terça-feira, 23 de outubro de 2012

Após incêndio, prefeitura de São Paulo vai desalojar parte de favela na zona leste

Famílias que conseguiram salvar casa no incêndio ocorrido em agosto terão de deixar moradia e receberão R$ 2.100 de indenização

Por: Sarah Fernandes, no Rede Brasil Atual 

incendio_favela_spPelo menos 50 famílias da favela da Vila Prudente, na zona leste de São Paulo, que conseguiram salvar suas casas do incêndio ocorrido em agosto, serão obrigadas pela prefeitura a abandonarem suas residências. Sem muitas explicações. A determinação foi anunciada há cerca de um mês, em uma reunião com representantes da Secretaria Municipal de Habitação, de acordo com os próprios moradores.

Ainda não há data para deixarem o local, porém já se sabe que eles receberão da prefeitura R$ 2.100, referentes a sete meses adiantados de auxílio-aluguel, de R$ 300. A remoção atingirá os barracos instalados entre a estação de trem Ipiranga e o centro de compras Mooca Plaza Shopping, a mesma que pegou fogo há dois meses.

O anúncio da desapropriação foi feito em uma reunião com um representante da Secretaria de Habitação, de acordo com a moradora Elza Miranda e Souza, que, além da casa, possui um pequeno bar no local. “Ela disse que não tinha mais nada para nós além dos R$ 2.100 e que não podia assumir nada nas vésperas da eleição. Ela disse que tudo o que podia fazer era entrar em contato daqui a sete meses para saber se iam continuar com o bolsa aluguel”.

Na ocasião, Elza avisou que R$ 300 não são suficientes para pagar um aluguel. “Ela disse que se eu tivesse um parente que morasse em cima podia entrar em acordo com ele para nos ajudarmos. Com um valor desse você só arruma (casa) em favela. Por que eles não deixam a gente no nosso lugar?”.

O também comerciante e morador Severino de Alencar concorda. “Acho errado eles quererem dar uma esmola para a gente. Se você está com seu rancho aqui, um ponto comercial, que nem a gente, o que vai fazer? Para morar dá para morar em qualquer lugar, mas uma coisa assim, para a gente sobreviver, é mais difícil. A gente, que é favelado, é discriminado por todo mundo”. De acordo com ele, a prefeitura não justificou a retirada das pessoas.

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