terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Dilma repudia tentativas de desgastar imagem de Lula

Em Paris, presidenta afirma que vai atuar todas as vezes que se tente tirar do ex-presidente 'a imensa carga de respeito que o povo brasileiro lhe tem'; presidente do Instituto Lula duvida de versão divulgada por jornal

No: Rede Brasil Atual 

lula_dilmaA presidenta Dilma Rousseff declarou em Paris, onde participa da abertura do Fórum pelo Progresso Social, que rejeita as investidas que visam a desgastar a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “É sabida a minha admiração, o meu respeito e a minha amizade pelo presidente Lula. Portanto, eu repudio todas as tentativas – e esta não será a primeira vez – de tentar destituí-lo da imensa carga de respeito que o povo brasileiro lhe tem”, disse ela a jornalistas na capital francesa. “Essa é uma questão que eu devo responder no Brasil, mas eu não poderia deixar de assinalar que acho lamentável essas tentativas de desgastar a imagem do ex-presidente Lula”, acrescentou a presidenta, segundo reportagem da Folha Online.

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, o empresário Marcos Valério afirmou, em depoimento prestado em setembro à Procuradoria-Geral da República, para se valer do benefício da delação premiada, que o chamado esquema do “mensalão” ajudou a bancar “despesas pessoais” do ex-presidente.

Também em Paris, onde participa de seminário promovido pelo Instituto Lula, o presidente da entidade, Paulo Okamotto, colocou em dúvida a versão do diário, responsável por difundir ainda a informação de que Valério teria sido ameaçado de morte pelo assessor do ex-presidente caso divulgasse qualquer coisa a respeito do caso. “Por que eu vou ameaçar ele de morte? Duvido que ele tenha falado isso”, afirmou Okamotto a jornalistas. “Não tenho nenhum motivo para desejar mal ao Marcos Valério. Conheci ele depois do episódio do mensalão. (...) Eu me sinto tranquilo.” 

Na Câmara dos Deputados, partidos de oposição cobraram explicação sobre a denúncia. O líder do PPS, Rubens Bueno (PR), disse que a legenda já apresentou uma representação ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para investigar as novas denúncias de Valério. 

Segundo a Agência Câmara, o líder do PSDB, deputado Bruno Araújo (PE), quer a divulgação do depoimento de Valério. "Queremos que o Ministério Público dê transparência e divida com o Brasil e com a imprensa as denúncias feitas por Marcos Valério. Não há nada do ponto de vista legal que proteja essas informações", disse. Se não houver maioria para aprovar um convite para Valério depor no Congresso, defende Araújo, ele deveria ir ao Parlamento “informalmente".
Perguntado se acha que há necessidade de investigações, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, relator da Ação Penal 470 (mensalão) na Suprema Corte, disse apenas: "Eu creio que sim", segundo a Agência Brasil.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, declarou, por meio de sua assessoria, que não fará nenhum comentário sobre o assunto. Ele disse que só falará depois da conclusão do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal.

José Dirceu

Em seu blog, o ex-ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, postou nota de seu advogado, José Luis Oliveira Lima, refutando as informações divulgadas pelo jornal paulistano. “A prova testemunhal e documental produzida na Ação Penal 470 (mensalão) demonstrou de maneira cabal que a nova declaração de Marcos Valério não tem qualquer procedência”, diz Oliveira Lima. 

Segundo o advogado, “o ex-ministro José Dirceu jamais se reuniu com Marcos Valério, com o ex-presidente Lula e Delúbio Soares no Palácio do Planalto, bem como nunca conversou qualquer assunto com ele (Valério), muito menos a respeito de financiamentos de campanhas”. Oliveira Lima também afirma que “Dirceu jamais foi ameaçado por Ronan Maria Pinto. A quebra do sigilo fiscal e telefônico do ex-ministro deixou patente a ausência de relação com Marcos Valério”.

O Partido dos Trabalhadores divulgou nota oficial, assinada pelo presidente da legenda. O comunicado também refuta as informações do Estadão: “Caso essas declarações efetivamente tenham sito feitas em uma tentativa de ‘delação premiada’, deveriam ser tratadas com a cautela que se exige nesse tipo de caso. Infelizmente, isso não aconteceu”. No comunicado, Rui Falcão diz que “é alvo constante de setores da sociedade que perderam privilégios” durante o dois mandatos de Lula e o atual, de Dilma Rousseff.