domingo, 7 de outubro de 2012

“Fenômeno” esgota; Haddad e Serra farão 2º turno em SP

O fenômeno sucumbiu no primeiro turno. Líder durante a maior parte da campanha, o candidato Celso Russomanno (PRB), em queda livre há duas semanas, encerrou a primeira fase da campanha na terceira colocação, atrás de José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT).

Por Gabriel Bonis e Matheus Pichonelli, no CartaCapital 

Rusomano UniversalDessa forma, uma das mais arriscadas estratégias políticas do currículo de Luiz Inácio Lula da Silva triunfou. Ao menos até agora. Com o discurso de que São Paulo, uma das regiões mais refratárias ao PT, precisava de um rosto novo para governar a cidade, o ex-presidente conseguiu levar seu ex-ministro da Educação, novato em eleições, a um desempenho semelhante ao do ex-governador, ex-prefeito, ex-deputado e ex-senador José Serra (PSDB).

Serra, dado como favorito antes do início oficial da corrida, chegou à frente na disputa, com 31% dos votos válidos. Haddad, que até semana passada não aparecia sequer com 20% das intenções de votos, recebeu 29%. O ex-líder da campanha terminou com 21,57%. “Foi uma jornada difícil, eu saí de 3% de intenção de votos, chegamos a 29% dos votos válidos, uma trajetória significativa”, disse Haddad em coletiva neste domingo 7, já garantido no segundo turno.

Um lugar que, para o cientista político Celso Roma, jamais foi ameaçado pela campanha Russomano. A polarização entre PT e PSDB, defende, estava definida desde o inicio da eleição. “Serra e Haddad tiveram maior tempo de exposição no radio e televisão, além de seus partidos possuírem muitos filiados e cabos eleitorais que puderam ser mobilizados para tentar convencer os indecisos.” Essa estrutura faltou ao candidato do PRB, que viu sua base de votos ruir em pouco mais de uma semana.

Outro fator que ajudou na derrocada de Russomano é a tradicional limitação geográfica dos eleitores petistas na periferia da cidade e tucanos no centro expandido. “Na reta final, Serra e Haddad se esforçaram nestas regiões.” Nelas, obtiveram os seus melhores resultados.

Ainda é uma incógnita para onde irá agora esse um quinto do eleitorado do peerrebista. Mas é fato que, na maior cidade do País, valerá o peso de dois modelos de governo. Serra terá ao seu lado o governador Geraldo Alckmin, um dos principais artífices de sua campanha. Haddad, por sua vez, levará ao palanque a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, para quem a atual eleição foi uma das mais complicadas que já disputou.

Além disso, precisam se preocupar com o elemento geográfico também no segundo turno.  E para isso, vão precisar do apoio reforçado de seus padrinhos políticos. “Dependem mais deles que de si mesmos”, aponta Roma. Dilma é uma chave para a classe média do centro expandido loteado por Serra, Lula e Marta um bilhete para os eleitores mais pobres. FHC e Alckmin podem ajudar o Serra a manter eleitorado e, principalmente, garantir que cumprirá seu mandato até o fim.

“É inevitável agradecer a ajuda de algumas lideranças. Fiquei muito emocionado com duas ligações que recebi, uma da presidenta Dilma Rousseff e outra do ex-presidente Lula, que me ajudaram a consolidar esse plano de governo”, disse Haddad.

De acordo com Roma, os votos de Russomano devem migrar para Haddad. Serra deve ser atingido por sua alta taxa de rejeição. “Serra foi rejeitado por uma parte dos eleitores conservadores. O problema não vai ser dirigir ao eleitorado do PSDB, mas aos antipetistas, que neste momento o rejeitaram e votaram em Russomanno.”

Há também, as alianças. Gabriel Chalita, candidato do PMDB que obteve 13% dos votos, fatalmente estará ao lado de Haddad. Serra, enquanto isso, começa a se movimentar. Nas palavras do candidato a vice de sua chapa, Alexandre Schneider, a hora agora é de buscar apoio de qualquer partido. “Vamos até mesmo atrás dos votos do Gianazzi”, prometeu Schneider, meio irônico, meio sério, sobre a importância, a essa hora, dos 61.515 (1,02%) obtidos pelo candidato do PSOL.