sábado, 3 de novembro de 2012

“Veja”, o atirador careca e a mulher barbada

No: Carta Maior 

veja nao leiaA revista “Veja” e a crosta que orbita em torno dela decidiram que o Brasil é um parque de diversões do conservadorismo decadente. Um “focinho de porco” onde se vende desde o elixir da juventude dos livres mercados, a tucanos sábios e o túnel dos horrores da esquerda.

Tudo meio gasto, decrépito, exalando picaretagem e golpe. Um dos caça-níqueis do negócio é a barraquinha do “tiro ao Lula”. Pouca demanda. Pintura descascada e balcão sujo. Para animar a freguesia, Veja & a crosta volta e meia instalam Marcos Valério no meio a clientela; ele faz uns disparos com a espingardinha de rolha.

Atrás da cortina colunistas isentos sacodem os bonequinhos de Lula, fingindo que a rolha desta vez acertou. Tudo um pouco capenga. Às vezes sacodem o bonequinho antes do tiro e continuam sacudindo depois, sem parar, mesmo sem nenhum disparo.Valério franze o cenho e olha em volta, como se perguntasse: “E agora, o que eu faço?”

Os patrocinadores tentam compensar o descrédito com decibéis, alardeiam prêmios milionários ao misterioso “atirador careca”. Os transeuntes olham aquilo com ar de enfado.

Moscas zumbem. A mulher barbada tira os pelos postiços e se troca em público. Amanhã tem mais.