sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A ressaca pode vir após o show

Veja comemora a condenação de José Dirceu e José Genoino com um espetáculo de fogos de artifício em sua capa “Vitória suprema!” e trata a disputa eleitoral em São Paulo, entre Fernando Haddad e José Serra, como uma guerra que se inicia sem favoritos, apesar dos 11 pontos de frente que o petista abriu sobre o tucano; como nas festas de réveillon, depois da bebedeira muitas vezes vem a ressaca; será que Civita já tomou seu Engov?

No: Brasil 247 

veja_ptA julgar pela capa de Veja desta semana, a sede da Editora Abril, em São Paulo, ainda deve estar repleta de pontas de cigarro e garrafas vazias de champanhe. Com uma bandeira do Brasil ao fundo e um show de fogos de artifício, a revista estampou sua capa “VITÓRIA SUPREMA!”, com direito ao ponto de exclamação. Sim, nesta semana, houve festa de Réveillon na Marginal Pinheiros.

O tema do mensalão permeia toda a edição de Veja. Na Carta ao Leitor, Eurípedes Alcântara diz que “a ´farsa´ deu cadeia”, com foto de Lula e José Dirceu. Na coluna Radar, Lauro Jardim, prevê na nota “o clímax”, que o julgamento de Dirceu por formação de quadrilha acontecerá na quarta-feira que antecede o segundo turno, a tempo, portanto, de José Serra inserir em seu programa eleitoral a imagem do julgamento e de qualificar o PT como um bando de quadrilheiros.

Quando trata do julgamento em si, Veja carimba um “condenado” sobre as imagens de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares. E diz que o ex-presidente do PT não foi condenado por sua biografia, mas apenas em função da parte mais infame dela.

Na sequência, vem a eleição de São Paulo, uma disputa que, segundo Veja, ainda “não tem um claro favorito”, apesar dos 11 pontos de frente que Fernando Haddad, do PT, abriu sobre José Serra, do PSDB. Veja lembra ainda que, na história das eleições em São Paulo, quem terminou o primeiro turno em primeiro lugar (Serra) sempre venceu. Bom, como nas festa de Réveillon, é preciso acreditar e fazer sempre um pedido especial aos santos.

Como se sabe, é a disputa na capital paulista que alimenta a retórica do ódio contra o PT. Por trás disso, há uma máquina política poderosa, criada por José Serra na prefeitura e no governo estadual, que conta também com um farto aparato de comunicação. Dias antes do primeiro turno, a revista Veja São Paulo saiu com uma capa sobre o prefeito Gilberto Kassab, que influi na rejeição a Serra, com o título “Será que estamos sendo justos com ele?”. Depois, soube-se que a prefeitura pagou R$ 1,4 milhão à Abril pela compra de revistas Nova Escola.

O PT já comanda a máquina federal e não há indício de que esteja prestes a sair. O ciclo de poder do PSDB em São Paulo, no entanto, mostra sinais de esgotamento. E é possível que depois da vitória suprema venha a derrota humilhante, assim como depois da bebedeira muitas vezes vem a ressaca. Será que Roberto Civita já renovou seu estoque de Engov?