sábado, 6 de outubro de 2012

Russomanno, Haddad e Serra: quem vai ao segundo turno?

No: CartaCapital 

RussomanoSão Paulo chega ao dia da eleição sem uma perspectiva clara de quem vai ao segundo turno. Na reta final da campanha, Celso Russomanno (PRB) despencou nas pesquisas pela prefeitura. No levantamento do Ibope, caiu sete pontos percentuais em uma semana e agora tem 27% das intenções de voto. No Datafolha, caiu dez pontos em duas semanas e agora tem 25%, empatado tecnicamente com José Serra (PSDB). Nas pesquisas dos dois institutos, Serra e Fernando Haddad (PT) também aparecem empatados dentro do limite da margem de erro. Devido ao alto número de eleitores sem votos definidos e a tendência de queda de Russomanno, qualquer combinação entre os três candidatos é possível no segundo turno.

A queda de Russomanno é uma consequência das críticas sofridas pelo candidato nas últimas duas semanas. PT e PSDB se resumiram a atacar uns aos outros durante dois meses. Esperavam que Russomanno fosse um “cavalo paraguaio” e desidratasse naturalmente. Além disso, temiam que, ao atacar o candidato do PRB, os votos dele fossem a um de seus outros oponentes.

Desde a semana passada, PT e PSDB mudaram o diagnóstico e começaram a criticar o líder nas pesquisas. Os dois candidatos focaram os ataques nas propostas pouco claras de Russomanno. Nos dias anteriores à eleição, ambos ainda levam panfletos às ruas com críticas ao líder das pesquisas.

A reação também veio. Antes de se tornar o alvo preferido, Russomanno dizia fazer uma campanha propositiva, e que evitava atacar seus adversários. Na última semana, mudou de postura. Em seu programa na televisão, bateu na mesa e chamou Haddad de mentiroso.

O pastor Edir Macedo, líder da Igreja Universal, que controla o partido de Russomanno, também apareceu defendendo o candidato do seu partido. Em seu blog, publicou um texto supostamente de um fiel. “Com o Sr. Haddad na prefeitura, sem a presidenta como chefe, é óbvio que ele estará livre para infestar as escolas municipais com seu kit gay”. O texto também defende a direção do partido, formado majoritariamente por bispos da IURD. “O PRB tem em seus cargos de direção verdadeiros homens de Deus.”

Enquanto isso, o desempenho de Serra e Haddad, apontados como favoritos antes do início da campanha, mostra como a estratégia inicial do PSDB e do PT se esgotou ao longo da corrida eleitoral. Nenhum dos dois se consolidou com mais de 25% das intenções de voto desde o início oficial da campanha, o que abriu espaço para a terceira via chamada Russomanno.

Ambos fizeram campanhas previsíveis: Haddad, apoiado no padrinho Luiz Inácio Lula da Silva, e nos números de sua gestão à frente do Ministério da Educação, sobretudo relativos à universalização do Enem e da expansão das universidades federais. Teve como principal desafio se apresentar a parte do eleitorado como o candidato do ex-presidente – em boa parte da campanha sem o apoio de Marta Suplicy, a ex-prefeita bem votada na periferia que se ausentou de parte da campanha e cobrou alto pelo seu engajamento: uma vaga no Ministério da Cultura.

Se faltou apoio da ex-prefeita, o mesmo não pode ser dito de Lula, cuja onipresença na campanha petista foi notada do primeiro ao último instante e levou o ex-presidente a declarar, em evento na sexta-feira 5, que esta é a mais duras disputas das quais participou em São Paulo. Pudera: a aposta no novo foi alta, e o resultado da eleição não deixará de ser um alerta, ou mais um trunfo, para os objetivos futuros de Lula e seu partido.

Serra, por sua vez, se fiou no recall de outras eleições e em sua biografia como ex-secretário de estado, ex-ministro, ex-senador, ex-deputado, ex-governador, ex-presidenciável por duas vezes e e ex-prefeito da mesma cidade que hoje tenta voltar. E foi justamente esta passagem de sua biografia que se transformou em pivô da maioria das críticas, já que deixou a prefeitura em 2006 para concorrer ao governo do estado de São Paulo. A sua “meia gestão” foi lembrada pelos adversários para mostrar que o tucano não tinha compromisso com a cidade.

Fato é que o mais rodado dos candidatos chega à reta final com um índice de rejeição em torno de 45%. Um índice muito alto para quem pretende reunir forças e começar uma nova eleição num eventual segundo turno. Isso se chegar até lá.

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