terça-feira, 9 de outubro de 2012

Altamiro Borges: Serra é o candidato dos ricaços

O Estadão Dados, da família Mesquita, e o Ibope realizaram um estudo sobre o “mapa do voto” no primeiro turno das eleições para a Prefeitura de São Paulo. O resultado é elucidativo.

Por Altamiro Borges, no Vermelho 

jose_serraComprova que o tucano José Serra é o candidato dos ricaços, das elites que residem nas áreas nobres da capital, e que o petista Fernando Haddad obteve sua melhor votação nos bairros mais carentes da periferia, onde moram os trabalhadores desta injusta capital.

É lógico que o Estadão preferiu apresentar estes dados de forma maquiada, disfarçada.
A pesquisa dividiu a cidade entre as “zonas eleitorais antipetistas” e as “zonas eleitorais petistas” – sem explicar a razão destas opções partidárias. Para o jornalão, a divisão de classes não existe – é invenção dos comunistas e esquerdistas. Não há choque entre patrões e trabalhadores e nem conflito de interesses entre elites e setores mais carentes da população.

Deixando de lado esta querela teórica, a pesquisa conclui que “Serra ganhou em todas as zonas eleitorais antipetistas e Haddad ganhou em todas as zonas eleitorais petistas”.
A pesquisa ainda agrega as chamadas “zonas volúveis”, em que o voto não estaria consolidado.

A única explicação para esta divisão do eleitorado é que “as zonas antipetistas têm renda média 2,5 vezes maior do que as zonas petistas. Elas formam uma área homogênea e contígua no centro expandido. As zonas petistas estão distribuídas nas periferias sul, leste e norte da cidades. As zonas volúveis ficam sempre entre as petistas e as antipetistas e formam uma área de transição econômica e política”.

O Estadão poderia ser mais simples e sincero no seu estudo – mas isto poderia atiçar a consciência da maioria trabalhadora e pobre da capital paulista. Um levantamento nos dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que o José Serra venceu com folga nos bairros ricos da cidade. No Jardim Paulista, que concentra a parcela mais abastada e mesquinha da sociedade, o tucano obteve 66,72% dos votos e o petista teve apenas 14,41%. Nos bairros da chamada “classe média”, que come mortadela e arrota caviar, a disputa foi mais apertada, mas o tucano também venceu. Na Bela Vista, por exemplo, Serra teve 43,91% dos votos e Haddad teve 25,83%.

Já periferia trabalhadora, Haddad compensou a desvantagem e garantiu a ida ao segundo turno. Na sofrida Guaianazes, o petista teve 42,95% dos votos e o tucano abocanhou 13,11%. O “azarão” do PRB também foi bem, com 28,66%. Já no Grajaú, bairro com tradição de lutas sociais, Haddad obteve 46,64%, Serra 11,22% e Russomanno 25,28%. A imensa maioria do eleitorado paulistano está nas periferias carentes da cidade. Ela votou majoritariamente no petista, seguido do “azarão”. Ela é que definirá o segundo turno em 28 de outubro.