voou, por cerca de 1,2 milhão de fãs (15%). O candidato perdeu nada menos que 1,6 milhão de adeptos!

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Na disputa real, isso está acontecendo porque Serra, que sempre – e ainda – se coloca como um formulador que está em campanha apenas e tão somente para apresentar propostas para a cidade, adotou, durante toda a disputa, e especialmente agora, um tom agressivo. A contabilidade de ataques a Fernando Haddad, que saiu de 3% para chegar a 18% no Vox Populi, e também a Russomanno, o fenômeno que subiu de cerca de 20% iniciais para 35% hoje, segundo o Datafolha, lhe dá imensa vantagem no número de bordoadas desferidas em relação às recebidas. Tanto que, apenas na semana que se encerra, seu programa eleitoral teve de ceder dois direitos de resposta para o adversário do PT. Noutra frente, não assumida, sua campanha manda fazer milhares de exemplares de cartilhas que desqualificam o mesmo Russomanno com quem, dois meses atrás, os tucanos haviam feito um pacto de não agressão.

O jogo de Serra vai virando um verdadeiro vale-tudo. Com a velha postura tucana, que só reconhece o que quer e mantém, em qualquer circunstância, o ar de superioridade, Serra continua a dizer que joga limpo. As baixarias desta campanha, iniciativas dele e de sua turma, não são com ele nem sua turma. A hora da decisão, porém, está chegando. Não vai adiantar, como aconteceu no pênalti ridiculamente batido e desperdiçado, seus assessores correrem para botar a bola de novo no lugar até que o chefe, finalmente, acertasse o chute. No dia sete de outubro, cada um dos concorrentes terá com cada eleitor apenas um encontro.

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