quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Serra recebe apoio e elogio de quem acha “razoável” ganhar cargo em eventual governo

O líder do PTB em São Paulo, Campos Machado, espera que o tucano “dê espaço” ao partido em caso de vitória; vereador do PDT lembrou que Serra deu a Secretaria de Trabalho à legenda

Por: Tadeu Breda, no Rede Brasil Atual 

serraPara o candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, hoje (11) foi dia de elogiar e ser elogiado. O tucano recebeu oficialmente o apoio do PTB e do PDT para o segundo turno das eleições municipais, e esteve o tempo todo acompanhado do governador paulista e seu correligionário, Geraldo Alckmin. Por alguns minutos, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) também emprestou seu prestígio àquele que deseja ser seu sucessor no Palácio do Anhangabaú.

O dia começou no diretório estadual do PTB, localizado na avenida Nove de Julho, zona oeste da capital. José Serra chegou com uma hora de atraso para ouvir as palavras acolhedoras de Campos Machado, deputado estadual e presidente da legenda em São Paulo. Outra presença foi a de Luiz Flávio Borges D'Urso, candidato a vice-prefeito na chapa de Celso Russomanno (PRB). Ao contrário de seu aliado no primeiro turno, que ontem (10) decidiu manter a neutralidade, o PTB resolveu prestar “apoio total” ao tucano. E seu líder explicou por quê.

“Em função da lealdade que eu tenho com Geraldo Alckmin, tive que fazer uma opção: ou procuro o marionete” – disse Campos Machado, em referência ao candidato do PT, Fernando Haddad – “ou procuro alguém que tenha realmente condições de cuidar de nossa cidade.” O presidente do PTB garantiu que seu apoio nasce da convicção de que José Serra será melhor prefeito, e não de barganhas políticas ou promessas de cargo na administração tucana. Mas admitiu que, em caso de vitória, espera que o PSDB procure a sigla para uma conversa. “Se ganharmos as eleições, acho que é razoável que ele nos dê espaço.”

Campos Machado ofereceu toda a estrutura do PTB para ajudar na vitória tucana. “Vamos manter os seis comitês regionais, em todas as zonas da cidade, para entrar na campanha de Zé Serra de peito, alma e coração”, disse o petebista, colocando à disposição do PSDB também os diretórios do partido. E lançou um desafio ao candidato rival: “Vai ser um tira-teima pra saber quem tem mais militância nas ruas: se o PT ou PTB.” Por fim, Campos Machado prometeu a José Serra que não haverá dissidência nas filas do partido. “Aqui temos comando, e quem não quiser apoiar, que silencie.”

Depois de receber as bênçãos do PTB – e dizer que as palavras de Campos Machado deveriam ser registradas pelo Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS) por representarem o discurso dos grandes petebistas da história do Brasil –, José Serra dirigiu-se ao bairro da Liberdade, no centro, onde somaria mais elogios e palavras de apreço. Desta vez, o anfitrião era o PDT, que no primeiro turno das eleições havia lançado como candidato à prefeitura o deputado federal e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força.

O pedetista entregou sua proposta de governo para José Serra e pediu que o tucano incorporasse algumas de suas ideias ao programa que o PSDB promete apresentar na próxima segunda-feira (15). Paulinho destacou dois pontos de seu documento: descentralização de empregos e fim da indústria das multas em São Paulo. “O cidadão, quando para no farol à noite, não sabe se vai ser assaltado pela prefeitura ou pelo ladrão”, ironizou, lembrando que a diferença no limite de velocidade das ruas e avenidas paulistanas acaba provocando confusão nos motoristas e um número elevado de autuações.

Paulinho afirmou que o apoio do PDT ao PSDB tem mais a ver com o passado de ambos os partidos – e não com o futuro. “Não há cargos em jogo”, assegurou. Antes, porém, o vereador Cláudio Prado, presidente do PDT na capital, lembrou que José Serra sempre assumiu compromisso com a sigla. “Quando ganhou na primeira vez, ele disse que a Secretaria do Trabalho seria do PDT – e foi do PDT.” No plano estadual, o PDT ocupa a Secretaria do Emprego e Relações de Trabalho. Contudo, Paulinho seguiu negando a existência de barganha política, e justificou sua preferência por José Serra como alternativa ao poderio do PT no país.

“Temos que dividir o poder em São Paulo para que a presidenta Dilma Rousseff possa tratar melhor os trabalhadores”, comentou. “O meu apoio a você, Serra, é porque eles não cumpriram o que prometeram.” Paulinho se refere a exigências do movimento sindical que não foram atendidas pelo Planalto: fim do fator previdenciário para o cálculo de aposentadorias, criado durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB); isenção de Imposto de Renda sobre a participação nos lucros ou rendimentos (PLR); e tratamento diferenciado ao funcionalismo público federal, que recentemente conduziu uma greve por reajuste salarial.

José Serra devolveu os elogios recebidos dos membros do PDT, da Força Sindical e da União Geral dos Trabalhadores (UGT) que estiveram presentes ao ato. O tucano falou sobre suas realizações como deputado federal e governador de São Paulo e prometeu encampar algumas propostas apresentadas pela candidatura de Paulinho. “Recebi o apoio do PDT e do PTB com muita satisfação”, disse mais tarde, em entrevista coletiva. “É um apoio que implica mobilização eleitoral para nossa vitória no segundo turno, implica recolher contribuições para nosso programa e implicará, no futuro, governarmos juntos a cidade de São Paulo.”